{"id":52702,"date":"2016-10-30T09:00:56","date_gmt":"2016-10-30T12:00:56","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=52702"},"modified":"2016-10-29T20:48:32","modified_gmt":"2016-10-29T23:48:32","slug":"por-que-os-acidentes-com-escorpioes-estao-se-tornando-uma-preocupacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-os-acidentes-com-escorpioes-estao-se-tornando-uma-preocupacao\/","title":{"rendered":"Por que os acidentes com escorpi\u00f5es est\u00e3o se tornando uma preocupa\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=52703\" rel=\"attachment wp-att-52703\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-52703\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Dezenas de caixas de pl\u00e1stico empilhadas do piso ao teto em uma sala climatizada de uma ala nova do biot\u00e9rio do Instituto Butantan abrigam cerca de 5 mil exemplares vivos de\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">Tityus serrulatus<\/span>, o escorpi\u00e3o-amarelo, a esp\u00e9cie que mais causa envenenamento em pessoas no pa\u00eds. T\u00e9cnicos e pesquisadores do laborat\u00f3rio de artr\u00f3podes transitam entre as caixas com cuidado, mas sem receio, para alimentar os animais com baratas e grilos, retirados diariamente de um estoque de milhares de insetos mantido nas salas ao lado.<\/p>\n<p>Os escorpi\u00f5es \u2013 tanto o amarelo quanto os de outras esp\u00e9cies \u2013 s\u00e3o mantidos ali com duas finalidades. A primeira \u00e9 a produ\u00e7\u00e3o do soro usado para neutralizar a a\u00e7\u00e3o do veneno \u2013 ou pe\u00e7onha\u2014, cada vez mais importante em vista do aumento de quase 600% no n\u00famero de acidentes e mortes causados por esses animais nos \u00faltimos 15 anos.<\/p>\n<p>Esse aumento \u00e9 o resultado da expans\u00e3o urbana sobre \u00e1reas antes ocupadas por matas, do ac\u00famulo de lixo e entulho que atraem insetos que servem de alimento, e da capacidade desses animais de se adaptarem a ambientes variados, de florestas \u00famidas at\u00e9 desertos. De acordo com os registros do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os escorpi\u00f5es provocaram a maior parte dos acidentes com animais pe\u00e7onhentos no pa\u00eds, com 74.598 casos registrados, e causaram mais mortes (119) que as serpentes (107), em 2015.<\/p>\n<p>A segunda finalidade \u00e9 a pesquisa dos efeitos \u2013 muitas vezes inesperados \u2013 do veneno de escorpi\u00f5es no organismo humano. \u201cO conhecimento sobre os componentes do veneno e seus efeitos ainda tem lacunas\u201d, afirma a m\u00e9dica Fan Hui Wen, gestora de projetos do Butantan, que acompanha a produ\u00e7\u00e3o de soro contra picadas de escorpi\u00f5es. \u201cAlgumas esp\u00e9cies est\u00e3o causando acidentes com manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas diferentes das que at\u00e9 agora eram conhecidas.\u201d<\/p>\n<p>Em um estudo\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0041010116301696\" target=\"_blank\">publicado<\/a> em setembro na revista\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">Toxicon<\/span>, pesquisadores da Funda\u00e7\u00e3o de Medicina Tropical, de Manaus, apresentaram o prov\u00e1vel primeiro registro de um caso de acidente classificado como grave, com espasmos musculares e altera\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas, causado por\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">Tityus silvestris<\/span>, uma esp\u00e9cie comum na Amaz\u00f4nia, em geral associada a acidentes sem gravidade. Um homem de 39 anos, com problemas no f\u00edgado causados por hepatite B \u2013 estava \u00e0 espera de um transplante \u2013, foi picado no cotovelo e no ombro enquanto dormia em sua casa na periferia de Manaus. Tr\u00eas horas depois, chegou ao hospital da Funda\u00e7\u00e3o Medicina Tropical relatando apenas dor e parestesia (formigamento) na regi\u00e3o da picada, no bra\u00e7o esquerdo.