{"id":52989,"date":"2016-11-03T14:00:44","date_gmt":"2016-11-03T17:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=52989"},"modified":"2016-11-02T21:34:40","modified_gmt":"2016-11-03T00:34:40","slug":"um-terco-dos-adolescentes-brasileiros-apresenta-sinais-de-sofrimento-psiquico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/um-terco-dos-adolescentes-brasileiros-apresenta-sinais-de-sofrimento-psiquico\/","title":{"rendered":"Um ter\u00e7o dos adolescentes brasileiros apresenta sinais de sofrimento ps\u00edquico"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=52991\" rel=\"attachment wp-att-52991\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-52991\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/adolescete-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/adolescete-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/adolescete.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o costumam gerar desconforto e podem ser conturbados. Se \u00e9 assim em uma troca de emprego ou mudan\u00e7a de cidade, talvez n\u00e3o se devesse esperar algo diferente da adolesc\u00eancia, uma fase de transforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, mentais e sociais intensas. Nessa \u00e9poca da vida, um em cada tr\u00eas adolescentes brasileiros j\u00e1 apresenta sinais de algum grau de sofrimento ps\u00edquico, segundo o mais amplo levantamento sobre a sa\u00fade de jovens j\u00e1 feito no pa\u00eds, o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes ou Erica (<em><a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/?p=226269\" target=\"_blank\">ver reportagem<\/a><\/em>).<\/p>\n<p>O trabalho tamb\u00e9m avaliou, por meio de um question\u00e1rio de 12 perguntas, a ocorr\u00eancia de sintomas de ansiedade e depress\u00e3o em 75 mil estudantes de 1.247 escolas p\u00fablicas e particulares de 124 munic\u00edpios com mais de 100 mil moradores. Esses sinais, agrupados sob o conceito \u00fanico e abrangente de transtornos mentais comuns, foram bem mais frequentes nas garotas do que nos rapazes \u2013 algo j\u00e1\u00a0 observado em estudos anteriores feitos no Brasil e no exterior, em geral com menos pessoas e em poucas cidades.<\/p>\n<p>No levantamento atual, em m\u00e9dia, 38,4% das mo\u00e7as e 21,6% dos rapazes apresentaram queixas que se enquadravam na defini\u00e7\u00e3o de transtorno mental comum no momento da pesquisa. Como tamb\u00e9m j\u00e1 era esperado, a propor\u00e7\u00e3o de casos cresceu com o avan\u00e7o da idade: alcan\u00e7ou 34,1% entre os adolescentes na faixa et\u00e1ria de 12 a 14 anos e 40,4% entre aqueles que tinham de 15 a 17 anos.<\/p>\n<p>\u201cHavia estudos de preval\u00eancia nesses grupos feitos em outros pa\u00edses, mas quem trabalha com sa\u00fade mental sentia falta de ter dados nacionais representativos da popula\u00e7\u00e3o jovem\u201d, conta a psiquiatra e epidemiologista Claudia de Souza Lopes, professora do Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e respons\u00e1vel pela parte de sa\u00fade mental do Erica. \u201cEsses dados sobre os transtornos mentais podem ajudar a orientar pol\u00edticas p\u00fablicas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Apresentados em fevereiro deste ano na <em>Revista de Sa\u00fade P\u00fablica<\/em>, os resultados do Erica indicam que, de modo geral, a preval\u00eancia dos transtornos mentais comuns praticamente n\u00e3o variou de uma regi\u00e3o para outra do pa\u00eds, embora se note uma diferen\u00e7a importante de acordo com o sexo e o grupo et\u00e1rio (<em><a title=\"\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Crian%C3%A7as-248.jpg?fb4730\" target=\"_blank\" data-rel=\"lightbox-0\">ver gr\u00e1fico<\/a><\/em>). As taxas foram especialmente altas entre as adolescentes mais velhas das regi\u00f5es Norte e Centro-Oeste.