{"id":51430,"date":"2016-10-10T13:00:47","date_gmt":"2016-10-10T16:00:47","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=51430"},"modified":"2016-10-10T09:52:45","modified_gmt":"2016-10-10T12:52:45","slug":"saiba-quais-saos-os-animais-que-conseguem-ficar-meses-ou-anos-sem-agua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/saiba-quais-saos-os-animais-que-conseguem-ficar-meses-ou-anos-sem-agua\/","title":{"rendered":"Saiba quais s\u00e3os os animais que conseguem ficar meses ou anos sem \u00e1gua"},"content":{"rendered":"<div id=\"texto\">\n<div class=\"imagem-representativa imagem-615x300\">\n<ul>\n<li>\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"imagem pinit-img\" title=\"Alamy\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/90\/2016\/10\/09\/o-demonio-espinhento-da-australia-tem-sulcos-para-captar-o-orvalho-1476057902604_615x300.jpg\" alt=\"O dem\u00f4nio espinhento da Austr\u00e1lia tem sulcos para captar o orvalho\" width=\"639\" height=\"312\" \/><\/div>\n<p>O dem\u00f4nio espinhento da Austr\u00e1lia tem sulcos para captar o orvalho<\/li>\n<\/ul>\n<\/div>\n<p>De acordo com a Nasa, a ag\u00eancia especial americana, 2016 poder\u00e1 entrar para a hist\u00f3ria como o ano mais quente j\u00e1 registrado. E, com altas temperaturas, v\u00eam as secas: a regi\u00e3o oriental do Mediterr\u00e2neo, por exemplo, passa pela pior estiagem em 900 anos.<\/p>\n<p>A escassez de \u00e1gua afeta homens e animais. N\u00f3s normalmente perdemos cerca de quatro a nove copos d&#8217;\u00e1gua por dia, atrav\u00e9s de urina, fezes, respira\u00e7\u00e3o e suor.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o bebermos o suficiente para satisfazer nossa sede, o custo pode ser alto. Os sintomas da desidrata\u00e7\u00e3o v\u00e3o de cansa\u00e7o, dores de cabe\u00e7a, e dores musculares \u00e0 taquicardia e perda de consci\u00eancia.<\/p>\n<p>Animais tamb\u00e9m sofrem. Mas algumas criaturas, principalmente as que vivem em ambientes de seca sazonal, contam com mecanismos engenhosos para lidar com a aridez.<\/p>\n<h3>Caixa d&#8217;\u00e1gua<\/h3>\n<p>Alguns animais usam tanques internos. Tartarugas, por exemplo, armazenam \u00e1gua em suas bexigas. Quando chove ou t\u00eam acesso a folhas verdes, os r\u00e9pteis aproveitam para encher o tanque e podem extrair a \u00e1gua em tempos mais secos, usando as paredes perme\u00e1veis da bexiga.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/e6\/2016\/10\/09\/tartarugas-armazenam-agua-na-bexiga-1476057942595_615x300.jpg\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Tartarugas armazenam \u00e1gua na bexiga<\/span><\/div>\n<p>Por isso, cientistas alertam para que essas tartarugas sejam manuseadas com cuidado. &#8220;Se voc\u00ea pegar uma tartaruga e perturb\u00e1-la o suficiente, eventualmente ter\u00e1 uma po\u00e7a no ch\u00e3o &#8211; basicamente derramar\u00e1 o cantil dela&#8221;, explica Glenn Walsberg, da Universidade Estadual do Arizona, nos EUA.<\/p>\n<p>A ironia \u00e9 que sapos que ret\u00eam \u00e1gua podem acabar servindo como um cantil para predadores &#8211; cobras, p\u00e1ssaros, crocodilos e c\u00e3es selvagens, por exemplo. Ou mesmo seres humanos &#8211; na Austr\u00e1lia, por exemplo, a tribo abor\u00edgene Tiwi mata sua sede no per\u00edodo de seca capturando os sapos e os espremendo sobre a boca.<\/p>\n<h3>Cobertura de gosma<\/h3>\n<p>Outras criaturas criaram outras maneiras de evitar a desidrata\u00e7\u00e3o. Nos desertos da Am\u00e9rica do Norte, por exemplo, os sapos p\u00e9-de-p\u00e1 usam as patas para cavar tocas em que se escondem por pelo menos nove meses do ano.<\/p>\n<p>L\u00e1, envolvem-se em uma membrana de muco para conservar \u00e1gua. &#8220;Eles s\u00f3 saem quando come\u00e7a a chover de novo&#8221;, explica Walsberg.<\/p>\n<p>R\u00e3s arb\u00f3reas nas Am\u00e9ricas do Sul e Central reduzem a perda h\u00eddrica atrav\u00e9s da secre\u00e7\u00e3o de um material ceroso imperme\u00e1vel em sua pele.