{"id":52821,"date":"2016-11-01T07:00:08","date_gmt":"2016-11-01T10:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=52821"},"modified":"2016-10-31T20:38:15","modified_gmt":"2016-10-31T23:38:15","slug":"degradacao-de-habitats-pode-ameacar-estabilidade-da-diversidade-de-peixes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/degradacao-de-habitats-pode-ameacar-estabilidade-da-diversidade-de-peixes\/","title":{"rendered":"Degrada\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitats pode amea\u00e7ar estabilidade da diversidade de peixes"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=52823\" rel=\"attachment wp-att-52823\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-52823\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A Am\u00e9rica do Sul tem uma diversidade de peixes ainda maior do que se pensava. Enquanto h\u00e1 menos de 20 anos era considerada exagerada a estimativa de 8 mil esp\u00e9cies, as mais de 100 descri\u00e7\u00f5es de novas esp\u00e9cies por ano na \u00faltima d\u00e9cada permitem agora estimar a ictiofauna do continente em cerca de 9 mil esp\u00e9cies. Dessas, um n\u00famero relativamente baixo, entre 4 e 10%, est\u00e1 amea\u00e7ado de extin\u00e7\u00e3o, enquanto na Am\u00e9rica do Norte e Europa as taxas s\u00e3o de 27 e 37%, respectivamente. Aqui, por\u00e9m, o avan\u00e7o do desmatamento, da urbaniza\u00e7\u00e3o, do barramento de rios, entre outros fatores, amea\u00e7a esse relativo conforto. \u00c9 o que mostra o artigo do bi\u00f3logo Roberto Reis, da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio Grande do Sul (PUC-RS), publicado em uma <a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1111\/jfb.2016.89.issue-1\/issuetoc\" target=\"_blank\">edi\u00e7\u00e3o especial do <em>Journal of Fish Biology<\/em><\/a> lan\u00e7ada em julho, que traz dados in\u00e9ditos acerca da conserva\u00e7\u00e3o de h\u00e1bitats aqu\u00e1ticos: n\u00e3o s\u00f3 de rios e do mar, mas tamb\u00e9m de manguezais, estu\u00e1rios, lagoas costeiras, lagos e riachos.<\/p>\n<p>Mais sens\u00edveis a altera\u00e7\u00f5es provocadas pelo homem do que grandes corpos d\u2019\u00e1gua, os estu\u00e1rios s\u00e3o importantes locais de reprodu\u00e7\u00e3o e ber\u00e7\u00e1rio de peixes que vivem nos rios ou no mar. Al\u00e9m disso, lagoas e riachos abrigam esp\u00e9cies end\u00eamicas que, por n\u00e3o existirem em outro lugar, podem ser extintas quando esses h\u00e1bitats s\u00e3o alterados. \u201cEspecialmente na costa do Nordeste e Sudeste do Brasil, muitas lagoas nem sequer mapeadas se converteram em brejos ou secaram completamente por conta da drenagem e do assoreamento, tornando imposs\u00edvel saber se havia esp\u00e9cies end\u00eamicas\u201d, diz a bi\u00f3loga Ana Cristina Petry, do N\u00facleo em Ecologia e Desenvolvimento Socioambiental de Maca\u00e9, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n<p>Em colabora\u00e7\u00e3o com uma equipe de pesquisadores do Piau\u00ed a Mar del Plata, na Argentina, Ana Cristina compilou dados de 103 lagoas na costa atl\u00e2ntica do continente, que somaram cerca de 5.400 quil\u00f4metros quadrados (km<sup>2<\/sup>) de superf\u00edcie e um n\u00famero vari\u00e1vel de esp\u00e9cies: de apenas uma at\u00e9 76. Uma informa\u00e7\u00e3o alarmante \u00e9 que cerca de 80% das lagoas investigadas est\u00e3o fora de unidades de conserva\u00e7\u00e3o. \u201cAs lagoas costeiras prestam servi\u00e7os ecossist\u00eamicos importantes como locais de reprodu\u00e7\u00e3o e crescimento n\u00e3o s\u00f3 para peixes marinhos e de \u00e1gua doce, como para insetos, anf\u00edbios, r\u00e9pteis e aves, al\u00e9m de serem locais de pesca\u201d, explica. V\u00e1rias das lagoas estudadas ao longo de d\u00e9cadas sofreram profundas modifica\u00e7\u00f5es em \u00e1rea e diversidade de esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Uma amea\u00e7a \u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, que competem por alimento e \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o com as nativas e causam desequil\u00edbrio ao sistema. Nas pequenas lagoas costeiras nordestinas, com menos de 1 km<sup>2<\/sup> de \u00e1rea, essas forasteiras representam 50% das esp\u00e9cies.