{"id":51727,"date":"2016-10-15T14:00:55","date_gmt":"2016-10-15T17:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=51727"},"modified":"2016-10-15T12:28:32","modified_gmt":"2016-10-15T15:28:32","slug":"como-ciencia-e-tecnologia-podem-ajudar-a-transformar-o-sistema-sanitario-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-ciencia-e-tecnologia-podem-ajudar-a-transformar-o-sistema-sanitario-no-brasil\/","title":{"rendered":"Como ci\u00eancia e tecnologia podem ajudar a transformar o sistema sanit\u00e1rio no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=51728\" rel=\"attachment wp-att-51728\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-51728\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Deljana Iossifova e Ulysses Sengupta*<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 a nona maior economia do mundo, mas ocupa apenas a 123\u00aa posi\u00e7\u00e3o em desenvolvimento em saneamento b\u00e1sico.<\/p>\n<p>Saneamento b\u00e1sico \u00e9 o setor esquecido na infraestrutura brasileira. Aproximadamente 15% das crian\u00e7as no pa\u00eds abaixo dos quatro anos de idade vivem em \u00e1reas com esgoto a c\u00e9u aberto.<\/p>\n<p>No Norte, menos de 10% da popula\u00e7\u00e3o conta com coleta de esgoto. Em Bel\u00e9m (PA), 44,5% das casas n\u00e3o s\u00e3o conectadas \u00e0 rede de esgoto. A estimativa no Rio de Janeiro \u00e9 que 30% da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o esteja conectada a uma rede de esgoto formal &#8211; somente 50% do esgoto coletado \u00e9 tratado antes de entrar em redes abertas de \u00e1gua e chegar ao oceano.<\/p>\n<p>Esses s\u00e3o os n\u00fameros oficiais; a realidade pode ser ainda pior.<\/p>\n<p>Pol\u00edticos brasileiros associaram o surto recente do v\u00edrus Zika com o estado do saneamento b\u00e1sico no Brasil. Mas saneamento n\u00e3o \u00e9 apenas quest\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica &#8211; afeta todos os aspectos da vida humana.<\/p>\n<p>Por exemplo: estima-se que o pa\u00eds tenha perdido mais de US$ 500 mil (R$ 1,6 milh\u00e3o) em 2012 em n\u00edveis de produtividade porque trabalhadores sofriam de infec\u00e7\u00f5es estomacais.<\/p>\n<p>No Brasil, o abismo nas condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias entre \u00e1reas urbanas &#8220;formais&#8221; ou &#8220;informais&#8221; \u00e9 enorme. O Estado ainda n\u00e3o atendeu a necessidades \u00fanicas de moradores de favelas.<\/p>\n<p>Nas favelas, os sistemas sanit\u00e1rios precisam se alinhar a uma topografia dif\u00edcil, e a uma variedade de outros entraves espaciais. Eles comumente s\u00e3o melhor implementados como uma rede de pequenos sistemas, em vez de um \u00fanico e grande sistema sanit\u00e1rio.<\/p>\n<p>No passado, o Brasil se valeu do esgoto condominial &#8211; um sistema de baixo custo para o Estado, porque utiliza o trabalho dos residentes para implementar e manter a infraestrutura. Aclamado, esse sistema exige um engajamento social intenso da comunidade de usu\u00e1rios; ou, do contr\u00e1rio, pode facilmente resultar na perda de investimento.<\/p>\n<h3>Esfor\u00e7o do governo<\/h3>\n<p>O Plano Nacional de Saneamento almejou levar \u00e1gua pot\u00e1vel para toda a popula\u00e7\u00e3o e sistema de esgoto para 93% dos moradores de \u00e1reas rurais at\u00e9 2023. Recentemente, o governo reconheceu que essa meta n\u00e3o ser\u00e1 atingida.<\/p>\n<p>Entre outros desafios, o setor de \u00e1gua e saneamento no pa\u00eds tem sido afetado por quest\u00f5es de accountability (presta\u00e7\u00e3o de contas) e transpar\u00eancia. Ainda que algum tipo de recurso financeiro esteja dispon\u00edvel, o dinheiro nem sempre \u00e9 investido efetivamente.<\/p>\n<p>Desde meados da d\u00e9cada de 1990, o Sistema Nacional de Informa\u00e7\u00e3o Sobre e Saneamento (SNIS) tentou avaliar performances de uso e, assim, guiar a aloca\u00e7\u00e3o de recursos.<\/p>\n<p>O SNIS \u00e9 o principal instrumento de gerenciamento do setor de \u00e1gua e saneamento no pa\u00eds. Emprega dados operacionais, gerenciais, financeiros e de qualidade dos servi\u00e7os providos pelos pr\u00f3prios fornecedores do servi\u00e7o, que apresentam as informa\u00e7\u00f5es em troca de cr\u00e9dito e empr\u00e9stimos do governo federal. Esses indicadores usados pelo SNIS s\u00e3o reconhecidos pelos provedores de servi\u00e7o, mas os dados n\u00e3o s\u00e3o conclusivos.