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/f0\/2016\/10\/09\/algumas-especies-de-ras-acabam-virando-alvo-justamente-por-armazenarem-liquido-1476057975812_615x300.jpg\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<p><span class=\"legenda pg-color10\">Algumas esp\u00e9cies de r\u00e3s acabam virando alvo justamente por armazenarem l\u00edquido<\/span><\/div>\n<p>Como parte de um experimento, Walsberg uma vez guardou um sapo em uma caixa de sapatos por meses a fio. &#8220;Quando abri a caixa, encontrei algo que parecia um sapo mumificado. Adicionei \u00e1gua, e o sapo se reidratou, largou sua pele e estava totalmente bem.&#8221;<\/p>\n<p>O peixe pulmonado australiano, que se assemelha a uma enguia, vive em \u00e1guas rasas de mangues e brejos. Quando a \u00e1gua seca, ele simplesmente vai para terra firma e passa a respirar pelo par em vez da \u00e1gua.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cie tem uma bexiga que se transforma em um pulm\u00e3o e secreta uma camada gosmenta para minimizar a perda de l\u00edquido. Essa membrana permite que o peixe possa passar meses em terra, dormindo em um estado de anima\u00e7\u00e3o suspensa por at\u00e9 cinco anos, sem precisar de comida ou \u00e1gua. S\u00f3 acorda quando as \u00e1guas voltam.<\/p>\n<h3>S\u00f3 comida<\/h3>\n<p>Para alguns animais do deserto, a comida \u00e9 frequentemente uma das melhores fontes de \u00e1gua, e que pode ser armazenada mais facilmente que l\u00edquido.<\/p>\n<p>Ratos norte-americanos, como o rato-de-bolso mexicano, coletam sementes em tempos \u00famidos e vivem delas pelo resto do ano. &#8220;Eles sobrevivem com esse estoque at\u00e9 que mais comida esteja dispon\u00edvel&#8221;, explica Mary Price, da Universidade da Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p>Esses roedores passam os dias quentes escondidos em suas tocas, comendo as sementes, saindo da toca apenas \u00e0 noite. As sementes s\u00e3o ricas em carboidratos e delas os ratos produzem &#8220;\u00e1gua metab\u00f3lica&#8221;, o que torna desnecess\u00e1rio beber \u00e1gua.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea deixar um rato-de-bolso e um punhado de sementes em um pote durante um ano, quando voc\u00ea voltar encontrar\u00e1 metade fezes, metade semente e um rato vivendo normalmente&#8221;, completa Walsburg.<\/p>\n<p>Se ratos se valem de carboidratos para produzir \u00e1gua, mam\u00edferos maiores t\u00eam a gordura como fonte. Camelos s\u00e3o um bom exemplo.<\/p>\n<p>Para cada grama de gordura que metaboliza, consegue pouco mais de 1 ml de \u00e1gua. Sendo assim, em vez de armazenar \u00e1gua em suas corcovas, eles usam gordura &#8211; at\u00e9 36kg dela.<\/p>\n<p>No entanto, animais com gordura mais distribu\u00edda sofreriam para se manterem refrescados, porque a gordura \u00e9 um isolante t\u00e9rmico. Por isso, por exemplo, \u00e9 que o camelo concentra seu dep\u00f3sito nas corcovas.<\/p>\n<h3>Tapando vazamentos<\/h3>\n<p>A maioria dos animais do deserto \u00e9 &#8220;avarento&#8221; no que diz respeito ao consumo de \u00e1gua.<\/p>\n<p>Os ratos-cangurus, por exemplo, t\u00eam rins capazes de extrair \u00e1gua da urina antes de se livrarem dela. Suas fezes s\u00e3o compostas de menos de 50% de \u00e1gua, muito mais seco que o normal.<\/p>\n<p>Suar e ofegar pode ajudar animais a se refrescarem, mas tamb\u00e9m resultam em perdas de \u00e1gua. Para driblar isso, camelos n\u00e3o ofegam e t\u00eam menos gl\u00e2ndulas sudor\u00edferas, mas ainda assim conseguem variar sua temperatura em at\u00e9 seis graus em um dia.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s humanos gastamos muita energia para manter nossa temperatura corporal perto de 38\u00b0C. Os camelos t\u00eam menos limites de regulagem de sua temperatura, o que \u00e9 um grande m\u00e9todo para diminuir a depend\u00eancia de \u00e1gua&#8221;, explica Walsberg.<\/p>\n<p>Camelos e ratos-cangurus, assim como avestruzes, contam ainda com um sistema respirat\u00f3rio que os ajuda a respirar menos ar.