<\/p>\n<p>Em duas horas, por\u00e9m, o homem apresentou dificuldade para respirar, taquicardia, hipertens\u00e3o e espasmos musculares. O quadro se agravou. Ele foi internado em uma unidade de terapia intensiva, recebeu soro e outros medicamentos e foi liberado apenas sete dias depois. \u201cEsse caso indica que o quadro cl\u00ednico pode se complicar independentemente da esp\u00e9cie que causa o envenenamento\u201d, diz o farmac\u00eautico bioqu\u00edmico Wuelton Marcelo Monteiro, pesquisador da funda\u00e7\u00e3o e um dos respons\u00e1veis pelo estudo. \u201cAinda h\u00e1 poucos trabalhos sobre as consequ\u00eancias e a varia\u00e7\u00e3o dos efeitos dessa esp\u00e9cie de ampla distribui\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica na Amaz\u00f4nia.\u201d<\/p>\n<p>Entre as cerca de 160 esp\u00e9cies de escorpi\u00e3o encontradas no Brasil, apenas 10 causam envenenamento em seres humanos. De modo geral, o veneno \u2013 formado por prote\u00ednas, enzimas, lip\u00eddeos, \u00e1cidos graxos e sais \u2013 age sobre o sistema nervoso, causando dor intensa e dorm\u00eancia muscular no local da picada. Com menor frequ\u00eancia se observam efeitos sist\u00eamicos como v\u00f4mitos, taquicardia, hipertens\u00e3o arterial, sudorese intensa, agita\u00e7\u00e3o e sonol\u00eancia. A dificuldade de respirar caracteriza os quadros mais graves, verificados principalmente em crian\u00e7as. As picadas por\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">Tityus obscurus<\/span>, comum na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, podem causar tamb\u00e9m efeitos neurol\u00f3gicos, com espasmos, tremores e uma sensa\u00e7\u00e3o de choque el\u00e9trico.<\/p>\n<p>\u201cComo o veneno escorpi\u00f4nico pode ser rapidamente absorvido na corrente sangu\u00ednea\u201d, diz o pediatra F\u00e1bio Bucaretchi, professor da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), \u201cas manifesta\u00e7\u00f5es cl\u00ednicas indicativas de envenenamento grave se iniciam em geral nas primeiras duas horas ap\u00f3s a picada\u201d.<\/p>\n<p>Em um estudo amplo,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0041010114001901\" target=\"_blank\">publicado<\/a> em 2014 na\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">Toxicon<\/span>, Bucaretchi e outros pesquisadores examinaram 1.327 casos de acidentes com escorpi\u00f5es atendidos no Hospital de Cl\u00ednicas da Unicamp de 1994 a 2011. Nesse levantamento, predominaram os acidentes apenas com rea\u00e7\u00f5es locais (79,6%) e sist\u00eamicas, com v\u00f4mitos, sudorese e altera\u00e7\u00f5es no ritmo card\u00edaco (15,1%). A chamada picada seca \u2013 sem sinais de envenenamento \u2013 respondeu por 3,4% do total de casos analisados, enquanto os casos mais graves, com risco de morte, foram de 1,8%. \u201cTodos os casos graves e o \u00fanico caso letal ocorreram em crian\u00e7as com idade menor que 15 anos\u201d, diz Bucaretchi.<\/p>\n<p>A maioria dos acidentes provocados por animais identificados foi atribu\u00edda ao escorpi\u00e3o-preto,\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">Tityus bahiensis<\/span> (27,7%), e ao amarelo (19,5%), normalmente o principal causador de acidentes e, neste estudo, respons\u00e1vel pelas ocorr\u00eancias mais graves. O escorpi\u00e3o-amarelo inquieta tamb\u00e9m em raz\u00e3o de sua capacidade de adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente urbano e ao tipo de reprodu\u00e7\u00e3o. As f\u00eameas dessa esp\u00e9cie conseguem se reproduzir sozinhas, sem precisar de machos, por meio de um processo conhecido como partenog\u00eanese; cada ninhada pode resultar em at\u00e9 30 filhotes.<\/p>\n<p>Leia mais a respeito <a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2016\/09\/23\/por-que-os-escorpioes-agora-preocupam\/?cat=ciencia\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dezenas de caixas de pl\u00e1stico empilhadas do piso ao teto em uma sala climatizada de<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":52703,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/escorpiao.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Dezenas de caixas de pl\u00e1stico empilhadas do piso ao teto em uma sala climatizada de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52702"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52702"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52702\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52703"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52702"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52702"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52702"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}