{"id":51196,"date":"2016-10-06T14:00:59","date_gmt":"2016-10-06T17:00:59","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=51196"},"modified":"2016-10-06T09:12:45","modified_gmt":"2016-10-06T12:12:45","slug":"teste-de-qualidade-de-oculos-de-sol-precisa-ser-revisto-aponta-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/teste-de-qualidade-de-oculos-de-sol-precisa-ser-revisto-aponta-estudo\/","title":{"rendered":"Teste de qualidade de \u00f3culos de sol precisa ser revisto, aponta estudo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=51197\" rel=\"attachment wp-att-51197\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-51197\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/oculos_sol-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/oculos_sol-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/oculos_sol.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O teste de qualidade e seguran\u00e7a de lentes de \u00f3culos de sol \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ultravioleta que embasa as atuais normas t\u00e9cnicas do produto de pa\u00edses como o Brasil precisa ser revisto.<\/p>\n<p>Um <b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/89071\/sistema-para-estudo-do-efeito-da-radiacao-solar-natural-e-por-simulador-solar-sobre-os-oculos-de-sol\/\">estudo<\/a><\/b> realizado por pesquisadores da Escola de Engenharia de S\u00e3o Carlos da Universidade de S\u00e3o Paulo (EESC-USP), com <b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/82855\/calculo-de-irradiancia-exposicao-radiante-e-indice-ultravioleta-para-protecao-ocular\/\">apoio<\/a><\/b> da FAPESP, apontou que, na forma como \u00e9 feito hoje, o teste \u00e9 ineficaz para assegurar a prote\u00e7\u00e3o das lentes dos \u00f3culos de sol \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o UV.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa foram publicados na revista <i>BioMedical Engineering OnLine<\/i>.<\/p>\n<p>\u201cO teste \u00e9 incapaz de assegurar que as lentes de \u00f3culos de sol comercializados no Brasil conferem prote\u00e7\u00e3o \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar em limites considerados seguros pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade\u201d, disse Liliane Ventura, professora do Departamento de Engenharia El\u00e9trica da EESC-USP e coordenadora do projeto, \u00e0 <b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b><\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, alguns estudos indicavam que a exposi\u00e7\u00e3o ao sol ao longo do tempo pode deteriorar a prote\u00e7\u00e3o de \u00f3culos escuros \u00e0 radia\u00e7\u00e3o UV.<\/p>\n<p>As lentes dos \u00f3culos podem tornar-se mais claras e leves, alterando a categoria em que est\u00e3o classificadas de acordo com a transmit\u00e2ncia luminosa \u2013 a quantidade de luz vis\u00edvel que pode passar pela lente.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a exposi\u00e7\u00e3o das lentes a n\u00edveis elevados de radia\u00e7\u00e3o UV pode diminuir a resist\u00eancia ao impacto, tornando-as mais suscet\u00edveis a estilha\u00e7ar.<\/p>\n<p>A fim de assegurar a qualidade dos \u00f3culos de sol comercializados atualmente, as normas t\u00e9cnicas internacionais \u2013 nas quais o Brasil se espelhou \u2013 estabelecem que o produto seja submetido a um teste que estima a altera\u00e7\u00e3o da categoria das lentes em raz\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o solar ao longo do tempo.<\/p>\n<p>\u201cEssas normas, contudo, n\u00e3o fazem refer\u00eancia \u00e0 an\u00e1lise da degrada\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o ultravioleta, o que deveria ser um dos principais itens de estudo neste teste\u201d, ponderou Ventura.