{"id":52616,"date":"2016-10-29T08:59:34","date_gmt":"2016-10-29T11:59:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=52616"},"modified":"2016-10-29T08:59:34","modified_gmt":"2016-10-29T11:59:34","slug":"energia-sao-dois-pra-la-dois-pra-ca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/energia-sao-dois-pra-la-dois-pra-ca\/","title":{"rendered":"Energia: s\u00e3o dois pra l\u00e1, dois pra c\u00e1?"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-198663\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/energiacapa.jpg\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/energiacapa.jpg 768w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/08\/energiacapa-300x200.jpg 300w\" alt=\"Foto: Shuttertsock\" width=\"340\" height=\"227\" \/>Por Washington Novaes*<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Seguimos em busca de uma pol\u00edtica eficiente de fontes renov\u00e1veis, garantidoras do futuro.<\/em><\/p>\n<p>Complicado pa\u00eds \u00e9 o Brasil. A Eletropaulo afirma ser favor\u00e1vel ao enterramento da fia\u00e7\u00e3o el\u00e9trica na cidade de S\u00e3o Paulo \u2013 que tantos benef\u00edcios pode trazer \u2013, mas ao mesmo tempo se levantam quest\u00f5es quanto \u00e0 onera\u00e7\u00e3o das tarifas, pois os consumidores fora da capital tamb\u00e9m teriam de pagar pelo enterramento, que dobraria suas contas de luz sem eles terem os mesmos benef\u00edcios. Tudo isso est\u00e1 no \u00e2mbito da lei paulistana que determina o enterramento da fia\u00e7\u00e3o em 250 quil\u00f4metros lineares de fios por ano, ao custo de R$ 100 bilh\u00f5es e \u201c33 anos de obras\u201d, como observou este jornal (22\/10). A empresa tem 41 mil quil\u00f4metros de rede el\u00e9trica em toda a sua \u00e1rea de concess\u00e3o, dos quais 3 mil em circuitos subterr\u00e2neos.<\/p>\n<p>Enquanto isso, 21 organiza\u00e7\u00f5es e redes da sociedade civil pediam ao presidente da Rep\u00fablica que vetasse o programa de est\u00edmulo \u00e0s termoel\u00e9tricas a carv\u00e3o, recentemente aprovado pelo Congresso Nacional, inserido como artigo na Medida Provis\u00f3ria (MP) 735\/2016, que regula privatiza\u00e7\u00f5es no setor el\u00e9trico (Observat\u00f3rio do Clima\/Instituto Socioambiental, 22\/10). N\u00e3o bastasse, a MP cria est\u00edmulos \u00e0 \u201cmoderniza\u00e7\u00e3o do parque el\u00e9trico brasileiro movido a carv\u00e3o mineral, para implantar novas usinas que entrem em opera\u00e7\u00e3o entre 2023 e 2027\u201d. Ou seja, o Congresso estimula novas usinas movidas a carv\u00e3o, movendo-se na dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 de quase todo o mundo, que est\u00e1 fechando usinas a carv\u00e3o e proibindo novas \u2013 por causa de suas emiss\u00f5es de poluentes que afetam o clima global e prejudicam o ambiente dos usu\u00e1rios. Sem falar em descumprimento do acordo do clima de Paris, que o Brasil j\u00e1 assinou, para evitar que as usinas a carv\u00e3o continuem a responder por 46% dos gases de efeito estufa emitidos por uso de energia no planeta.<\/p>\n<p>No Brasil, essas emiss\u00f5es de gases-estufa no setor el\u00e9trico aumentaram nove vezes entre 1990 e 2014; s\u00f3 entre 2011 e 2014 mais do que dobraram (de 30,2 milh\u00f5es para 82 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono); as t\u00e9rmicas a carv\u00e3o, sozinhas, contribu\u00edram com 22% das emiss\u00f5es do setor el\u00e9trico nacional em 2014. Para cumprir a parte que lhe cabe no acordo clim\u00e1tico global o Brasil n\u00e3o pode expandir as t\u00e9rmicas a \u00f3leo e carv\u00e3o. E precisa, dizem as organiza\u00e7\u00f5es civis, chegar a uma matriz energ\u00e9tica 100% renov\u00e1vel em 2050 \u2013 quando a Uni\u00e3o Europeia j\u00e1 ter\u00e1 conseguido at\u00e9 banir ve\u00edculos movidos a petr\u00f3leo (independent.co.uk\/news, 13\/10).<\/p>\n<p>Por aqui, no Cear\u00e1, por exemplo, ONGs movimentam-se para impedir que a Assembleia Legislativa aprove mensagem do Executivo que prev\u00ea a redu\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias e Servi\u00e7os (ICMS) para o g\u00e1s natural consumido por usinas termoel\u00e9tricas instaladas no Estado. ONGs movimentam-se tamb\u00e9m para exigir o fim do investimento em combust\u00edveis para a termoel\u00e9trica de Pec\u00e9m (naofrackingbrasil.com, abril de 2016). Segundo o professor Alexandre Costa, da Universidade Estadual, \u201co Cear\u00e1 j\u00e1 \u00e9 o segundo maior produtor de gases do efeito estufa no Brasil\u201d no setor de gera\u00e7\u00e3o de eletricidade (s\u00f3 perde para o Rio de Janeiro).