{"id":52349,"date":"2016-10-25T08:00:26","date_gmt":"2016-10-25T11:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=52349"},"modified":"2016-10-24T20:45:25","modified_gmt":"2016-10-24T23:45:25","slug":"misterio-resolvido-estudo-descobre-por-que-chove-tanto-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/misterio-resolvido-estudo-descobre-por-que-chove-tanto-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Mist\u00e9rio resolvido: estudo descobre por que chove tanto na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=52350\" rel=\"attachment wp-att-52350\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-52350\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cientistas que estudam h\u00e1 mais de 25 anos a forma\u00e7\u00e3o das nuvens na Amaz\u00f4nia sempre se depararam com um mist\u00e9rio: as got\u00edculas de \u00e1gua produzidas pela floresta s\u00e3o insuficientes para provocar as tempestades, que s\u00e3o constantes na regi\u00e3o. De onde vinha\u00a0o resto?<\/p>\n<p>Segundo estudo publicado nesta segunda-feira (24) na revista <em><strong><a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1038\/nature19819\">Nature<\/a><\/strong><\/em>, a resposta \u00e9 surpreendente: as got\u00edculas v\u00eam do c\u00e9u, de grandes altitudes.<\/p>\n<p>Os aeross\u00f3is (nanopart\u00edculas) que est\u00e3o na atmosfera\u00a0a cerca de 15 mil metros de altitude (faixa por onde voam os avi\u00f5es comerciais) se somam \u00e0s part\u00edculas vindas das \u00e1rvores e alimentam as nuvens da regi\u00e3o amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Os cientistas j\u00e1 sabiam da exist\u00eancia dos aeross\u00f3is em grandes altitudes e que eles eram removidos pela chuva. Faltava entender como a atmosfera restabelecia a concentra\u00e7\u00e3o de aeross\u00f3is rapidamente. O que descobriram foi de onde eles v\u00eam e como ajudam a &#8220;fazer chover&#8221;.<\/p>\n<h3>Part\u00edculas que sobem e descem<\/h3>\n<p>Os gases emitidos pelas \u00e1rvores da floresta\u00a0s\u00e3o levados da superf\u00edcie para a alta atmosfera pelo movimento vertical de massas de ar. No\u00a0alto, onde a temperatura \u00e9 de cerca de -55\u00b0C, eles se condensam e formam os aeross\u00f3is.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w300x300\"><span class=\"credito\">Reprodu\u00e7\u00e3o\/grayline<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/bol\/fotos\/04\/2016\/02\/05\/quando-vamos-para-a-amazonia-apesar-de-nao-sairmos-do-brasil-parece-que-estamos-em-outro-pais-de-tao-diferente-que-algumas-coisas-sao-paisagens-costumes-comidas-e-ate-as-frutas-sao-novidade-veja-1454715968236_300x300.jpg\" \/><\/div>\n<\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Floresta emite gases org\u00e2nicos<\/span><\/div>\n<p>Essas nanopart\u00edculas\u00a0s\u00e3o retiradas da alta atmosfera pelas correntes descendentes de nuvens de chuva\u00a0e se combinam com os gases das \u00e1rvores que est\u00e3o vindo em correntes ascendentes.<\/p>\n<p>Neste encontro, as part\u00edculas crescem rapidamente e formam got\u00edculas e nuvens. As correntes de convec\u00e7\u00e3o d\u00e3o in\u00edcio \u00e0 chuva.<\/p>\n<h3>Distribui\u00e7\u00e3o eficiente<\/h3>\n<p>&#8220;O conjunto dos gases emitidos pela floresta e as nuvens fazem uma din\u00e2mica muito peculiar e produzem enormes quantidades de part\u00edculas em altas altitudes, onde se acreditava\u00a0que elas n\u00e3o existiriam&#8221;, diz o f\u00edsico da USP Paulo Artaxo, um dos autores do estudo. &#8220;S\u00e3o mecanismos biol\u00f3gicos da floresta atuando junto com as nuvens para manter o ecossistema Amaz\u00f4nico em funcionamento.