<\/p>\n<p>Outros ambientes aqu\u00e1ticos sens\u00edveis \u00e0 a\u00e7\u00e3o humana s\u00e3o os riachos. Com dimens\u00f5es menores que os rios, eles est\u00e3o normalmente pr\u00f3ximos \u00e0 floresta, e os organismos que vivem em suas \u00e1guas dependem do alimento que ela fornece na forma de folhas, frutos e insetos. Alguns riachos formam microbacias independentes das grandes bacias hidrogr\u00e1ficas e s\u00e3o ainda mais amea\u00e7ados pelo desmatamento e pela polui\u00e7\u00e3o. \u00c9 o caso do rio Mato Grosso, que apesar do nome \u00e9 um riacho e fica no Rio de Janeiro. A bi\u00f3loga Rosana Mazzoni, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), analisou a fauna de tr\u00eas diferentes trechos desse riacho: um bem preservado, com \u00e1guas transparentes e sem penetra\u00e7\u00e3o de luz por conta da copa fechada das \u00e1rvores, um segundo com a floresta parcialmente removida e o terceiro totalmente desmatado, com bastante incid\u00eancia de luz e \u00e1guas turvas devido ao excesso de algas e \u00e0 eros\u00e3o das margens.<\/p>\n<div id=\"attachment_226410\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<div class=\"wp-caption wp-image-226410 size-medium\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 FOTOS: L\u00c9O RAMOS , FEITAS NO AQU\u00c1RIO DE S\u00c3O PAULO<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/067_Peixes_290-300x180.jpg?3d43f2\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/067_Peixes_290-768x462.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/067_Peixes_290-810x487.jpg 810w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/067_Peixes_290-300x180.jpg 300w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/067_Peixes_290-1024x615.jpg 1024w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/067_Peixes_290.jpg 1208w\" alt=\"Pirarucu: pesca controlada na Amaz\u00f4nia, embora n\u00e3o se saiba quantas esp\u00e9cies est\u00e3o amea\u00e7adas\" width=\"300\" height=\"180\" \/><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">Pirarucu: pesca controlada na Amaz\u00f4nia, embora n\u00e3o se saiba quantas esp\u00e9cies est\u00e3o amea\u00e7adas<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Impacto<\/strong><br \/>\nA bi\u00f3loga e seus colaboradores detectaram diferen\u00e7as significativas entre os locais na densidade de peixes e seu padr\u00e3o alimentar. Enquanto cinco esp\u00e9cies de peixes est\u00e3o presentes em cada um dos tr\u00eas locais, a \u00e1rea sem floresta favoreceu a ocorr\u00eancia de animais tolerantes a sedimentos, no caso o cascudinho-pintado (<em>Hypostomus punctatus<\/em>) e o limpa-vidro (<em>Parotocinclus maculicauda<\/em>), duas esp\u00e9cies de cascudo. Al\u00e9m disso, enquanto na \u00e1rea preservada a principal fonte de alimento dos peixes eram invertebrados como larvas, nas partes desmatadas essa dieta era substitu\u00edda por detritos, mat\u00e9ria org\u00e2nica e algas \u2013 que se tornam abundantes na aus\u00eancia de cobertura florestal, devido \u00e0 incid\u00eancia maior de luz para fotoss\u00edntese. \u201cPelo menos nesse caso a remo\u00e7\u00e3o da floresta n\u00e3o eliminou esp\u00e9cies, que conseguiram se adaptar\u201d, diz Rosana. \u201cNo entanto, a densidade de algumas varia bastante de acordo com as condi\u00e7\u00f5es locais.