<\/p>\n<p>O ar nos pulm\u00f5es de um rato-canguru, por exemplo, \u00e9 quente e saturado com \u00e1gua, mas a ponta de seu nariz \u00e9 fria. No meio do caminho, h\u00e1 uma passagem de ar que \u00e9 como um labirinto e, \u00e0 medida que o ar sai dos pulm\u00f5es para atmosfera, o vapor d&#8217;\u00e1gua se condensa na membrana do nariz do rato e se torna \u00e1gua, em vez de expirada.<\/p>\n<h3>Pegue-me se puder<\/h3>\n<p>Se alguns animais conservam \u00e1gua, outros buscam apanhar cada gotinha que puderem.<\/p>\n<p>Um exemplo \u00e9 o dem\u00f4nio espinhento, uma esp\u00e9cie de lagarto australiano que consegue beber com sua pele. Os espinhos que cobrem seu corpo est\u00e3o repletos de sulcos que atraem umidade, incluindo orvalho. Um sistema de canais leva a \u00e1gua at\u00e9 a boca do animal, que suga as gotas.<\/p>\n<p>A perdiz-de-areia, esp\u00e9cie de p\u00e1ssaro dos EUA, armazena pequenas quantidades de \u00e1gua em suas penas. Algo essencial, j\u00e1 que elas volta e meia fazem seus ninhos a at\u00e9 50km de fontes de \u00e1gua. Quando uma perdiz macho v\u00ea um lago ou uma po\u00e7a, ela se senta nela, para que as penas do abd\u00f4men sirvam como uma esp\u00e9cie de esponja. &#8220;Da\u00ed, voltam para o ninho e os filhotes extraem a \u00e1gua das penas&#8221;, explica Price.<\/p>\n<p>Em desertos pr\u00f3ximos ao mar, como o da Nam\u00edbia, na \u00c1frica, a n\u00e9voa matinal pode ser um al\u00edvio.<\/p>\n<p>Uma esp\u00e9cie de besouro, o toktokkie, deixa ela se condensar contra seu corpo e se transforme em got\u00edculas que matam sua sede.<\/p>\n<h3>E se ficar mais seco?<\/h3>\n<p>A incr\u00edvel capacidade das criaturas do deserto de se adaptar a condi\u00e7\u00f5es \u00e1ridas n\u00e3o significa que esses animais poder\u00e3o sobreviver a mudan\u00e7as clim\u00e1ticas que tornem seus habitats mais secos. A chuva, por exemplo, estimula a produ\u00e7\u00e3o de plantas, fonte de alimenta\u00e7\u00e3o para os ratos, por exemplo.<\/p>\n<p>&#8220;Mas se os intervalos de produ\u00e7\u00e3o de alimento rarearem, os roedores n\u00e3o ter\u00e3o vida f\u00e1cil&#8221;, explica Price.<\/p>\n<p>Ele trabalha todos os anos no Deserto Sonoran, o mais quente da Am\u00e9rica do Norte. \u00c9 casa para 60 esp\u00e9cies de mam\u00edferos, 350 de aves, 20 de anf\u00edbios e 100 de r\u00e9pteis. Em julho, o local por vezes passa por ondas de calor que elevam a temperatura para at\u00e9 49\u00b0C.<\/p>\n<p>&#8220;Quando fa\u00e7o trabalho de campo nessa \u00e9poca do ano, o deserto fica distintivamente mais quieto. Fico me perguntando se os animais est\u00e3o mudando de comportamento ou simplesmente mortos.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O dem\u00f4nio espinhento da Austr\u00e1lia tem sulcos para captar o orvalho De acordo com a<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":51431,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lagarto.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lagarto-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lagarto-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lagarto.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lagarto.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lagarto.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lagarto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lagarto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lagarto.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/lagarto.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O dem\u00f4nio espinhento da Austr\u00e1lia tem sulcos para captar o orvalho De acordo com a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51430"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51430"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51430\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/51431"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51430"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51430"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51430"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}