<\/p>\n<p><b>Ajuste de par\u00e2metros<\/b><\/p>\n<p>No teste, as lentes dos \u00f3culos s\u00e3o expostas a um simulador solar durante 50 horas, a uma dist\u00e2ncia de 30 cent\u00edmetros de uma l\u00e2mpada de xen\u00f4nio, com pot\u00eancia de 450 Watts (W) e espectro luminoso semelhante ao do sol.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o, os \u00f3culos s\u00e3o submetidos a uma an\u00e1lise por espectrofotometria para comparar a transmit\u00e2ncia luminosa no vis\u00edvel \u2013 a categoria da lente \u2013 conferida pelas lentes antes e depois de serem expostas ao simulador solar.<\/p>\n<p>Dessa forma, \u00e9 poss\u00edvel avaliar se as lentes dos \u00f3culos alteram de categoria \u2013 se ficam, por exemplo, mais claras \u2013 e se conferem prote\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o UV durante um per\u00edodo equivalente a dois dias de exposi\u00e7\u00e3o ao sol natural no ver\u00e3o em uma cidade brasileira como S\u00e3o Paulo, por exemplo, ou de quatro dias no inverno, explicou Mauro Masili, professor da EESC-USP e coautor do estudo.<\/p>\n<p>\u201cOs estudos apontam, contudo, a inefic\u00e1cia de se estudar a degrada\u00e7\u00e3o dos \u00f3culos em dois dias de irradia\u00e7\u00e3o solar e a inexist\u00eancia de testes para conferir a seguran\u00e7a da dura\u00e7\u00e3o da prote\u00e7\u00e3o ultravioleta nos \u00f3culos por determinado per\u00edodo de uso\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>Uma enquete feita pelos pesquisadores apontou que a maioria dos brasileiros usa os mesmos \u00f3culos de sol por, no m\u00ednimo, dois anos, durante um per\u00edodo de, em m\u00e9dia, duas horas por dia.<\/p>\n<p>A fim de verificar se o teste de padr\u00e3o de qualidade de \u00f3culos de sol garante que o produto possa ser usado no Brasil durante todo esse tempo, os pesquisadores desenvolveram um modelo matem\u00e1tico para estimar como a radia\u00e7\u00e3o solar chega ao n\u00edvel do solo em 27 capitais brasileiras e 110 capitais de pa\u00edses do hemisf\u00e9rio Norte, levando em conta suas caracter\u00edsticas geogr\u00e1ficas (latitude, longitude e altitude) e perfil atmosf\u00e9rico t\u00edpico.<\/p>\n<p>Com base nesse modelo matem\u00e1tico, eles conseguiram calcular a irradi\u00e2ncia solar \u2013 a densidade de pot\u00eancia em watt hora por metro quadrado (Wh\/m\u00b2) que chega ao n\u00edvel do solo nessas 27 capitais brasileiras e 110 internacionais \u2013 desde a hora que o Sol nasce at\u00e9 o momento em que se p\u00f5e.<\/p>\n<p>Em seguida, compararam a irradi\u00e2ncia do Sol com a emitida pela l\u00e2mpada de xen\u00f4nio de 450 W usada no teste de padr\u00e3o de qualidade de \u00f3culos de sol para verificar o n\u00edvel de proximidade.<\/p>\n<p>As an\u00e1lises das compara\u00e7\u00f5es revelaram que a irradi\u00e2ncia solar real nas cidades analisadas \u00e9 muito mais intensa do que a da l\u00e2mpada de 450 W. E que, para reproduzir as condi\u00e7\u00f5es reais de exposi\u00e7\u00e3o dos \u00f3culos de sol \u00e0 radia\u00e7\u00e3o UV, as lentes deveriam ser testadas por 134,6 horas e a uma dist\u00e2ncia de 5 cent\u00edmetros de uma l\u00e2mpada de xen\u00f4nio com pot\u00eancia de 450 W.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso ajustar os par\u00e2metros do teste de padr\u00e3o de qualidade de \u00f3culos escuros previstos pelas normas internacionais porque hoje eles n\u00e3o reproduzem as condi\u00e7\u00f5es reais de exposi\u00e7\u00e3o do produto \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar\u201d, avaliou Masili.<\/p>\n<p><b>Revis\u00e3o da norma<\/b><\/p>\n<p>Os pesquisadores da EESC contribu\u00edram na reda\u00e7\u00e3o da primeira norma brasileira de \u00f3culos para prote\u00e7\u00e3o solar \u2013 a NBR 15111, publicada em 2003 \u2013 e na revis\u00e3o da norma, em 2013, sugerindo par\u00e2metros mais adequados \u00e0 realidade nacional.