{"id":51318,"date":"2016-10-08T17:03:18","date_gmt":"2016-10-08T20:03:18","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=51318"},"modified":"2016-10-08T17:03:18","modified_gmt":"2016-10-08T20:03:18","slug":"antropoceno-3-0","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/antropoceno-3-0\/","title":{"rendered":"Antropoceno 3.0"},"content":{"rendered":"<div class=\"below-entry-meta\"><span class=\"posted-on\"><a title=\"10:21\" href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2016\/10\/05\/antropoceno-3-0\/\" rel=\"bookmark\"><img loading=\"lazy\" class=\"attachment-colormag-featured-image  wp-post-image\" src=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/DestaqueEntrevista-ed104.jpg\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\" srcset=\"http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/DestaqueEntrevista-ed104.jpg 800w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/DestaqueEntrevista-ed104-300x167.jpg 300w, http:\/\/pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/DestaqueEntrevista-ed104-768x427.jpg 768w\" alt=\"Felipe Varanda\/Revista de Hist\u00f3ria\" width=\"640\" height=\"356\" \/> <\/a><\/span><\/div>\n<div class=\"entry-content clearfix\">\n<p class=\"p1\"><span class=\"s1\"><b>Com participa\u00e7\u00e3o modesta nas grandes mudan\u00e7as <\/b>causadas pela a\u00e7\u00e3o humana sobre a <\/span>Terra at\u00e9 a d\u00e9cada de 1950, o Brasil a partir da\u00ed entrou de cabe\u00e7a no que \u00e9 chamado de Grande Acelera\u00e7\u00e3o. Esse per\u00edodo \u00e9 considerado por especialistas, como o historiador ambiental <b>Jos\u00e9 Augusto P\u00e1dua*<\/b>, como o marco da passagem da \u00e9poca geol\u00f3gica do Holoceno para a do Antropoceno. A Grande Acelera\u00e7\u00e3o, explica P\u00e1dua nesta entrevista, \u00e9 caracterizada por uma mudan\u00e7a brutal de patamar no que se refere \u00e0 presen\u00e7a biof\u00edsica da humanidade no planeta, alterando de modo profundo e sist\u00eamico o funcionamento da vida na Terra \u2013 ainda que muitos cientistas sociais n\u00e3o se tenham dado conta do significado e da magnitude dessa transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p1\">Se o Brasil pouco pode se orgulhar de ter colaborado para tal fen\u00f4meno, ainda tem a chance de prestar uma contribui\u00e7\u00e3o positiva para a hist\u00f3ria da humanidade. Dono de um potencial ambiental \u00edmpar, o Pa\u00eds pode, em vez de permanecer em ber\u00e7o espl\u00eandido espoliando os recursos naturais a alt\u00edssimos custos socioambientais, protagonizar o Antropoceno 3.0. Esta express\u00e3o se refere a uma nova fase potencial do Antropoceno, desta vez inteligentemente manejado, depois que o ser humano tomou ci\u00eancia dos estragos que causou \u00e0 vida na Terra. O emprego de fontes renov\u00e1veis de energia, inserido em uma economia cada vez mais circular, tem tudo a ver com essa futura etapa que pode e deve ser descortinada.<\/p>\n<p>P\u00e1dua participou do primeiro grupo de intelectuais e pesquisadores na concep\u00e7\u00e3o do Museu do Amanh\u00e3, que segue a linhagem de museus imateriais brasileiros, como o da <a href=\"http:\/\/pagina22.com.br\/2016\/06\/03\/portugues-em-tempo-real\/\">L\u00edngua Portuguesa<\/a> e o do Futebol. S\u00e3o museus mais baseados em informa\u00e7\u00e3o do que em acervo material. Uma contribui\u00e7\u00e3o relevante do professor para esse grupo foi a realiza\u00e7\u00e3o de um curso de curta dura\u00e7\u00e3o, que aborda do Big Bang \u00e0 crise da civiliza\u00e7\u00e3o industrial em at\u00e9 16 horas. Este curso vem sendo trabalhado por P\u00e1dua desde 1997, mas nesse per\u00edodo outras pessoas tiveram a mesma ideia e isso vem sendo chamado de Big History. Segundo ele, a exposi\u00e7\u00e3o permanente do museu \u00e9 como um curso de Big History: come\u00e7a com o Cosmos, a Vida, a Mente, a Diversidade de Culturas, a Situa\u00e7\u00e3o Atual, o Antropoceno e vai at\u00e9 as diferentes op\u00e7\u00f5es para o Futuro.