<\/p>\n<p>O fato de 30% dos adolescentes entrevistados apresentarem sinais de ansiedade e depress\u00e3o chamou a aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores e de outros especialistas, mas esse dado deve ser interpretado com cautela. \u201cOs n\u00fameros encontrados no Erica possivelmente servem como um indicador de sofrimento ps\u00edquico, mas n\u00e3o de doen\u00e7a mental\u201d, explica a psiquiatra e epidemiologista Laura Andrade, professora do Instituto de Psiquiatria da Universidade de S\u00e3o Paulo (IPq-USP).<\/p>\n<p>O objetivo do Erica nem era fazer o diagn\u00f3stico e definir quem tem ou n\u00e3o doen\u00e7a psiqui\u00e1trica, mas identificar prov\u00e1veis casos do problema. Para isso, valeu-se de um question\u00e1rio de rastreamento, que, por ser um instrumento mais sens\u00edvel e menos espec\u00edfico, pode incluir entre os suspeitos muitos indiv\u00edduos sem transtorno mental (falsos-positivos). Embora n\u00e3o permita o diagn\u00f3stico, o rastreamento pode indicar manifesta\u00e7\u00f5es precoces de transtornos graves que s\u00f3 poder\u00e3o ser plenamente caracterizados mais tarde. \u201cUm instrumento desses indica quais s\u00e3o os indiv\u00edduos que \u00e9 preciso acompanhar com mais aten\u00e7\u00e3o, completa o psiquiatra Wang Yuan Pang, pesquisador do grupo de Laura no N\u00facleo de Epidemiologia Psiqui\u00e1trica do IPq-USP.<\/p>\n<p>A maioria dos especialistas consultados nesta reportagem estima que uma propor\u00e7\u00e3o menor \u2013 talvez um ter\u00e7o dos adolescentes classificados como tendo transtornos mentais comuns, o equivalente a 10% do total \u2013 apresente, de fato, algum problema de sa\u00fade mental que exija acompanhamento m\u00e9dico e o poss\u00edvel uso de medicamentos. O restante poderia se beneficiar de sess\u00f5es de psicoterapia ou mesmo de medidas de promo\u00e7\u00e3o de sa\u00fade, como o incentivo \u00e0 pr\u00e1tica de esportes. Quem acha o n\u00famero do Erica exagerado toma como base o resultado de trabalhos anteriores, realizados com um n\u00famero menor de participantes e o uso de ferramentas de diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p>Um deles \u00e9 o estudo conduzido entre 2010 e 2011 por pesquisadores de S\u00e3o Paulo, do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul em quatro cidades brasileiras com mais de 50 mil habitantes e \u00edndice de desenvolvimento semelhante \u00e0 m\u00e9dia nacional \u2013 Caet\u00e9 (MG), Goianira (GO), Itaitinga (CE) e Rio Preto da Eva (AM). Nesse levantamento, os pesquisadores usaram um question\u00e1rio de diagn\u00f3stico para avaliar a sa\u00fade mental de 1.623 crian\u00e7as e adolescentes com idade entre 6 anos e 16 anos e verificaram que 13,1% deles apresentavam algum transtorno psiqui\u00e1trico no momento da avalia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os problemas mais frequentes, segundo artigo publicado na <em>Revista Brasileira de Psiquiatria<\/em> em 2015, foram os transtornos de ansiedade, marcados por medo, pavor ou apreens\u00e3o excessivos, mesmo quando n\u00e3o h\u00e1 uma amea\u00e7a real. Nesse trabalho, os pesquisadores verificaram ainda que apenas uma em cada cinco crian\u00e7as que receberam o diagn\u00f3stico de problema psiqui\u00e1trico \u2013 portanto, com indica\u00e7\u00e3o para passar por tratamento m\u00e9dico ou psicol\u00f3gico \u2013 havia tido acesso a algum especialista em sa\u00fade mental no ano anterior, em geral um psic\u00f3logo.<\/p>\n<p>\u201cO uso de instrumentos de diagn\u00f3stico requer um treinamento mais complexo do entrevistador e torna o estudo muito caro\u201d, explica a psiquiatra Isabel Bordin, professora da Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp) e uma das coordenadoras do estudo feito nas quatro cidades brasileiras. Por essa raz\u00e3o, grandes levantamentos costumam adotar question\u00e1rios de rastreamento.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 algum tempo se sabe que os transtornos psiqui\u00e1tricos, al\u00e9m de cr\u00f4nicos e incapacitantes, manifestam-se relativamente cedo na vida. Um estudo publicado em 2005 pelo soci\u00f3logo Ronald Kessler, especialista em epidemiologia da sa\u00fade mental da Universidade Harvard, mostrou que metade dos casos come\u00e7a antes dos 14 anos de idade e dois ter\u00e7os se instalam at\u00e9 os 24 anos.