\u201d Da mesma forma que os cascudos est\u00e3o presentes em maior quantidade em \u00e1reas degradadas, os lambaris <em>Astyanax taeniatus<\/em> e <em>Characidium vidali<\/em>, abundantes na \u00e1rea preservada, v\u00e3o se tornando mais raros \u00e0 medida que aumenta o desmatamento.<\/p>\n<p>O bi\u00f3logo M\u00e1rio Barletta, editor da edi\u00e7\u00e3o especial do <em>Journal of Fish Biology<\/em> e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), chama a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de embasar as pol\u00edticas de conserva\u00e7\u00e3o em dados cient\u00edficos, algo que nem sempre \u00e9 feito. \u201cO desenvolvimento econ\u00f4mico \u00e9 necess\u00e1rio, mas ele sempre deve levar em conta o impacto que causa no ambiente\u201d, recomenda. Barletta se refere principalmente \u00e0s grandes obras de infraestrutura, cuja realiza\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 precedida de pesquisa. Em um dos casos em que isso ocorreu, ele conseguiu fazer o levantamento da fauna de uma \u00e1rea de estu\u00e1rio antes, durante e depois de uma dragagem para a constru\u00e7\u00e3o de um terminal portu\u00e1rio no complexo estuarino da ba\u00eda de Paranagu\u00e1, no Paran\u00e1. Transi\u00e7\u00e3o entre rio e mar, o gradiente de salinidade dos estu\u00e1rios favorece peixes e crust\u00e1ceos.<\/p>\n<p>A dragagem, retirada de sedimentos do fundo, ocorre em \u00e1reas portu\u00e1rias para aumentar a profundidade e permitir que grandes navios possam atracar. \u201cO ac\u00famulo de sedimentos no fundo ocorre, em parte, porque as margens dos rios foram desmatadas. A floresta faz o trabalho de segurar esse material e n\u00e3o deixar que ele v\u00e1 para a \u00e1gua\u201d, explica Barletta. Sem vegeta\u00e7\u00e3o ao redor, algum tempo depois de feita a dragagem, ela pode voltar a ser necess\u00e1ria, pois o sedimento tende a acumular-se no leito outra vez.<\/p>\n<p>No estudo do estu\u00e1rio da ba\u00eda de Paranagu\u00e1, importante \u00e1rea de pesca artesanal e local de reprodu\u00e7\u00e3o e ber\u00e7\u00e1rio de peixes marinhos e estuarinos, esp\u00e9cies importantes economicamente como a betara (<em>Menticirrhus americanus<\/em>) e a pescada-branca (<em>Cynoscion leiarchus<\/em>) praticamente desapareceram durante e logo depois da obra. Ao mesmo tempo, atra\u00eddos pelos animais mortos, os bagres <em>Cathorops spixii <\/em>e <em>Aspistor luniscutis<\/em> aumentaram em at\u00e9 10 vezes em densidade durante a obra. Barletta e outros pesquisadores envolvidos na pesquisa conclu\u00edram, portanto, que as dragagens devem ser feitas entre o final da esta\u00e7\u00e3o chuvosa e in\u00edcio da seca, quando n\u00e3o h\u00e1 atividade reprodutiva na \u00e1rea. \u201cGra\u00e7as ao estudo pr\u00e9vio, determinamos a melhor \u00e9poca para realizar a obra e reduzir o impacto\u201d, conta.<\/p>\n<div id=\"attachment_226408\" class=\"wp-caption alignright\">\n<div class=\"wp-caption wp-image-226408\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 FOTOS: L\u00c9O RAMOS , FEITAS NO AQU\u00c1RIO DE S\u00c3O PAULO<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/066_Peixes_02_290-243x300.jpg?3d43f2\" sizes=\"(max-width: 290px) 100vw, 290px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/066_Peixes_02_290-768x950.