<\/p>\n<p class=\"p1\"><strong>*\u00a0<\/strong><em><span class=\"s1\">Professor associado do Instituto de Hist\u00f3ria da Universidade Federal do Rio de Janeiro, \u00e9 um dos coordenadores do Laborat\u00f3rio de Hist\u00f3ria e Natureza. \u00c9 fellow do Rachel Carson Center for Environment and Society (Ludwig-Maximilians-Universit\u00e4t, Munique) e foi membro do Conselho Diretor do International Consortium of Environmental History Organizations. Fez parte do Col\u00e9gio de Consultores na cria\u00e7\u00e3o do Museu do Amanh\u00e3, no Rio de Janeiro, do qual \u00e9 membro do Comit\u00ea Cient\u00edfico desde 2016.<\/span><\/em><\/p>\n<p><strong>A express\u00e3o Antropoceno foi cunhada em 1980. Por que s\u00f3 mais recentemente a estamos usando com frequ\u00eancia?<\/strong><\/p>\n<p>Essa express\u00e3o vem ganhando muita visibilidade porque atende a uma s\u00e9rie de transforma\u00e7\u00f5es que v\u00eam acontecendo na Hist\u00f3ria contempor\u00e2nea. As palavras ganham for\u00e7a social na medida em que ajudam a desvelar quest\u00f5es vividas em cada momento. Na discuss\u00e3o do Antropoceno h\u00e1 duas dimens\u00f5es, uma mais restrita e outra mais ampla. A mais restrita \u00e9 a classifica\u00e7\u00e3o que a Geologia faz, a chamada estratifica\u00e7\u00e3o. Estudam-se os estratos da Terra e com isso vai-se criando uma periodiza\u00e7\u00e3o com eras, per\u00edodos e \u00e9pocas. \u00c9 um processo bastante lento e minucioso at\u00e9 que haja uma oficializa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica pela Sociedade Internacional de Geologia. A \u00e9poca em que estar\u00edamos vivendo hoje [oficialmente] seria a do Holoceno. Para se ter ideia, o Holoceno, que teria come\u00e7ado com o fim da \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o (h\u00e1 cerca de 11.700 anos), s\u00f3 foi oficializado em 2008! Por volta do ano 2000, Paul Crutzen, Pr\u00eamio Nobel da Qu\u00edmica, disse que a gente precisava pensar que a humanidade e a Terra estavam vivendo uma nova \u00e9poca \u2013 que chamou de Antropoceno. A proposta dele tinha essa dimens\u00e3o mais restrita de periodizar e outra muito mais ampla, de identificar e discutir as transforma\u00e7\u00f5es que estamos vivendo nos n\u00edveis ambiental, econ\u00f4mico, cultural etc. Para isso, \u00e9 preciso notar que o planeta na \u00e9poca do Holoceno esteve bastante \u201ctranq\u00fcilo\u201d, em condi\u00e7\u00f5es quase \u00f3timas para o desenvolvimento da civiliza\u00e7\u00e3o humana. As pessoas reclamam de maremotos, terremotos, mas comparando com o que acontecia antes, o Holoceno foi uma configura\u00e7\u00e3o bastante positiva para a civiliza\u00e7\u00e3o humana na longu\u00edssima hist\u00f3ria do planeta. N\u00e3o por acaso, foi nesse per\u00edodo que a humanidade passou por enormes transforma\u00e7\u00f5es como o in\u00edcio da agricultura, a sedentariza\u00e7\u00e3o das sociedades, o aparecimento das primeiras paisagens urbanas, e tudo aquilo que se costuma chamar de estruturas complexas de civiliza\u00e7\u00e3o (mesmo antes do aparecimento moderno da civiliza\u00e7\u00e3o industrial).<\/p>\n<p><strong>A agricultura ou a chegada na era industrial j\u00e1 indicariam a mudan\u00e7a de \u00e9poca?<\/strong><\/p>\n<p>Por enquanto ainda estamos falando do Holoceno, vou entrar no Antropoceno daqui a pouco. N\u00e3o se trata de determinismo geogr\u00e1fico, mas o fato \u00e9 que a hist\u00f3ria humana n\u00e3o se d\u00e1 no ar, mas sempre interagindo com a Terra. O momento em que o planeta Terra esteve relativamente \u201ctranquilo\u201d foi quando a humanidade come\u00e7ou a se expressar de forma muito mais complexa em termos materiais e tecnol\u00f3gicos, at\u00e9 a emerg\u00eancia das economias industriais. A\u00ed come\u00e7a a discuss\u00e3o de que estar\u00edamos saindo do Holoceno e entrando no Antropoceno. Uma dimens\u00e3o essencial dessa discuss\u00e3o tem a ver com a problem\u00e1tica ambiental. A partir das d\u00e9cadas de 1960 e 1970, come\u00e7aram a aparecer em todo o planeta, principalmente nos pa\u00edses mais industrializados, problemas ambientais como polui\u00e7\u00e3o, acidentes industriais, perda de solos N\u00e3o que esses problemas n\u00e3o aconteciam antes, mas se davam em