<\/p>\n<p>C\u00f3pia fiel da norma europeia \u2013 a BSEN 1836 \u2013, a norma brasileira estabelecia at\u00e9 2013 que os \u00f3culos de sol comercializados no Brasil deveriam proporcionar filtros para prote\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o solar no comprimento de onda entre 280 e 380 nan\u00f4metros (nm).<\/p>\n<p>Um estudo publicado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) no in\u00edcio de 2010, contudo, indicou que a radia\u00e7\u00e3o UV no comprimento de onda de at\u00e9 400 nm tamb\u00e9m causava danos para a sa\u00fade ocular.<\/p>\n<p>\u201cConstatamos que os limites de irradi\u00e2ncia solar que temos no Brasil estavam muito fora dos limites de exposi\u00e7\u00e3o considerados seguros para a sa\u00fade ocular estabelecidos pela OMS\u201d, afirmou Ventura.<\/p>\n<p>Por meio de um <b><a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/45731\/estudo-e-analise-de-deterioracao-de-oculos-solares-devido-ao-stress-por-irradiacao-solar-artificial\/\">estudo<\/a><\/b>, tamb\u00e9m feito com apoio da FAPESP, os pesquisadores conseguiram que a norma brasileira fosse alterada em 2013 e que o intervalo de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o conferida pelos \u00f3culos escuros comercializados no Brasil passasse a ser de 280 a 400 nm.<\/p>\n<p>Em 2015, contudo, a norma foi revogada e substitu\u00edda pela ISO 12312-1, que estabeleceu que os \u00f3culos de sol comercializados no pa\u00eds devem possuir filtros que confiram prote\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o UV no comprimento de onda de 280 a 380 nm, conforme a norma europeia e a primeira vers\u00e3o da brasileira.<\/p>\n<p>\u201cEssa norma precisa ser revista. Os limites de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o UV estabelecidos s\u00e3o insuficientes para proteger efetivamente a sa\u00fade ocular dos brasileiros\u201d, afirmou Ventura.<\/p>\n<p>A pesquisadora apresentou em maio deste ano os resultados do estudo para o comit\u00ea t\u00e9cnico do National Institute of Standards and Technology (NIST) \u2013 o Inmetro dos Estados Unidos \u2013 que concordou com a necessidade de revis\u00e3o dos par\u00e2metros do teste padr\u00e3o de qualidade dos \u00f3culos de sol e, consequentemente, da revis\u00e3o das normas nacionais do produto.<\/p>\n<p>\u201cEmbora nossos c\u00e1lculos de irradi\u00e2ncia solar estejam baseados principalmente em cidades brasileiras, outros pa\u00edses tamb\u00e9m podem se beneficiar, especialmente aqueles localizados em latitudes similares\u201d, apontou Ventura.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 radia\u00e7\u00e3o UV varia entre as latitudes mundiais, sendo que os pa\u00edses tropicais s\u00e3o expostos a \u00edndices extremamente elevados tanto no ver\u00e3o como no inverno.<\/p>\n<p>Dessa forma, os \u00f3culos de sol usados em pa\u00edses do hemisf\u00e9rio Sul podem ter que ser substitu\u00eddos mais frequentemente dos que os utilizados no hemisf\u00e9rio Norte, uma vez que, de forma geral, esses \u00faltimos pa\u00edses est\u00e3o situados em latitudes mais elevadas do que os do hemisf\u00e9rio Sul.<\/p>\n<p>O artigo <i>\u201cEquivalence between solar irradiance and solar simulators in aging tests of sunglasses\u201d<\/i> (doi: 10.1186\/s12938-016-0209-7), de Masili e Ventura, pode ser lido na revista <i><i>BioMedical Engineering OnLine<\/i> em <b><a href=\"http:\/\/biomedical-engineering-online.biomedcentral.com\/articles\/10.1186\/s12938-016-0209-7\" target=\"_blank\"> http:\/\/biomedical-engineering-online.biomedcentral.com\/articles\/10.1186\/s12938-016-0209-7<\/a><\/b>. 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