<\/p>\n<p><strong><a title=\"\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Crian%C3%A7as-248.jpg?fb4730\" rel=\"attachment wp-att-226291\" data-rel=\"lightbox-1\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-226291\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Crian%C3%A7as-248-300x193.jpg?fb4730\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Crian\u00e7as-248-768x493.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Crian\u00e7as-248-773x496.jpg 773w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Crian\u00e7as-248-300x193.jpg 300w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Crian\u00e7as-248-1024x657.jpg 1024w\" alt=\"Crian\u00e7as 248\" width=\"300\" height=\"193\" \/><\/a>Genes, ambiente e horm\u00f4nios<\/strong><br \/>\nNos \u00faltimos tempos, essa constata\u00e7\u00e3o se somou \u00e0 ideia, hoje aceita tanto pela medicina como pela psicologia, de que os transtornos mentais resultam de intera\u00e7\u00f5es entre as caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas do indiv\u00edduo e as condi\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas, culturais e psicol\u00f3gicas em que vive. Unidas, elas favorecem a no\u00e7\u00e3o de que os transtornos psiqui\u00e1tricos s\u00e3o consequ\u00eancia de altera\u00e7\u00f5es no desenvolvimento do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>As transforma\u00e7\u00f5es por que o corpo passa ap\u00f3s o in\u00edcio da puberdade podem tornar o adolescente mais vulner\u00e1vel aos transtornos mentais. O aumento na produ\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios sexuais faz o corpo amadurecer do ponto de vista reprodutivo e, sob alguns aspectos, alcan\u00e7ar o \u00e1pice de seu funcionamento: os reflexos se tornam r\u00e1pidos como jamais voltar\u00e3o a ser e a mem\u00f3ria encontra-se afiada como nunca. Nos rapazes, a testosterona aumenta a for\u00e7a f\u00edsica e impulsiona comportamentos agressivos, enquanto a progesterona deixa o humor das meninas mais sujeito a oscila\u00e7\u00f5es. \u00c9 tamb\u00e9m nessa fase que o c\u00e9rebro passa por um grande remodelamento: conex\u00f5es fr\u00e1geis entre suas c\u00e9lulas s\u00e3o eliminadas e as mais robustas, fortalecidas, definindo certos tra\u00e7os de personalidade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 um per\u00edodo de muita vulnerabilidade, em que se est\u00e1 mais sens\u00edvel aos est\u00edmulos ambientais\u201d, afirma a psiquiatra especializada em inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia Sandra Scivoletto, professora do IPq-USP. Aumenta a necessidade de interagir com os amigos, ao mesmo tempo que se desenvolve a capacidade de compreender as inten\u00e7\u00f5es que existem por tr\u00e1s das rela\u00e7\u00f5es sociais. Com o amadurecimento do chamado c\u00e9rebro social, o adolescente aprende que os sinais n\u00e3o verbais da comunica\u00e7\u00e3o podem refletir o estado emocional. \u201cA intera\u00e7\u00e3o social tamb\u00e9m se torna mais complexa, exigindo mais habilidades cognitivas para uma integra\u00e7\u00e3o adequada ao grupo\u201d, conta Sandra. \u201cA necessidade de se sentir pertencente \u00e0 turma e o receio de rejei\u00e7\u00e3o aumentam o estresse, que se soma ao gerado pelas novidades e experimenta\u00e7\u00f5es, podendo comprometer o funcionamento do adolescente e caracterizar o in\u00edcio de um transtorno psiqui\u00e1trico.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_226290\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 L\u00c9O RAMOS<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/027_criancas-290.jpg?fb4730\" alt=\"A adolesc\u00eancia \u00e9 um per\u00edodo de vulnerabilidade, em que se est\u00e1 mais sens\u00edvel aos est\u00edmulos ambientais \" width=\"290\" height=\"436\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">A adolesc\u00eancia \u00e9 um per\u00edodo de vulnerabilidade, em que se est\u00e1 mais sens\u00edvel aos est\u00edmulos ambientais<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Traumas