escala menor e eram percebidos especialmente pelos intelectuais, pelos homens de ci\u00eancia. O que aconteceu a partir dos anos 1960 \u00e9 que esses problemas da vida, do ambiente, come\u00e7aram a explodir na cena pol\u00edtica. Num primeiro momento, foram entendidos como externalidades, defeitos pontuais. Havia um not\u00e1vel crescimento urbano-industrial, ent\u00e3o a percep\u00e7\u00e3o era de que disfun\u00e7\u00f5es aconteceriam aqui e ali. Mas hoje podemos entender que esses problemas sinalizavam uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica muito mais profunda na rela\u00e7\u00e3o da humanidade com o planeta. Ou seja, indicavam uma mudan\u00e7a na pr\u00f3pria escala da presen\u00e7a humana no planeta. Isso especialmente a partir de 1950, no contexto do que a gente vem chamando de a Grande Acelera\u00e7\u00e3o, que a meu ver \u00e9 o aspecto mais importante na discuss\u00e3o sobre o Antropoceno.<\/p>\n<p><strong>Esse seria o marco, na sua opini\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>A periodiza\u00e7\u00e3o que vem sendo feita come\u00e7a com as revolu\u00e7\u00f5es industriais nos s\u00e9culos XVIII e XIX. A\u00ed a gente observa um crescimento marcante na popula\u00e7\u00e3o e na produ\u00e7\u00e3o material. A discuss\u00e3o sobre o Antropoceno est\u00e1 muito ligada aos esfor\u00e7os realizados no final do s\u00e9culo XX e in\u00edcio do s\u00e9culo XXI no sentido de agregar as informa\u00e7\u00f5es sobre as mudan\u00e7as ocorridas a partir das revolu\u00e7\u00f5es industriais. Come\u00e7ou-se a elaborar gr\u00e1ficos cruzando os indicadores socioecon\u00f4mico-ambientais com os indicadores de mudan\u00e7as no chamado sistema Terra. Ent\u00e3o voc\u00ea come\u00e7a a juntar aumento da popula\u00e7\u00e3o, aumento do consumo de ferro, aumento da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os, aumento da concentra\u00e7\u00e3o de CO<sub>2<\/sub> na atmosfera, perda de biodiversidade, taxa de urbaniza\u00e7\u00e3o etc. Quando esses indicadores foram reunidos em gr\u00e1ficos, em uma perspectiva comparada, foi ficando claro para os especialistas, inclusive os historiadores ambientais, o seguinte: havia uma subida bem pronunciada nas curvas a partir do s\u00e9culo XIX, mas, quando chega por volta de 1950, as curvas ficam praticamente \u201cna vertical\u201d.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 a Grande Acelera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Sim. Uma imagem que gosto de usar \u00e9 que os ventos da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial se tornaram um furac\u00e3o. Normalmente as pessoas n\u00e3o se d\u00e3o conta \u2013 mas esses gr\u00e1ficos deixam bem claro \u2013 de que a partir de 1950 houve uma mudan\u00e7a brutal de escala. Por exemplo, a popula\u00e7\u00e3o chega a 1 bilh\u00e3o de pessoas em 1800 e em 1950 sobe para 2,5 bilh\u00f5es. Mas, de 1950 em diante, ela pula para mais de 7 bilh\u00f5es! Uma coisa \u00e9 voc\u00ea viver em um mundo de 2,5 bilh\u00f5es de pessoas, outra \u00e9 viver em mundo que est\u00e1 a caminho de 9 bilh\u00f5es em 2050. E esse \u00e9 s\u00f3 um dos indicadores da Grande Acelera\u00e7\u00e3o. Um dado impressionante \u00e9 que em 1950 existiam cerca de 40 milh\u00f5es de autom\u00f3veis no planeta. E hoje j\u00e1 temos perto de 1 bilh\u00e3o! Essa mudan\u00e7a espantosa ocorreu no per\u00edodo da vida de uma pessoa. Muitos cientistas sociais ainda n\u00e3o abriram os olhos para isso. Mas a gente n\u00e3o pode continuar usando os mesmos instrumentos que usava para pensar o desenvolvimento urbano industrial, o desenvolvimento do capitalismo, porque, a partir de meados do s\u00e9culo XX, a escala mudou radicalmente.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Por que \u00e9 importante a discuss\u00e3o em torno do marco do Antropoceno?