{"id":50990,"date":"2016-10-03T10:00:26","date_gmt":"2016-10-03T13:00:26","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=50990"},"modified":"2016-10-03T07:51:45","modified_gmt":"2016-10-03T10:51:45","slug":"resta-08-de-floresta-com-araucarias-e-01-de-campos-naturais-no-parana","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/resta-08-de-floresta-com-araucarias-e-01-de-campos-naturais-no-parana\/","title":{"rendered":"Resta 0,8% de floresta com arauc\u00e1rias e 0,1% de campos naturais no Paran\u00e1"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=50991\" rel=\"attachment wp-att-50991\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-50991\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A floresta com arauc\u00e1ria, ou floresta ombr\u00f3fila mista (FOM), na defini\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, \u00e9 identificada pela presen\u00e7a do imponente pinheiro do Paran\u00e1 \u2013 <em>Araucaria angustifolia<\/em> \u2013 e ocorre em uma pequena por\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio brasileiro relacionado ao clima mais frio nos estados do sul do Brasil e em \u00e1reas de maior altitude do Paran\u00e1, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e at\u00e9 Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Embora o pinheiro represente a floresta, \u00e9 importante lembrar que ela se forma a partir da associa\u00e7\u00e3o complexa de milhares de outras esp\u00e9cies de animais e plantas que se adaptaram a condi\u00e7\u00f5es de invernos rigorosos, com a ocorr\u00eancia de geadas e at\u00e9 neve em algumas regi\u00f5es.<br \/>\nA composi\u00e7\u00e3o da floresta com arauc\u00e1rias pode variar conforme o clima e o solo. Em regi\u00f5es onde o solo \u00e9 mais f\u00e9rtil e o relevo mais plano, por exemplo, era comum arauc\u00e1rias atingirem at\u00e9 50 metros de altura e di\u00e2metros superiores a 3 metros.<\/p>\n<p>Associadas a elas, ocorriam esp\u00e9cies n\u00e3o menos importantes como canelas, perobas, angicos, imbuias e centenas de outros exemplares de \u00e1rvores. Infelizmente, desde a d\u00e9cada de 1950, essa tipologia de floresta desapareceu quase por completo. Os espa\u00e7os onde ela se manifestava com mais intensidade foram os preferidos para o uso agr\u00edcola.<\/p>\n<p>Hoje, resta no estado do Paran\u00e1 \u2013 onde ela predomina no Brasil \u2013 menos de 0,8% de \u00e1reas em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o. Menos porque o \u00faltimo levantamento conduzido pela Fupef (Funda\u00e7\u00e3o de Pesquisas Florestais do Paran\u00e1), em parceria com o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, data de 2001.<\/p>\n<p>Somente nesses remanescentes \u00e9 que a estrutura florestal \u00e9 mais desenvolvida, com \u00e1rvores de grande porte e, consequentemente, com uma diversidade maior de esp\u00e9cies e formas de vida. A condi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m est\u00e1 diretamente relacionada \u00e0 maior diversidade de intera\u00e7\u00f5es entre animais e plantas como abelhas nativas, importantes polinizadores, al\u00e9m de aves e pequenos mam\u00edferos que dispersam frutos.<\/p>\n<p>A condi\u00e7\u00e3o dos campos naturais \u00e9 ainda mais dram\u00e1tica. Originalmente eles ocupavam 13% de todo o territ\u00f3rio paranaense, caracterizando as paisagens de maior altitude do planalto estadual. Sobrou parco 0,1% de \u00e1reas em bom estado de conserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>O hist\u00f3rico da degrada\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Ap\u00f3s passar por diferentes ciclos de desenvolvimento, o Paran\u00e1 teve a maior parte de sua cobertura florestal retirada. Os remanescentes que restaram est\u00e3o em \u00e1reas com menor aptid\u00e3o para a agricultura. As por\u00e7\u00f5es mais significativas sofreram violentas press\u00f5es motivadas pela extra\u00e7\u00e3o seletiva de madeira, pelo manejo para plantio de erva-mate, cria\u00e7\u00e3o de gado e outras interven\u00e7\u00f5es. Todas descaracterizaram o que seria a condi\u00e7\u00e3o natural do espa\u00e7o.