{"id":53216,"date":"2016-11-06T19:34:55","date_gmt":"2016-11-06T22:34:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=53216"},"modified":"2016-11-06T19:35:54","modified_gmt":"2016-11-06T22:35:54","slug":"artico-um-espaco-para-iniciativas-colaborativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/artico-um-espaco-para-iniciativas-colaborativas\/","title":{"rendered":"\u00c1rtico: um espa\u00e7o para iniciativas colaborativas"},"content":{"rendered":"<p>Sergio C. Trindade* \u2013<\/p>\n<p>A quarta Assembleia do C\u00edrculo \u00c1rtico teve lugar em Reykjav\u00edk (7 \u2013 9 Outubro 2016). Mais de 2 mil pessoas compareceram. Esta s\u00e9rie de reuni\u00f5es anuais foram originadas em 2013, pelo ent\u00e3o Presidente da Isl\u00e2ndia, \u00d3lafur Gr\u00edmsson, e pela jornalista estadunidense Alice Rogoff. Essa Assembleia foi concebida como um f\u00f3rum democr\u00e1tico aberto, onde todos os tipos de ideias sobre o \u00c1rtico poderiam ser propostas e discutidas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/artico10.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-215780  alignnone\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/artico10.jpg\" sizes=\"(max-width: 437px) 100vw, 437px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/artico10.jpg 365w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/artico10-300x283.jpg 300w\" alt=\"artico10\" width=\"639\" height=\"603\" \/><\/a>Participei em todas elas. Na reuni\u00e3o inicial fiz uma apresenta\u00e7\u00e3o plen\u00e1ria sobre a mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a sustentabilidade do \u00c1rtico. Em 2014, reuni panelistas do Canad\u00e1, Finl\u00e2ndia, Fran\u00e7a, R\u00fassia e da OCDE para discutir as m\u00e9tricas de sustentabilidade no \u00c1rtico. No ano seguinte, o tema foi o Brasil e a sustentabilidade do \u00c1rtico e os painelistas foram o Embaixador Flavio Macieira; Prof. Jeferson Sim\u00f5es, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul; Prof. Carolina Freire, da Universidade Federal do Paran\u00e1; Ieda Gomes, consultora internacional de energia baseada no Reino Unido, e eu.<\/p>\n<p>Neste ano, em 7\/10, o painel focou em oportunidades emergentes para iniciativas colaborativas entre os BRICS no \u00c1rtico. Representantes da R\u00fassia e do Brasil, e remotamente da China (Yao Zhang, Centro de Mar\u00edtimo e Estudos Mar\u00edtimos e Polares, Xangai) e \u00cdndia (R. K. Pachauri, ex-Presidente do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas) participaram. Ningu\u00e9m da \u00c1frica do Sul participou. A professora Carolina Freire; Celma Hellebust, brasileira com base na Noruega, advogada e consultora empresarial, membro do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Brasil-Noruega \u2013 BNCC e Vice-C\u00f4nsul Honor\u00e1rio do Brasil em Stavanger, Noruega, e eu representamos o Brasil, todos em capacidade individual e \u00e0s nossas pr\u00f3prias custas.<\/p>\n<p><strong>BRICS: o Oeste global muda-se para o Leste<\/strong><\/p>\n<p>A no\u00e7\u00e3o de BRICs emanou de Jim O\u2019Neill, um banqueiro da Goldman Sachs, que viu semelhan\u00e7as entre os pa\u00edses dos BRICs e sugeriu, em 2001, o acr\u00f4nimo BRIC para representar a todos. Cinco anos mais tarde, os BRICs (menos \u00c1frica do Sul, que aderiu apenas em 2010), reuniram-se em Nova Iorque no momento da sess\u00e3o da Assembleia Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas e formalizaram o agrupamento. A primeira reuni\u00e3o formal teve lugar em Ekaterinburg, R\u00fassia em 2009. O \u00edmpeto inicial era unir for\u00e7as para melhorar a economia global, que na \u00e9poca estava sofrendo de uma grave recess\u00e3o. Al\u00e9m disso, os BRICs tinham a inten\u00e7\u00e3o de reformar as institui\u00e7\u00f5es financeiras internacionais, as chamadas institui\u00e7\u00f5es de Bretton-Woods.<\/p>\n<p><strong>Os BRICS s\u00e3o grandes, mas carecem de influ\u00eancia internacional expressiva<\/strong><\/p>\n<p>A popula\u00e7\u00e3o dos BRICS atinge cerca de 3 bilh\u00f5es de pessoas. Seu PIB combinado \u00e9 de cerca de 20% do mundo estimado em US $ 16 trilh\u00f5es. Det\u00eam cerca de US $ 4 trilh\u00f5es em reservas financeiras. No entanto, eles n\u00e3o t\u00eam muito a dizer na governan\u00e7a internacional, apesar do fato de que dois deles, China e R\u00fassia, s\u00e3o membros permanentes do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Consequentemente, os BRICS oferecem-se como uma alternativa geoecon\u00f4mica e geopol\u00edtica ao atual paradigma de governan\u00e7a global.