<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro ponto \u00e9 que n\u00e3o podemos mais pensar os problemas ambientais como coisas isoladas, acontecendo aqui e ali. Eles sinalizam uma mudan\u00e7a da pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o da humanidade no planeta, que \u00e9 o que se est\u00e1 tentando indicar com o tema do Antropoceno. Por exemplo, eu j\u00e1 participei de debates em que alguns perguntavam por que n\u00e3o usar os termos \u201cmodernidade\u201d ou \u201cglobaliza\u00e7\u00e3o\u201d, express\u00f5es que j\u00e1 existiam no debate pol\u00edtico e social. Para mim, o que o termo Antropoceno traz de grande novidade \u00e9 a presen\u00e7a radical do planeta na hist\u00f3ria humana. E da hist\u00f3ria humana no planeta. Os outros conceitos n\u00e3o revelam que as for\u00e7as produtivas da humanidade passaram a se acoplar profundamente com o sistema planet\u00e1rio. Desde o in\u00edcio da hist\u00f3ria humana, obviamente, existe uma rela\u00e7\u00e3o permanente com o que a gente chama de natureza ou mundo biof\u00edsico. Voc\u00ea tinha processos de desertifica\u00e7\u00e3o, de mudan\u00e7as na vegeta\u00e7\u00e3o, existiram at\u00e9 colapsos de sociedades humanas no contexto de secas prolongadas ou outros problemas ambientais. Mas \u00e9 diferente falar da natureza, em sentido geral, e falar do planeta enquanto tal. As mudan\u00e7as que aconteciam no passado eram regionais, afetavam uma regi\u00e3o, maior ou menor, atrav\u00e9s de desflorestamentos, eros\u00e3o ou saliniza\u00e7\u00e3o de solos etc. Mas a novidade a partir do que estamos chamando Antropoceno \u00e9 o fato de a a\u00e7\u00e3o humana, de uma maneira agregada, tocar nas macroestruturas do sistema Terra, na atmosfera, na biosfera, nos grandes ciclos biogeoqu\u00edmicos que formam o planeta. A ideia de Antropoceno integra a hist\u00f3ria humana na hist\u00f3ria do planeta. \u00c9 como se a gente estivesse atingindo as fronteiras, os limites do planeta mesmo.<\/p>\n<p><strong>Tanto \u00e9 que j\u00e1 estamos buscando outro planeta para colonizar.<\/strong><\/p>\n<p>Pois \u00e9. J\u00e1 estamos indo al\u00e9m da ecosfera da Terra. Isso \u00e9 algo completamente in\u00e9dito na Hist\u00f3ria, at\u00e9 onde se saiba. Por isso a discuss\u00e3o do Antropoceno \u00e9 t\u00e3o relevante e contempor\u00e2nea.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>A quest\u00e3o da energia, que estamos abordando nesta edi\u00e7\u00e3o, \u00e9 visceral nesse debate do Antropoceno?<\/strong><\/p>\n<p>A entrada em cena dos combust\u00edveis f\u00f3sseis, como o carv\u00e3o e o petr\u00f3leo, \u00e9 uma dimens\u00e3o fundamental do Antropoceno. Apesar de que n\u00e3o podemos ver as fontes de energia de maneira isolada, porque est\u00e3o relacionadas a mudan\u00e7as nas estruturas s\u00f3cio-econ\u00f4micas, nas institui\u00e7\u00f5es, nas percep\u00e7\u00f5es culturais. N\u00e3o se pode dissociar a entrada dos f\u00f3sseis na economia da difus\u00e3o do capitalismo, de uma s\u00e9rie de ideologias da modernidade, da cren\u00e7a no crescimento ilimitado. Por outro lado, se n\u00e3o houvesse uma fonte energ\u00e9tica no subsolo do planeta como os combust\u00edveis f\u00f3sseis, as grandes transforma\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas dos \u00faltimos s\u00e9culos n\u00e3o seriam materialmente poss\u00edveis. At\u00e9 o uso dos f\u00f3sseis, tudo o que se construiu \u2013 como cidades de pedra, pir\u00e2mides e mesmo o crescimento do capitalismo comercial nos s\u00e9culos XVI, XVII e XVIII \u2013 era feito com base no trabalho do corpo humano e de outros animais, usando basicamente materiais org\u00e2nicos. E usando, ironicamente, energias renov\u00e1veis, como o vento para a navega\u00e7\u00e3o e a energia hidr\u00e1ulica para mover moinhos. Mas isso colocava uma s\u00e9rie de condicionantes inescap\u00e1veis para o crescimento das estruturas e assentamentos humanos. Por exemplo, a dist\u00e2ncia entre os espa\u00e7os de moradia e de trabalho n\u00e3o podiam ser muito grandes. Como se poderia construir cidades com muitos milh\u00f5es de habitantes andando a p\u00e9 ou a tra\u00e7\u00e3o animal? A expans\u00e3o urbana est\u00e1 relacionada aos trens, \u00f4nibus, autom\u00f3veis. A produ\u00e7\u00e3o humana tinha de responder ao ritmo das esta\u00e7\u00f5es e mesmo ao ciclo do dia, interrompendo a produ\u00e7\u00e3o \u00e0 noite. Eram movimentos hist\u00f3rico-ambientais limitados e circulares, com reaproveitamento dos res\u00edduos, com energias renov\u00e1veis. Mas, com a extra\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos de carv\u00e3o e petr\u00f3leo, o fluxo de energia, al\u00e9m de incomparavelmente mais intenso, passou a se dar em grande parte de maneira linear, do subsolo para a superf\u00edcie do planeta territorializada pela a\u00e7\u00e3o humana.