{"id":532,"date":"2014-06-01T00:00:45","date_gmt":"2014-06-01T00:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.rguedesphotos.com\/espacoecologiconoar\/?p=532"},"modified":"2014-05-31T21:21:22","modified_gmt":"2014-05-31T21:21:22","slug":"taxa-de-extincao-esta-mil-vezes-maior-do-que-seria-o-normal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/taxa-de-extincao-esta-mil-vezes-maior-do-que-seria-o-normal\/","title":{"rendered":"Taxa de extin\u00e7\u00e3o est\u00e1 mil vezes maior do que seria o normal"},"content":{"rendered":"<p>J\u00e9ssica Lipinski, do Instituto CarbonoBrasil<\/p>\n<p>Para muitas pessoas, um encontro fortuito com uma borboleta andorinha Schaus (Papilio aristodemus \u2013 foto) ou com a perereca-de-rabb (Ecnomiohyla rabborum \u2013 foto) seria uma agrad\u00e1vel surpresa e uma oportunidade para um registro fotogr\u00e1fico, seja pelos aspectos belos ou engra\u00e7ados desses animais. Entretanto, se deparar com qualquer um deles ser\u00e1 uma tarefa cada vez mais dif\u00edcil, visto que os dois est\u00e3o entre as milhares de esp\u00e9cies que correm o risco de desaparecer em um futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/borboleta_andorinha_Schaus_500.jpg\" alt=\"\" width=\"460\" height=\"345\" \/><\/p>\n<p>Essa perspectiva alarmante foi apresentada pelo estudo The biodiversity of species and their rates of extinction, distribution, and protection (A biodiversidade das esp\u00e9cies e suas taxas de extin\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e prote\u00e7\u00e3o), publicado nesta sexta-feira (30) pelo peri\u00f3dico Science. Atualmente, cerca de 20 mil esp\u00e9cies est\u00e3o em extin\u00e7\u00e3o, \u00edndice que aumentou cerca de mil vezes desde que o ser humano surgiu, sugere a pesquisa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.mercadoetico.com.br\/website\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/perereca-de-rabb-550.jpg\" alt=\"\" width=\"464\" height=\"350\" \/><\/p>\n<p>Os pesquisadores chegaram a esse resultado atrav\u00e9s da estimativa das taxas de extin\u00e7\u00e3o de antes do surgimento do ser humano, e depois as compararam com os atuais \u00edndices de desaparecimento das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Para fazer isso, os autores tiveram que extrair registros de f\u00f3sseis e comparar com registros de DNA para criar uma rede de rela\u00e7\u00f5es entre esp\u00e9cies e mostrar o qu\u00e3o rapidamente elas se diversificam, chegando a uma estimativa de uma extin\u00e7\u00e3o a cada dez milh\u00f5es de esp\u00e9cies por ano.<\/p>\n<p>Depois, os estudiosos observaram as atuais taxas de extin\u00e7\u00e3o, monitorando os animais conhecidos pela ci\u00eancia e calculando o quanto eles tendem a sobreviver ap\u00f3s sua descoberta, ou se ainda existem. A avalia\u00e7\u00e3o desses \u00edndices aponta para cerca de mil extin\u00e7\u00f5es a cada dez milh\u00f5es de esp\u00e9cies por ano. O n\u00famero, embora j\u00e1 fosse esperado, \u00e9 de dez a 100 vezes maior do que os cientistas calculavam anteriormente.<\/p>\n<p>\u201cIsso n\u00e3o \u00e9 uma boa not\u00edcia, porque \u00e9 mais alto do que era antes. Mas a comunidade cient\u00edfica j\u00e1 esperava por algo assim\u201d, observou Clinton Jenkins, conservacionista do Instituto de Pesquisas Ecol\u00f3gicas (IP\u00ca) e um dos principais autores do estudo, ao Live Science.<\/p>\n<p>E segundo a pesquisa, dois dos principais fen\u00f4menos provocados pelos seres humanos que levaram a esse aumento nas taxas de extin\u00e7\u00e3o s\u00e3o a destrui\u00e7\u00e3o ou fragmenta\u00e7\u00e3o dos habitats e as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, bem como suas causas e consequ\u00eancias.<\/p>\n<p>\u201cO fator preponderante da extin\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies \u00e9 o crescimento da popula\u00e7\u00e3o humana e o aumento do consumo per capita. Pelo tempo em que essas tend\u00eancias continuarem \u2013 onde e a que taxa \u2013 dominar\u00e3o os cen\u00e1rios de extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e os esfor\u00e7os desafiadores para proteger a biodiversidade\u201d, afirma o estudo.<\/p>\n<p>Outro grande problema \u00e9 conseguir acompanhar as esp\u00e9cies a fim de proteg\u00ea-las, j\u00e1 que calcula-se que muitas das esp\u00e9cies existentes sequer foram descobertas ainda. Para se ter uma ideia, h\u00e1 registros hoje de 1,9 milh\u00e3o de esp\u00e9cies conhecidas, mas estima-se que existam entre cinco e 11 milh\u00f5es em todo o mundo.