<\/p>\n<p>Os BRICS s\u00e3o de fato uma alternativa para o sistema de Bretton-Woods. Eles j\u00e1 criaram um banco de desenvolvimento alternativo na forma do Novo Banco de Desenvolvimento, com sede em Xangai, em julho de 2015. J\u00e1 contam com um escrit\u00f3rio regional em Johanesburgo e um memorando de entendimento com o Banco Asi\u00e1tico de Desenvolvimento, assinado em Julho de 2016. Outra op\u00e7\u00e3o oferecida pelos BRICS \u00e9 um arranjo alternativo de reservas financeiras de conting\u00eancia para facilitar as transa\u00e7\u00f5es financeiras entre seus membros.<\/p>\n<p>Em suma, os BRICS compartilham preocupa\u00e7\u00e3o com seguran\u00e7a e com o desenvolvimento econ\u00f4mico. Todos os BRICS, exceto a \u00c1frica do Sul t\u00eam grande extens\u00e3o territorial e economias grandes. Mas, hoje eles j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam taxas similares de crescimento econ\u00f3mico que exibiram no passado. R\u00fassia, China e \u00cdndia t\u00eam territ\u00f3rio cont\u00edguo no Hemisf\u00e9rio Norte, enquanto o Brasil e a \u00c1frica do Sul est\u00e3o em diferentes continentes do Hemisf\u00e9rio Sul. H\u00e1 uma hist\u00f3ria de tens\u00f5es entre a R\u00fassia e a China, bem como entre a China e \u00cdndia.<\/p>\n<p>Apesar das dificuldades, se os BRICS se disp\u00f5em a ter um impacto duradouro sobre assuntos mundiais devem encontrar mais pontos em comum e possibilidades de iniciativas conjuntas. Todos os BRICS est\u00e3o envolvidos individualmente em trabalho na Ant\u00e1rtica. Assim, \u00e9 um desdobramento natural que os BRICS explorem trabalho colaborativo no \u00c1rtico!<\/p>\n<p><strong>Colabora\u00e7\u00e3o entre os BRICS no \u00c1rtico<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 uma ampla margem para a coopera\u00e7\u00e3o BRICS no \u00c1rtico. Mas, o primeiro passo seria para o Brasil e \u00c1frica do Sul para se tornarem membros do Conselho do \u00c1rtico em condi\u00e7\u00e3o de Observador, como a China e a \u00cdndia j\u00e1 s\u00e3o. R\u00fassia, \u00e9 claro, \u00e9 um membro permanente do Conselho do \u00c1rtico.<\/p>\n<p>Brasil e \u00c1frica do Sul poderiam considerar juntar os projetos em curso com a China, \u00cdndia e R\u00fassia em v\u00e1rios dom\u00ednios. Em geral, os BRICS podem procurar oportunidades de trabalho conjunto no \u00c1rtico em \u00e1reas de interesse comum e compet\u00eancia, em ci\u00eancia, tecnologia, meio ambiente e com\u00e9rcio.<\/p>\n<p>A coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica poderia envolver mudan\u00e7as clim\u00e1ticas; biologia marinha; glaciologia; geologia, e muitas outras \u00e1reas. Iniciativas conjuntas em tecnologia poderiam cobrir as energias renov\u00e1veis; gest\u00e3o de metano e di\u00f3xido de carbono do permafrost; pesquisa e explora\u00e7\u00e3o seguras explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s, e outros interesses. Quanto ao meio ambiente, tanto em ambientes f\u00edsicos quanto humanos, a coopera\u00e7\u00e3o poderia considerar concep\u00e7\u00e3o e implementa\u00e7\u00e3o de marcos regulat\u00f3rios; a expans\u00e3o de medidas de preven\u00e7\u00e3o de desastres e recupera\u00e7\u00e3o, e muitos mais. No com\u00e9rcio e investimento, a maior dura\u00e7\u00e3o anual da abertura do oceano \u00c1rtico est\u00e1 fazendo da regi\u00e3o \u00e1rtica a \u00faltima fronteira de desenvolvimento. Isso oferece oportunidades para iniciativas de colabora\u00e7\u00e3o no sector da pesca, minera\u00e7\u00e3o, petr\u00f3leo e g\u00e1s, transporte, constru\u00e7\u00e3o naval, constru\u00e7\u00e3o de portos, desenvolvimento urbano e turismo.<\/p>\n<p>Entretanto, na recente reuni\u00e3o dos BRICS (Goa, \u00cdndia, 15-16 outubro), a amplia\u00e7\u00e3o do escopo dos BRICS para desenvolver iniciativas no \u00c1rtico \u00e9, portanto, uma nova ideia digna de considera\u00e7\u00e3o, mas infelizmente n\u00e3o esteve na agenda da reuni\u00e3o de Goa. Nosso pa\u00eds, acredito, necessita ser mais criativo e ousado e explorar novas ideias se deseja perseguir um destino de lideran\u00e7a global e de lideran\u00e7a em desenvolvimento sustent\u00e1vel. (ECO21\/#Envolverde)<\/p>\n<p>*Consultor global de neg\u00f3cios sustent\u00e1veis sediado em New York. Contribuiu para o Pr\u00eamio Nobel da Paz de 2007 concedido ao IPCC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sergio C. 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