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>E hoje existe um esfor\u00e7o para adotar uma economia circular, que a nossa civiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 praticava no in\u00edcio.<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 fascinante: n\u00f3s teremos de descarbonizar, buscar fontes renov\u00e1veis e estabelecer economias circulares em outro momento da espiral, em outro patamar quantitativo e qualitativo das civiliza\u00e7\u00f5es humanas, pois n\u00e3o d\u00e1 mais para viver como se vivia antes. E teremos de descarbonizar a economia n\u00e3o pelo esgotamento das reservas de combust\u00edvel f\u00f3ssil \u2013 pois ainda existe uma quantidade consider\u00e1vel de petr\u00f3leo e principalmente de carv\u00e3o no planeta, para n\u00e3o falar do g\u00e1s de xisto. A quest\u00e3o que o Clube de Roma colocava, de esgotamento das reservas, n\u00e3o \u00e9 a mais a quest\u00e3o central. O mais essencial \u00e9 o impacto sist\u00eamico dos combust\u00edveis f\u00f3sseis na ecologia e no clima planet\u00e1rio. Vou dar um exemplo de como isso \u00e9 importante e muitas pessoas n\u00e3o percebem as sutilezas da hist\u00f3ria ambiental. A gente \u00e0s vezes l\u00ea que a coloniza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Latina foi um grande saque, como naquela imagem das veias abertas que o [escritor uruguaio] Eduardo Galeano criou, de onde sa\u00edam os recursos para os pa\u00edses colonizadores e dominantes. Em parte isso \u00e9 verdade, mas \u00e9 importante notar que no mundo pr\u00e9-fossilista \u2013 ou seja, at\u00e9 a entrada massiva de combust\u00edveis f\u00f3sseis nos transportes e na economia \u2013, a capacidade de carga dos navios era limitada porque eram conduzidos pelos ventos, n\u00e3o podiam conter material muito pesado. A explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais das Am\u00e9ricas era muito mais baseada nas \u201cpreciosidades\u201d, nos produtos que eram muito valiosos em quantidades relativamente pequenas, como a\u00e7\u00facar, ouro, prata, mogno, jacarand\u00e1, pau-brasil. S\u00f3 depois da transforma\u00e7\u00e3o fossilista a navega\u00e7\u00e3o internacional passou a carregar as chamadas <em>bulk commodities<\/em>, os materiais pesados.<\/p>\n<p><strong>E de baixo custo unit\u00e1rio, ou seja, precisa carregar muito para gerar escala.<\/strong><\/p>\n<p>Sim, ao contr\u00e1rio das preciosidades, com pre\u00e7o alto e baixa escala, porque atendiam mais a um consumo de elite. A industrializa\u00e7\u00e3o na China, por exemplo, est\u00e1 sendo feita hoje com ferro de Caraj\u00e1s. A ideia de veias abertas do Galeano, ironicamente, talvez funcione muito mais agora do que no per\u00edodo colonial, porque agora \u00e9 poss\u00edvel levar bilh\u00f5es de toneladas de ferro, de petr\u00f3leo, de gr\u00e3os de um lado para o outro do planeta o tempo todo. Ent\u00e3o isso mostra que vivemos em um outro mundo, pautado pela reprodu\u00e7\u00e3o cotidiana e muito impactante de gigantescos fluxos de mat\u00e9ria e energia.<\/p>\n<p><strong>E hoje temos o desafio de atender \u00e0s grandes massas de consumidores.<\/strong><\/p>\n<p>Eu tenho um n\u00famero aqui que mostra como a Grande Acelera\u00e7\u00e3o est\u00e1 em pleno vigor. Em 1970 foram transportadas globalmente 2,6 bilh\u00f5es de toneladas de materiais pesados. Em 2014, ou seja, em poucas d\u00e9cadas, isso subiu para 9,8 bilh\u00f5es. Imagine os problemas ambientais relacionados a isso, como contamina\u00e7\u00e3o dos oceanos, os vazamentos, as emiss\u00f5es.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>Qual a contribui\u00e7\u00e3o do Brasil nessa transforma\u00e7\u00e3o global? Como a gente contextualiza o Pa\u00eds no Antropoceno?