&#8221;<\/p>\n<p>Segundo ele, esses gases s\u00e3o jogados para a alta atmosfera, onde a velocidade do vento \u00e9 muito grande, e s\u00e3o redistribu\u00eddos pelo planeta de forma muito eficiente. &#8220;Estamos atualmente realizando trabalhos de modelagem para precisar as regi\u00f5es afetadas pelas emiss\u00f5es de gases da Amaz\u00f4nia e transportadas pela circula\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica&#8221;, diz o cientista.<\/p>\n<p>Como tais mecanismos eram at\u00e9 agora desconhecidos, essa produ\u00e7\u00e3o de aeross\u00f3is n\u00e3o est\u00e1 contemplada em nenhum modelo clim\u00e1tico. &#8220;\u00c9 um conhecimento que ter\u00e1 de ser inclu\u00eddo, pois ajudar\u00e1 a tornar as simula\u00e7\u00f5es de chuva na Amaz\u00f4nia mais precisas&#8221;, diz Luiz Augusto Machado, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espacial), que tamb\u00e9m participou do estudo.<\/p>\n<p>Segundo Machado, a observa\u00e7\u00e3o de aeross\u00f3is se formando a partir de gases vindos da superf\u00edcie \u00e9 surpreendente. Isso porque quando se ultrapassa altitudes superiores a 2.500 metros ocorre uma invers\u00e3o de temperatura que costuma inibir o transporte vertical de part\u00edculas. &#8220;O transporte atrav\u00e9s das nuvens convectivas [que sobem e descem] quebra essa barreira e permite o mecanismo funcionar em regi\u00f5es tropicais&#8221;, explica ele.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dos aeross\u00f3is n\u00e3o est\u00e1 somente na forma\u00e7\u00e3o de nuvens na Amaz\u00f4nia \u2013 o que j\u00e1 seria muito, j\u00e1 que a din\u00e2mica clim\u00e1tica na regi\u00e3o regula o clima em todo o globo. Eles s\u00e3o fundamentais tamb\u00e9m para o controle da radia\u00e7\u00e3o solar que atinge a Terra. Assim, equilibra a fotoss\u00edntese e a temperatura do ecossistema amaz\u00f4nico.<\/p>\n<h3>Descoberta feita sem querer<\/h3>\n<p>A descoberta dessa din\u00e2mica essencial para explicar a origem das chuvas foi feita por um acaso, quando cientistas investigavam o efeito da polui\u00e7\u00e3o de Manaus na atmosfera amaz\u00f4nica no experimento GoAmazon (Green Ocean Amazon Experiment).<\/p>\n<p>Artaxo diz que investiga h\u00e1 muito tempo a forma\u00e7\u00e3o de novas part\u00edculas de aeross\u00f3is na Amaz\u00f4nia, sem conseguir explicar o fen\u00f4meno. &#8220;As medi\u00e7\u00f5es eram sempre feitas em solo ou com avi\u00f5es voando at\u00e9 no m\u00e1ximo 3.000 metros de altura. Mas a resposta, na verdade, estava ainda muito mais no alto da atmosfera amaz\u00f4nica&#8221;, diz o pesquisador.<\/p>\n<p>No atual estudo, as medidas foram feitas por dois avi\u00f5es que voaram em altitudes de at\u00e9 15 mil metros. Os resultados batem com medidas feitas em solo pelo laborat\u00f3rio Torre Alta de Observa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia, uma torre de 320 m de altura situada na regi\u00e3o central da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas que estudam h\u00e1 mais de 25 anos a forma\u00e7\u00e3o das nuvens na Amaz\u00f4nia sempre<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":52350,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/amazonia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cientistas que estudam h\u00e1 mais de 25 anos a forma\u00e7\u00e3o das nuvens na Amaz\u00f4nia sempre","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52349"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52349\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}