<\/p>\n<p>J\u00e1 a Petrobr\u00e1s, que n\u00e3o teve \u00eaxito em sua tentativa de vender no mercado as suas t\u00e9rmicas, mudou a estrat\u00e9gia ao agrupar todas as unidades em uma \u00fanica empresa, com capacidade instalada de 6.239 megawatts (Folha de S.Paulo, 27\/9). Juntas, elas formam a sexta maior empresa em gera\u00e7\u00e3o no setor el\u00e9trico.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que o panorama no setor mude com a decis\u00e3o do BNDES de n\u00e3o mais financiar usinas a \u00f3leo e carv\u00e3o, grandes hidrel\u00e9tricas e termoel\u00e9tricas, ao mesmo tempo que aumenta de 70% para 80% os financiamentos para usinas solares (Estado, 3\/10). Pela nova pol\u00edtica, as \u00e1reas com maior presen\u00e7a do BNDES ser\u00e3o as de energia solar, efici\u00eancia energ\u00e9tica e ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, com participa\u00e7\u00e3o de at\u00e9 80% dos itens financi\u00e1veis. Na energia solar, a participa\u00e7\u00e3o no financiamento para gera\u00e7\u00e3o passa de 70% para 80%; na efici\u00eancia energ\u00e9tica continua em 80%; nas e\u00f3licas, na biomassa, na cogera\u00e7\u00e3o e em pequenas centrais hidrel\u00e9tricas a participa\u00e7\u00e3o poder\u00e1 ser de 70%. Nas grandes hidrel\u00e9tricas, a participa\u00e7\u00e3o caiu de 70% para 50% (3\/10). T\u00e9rmicas a carv\u00e3o e \u00f3leo combust\u00edvel \u201cn\u00e3o ser\u00e3o apoiadas\u201d. No setor de distribui\u00e7\u00e3o de energia a participa\u00e7\u00e3o do banco foi mantida em at\u00e9 50%.<\/p>\n<p>O setor do carv\u00e3o protestou por interm\u00e9dio do presidente de sua associa\u00e7\u00e3o, lembrando que o Brasil tem 13 usinas a carv\u00e3o em opera\u00e7\u00e3o, com 3.389 MW de pot\u00eancia (2,4% de toda a pot\u00eancia el\u00e9trica no Pa\u00eds). J\u00e1 o ministro Sarney Filho, do Meio Ambiente, \u201ccomemorou\u201d a decis\u00e3o do BNDES que d\u00e1 prioridade ao financiamento de energias alternativas e \u00e0 suspens\u00e3o do cr\u00e9dito para usinas a carv\u00e3o e \u00f3leo combust\u00edvel (MMA.gov.br, 6\/10). Projetos de fontes renov\u00e1veis de gera\u00e7\u00e3o de energia poder\u00e3o ter financiamento de at\u00e9 80% e juros mais baixos.<\/p>\n<p>Outra derrota das termoel\u00e9tricas no segundo semestre se deu com a decis\u00e3o do Tribunal Regional Federal da 1.\u00aa Regi\u00e3o que, depois de tr\u00eas anos, concedeu a 250 geradores de energia el\u00e9trica o fim da obriga\u00e7\u00e3o de pagar uma taxa para financiar o uso de termoel\u00e9tricas (Eco-finan\u00e7as, 13\/6); a obriga\u00e7\u00e3o agora ficou restrita aos consumidores finais, que dever\u00e3o pagar toda a conta (entre 2013 e fevereiro de 2016, ela atingiu R$ 16,5 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>E chega-se a este final de outubro com mais uma pol\u00eamica, diante da decis\u00e3o de duas das maiores t\u00e9rmicas a carv\u00e3o no Pa\u00eds \u2013 Pec\u00e9m I e II, que operam no Cear\u00e1 \u2013 de comunicar \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Estado, 19\/10) que n\u00e3o ter\u00e3o condi\u00e7\u00f5es de continuar em funcionamento caso o pre\u00e7o da energia que vendem n\u00e3o seja reajustado para acompanhar a alta do pre\u00e7o da \u00e1gua no Estado.<\/p>\n<p>\u00c9 em meio a esse imbr\u00f3glio permanente que seguimos no Pa\u00eds em busca de uma pol\u00edtica adequada, eficiente, de fontes renov\u00e1veis, garantidoras do futuro. N\u00e3o basta ter dois pra l\u00e1, dois pra c\u00e1.<\/p>\n<p><em>* Washington Novaes \u00e9 jornalista (e-mail: wlrnovaes@uol.com.br)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes* Seguimos em busca de uma pol\u00edtica eficiente de fontes renov\u00e1veis, garantidoras do<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes* Seguimos em busca de uma pol\u00edtica eficiente de fontes renov\u00e1veis, garantidoras do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52616"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52616"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52616\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52616"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52616"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52616"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}