precoces<\/strong><br \/>\nO que se manifesta na adolesc\u00eancia como problema de sa\u00fade mental pode, ao menos em parte, ser consequ\u00eancia de eventos ocorridos muito tempo antes. Est\u00e1 cada vez mais evidente que a exposi\u00e7\u00e3o repetida a maus-tratos nos est\u00e1gios iniciais da vida aumenta o risco de desenvolver problemas psiqui\u00e1tricos. E maus-tratos n\u00e3o significam necessariamente agress\u00f5es extremamente intensas, como surras frequentes ou abuso sexual. Podem ser eventos bem mais sutis, como o ato de negligenciar as necessidades f\u00edsicas ou emocionais da crian\u00e7a ou n\u00e3o estimular o seu desenvolvimento. \u201cPouco mais da metade dos casos de depress\u00e3o s\u00e3o considerados decorrentes de maus-tratos vividos na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia\u201d, relata a psiquiatra Elisa Brietzke, professora da Unifesp.<\/p>\n<p>O efeito dos maus-tratos sobre o c\u00e9rebro pode ser profundo a ponto de alterar algumas de suas estruturas. Em um artigo de revis\u00e3o publicado este ano no <em>Journal of Child Psychology and Psychiatry<\/em>, o neurofarmac\u00f3logo Martin Teicher e a psic\u00f3loga Jacqueline Samson, ambos pesquisadores do Hospital McLean, em Belmont, e professores na Universidade Harvard avaliaram estudos de neuroimagem de pessoas com problemas psiqui\u00e1tricos realizados nas \u00faltimas d\u00e9cadas. Eles conclu\u00edram que muitas das altera\u00e7\u00f5es anat\u00f4micas antes atribu\u00eddas aos transtornos mentais na realidade podem ser decorrentes de maus-tratos vividos na inf\u00e2ncia, algo comum no mundo todo.<\/p>\n<p>Outro trabalho de revis\u00e3o deste ano, feito por pesquisadores dos Centros de Controle e Preven\u00e7\u00e3o de Doen\u00e7as (CDC) dos Estados Unidos, estima que metade das crian\u00e7as e adolescentes \u2013 quase 1 bilh\u00e3o de pessoas com idade entre 2 anos e 17 anos \u2013 seja v\u00edtima de viol\u00eancia no mundo. Antes, outro grupo dos CDC havia conclu\u00eddo que os maus-tratos na inf\u00e2ncia custam mais caro para o sistema p\u00fablico de sa\u00fade do que o c\u00e2ncer e as doen\u00e7as card\u00edacas. Essa mesma equipe calculou que a hipot\u00e9tica erradica\u00e7\u00e3o dos maus-tratos evitaria metade dos casos de depress\u00e3o e dois ter\u00e7os dos casos de alcoolismo, al\u00e9m de reduzir o suic\u00eddio, o uso de drogas e a viol\u00eancia dom\u00e9stica.<\/p>\n<p>Uma boa not\u00edcia \u00e9 que em muitos casos \u00e9 poss\u00edvel reverter, ou ao menos amenizar, os efeitos das priva\u00e7\u00f5es e dos maus-tratos. Um dos exemplos de sucesso \u00e9 o Programa Equil\u00edbrio, projeto de reabilita\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes que haviam sofrido maus-tratos e viviam nas ruas de S\u00e3o Paulo (muitos deles eram usu\u00e1rios de droga), desenvolvido por Sandra Scivoletto. Em 2007, Sandra, com a colabora\u00e7\u00e3o de sua equipe na USP, de organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais e da prefeitura de S\u00e3o Paulo, instalou em um centro esportivo comunit\u00e1rio na regi\u00e3o central da cidade um programa de atendimento multidisciplinar \u2013 eram oferecidos tratamento m\u00e9dico, psicol\u00f3gico, fonoaudiol\u00f3gico, al\u00e9m de terapia ocupacional, apoio psicopedag\u00f3gico e suporte social \u2013 para ajudar essas crian\u00e7as e adolescentes a criar v\u00ednculos na comunidade e a melhorar a autoestima. Desde seu in\u00edcio, o programa atendeu pouco mais de 600 crian\u00e7as e adolescentes. Dos 351 jovens que haviam ingressado na fase inicial do programa (58,4%, v\u00edtimas de viol\u00eancia f\u00edsica ou sexual), dois ter\u00e7os continuavam a participar dois anos mais tarde e 34% haviam voltado a viver com a fam\u00edlia. \u201c\u00c9 inacredit\u00e1vel a capacidade de resili\u00eancia que essas crian\u00e7as t\u00eam\u201d, conta Sandra.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Per\u00edodos de transi\u00e7\u00e3o costumam gerar desconforto e podem ser conturbados. 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