<\/p>\n<h3>&#8220;Big Data&#8221; e dados do usu\u00e1rio<\/h3>\n<p>Informa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia, associados a uma metodologia de Big Data &#8211;\u00a0 an\u00e1lise e interpreta\u00e7\u00e3o de grandes volumes de dados &#8211; podem contribuir para a melhoria dos servi\u00e7os sanit\u00e1rios e de oferta de infraestrutura no Brasil. Mas como isso pode ser feito?<\/p>\n<p>O sistema atual de monitoramento de servi\u00e7os de medi\u00e7\u00e3o de performance do saneamento leva em considera\u00e7\u00e3o somente dados divulgados de forma volunt\u00e1ria pelos fornecedores do servi\u00e7o. H\u00e1 duas potenciais fragilidades nessa depend\u00eancia de uma fonte \u00fanica de dados.<\/p>\n<p>1) Uma \u00fanica fonte \u00e9 tendenciosa na sele\u00e7\u00e3o de perspectiva para a coleta de dados; e 2) corre o risco de oferecer conflito de interesse para os que ofertam o servi\u00e7o quando confrontados com problemas na provis\u00e3o desses servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O desenvolvimento inteligente de informa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancia e tecnologia de baixo custo (como plataformas web e aplicativos de smartphone), combinados com processos de informa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, podem gerar um sistema de monitoramento barato e sustent\u00e1vel envolvendo usu\u00e1rios dos servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O governo municipal poderia, a baixo custo, gerar pesquisa baseada nessas plataformas e aplicativos e, assim, monitorar o servi\u00e7o sob a perspectiva dos usu\u00e1rios, adquirindo conhecimento na cobertura, aceita\u00e7\u00e3o, sustentabilidade dos servi\u00e7os providos, al\u00e9m de conhecimentos nas formas de uso do servi\u00e7o.<\/p>\n<p>O SNIS deve ser suplementado por um sistema de monitoramento que parta verdadeiramente do usu\u00e1rio, o que permitiria aos benefici\u00e1rios da infraestrutura de saneamento dar uma resposta direta a governos locais sobre o estado da disponibilidade e distribui\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os, ou sua aus\u00eancia.<\/p>\n<p>Esse sistema, combinado com uma estrat\u00e9gia de aceita\u00e7\u00e3o (incluindo f\u00f3runs regulares para evitar exclus\u00e3o digital), poderiam melhorar a presta\u00e7\u00e3o de contas e ser um primeiro passo para transpar\u00eancia, caso provedores de servi\u00e7os e usu\u00e1rios possam acessar informa\u00e7\u00f5es um do outro.<\/p>\n<p>Sob o ponto de vista de governan\u00e7a digital, intera\u00e7\u00e3o e feedback constantes entre munic\u00edpios, prestadores de servi\u00e7o e usu\u00e1rios s\u00e3o essenciais para permitir formas de coprodu\u00e7\u00e3o e planejamentos de infraestrutura que sejam efetivos.<\/p>\n<p>Cidad\u00e3os est\u00e3o plenamente conscientes de seu direito humanit\u00e1rio de acesso a servi\u00e7os de saneamento, e a import\u00e2ncia de tal direito ser\u00e1 em breve refor\u00e7ada na 3\u00aa Confer\u00eancia da ONU sobre Moradia e<br \/>\nDesenvolvimento Urbano Sustent\u00e1vel, que ocorre neste m\u00eas no Equador.<\/p>\n<p>Ainda assim, nesse ritmo, o Brasil pode levar 50 anos para atingir n\u00edveis de acesso universal ao saneamento. O pa\u00eds precisa pressionar para que a provis\u00e3o desse servi\u00e7o seja parte integral da urbaniza\u00e7\u00e3o.<br \/>\nComo a revista Forbes afirmou: &#8220;At\u00e9 que o saneamento melhore, o Brasil nunca ir\u00e1 alcan\u00e7ar seu pleno potencial como parte de uma das lideran\u00e7as globais.&#8221;<\/p>\n<p><em>*Colaborou para a vers\u00e3o em portugu\u00eas Andreza Aruska de Souza Santos<\/em>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Deljana Iossifova e Ulysses Sengupta* O Brasil \u00e9 a nona maior economia do mundo, mas<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":51728,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/esgoto.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Deljana Iossifova e Ulysses Sengupta* O Brasil \u00e9 a nona maior economia do mundo, mas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51727"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51727"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51727\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51728"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51727"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51727"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51727"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}