{"id":52255,"date":"2016-10-23T11:28:20","date_gmt":"2016-10-23T14:28:20","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=52255"},"modified":"2016-10-23T11:28:20","modified_gmt":"2016-10-23T14:28:20","slug":"pesquisa-da-ufscar-traca-perfil-dos-cortadores-de-cana-de-acucar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-da-ufscar-traca-perfil-dos-cortadores-de-cana-de-acucar\/","title":{"rendered":"Pesquisa da UFSCar tra\u00e7a perfil dos cortadores de cana-de-a\u00e7\u00facar"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-da-ufscar-traca-perfil-dos-cortadores-de-cana-de-acucar\/cortador_cana\/\" rel=\"attachment wp-att-52256\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-52256\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma pesquisa da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) tra\u00e7ou o perfil dos cortadores de cana-de-a\u00e7\u00facar em Alagoas. O estudo aponta um ganho de R$ 6,72 por tonelada nas usinas, fraude na pesagem da quantidade cortada para redu\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio, al\u00e9m de problemas de sa\u00fade que variam desde o desgaste emocional at\u00e9 dist\u00farbios que podem levar \u00e0 morte.<\/p>\n<p>&#8220;Os dados levantados apontam que, no caso do corte da cana, ainda \u00e9 necess\u00e1rio lutar pelo direito de n\u00e3o morrer em decorr\u00eancia do excesso de trabalho. O desafio \u00e9 acabar com a superexplora\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou o pesquisador L\u00facio Vasconcellos de Ver\u00e7oza.<\/p>\n<p><strong>Jovens<\/strong><br \/>\nEscolhida como melhor tese de doutorado no VII Encontro Nacional da Rede de Estudos Rurais, <a href=\"https:\/\/am37.files.wordpress.com\/2016\/09\/os-saltos-do-e2809ccangurue2809d-nos-canaviais-alagoanos-um-estudo-sobre-trabalho-e-sac3bade.pdf\" target=\"_blank\">\u201cOs saltos do \u2018canguru\u2019 nos canaviais alagoanos\u2019\u2019<\/a> mostra que os trabalhadores s\u00e3o moradores da periferia das cidades pr\u00f3ximas \u00e0s usinas e migrantes do sert\u00e3o do Estado.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><img loading=\"lazy\" title=\"Caminh\u00f5es transportam toneladas de cana cortadas (Foto: L\u00facio Ver\u00e7oza\/Arquivo Pessoal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/BVnZHJFGf2VTCJ1oqaikmfOwOx0=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/10\/05\/cana1.jpg\" alt=\"Caminh\u00f5es transportam toneladas de cana cortadas (Foto: L\u00facio Ver\u00e7oza\/Arquivo Pessoal)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><strong>Caminh\u00f5es transportam toneladas de cana em<br \/>\nAlagoas (Foto: L\u00facio Ver\u00e7oza\/Arquivo Pessoal)<\/strong><\/div>\n<p>Revela tamb\u00e9m que eles s\u00e3o jovens e que, com a pol\u00edtica de produ\u00e7\u00e3o m\u00e1xima com o m\u00ednimo de funcion\u00e1rios, n\u00e3o h\u00e1 mais mulheres no servi\u00e7o<\/p>\n<p>\u201cPor conta dessas transforma\u00e7\u00f5es, esse grupo selecionado \u00e9 dotado de habilidade e resist\u00eancia f\u00edsica m\u00e1xima para atingir as elevad\u00edssimas metas de produ\u00e7\u00e3o. Nesse contexto de intensifica\u00e7\u00e3o do trabalho, s\u00f3 permanece empregado quem \u00e9 capaz de cortar, no m\u00ednimo, 7 toneladas di\u00e1rias de cana\u201d, explicou o soci\u00f3logo.<\/p>\n<p><strong>Pesagem<\/strong><br \/>\nDurante o estudo, o pesquisador entrevistou cerca de 60 trabalhadores das v\u00e1rias usinas de Alagoas e descobriu que a jornada de trabalho dura cerca de 11 horas. Verificou tamb\u00e9m que cada cortador ganha R$ 6,72 por tonelada e que as pesagens realizadas pelas empresas s\u00e3o fraudadas.<\/p>\n<p>\u201cNo caso do corte da cana, o trabalhador n\u00e3o det\u00e9m o controle exato da quantidade produzida. Isso porque, al\u00e9m da imprecis\u00e3o na medi\u00e7\u00e3o dos metros de cana cortados, ainda ocorrem fraudes no c\u00e1lculo de convers\u00e3o para toneladas. Essas fraudes, que s\u00e3o recorrentes, diminuem a quantidade que efetivamente foi cortada e rebaixam ainda mais os sal\u00e1rios\u201d, observou.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Descanso de canavieiro ap\u00f3s um dia de trabalho (Foto: Jaqueline Souza\/Arquivo Pessoal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/azYmvTNUvH9OIs6DDf7NF_9YrqM=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/10\/05\/jaqueline_souza.png\" alt=\"Descanso de canavieiro ap\u00f3s um dia de trabalho (Foto: Jaqueline Souza\/Arquivo Pessoal)\" width=\"639\" height=\"479\" \/><strong>Descanso de canavieiro ap\u00f3s um dia de trabalho (Foto: Jaqueline Souza\/Arquivo Pessoal)<\/strong><\/div>\n<p><strong>Consequ\u00eancias<\/strong><br \/>\nA tese aponta diversas sequelas do excesso de trabalho entre os cortadores de cana. Al\u00e9m do cansa\u00e7o f\u00edsico, h\u00e1 o impacto psicol\u00f3gico, j\u00e1 que muitos trabalhadores s\u00e3o descartados precocemente pelas usinas. Esse fator, segundo o pesquisador, gera o sentimento de vergonha e um desejo dos cortadores de provar que n\u00e3o s\u00e3o pregui\u00e7osos ou vagabundos, o que leva a um ac\u00famulo ainda maior de trabalho. A consequ\u00eancia, muitas veze, \u00e9 o adoecimento.