<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma das coisas que estou estudando atualmente. Escrevi um artigo que ser\u00e1 publicado at\u00e9 o fim do ano em um livro na Inglaterra chamado <em>O Brasil no Antropoceno<\/em>. E meu artigo explora justamente o lugar do Brasil na hist\u00f3ria do Antropoceno. Existe um livro cl\u00e1ssico chamado <em>A Grande Transforma\u00e7\u00e3o<\/em>, publicado em meados do s\u00e9culo XX pelo [fil\u00f3sofo e historiador da economia] Karl Polanyi. Ele chamou de Grande Transforma\u00e7\u00e3o esse processo mais amplo que vem junto com a industrializa\u00e7\u00e3o \u2013 a mercantiliza\u00e7\u00e3o do trabalho e da natureza, o uso dos combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p><strong>Naquela \u00e9poca j\u00e1 se falava da Grande Acelera\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o. Este foi um termo que surgiu no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI. John McNeill, importante historiador ambiental contempor\u00e2neo, foi um dos especialistas que come\u00e7ou a falar na Grande Acelera\u00e7\u00e3o, pensando justamente na Grande Transforma\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o temos a Grande Transforma\u00e7\u00e3o, que \u00e9 o in\u00edcio do mundo urbano-industrial, e na sequ\u00e8ncia a Grande Acelera\u00e7\u00e3o, que muda radicalmente o patamar da presen\u00e7a humana no planeta. \u00c9 importante dizer, no entanto, que todo conceito tem limites e possibilidades, para que as coisas n\u00e3o sejam pensadas de maneira mec\u00e2nica e dogm\u00e1tica. Qualquer conceito, inclusive o de Antropoceno, \u00e9 critic\u00e1vel, tem vantagens e desvantagens. Para mim, uma vantagem \u00e9 integrar, como j\u00e1 falamos, o planeta e a hist\u00f3ria humana. Mas o problema \u00e9 que ao fazer algo t\u00e3o amplo e agregado, deixam-se de lado as diferen\u00e7as que existem dentro da humanidade em termos socioecon\u00f4micos e culturais. \u00c9 uma pergunta bem leg\u00edtima: quando se fala em Antropoceno, quem \u00e9 o <em>antropos<\/em>? S\u00e3o os africanos ou os su\u00ed\u00e7os? Os norte-americanos ou os latino-americanos? Porque a gente sabe das grandes disparidades nos padr\u00f5es de consumo. Mesmo assim, toda a humanidade est\u00e1 envolvida nas consequ\u00eancias desse processo.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 que uns mais e outros menos?<\/strong><\/p>\n<p>Exatamente. A participa\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m desigual. A agrega\u00e7\u00e3o radical da humanidade, em sua intera\u00e7\u00e3o com o planeta, \u00e9 ao mesmo tempo a for\u00e7a e a fraqueza do conceito de Antropoceno. Uma possibilidade interessante, para considerar o aspecto das diferen\u00e7as, \u00e9 pensar essa nova \u00e9poca no contexto dos diferentes pa\u00edses. Fazer, por exemplo, esse exerc\u00edcio para o Brasil. Mas sempre lembrando que o Brasil n\u00e3o \u00e9 um pa\u00eds qualquer do ponto de vista ambiental. \u00c9 o \u00fanico dos cinco maiores territ\u00f3rios nacionais totalmente situado na zona tropical e subtropical. Os outros pa\u00edses muito extensos, como Canad\u00e1 e R\u00fassia, t\u00eam grande parte de seus territ\u00f3rios em regi\u00f5es geladas. O Brasil tem essa fant\u00e1stica concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua doce, biodiversidade e solos f\u00e9rteis. Quando se pensa o Brasil no Antropoceno, a gente pode considerar tr\u00eas n\u00edveis \u2013 primeiro, o Brasil como fornecedor de recursos naturais para a grande transforma\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o em escala global; segundo, a sociedade brasileira como participante dos padr\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o e consumo que caracterizam o Antropoceno; e terceiro, a presen\u00e7a do Brasil no debate cultural, cientifico e pol\u00edtico sobre o Antropoceno e as alternativas hist\u00f3ricas que se abrem diante do mesmo. A participa\u00e7\u00e3o do Brasil foi bastante modesta na hist\u00f3ria inicial do Antropoceno. Em 1915, quando