{"id":51957,"date":"2016-10-18T17:52:27","date_gmt":"2016-10-18T20:52:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=51957"},"modified":"2016-10-18T17:52:30","modified_gmt":"2016-10-18T20:52:30","slug":"como-o-lixo-que-produzimos-consegue-chegar-ao-lugar-mais-isolado-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-o-lixo-que-produzimos-consegue-chegar-ao-lugar-mais-isolado-da-terra\/","title":{"rendered":"Como o lixo que produzimos consegue chegar ao \u2018lugar mais isolado da Terra\u2019"},"content":{"rendered":"<article class=\"articlecontent loaded\" data-aop=\"article\">\n<section class=\"articlebody \" data-aop=\"articlebody\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-o-lixo-que-produzimos-consegue-chegar-ao-lugar-mais-isolado-da-terra\/espaco-3\/\" rel=\"attachment wp-att-51960\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-51960\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Se voc\u00ea um dia j\u00e1 pensou em dar um tempo em algum lugar remoto, longe de tudo, provavelmente ficou surpreso com o fato de que existem poucas alternativas.<\/p>\n<p>O ponto mais distante da terra firme, por exemplo, \u00e9 conhecido como &#8220;polo oce\u00e2nico de inacessibilidade&#8221;. Fica a 1,6 mil km equidistantes das costas de tr\u00eas ilhas j\u00e1 bem isoladas: a ilha Ducie (um atol que integra as ilhas Pitcairn), ao norte; Motu Nui (posse chilena perto da Ilha de P\u00e1scoa), a nordeste; e a ilha de Maher (na costa da Ant\u00e1rtida), ao sul.<\/p>\n<p>Como o nome parece pomposo demais, o lugar recebeu o apelido de &#8220;Ponto Nemo&#8221;, em homenagem ao famoso anti-her\u00f3i dos romances de J\u00falio Verne, o Capit\u00e3o Nemo. O nome significa &#8220;ningu\u00e9m&#8221; em latim, o que cai bem para um local raramente visitado por humanos.<\/p>\n<p>Trata-se de um lugar peculiar: o Ponto Nemo \u00e9 t\u00e3o distante da terra firme que os seres humanos mais pr\u00f3ximos dali s\u00e3o, em geral, os astronautas. A Esta\u00e7\u00e3o Espacial Internacional percorre a \u00f3rbita terrestre a uma dist\u00e2ncia m\u00e1xima de 416 km do n\u00edvel do mar. J\u00e1 o peda\u00e7o de terra habitado mais pr\u00f3ximo de Nemo fica a 2,7 mil quil\u00f4metros dali.<\/p>\n<h3>Cemit\u00e9rio espacial<\/h3>\n<p>Destro\u00e7os da esta\u00e7\u00e3o espacial Mir est\u00e3o espalhados pela regi\u00e3o em torno do Ponto Nemo<\/section>\n<section class=\"articlebody \" data-aop=\"articlebody\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/ichef-1.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/B57E\/production\/_91926464_517503de-1880-462f-83c5-8f0cf517e9ca.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para Como o lixo que produzimos consegue chegar ao \u2018lugar mais isolado da Terra\u2019\" width=\"638\" height=\"359\" \/><\/p>\n<p>Por causa disso, toda a regi\u00e3o em torno do lugar \u00e9 bastante conhecida dos astr\u00f4nomos. As ag\u00eancias espaciais da Europa, da R\u00fassia e do Jap\u00e3o o utilizam h\u00e1 muitos anos como &#8220;lix\u00e3o&#8221; porque \u00e9 o ponto do planeta com menos habitantes humanos e uma das rotas de navega\u00e7\u00e3o mais tranquilas.<\/p>\n<p>Cientistas acreditam que mais de cem naves e equipamentos espaciais descontinuados agora ocupem esse &#8220;cemit\u00e9rio&#8221;, de sat\u00e9lites expirados \u00e0 falecida esta\u00e7\u00e3o espacial Mir.<\/p>\n<p>Segundo a arque\u00f3loga espacial Alice Gorman, da Universidade Flinders, na Austr\u00e1lia, esses destro\u00e7os est\u00e3o em peda\u00e7os e espalhados pelo leito do oceano.<\/p>\n<p>&#8220;Naves espaciais n\u00e3o sobrevivem inteiras \u00e0 reentrada na atmosfera&#8221;, afirma. &#8220;A maioria se incendia por causa do intenso calor. Os componentes que resistem melhor s\u00e3o tanques de combust\u00edvel e ve\u00edculos de press\u00e3o, geralmente feitos de liga de tit\u00e2nio ou fibra de carbono.&#8221;<\/p>\n<p>Enquanto os fragmentos menores da Mir acabaram pegando fogo, as partes maiores teriam sido levadas pelas correntes mar\u00edtimas at\u00e9 as praias das ilhas Fiji, enquanto o resto da nave de 143 toneladas afundou.<\/p>\n<p>&#8220;Assim como navios naufragados, esses destro\u00e7os criam habitats que acabam sendo colonizados por seres que vivem naquela profundidade&#8221;, diz ela. &#8220;A menos que haja vazamento de combust\u00edvel residual, n\u00e3o h\u00e1 riscos para a vida marinha&#8221;.<\/p>\n<h3>Habitat extremo<\/h3>\n<p>Um peixe da esp\u00e9cie Histrio histrio nada perto de uma corda de pl\u00e1stico\u00a0<span class=\"storyimage smallfullwidth inlineimage\" data-aop=\"image\"><span class=\"image\" data-attrib=\"Fornecido por BBC\" data-caption=\"Um peixe da esp\u00e9cie Histrio histrio nada perto de uma corda de pl\u00e1stico\" data-id=\"53\" data-m=\"{&quot;i&quot;:53,&quot;p&quot;:49,&quot;n&quot;:&quot;openModal&quot;,&quot;t&quot;:&quot;articleImages&quot;,&quot;o&quot;:4}\">\u00a0<\/span><\/span><\/section>\n<section class=\"articlebody \" data-aop=\"articlebody\"><\/section>\n<section class=\"articlebody \" data-aop=\"articlebody\"><span class=\"storyimage smallfullwidth inlineimage\" data-aop=\"image\"><span class=\"caption truncate\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/ichef.bbci.co.uk\/news\/624\/cpsprodpb\/1039E\/production\/_91926466_ce6889b8-5903-4985-ba6c-762a1511ad87.jpg\" alt=\"Resultado de imagem para Como o lixo que produzimos consegue chegar ao \u2018lugar mais isolado da Terra\u2019\" width=\"636\" height=\"358\" \/><\/span> <\/span>E quem \u00e9 que realmente vive no Ponto Nemo?