<\/p>\n<p>Solu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica<\/p>\n<p>Entretanto, de acordo com os dois principais autores, Jenkins e Stuart Pimm, bi\u00f3logo da Universidade de Duke, a situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel, e h\u00e1 esperan\u00e7a para a preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies. Ambos alegam que a solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada \u00e0 tecnologia: atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o de abrangentes e precisos sistemas de rastreamento, como sat\u00e9lites e drones, o monitoramento das esp\u00e9cies se tornou mais f\u00e1cil, aumentando a chance de conserv\u00e1-las.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.institutocarbonobrasil.org.br\/arquivos_web\/geral\/ilnaturalist.jpg\" alt=\"\" width=\"595\" height=\"627\" \/><\/p>\n<p>Uma das facilidades nesse sentido \u00e9 que as esp\u00e9cies mais amea\u00e7adas tendem a ser as que ficam restritas a pequenas por\u00e7\u00f5es de \u00e1reas amea\u00e7adas, ficando mais f\u00e1cil fazer um mapeamento da \u00e1rea e da situa\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies. \u201cProvavelmente menos de 10% [da \u00e1rea terrestre] tem as esp\u00e9cies que realmente corremos o risco de perder. Ent\u00e3o se focarmos nessas \u00e1reas, pode-se resolver a maior parte do problema\u201d, comentou Jenkins.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, o surgimento de aplicativos e dispositivos de registro mais acess\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ajudou a criar uma maior conscientiza\u00e7\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o, e atualmente muitos \u2018cientistas amadores\u2019 registram informa\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies em aplicativos online como o iNaturalist, que permite aos usu\u00e1rios reportarem atrav\u00e9s de fotos o local em que encontraram animais e plantas.<\/p>\n<p>\u201cA humanidade levou as taxas de extin\u00e7\u00e3o ainda mais para cima do que pens\u00e1vamos anteriormente. No entanto, hoje sabemos mais do que nunca quais partes do mundo s\u00e3o as mais importantes de se proteger para evitar futuras extin\u00e7\u00f5es de esp\u00e9cies, e novas tecnologias est\u00e3o ajudando a monitorar e a aprender sobre as amea\u00e7as nessas \u00e1reas\u201d, declarou Jenkins ao mongabay.com.<\/p>\n<p>\u201cEmbora as coisas estejam ruins, e esse trabalho mostra que elas est\u00e3o na verdade piores do que pens\u00e1vamos que elas estavam, estamos em uma posi\u00e7\u00e3o muito melhor para fazer algo a respeito disso\u201d, acrescentou Pimm.<\/p>\n<p>Outro aspecto que tem ajudado a conter um pouco das taxas de extin\u00e7\u00e3o s\u00e3o as \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o. Pimm afirma que, se n\u00e3o fosse por elas, os \u00edndices de desaparecimento das esp\u00e9cies seriam 20% maiores. Contudo, elas n\u00e3o atingem os ecossistemas de forma uniforme: enquanto 13% da \u00e1rea terrestre do planeta pertence a ref\u00fagios, apenas 2% dos oceanos fazem parte de \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Uma das conclus\u00f5es do trabalho \u00e9 que ainda h\u00e1 muitas lacunas de informa\u00e7\u00e3o sobre as esp\u00e9cies. \u201cSubsistem enormes lacunas no conhecimento. Pelo menos para os grupos mais diversos de organismos na Terra, a necessidade urgente de esclarecer quantas esp\u00e9cies h\u00e1, onde elas vivem e como suas popula\u00e7\u00f5es est\u00e3o mudando continua a ser um grande impedimento\u201d, disse Peter Crane, da Escola de Estudos Florestais e Ambientais de Yale, ao National Geographic.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas muitas vezes dizem que estamos no meio de uma sexta extin\u00e7\u00e3o em massa. N\u00e3o estamos no meio dela \u2013 estamos \u00e0 beira dela. E agora temos ferramentas para preveni-la. Para que nosso sucesso continue, contudo, precisamos apoiar tecnologias ainda mais poderosas para o futuro\u201d, concluiu Pimm.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>J\u00e9ssica Lipinski, do Instituto CarbonoBrasil Para muitas pessoas, um encontro fortuito com uma borboleta andorinha<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"J\u00e9ssica Lipinski, do Instituto CarbonoBrasil Para muitas pessoas, um encontro fortuito com uma borboleta andorinha","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/532"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=532"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/532\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=532"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=532"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=532"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}