a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial j\u00e1 era uma realidade na Europa, nos Estados Unidos e no Jap\u00e3o, o Brasil era respons\u00e1vel por 0,6% do consumo mundial de petr\u00f3leo e 0,14% do consumo mundial de carv\u00e3o mineral. Ou seja, o Brasil do in\u00edcio do s\u00e9culo XX estava praticamente fora da civiliza\u00e7\u00e3o urbano-industrial. Em 1941, 73% da energia consumida no Brasil ainda provinha da lenha. Agora, no mundo da Grande Acelera\u00e7\u00e3o a coisa muda de figura, porque o Brasil a partir de 1950 passou por uma mudan\u00e7a muito radical. Em 1950 o Brasil tinha 50 milh\u00f5es de pessoas, e hoje pulou para 200 milh\u00f5es. A urbaniza\u00e7\u00e3o era por volta de 36%, hoje \u00e9 pr\u00f3xima de 85%.<\/p>\n<p><strong>A\u00ed o Brasil entrou de cabe\u00e7a no Antropoceno?<\/strong><\/p>\n<p>De cabe\u00e7a. Seja em termos de fornecer mat\u00e9rias-primas, seja em termos da sua pr\u00f3pria sociedade entrar com for\u00e7a no mundo do consumo que associamos \u00e0 Grande Acelera\u00e7\u00e3o, como autom\u00f3veis, celulares, computadores, internet. O primeiro aspecto, ao meu ver, \u00e9 especialmente preocupante. \u00c9 o que chamo de dilema do ber\u00e7o espl\u00eandido: o territ\u00f3rio \u00e9 t\u00e3o grande e ecologicamente rico que pode estimular a amplia\u00e7\u00e3o crescente de uma economia baseada na exporta\u00e7\u00e3o de produtos prim\u00e1rios e de baixa agrega\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 o que a gente sempre viu na Hist\u00f3ria do Brasil, n\u00e3o \u00e9?<\/strong><\/p>\n<p>Isso tem ra\u00edzes na nossa Hist\u00f3ria, mas, como disse, a escala hoje \u00e9 totalmente diferente. Uma coisa \u00e9 exportar caf\u00e9, a\u00e7\u00facar, borracha at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, outra coisa \u00e9 o que est\u00e1 acontecendo hoje. Por causa do territ\u00f3rio, o Brasil est\u00e1 se tornando um fornecedor de materiais pesados e de alimentos para processos de industrializa\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o no mundo. O Brasil em 1950 produzia 9 milh\u00f5es de toneladas de ferro. Em 2014, est\u00e1 produzindo 344 milh\u00f5es! Tudo isso possui consequ\u00eancias ambientais e sociais muito s\u00e9rias para as diferentes regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p><strong>E perdendo a oportunidade tornar a economia mais circular, mesmo com todo esse sol, vento, biomassa. O Brasil poderia ser a grande pot\u00eancia, n\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Esse ponto \u00e9 fundamental. Com esse enorme territ\u00f3rio tropical e subtropical, o Brasil poderia ser a grande pot\u00eancia de uma nova economia circular. O territ\u00f3rio pode ser tamb\u00e9m um tremendo trunfo hist\u00f3rico para dar um salto na dire\u00e7\u00e3o das fontes renov\u00e1veis e limpas de energia.<\/p>\n<p><strong>E a\u00ed dar uma contribui\u00e7\u00e3o positiva para a quest\u00e3o do Antropoceno.<\/strong><\/p>\n<p>Alguns analistas falam em uma terceira fase potencial do Antropoceno. A primeira seria a industrializa\u00e7\u00e3o; a segunda, a Grande Acelera\u00e7\u00e3o; e a terceira seria a busca da sustentabilidade, ou seja, quando a humanidade, tomando consci\u00eancia de que mudou de patamar, do risco que representa sua condi\u00e7\u00e3o atual, possa buscar uma transi\u00e7\u00e3o no rumo de um Antropoceno inteligentemente manejado. Um Antropoceno \u201camansado\u201d, por assim dizer, na chave da economia circular. Mas a tend\u00eancia de seguir no rumo oposto \u00e9 muito forte. Pois o territ\u00f3rio brasileiro pode tamb\u00e9m se tornar um grande reservat\u00f3rio para alimentar fontes de energia, tecnologias e estilos de desenvolvimento ligados ao passado fossilista, que deveria ser transformado e superado.