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/066_Peixes_02_290-401x496.jpg 401w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/066_Peixes_02_290-828x1024.jpg 828w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/066_Peixes_02_290.jpg 1208w\" alt=\"Tambaqui: diversidade gen\u00e9tica pode ser alterada por interfer\u00eancias na Bacia Amaz\u00f4nica\" width=\"290\" height=\"359\" \/><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">Tambaqui: diversidade gen\u00e9tica pode ser alterada por interfer\u00eancias na Bacia Amaz\u00f4nica<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Pl\u00e1stico<\/strong><br \/>\nMesmo quando a \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o dos peixes \u00e9 respeitada, uma amea\u00e7a crescente afeta o in\u00edcio da vida desses animais: a presen\u00e7a de pl\u00e1stico nos corpos d\u2019\u00e1gua. Em outro estudo publicado no mesmo volume, Barletta procurava determinar as esp\u00e9cies presentes nos manguezais do estu\u00e1rio do rio Goiana, na costa de Pernambuco, de acordo com as fases da lua. Segundo o bi\u00f3logo, estudos de popula\u00e7\u00f5es de peixes normalmente levam em conta escalas de tempo de meses a anos, raramente ciclos lunares ou per\u00edodos de dias e semanas. No entanto, \u00e9 nesses intervalos curtos que se percebe uma rela\u00e7\u00e3o mais direta entre o ambiente e seus recursos (alimenta\u00e7\u00e3o, abrigo, prote\u00e7\u00e3o de predadores e outros comportamentos).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de quantificar as esp\u00e9cies, em todas as \u00e1reas analisadas foram encontrados micro e macropl\u00e1sticos (peda\u00e7os menores e maiores do que 5 mil\u00edmetros, respectivamente), em densidades similares \u00e0s dos ovos e larvas da terceira esp\u00e9cie mais abundante, a sardinha (<em>Rhinosardinia bahiensis<\/em>). Na lua minguante, quando h\u00e1 menos zoopl\u00e2ncton (larvas e animais muito pequenos), \u00e9 justamente o per\u00edodo em que se encontra mais micropl\u00e1stico, resultado da degrada\u00e7\u00e3o de garrafas pet, sacolas, cordas e redes de pesca pelo sol e pela \u00e1gua.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a desse lixo nos manguezais \u00e9 especialmente preocupante, pois nesses ambientes larvas, filhotes de peixe e de outros animais aqu\u00e1ticos vivem at\u00e9 chegar numa idade segura para migrar para um rio, estu\u00e1rio ou mar. \u201cComo o micropl\u00e1stico divide o h\u00e1bitat com os peixes e as larvas, ele pode ser ingerido e entrar na cadeia tr\u00f3fica, junto com os poluentes contidos nele como c\u00e1dmio, cobre e zinco\u201d, explica Barletta. Isso significa que os poluentes n\u00e3o s\u00f3 ficar\u00e3o nos seres que comerem o micropl\u00e1stico como passar\u00e3o para os predadores destes e, sucessivamente, para os que se alimentarem deles, chegando aos seres humanos.<\/p>\n<div id=\"attachment_226411\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<div class=\"wp-caption wp-image-226411 size-medium\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 FOTOS\u2002L\u00c9O RAMOS, FEITAS NO AQU\u00c1RIO DE S\u00c3O PAULO<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/069_Peixes_290-300x182.jpg?3d43f2\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/069_Peixes_290-768x465.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/069_Peixes_290-810x491.jpg 810w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/069_Peixes_290-300x182.jpg 300w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/069_Peixes_290-1024x621.jpg 1024w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/069_Peixes_290.jpg 1208w\" alt=\"Pirarara: dieta inclui outros peixes, aumentando o risco de contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario\" width=\"300\" height=\"182\" \/><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">Pirarara: dieta inclui outros peixes, aumentando o risco de contamina\u00e7\u00e3o por merc\u00fario<\/p>\n<\/div>\n<p><strong>Pesca<\/strong><br \/>\nPor essa raz\u00e3o, projetos de conserva\u00e7\u00e3o precisam levar em conta o fator humano. O pirarucu (<em>Arapaima sp.