<\/p>\n<p>Segundo o ocean\u00f3grafo Steven D&#8217;Hondt, da Universidade de Rhode Island (EUA), provavelmente n\u00e3o muitos seres.<\/p>\n<p>Isso ocorre porque o ponto fica dentro do giro do Pac\u00edfico Sul, uma enorme corrente oce\u00e2nica rotat\u00f3ria que \u00e9 limitada pela Austr\u00e1lia e pela Am\u00e9rica do Sul, pela linha do Equador e pela forte corrente circumpolar ant\u00e1rtica.<\/p>\n<p>As \u00e1guas do giro s\u00e3o est\u00e1veis, com uma temperatura de 5,8\u00baC na superf\u00edcie, segundo dados coletados pela Nasa (ag\u00eancia espacial americana). A corrente rotat\u00f3ria impede a entrada de \u00e1guas mais quentes e ricas em nutrientes.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, como a regi\u00e3o \u00e9 t\u00e3o isolada da terra firme, o vento n\u00e3o leva muita mat\u00e9ria org\u00e2nica at\u00e9 l\u00e1. Por isso, h\u00e1 pouco alimento dispon\u00edvel. O leito tamb\u00e9m \u00e9 praticamente desabitado. &#8220;Trata-se da regi\u00e3o menos biologicamente ativa de todos os oceanos do mundo&#8221;, afirma D&#8217;Hondt.<\/p>\n<p>Mas algumas criaturas peculiares conseguem sobreviver em pontos da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Ponto Nemo fica pr\u00f3ximo ao extremo sul de uma linha submarina de atividade vulc\u00e2nica que marca a fronteira entre as placas tect\u00f4nicas do Pac\u00edfico e de Nazca. Uma boa quantidade de magma se instala nas fissuras e cria sistemas de ventila\u00e7\u00e3o hidrotermal que expelem \u00e1gua quente e minerais.<\/p>\n<p>Trata-se de um ambiente de condi\u00e7\u00f5es extremas, mas prop\u00edcio \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o de bact\u00e9rias. Estas, por sua vez, sustentam criaturas maiores como o caranguejo-yeti (<em>Kiwa hirsuta<\/em>), observado pela primeira vez em 2005.<\/p>\n<h3>&#8216;Lix\u00e3o&#8217; da humanidade<\/h3>\n<p>Infelizmente, o que mais parece estar se acumulando por ali \u00e9 lixo. Estudo publicado em 2013 confirmou a presen\u00e7a de uma faixa de lixo dentro do Giro do Pac\u00edfico Sul. O maior ac\u00famulo ocorre no centro, a 2,5 mil km do Ponto Nemo.<\/p>\n<p>Os res\u00edduos s\u00e3o essencialmente de pl\u00e1sticos carregados das \u00e1reas costeiras e de navios. A corrente rotat\u00f3ria acaba aprisionando o lixo e fragmentando tudo em pequenos peda\u00e7os.<\/p>\n<p>Especialistas h\u00e1 muito discutem o desafio geogr\u00e1fico de encontrar o &#8220;meio&#8221; do oceano. Mas com novas tecnologias, eles conseguiram solucionar o problema. O polo oce\u00e2nico de inacessibilidade foi descoberto oficialmente em 1992 pelo engenheiro de campo Hrvoje Lukatela, com o uso de um software especializado, que leva em conta o formato el\u00edptico do planeta para ter precis\u00e3o m\u00e1xima.<\/p>\n<p>\u00c9 pouco prov\u00e1vel que o ponto mude de lugar no futuro pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>&#8220;A localiza\u00e7\u00e3o equidistante de tr\u00eas pontos \u00e9 algo bastante singular, e n\u00e3o h\u00e1 outros pontos na superf\u00edcie da Terra que possam, em princ\u00edpio, substituir o Ponto Nemo&#8221;, explica Lukatela. \u00c9 poss\u00edvel que novas ferramentas de medi\u00e7\u00e3o &#8211; ou at\u00e9 a eros\u00e3o costeira &#8211; acabe modificando ligeiramente a exata posi\u00e7\u00e3o do local, &#8220;por uma quest\u00e3o de metros&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Leia a <\/strong> vers\u00e3o original desta reportagem <strong> (em ingl\u00eas) no site da <\/strong> BBC Earth<strong>.<\/strong><\/p>\n<\/section>\n<\/article>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se voc\u00ea um dia j\u00e1 pensou em dar um tempo em algum lugar remoto, longe<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":51960,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/espaco.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Se voc\u00ea um dia j\u00e1 pensou em dar um tempo em algum lugar remoto, longe","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51957"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51957"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51957\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51960"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51957"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51957"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51957"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}