<\/p>\n<p><strong>A\u00ed n\u00e3o tem barragem que aguente\u2026<\/strong><\/p>\n<p>Exatamente. Veja a trag\u00e9dia da Samarco no Rio Doce. Esse \u00e9 o cora\u00e7\u00e3o do debate sobre o Antropoceno: a trag\u00e9dia n\u00e3o \u00e9 algo que aconteceu e n\u00e3o acontecer\u00e1 mais, porque est\u00e1 dentro de uma mudan\u00e7a hist\u00f3rica mais ampla, que vai gerar esse tipo de problema o tempo todo. Nesse padr\u00e3o desembestado de consumo global, n\u00e3o h\u00e1 reservat\u00f3rio que aguente. Claro, \u00e9 poss\u00edvel construir reservat\u00f3rios melhores ou piores \u2013 no caso da Samarco, foi um esc\u00e2ndalo a falta de cuidado e o descaso com a popula\u00e7\u00e3o e o territ\u00f3rio. Mas, mesmo havendo mais cuidado, se voc\u00ea continuar acelerando dessa maneira, com materiais n\u00e3o renov\u00e1veis, ou que produzam polui\u00e7\u00e3o e impactos ambientais sist\u00eamicos, n\u00e3o tem sa\u00edda. Essa \u00e9 a quest\u00e3o central do Antropoceno. Por exemplo, a gente pulou de 39 milh\u00f5es de toneladas de gr\u00e3os produzidos em 1975 para 206 milh\u00f5es em 2014. Uma li\u00e7\u00e3o fundamental da Hist\u00f3ria Ambiental \u00e9 que o ser humano n\u00e3o existe no ar. Tudo tem de estar referenciado no mundo biof\u00edsico. Se voc\u00ea aumenta a produ\u00e7\u00e3o de itens prim\u00e1rios dessa maneira, como tudo est\u00e1 referenciado ao uso dos solos e dos ecossistemas, gera-se um enorme risco sist\u00eamico para a sa\u00fade ambiental do territ\u00f3rio.<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n<p><strong>A sa\u00edda \u00e9 tecnol\u00f3gica ou exige tamb\u00e9m uma revis\u00e3o na cultura de consumo, que \u00e9 mais dif\u00edcil de acontecer?<\/strong><\/p>\n<p>Esse \u00e9 o debate que estamos vivendo hoje. Mesmo que a Grande Acelera\u00e7\u00e3o seja insustent\u00e1vel, n\u00e3o d\u00e1 mais para pensar em uma humanidade pequena. Ela vai caminhar para 9 bilh\u00f5es. As sociedades de baixo consumo de energia j\u00e1 ficaram para tr\u00e1s. A gente precisa pensar em sociedades que produzam energia numa quantidade consider\u00e1vel, mas usando fontes limpas e renov\u00e1veis. Isso implica mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas que certamente surgir\u00e3o com muita for\u00e7a. Mas tecnologia n\u00e3o resolve tudo. \u00c9 preciso repensar o tamanho das cidades, os sistemas de transporte, os padr\u00f5es de consumo. \u00c9 necess\u00e1rio regionalizar mais as sociedades e as economias. As sociedades precisam interagir melhor com a diversidade ecol\u00f3gica dos territ\u00f3rios. No caso do Brasil, a gente precisa superar esses pacotes de desenvolvimento e pacotes tecnol\u00f3gicos e pensar que tipo de economia e de vida social faz sentido no contexto do Cerrado, da Amaz\u00f4nia, da Mata Atl\u00e2ntica. Vamos ver se realmente conseguimos transformar em realidade isso que se chama de Antropoceno 3.0, ou Antropoceno consciente de si mesmo. Mudan\u00e7as na educa\u00e7\u00e3o e nos padr\u00f5es de consumo ser\u00e3o inevit\u00e1veis, porque se criou toda uma ideologia da Grande Acelera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o faz mais sentido. Um exemplo bem claro \u00e9 a ideia de que cada pessoa ter\u00e1 seu autom\u00f3vel. Essa \u00e9 uma ideia bem do s\u00e9culo XX. \u00c9 invi\u00e1vel em termos de mobilidade e estrutura urbana. A op\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o elitismo \u2013 alguns podem e outros n\u00e3o. A op\u00e7\u00e3o \u00e9 o transporte p\u00fablico de qualidade para todos. Isso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 tecnologia, passa pela estrutura social, pelo manejo do territ\u00f3rio e pelas decis\u00f5es pol\u00edticas.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com participa\u00e7\u00e3o modesta nas grandes mudan\u00e7as causadas pela a\u00e7\u00e3o humana sobre a Terra at\u00e9 a<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Com participa\u00e7\u00e3o modesta nas grandes mudan\u00e7as causadas pela a\u00e7\u00e3o humana sobre a Terra at\u00e9 a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51318"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=51318"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/51318\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=51318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=51318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=51318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}