<\/em>), por exemplo, apesar de ter a pesca proibida no Amazonas, \u00e9 largamente comercializado naquele estado. Uma solu\u00e7\u00e3o poss\u00edvel \u00e9 o chamado manejo comunit\u00e1rio. O bi\u00f3logo Thiago Petersen, atualmente doutorando no Instituto de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), acompanhou de perto a recupera\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o de pirarucus da Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Piaga\u00e7u-Purus, um dos poucos lugares onde o peixe, que vive em lagos, pode ser pescado no Amazonas.<\/p>\n<p>\u201cNo manejo \u00e9 feita a contagem da popula\u00e7\u00e3o de pirarucus de cada lago, em seguida cria-se um plano de gest\u00e3o com a comunidade, no qual se definem quais lagos ter\u00e3o pesca para comercializa\u00e7\u00e3o, para consumo da comunidade e em quais n\u00e3o se pode pescar\u201d, diz Petersen. Em locais onde esse modelo de gest\u00e3o existe h\u00e1 mais tempo, como a Reserva de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel Mamirau\u00e1, tamb\u00e9m no Amazonas, \u00e9 permitida a retirada de at\u00e9 30% da popula\u00e7\u00e3o por ano. Em \u00e1reas que est\u00e3o come\u00e7ando a fazer uso do manejo, como a Piaga\u00e7u-Purus, \u00e9 estipulado um limite mais conservador, entre 8 e 10%. O esfor\u00e7o deu resultado nesse caso: de 2008, quando o manejo foi implementado, at\u00e9 2014, o aumento das popula\u00e7\u00f5es de peixe variou de 62 a 99%.<\/p>\n<p>Apesar de algumas tentativas bem-sucedidas de preserva\u00e7\u00e3o, Leandro Castello, coautor do artigo sobre pirarucus e professor do Virginia Polytechnic Institute and State University, nos Estados Unidos, alerta que faltam informa\u00e7\u00f5es para saber com mais precis\u00e3o quantas esp\u00e9cies est\u00e3o amea\u00e7adas. \u201cNa Amaz\u00f4nia, por exemplo, a degrada\u00e7\u00e3o desses ecossistemas \u00e9 relativamente baixa, mas isso est\u00e1 mudando rapidamente e \u00e9 uma quest\u00e3o de tempo at\u00e9 que o panorama seja completamente alterado\u201d, afirma. Um dos fatores que afetam diretamente os peixes amaz\u00f4nicos s\u00e3o as hidrel\u00e9tricas. \u201cEles at\u00e9 passam pelas barragens para p\u00f4r os ovos na parte alta do rio\u201d, conta Roberto Reis. \u201cQuando os ovos est\u00e3o descendo o rio e chegam a um lago de hidrel\u00e9trica, por\u00e9m, acaba a correnteza e eles afundam para a parte sem oxig\u00eanio e morrem. Os que restam acabam sendo comidos pelos milh\u00f5es de piabas que habitam os reservat\u00f3rios.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Am\u00e9rica do Sul tem uma diversidade de peixes ainda maior do que se pensava.<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":52823,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/11\/peixe.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A Am\u00e9rica do Sul tem uma diversidade de peixes ainda maior do que se pensava.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52821"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52821"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52821\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52823"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52821"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52821"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52821"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}