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-300\"><img loading=\"lazy\" title=\"Cortadores de cana chegando para mais um dia de servi\u00e7o (Foto: L\u00facio Ver\u00e7oza\/Arquivo Pessoal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/R3fdg50i5Z9ddG9cyC5hiYHoAkM=\/300x225\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/10\/05\/3_R0iwA7M.jpg\" alt=\"Cortadores de cana chegando para mais um dia de servi\u00e7o (Foto: L\u00facio Ver\u00e7oza\/Arquivo Pessoal)\" width=\"300\" height=\"225\" \/><strong>Cortadores de cana chegando para mais um dia<br \/>\nde servi\u00e7o (Foto: L\u00facio Ver\u00e7oza\/Arquivo Pessoal)<\/strong><\/div>\n<p>\u201cA luta pelo reconhecimento do nexo causal entre o trabalho e o adoecimento se faz urgente, e n\u00e3o tem como essa luta ser vitoriosa sem mudan\u00e7as profundas na forma de trabalho que gera o adoecimento&#8221;, defendeu Ver\u00e7osa.<\/p>\n<p>Entre todos os danos, o pior \u00e9 o quadro de c\u00e3ibras por todo o corpo, conhecido em Alagoas como \u2018canguru\u2019, ou \u2018bir\u00f4la&#8217; entre os paulistas. A v\u00edtima encolhe os bra\u00e7os junto ao tronco, uma posi\u00e7\u00e3o semelhante \u00e0 do animal, e em muitos casos as c\u00e3ibras podem atingir a l\u00edngua, dificultando o pedido de socorro.<\/p>\n<p>\u201cNa medicina, esse quadro \u00e9 denominado dist\u00farbio hidroeletrol\u00edtico e est\u00e1 relacionado \u00e0 desidrata\u00e7\u00e3o, perda de eletr\u00f3litos e de sais minerais provocados pela alta intensidade do trabalho e pela longa jornada laboral sob o sol escaldante. Se o dist\u00farbio n\u00e3o for tratado a tempo, em alguns casos, pode levar \u00e0 morte s\u00fabita. \u00c9 comum encontrar cortadores de cana recebendo soro na veia ap\u00f3s o trabalho. Apesar de o &#8216;canguru&#8217; fazer parte do cotidiano nos canaviais, ele \u00e9 praticamente desconhecido fora dos eitos, e esse ocultamento contribui para que o mesmo continue existindo\u201d, disse Ver\u00e7oza.<\/p>\n<p><strong>Mecaniza\u00e7\u00e3o do setor<\/strong><br \/>\nA mecaniza\u00e7\u00e3o da colheita da cana \u00e9 outro ponto levantado na pesquisa. O processo, de acordo com Ver\u00e7oza, est\u00e1 causando apreens\u00e3o entre os trabalhadores. Para eles, a chegada das colheitadeiras pode representar o desemprego, mais um motivo para mostrar capacidade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso mencionar que o processo de mecaniza\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo. Nos canaviais paulistas, por exemplo, ele encontra-se muito mais disseminado do que em Alagoas\u201d, contou, finalizando que mesmo com a amplia\u00e7\u00e3o da mecaniza\u00e7\u00e3o a \u2018superexplora\u00e7\u00e3o\u2019 pode continuar.<\/p>\n<p>*Sob a supervis\u00e3o de Stefhanie Piovezan, do G1 S\u00e3o Carlos e Araraquara<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Pesquisa da UFSCar tra\u00e7ou perfil de cortadores de cana de Alagoas (Foto: L\u00facio Ver\u00e7oza\/Arquivo Pessoal)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/yydkYCwUyeZy9BSxQeQE2_Y9M74=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/10\/05\/4.jpg\" alt=\"Pesquisa da UFSCar tra\u00e7ou perfil de cortadores de cana de Alagoas (Foto: L\u00facio Ver\u00e7oza\/Arquivo Pessoal)\" width=\"640\" height=\"480\" \/><strong>Pesquisa da UFSCar tra\u00e7ou perfil de cortadores de cana de Alagoas (Foto: L\u00facio Ver\u00e7oza\/Arquivo Pessoal)<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) tra\u00e7ou o perfil dos cortadores de<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":52256,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/cortador_cana.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma pesquisa da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) tra\u00e7ou o perfil dos cortadores de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52255"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=52255"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/52255\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52256"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=52255"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=52255"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=52255"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}