<br \/>\nHoje, a floresta com arauc\u00e1ria e de campos naturais est\u00e3o bastante prejudicados em sua ampla variabilidade de associa\u00e7\u00f5es, formando um mosaico florestal com diferentes caracter\u00edsticas, conforme os n\u00edveis de interven\u00e7\u00e3o a que j\u00e1 foram submetidas.<\/p>\n<p>Por outro lado, existem locais que sofreram com o corte raso, mas nos quais as florestas lutam para se recuperar naturalmente. Essa \u00e9 a chamada \u201csucess\u00e3o secund\u00e1ria\u201d. Caso n\u00e3o sofra com mais interven\u00e7\u00f5es e tenha seus remanescentes protegidos, gradativamente, o espa\u00e7o se recupera, mesmo levando centenas de anos para alcan\u00e7ar um status semelhante ao dos espa\u00e7os primitivos.<\/p>\n<p><strong>Empobrecimento gen\u00e9tico<\/strong><\/p>\n<p>A fragmenta\u00e7\u00e3o da biodiversidade \u00e9 outro fator que contribui, e muito, com o empobrecimento gen\u00e9tico da floresta comarauc\u00e1ria e dos campos naturais. Remanescentes isolados s\u00e3o gradativamente comprometidos pela falta de conex\u00e3o entre as diferentes esp\u00e9cies. Isso compromete gravemente a variabilidade gen\u00e9tica dos exemplares, porque impede que popula\u00e7\u00f5es de animais e plantas com carater\u00edsticas gen\u00e9ticas distintas se comuniquem.<br \/>\nQuando isso acontece, as esp\u00e9cies come\u00e7am a praticar a autogamia \u2013 que \u00e9 a pr\u00e1tica de cruzar com membros de uma mesma popula\u00e7\u00e3o com caracter\u00edsticas gen\u00e9ticas similares. A tend\u00eancia dessa situa\u00e7\u00e3o \u00e9 que algumas popula\u00e7\u00f5es tenham dificuldade para se adaptar a modifica\u00e7\u00f5es ambientais por falta de algum atributo gen\u00e9tico, podendo desaparecer de alguns locais.<\/p>\n<p><strong>Conservar \u00e9 poss\u00edvel<\/strong><\/p>\n<p>Preservar os fragmentos florestais em melhor estado de conserva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 suficiente, j\u00e1 que, isolados, eles n\u00e3o se perpetuaram por muito tempo. \u00c9 tamb\u00e9m urgente recuperar remanescentes que j\u00e1 sofreram com diferentes n\u00edveis de degrada\u00e7\u00e3o. S\u00f3 assim ser\u00e1 poss\u00edvel garantir a conex\u00e3o entre as florestas. Essa prote\u00e7\u00e3o pode ocorrer por meio da instaura\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente e de reservas legais. Pol\u00edticas p\u00fablicas de planejamento e gest\u00e3o do territ\u00f3rio que promovam a conserva\u00e7\u00e3o dessas florestas em parceria com propriet\u00e1rios de terra tamb\u00e9m s\u00e3o essenciais.<\/p>\n<p>Outra estrat\u00e9gia \u00e9 o estabelecimento de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs). Em todo o Paran\u00e1, existe menos de 1,5% da \u00e1rea de ocorr\u00eancia da floresta com arauc\u00e1ria e campos naturais sendo protegida por Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o Integral.<\/p>\n<p>As estrat\u00e9gias poderiam contribuir com o alcance da meta estabelecida para 2020 pela Conven\u00e7\u00e3o de Diversidade Biol\u00f3gica, do qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio. O compromisso assumido pelo pa\u00eds foi, at\u00e9 l\u00e1, conservar 17% de \u00e1reas terrestres e de \u00e1guas continentais de especial import\u00e2ncia para a biodiversidade e para os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos. A medida tamb\u00e9m facilitaria o atingimento das metas assumidas pelo Brasil no acordo de Paris. Juntos, os pa\u00edses signat\u00e1rios se comprometeram a manter abaixo de 2\u00baC a temperatura m\u00e9dia da Terra at\u00e9 o fim deste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>S\u00e3o tamb\u00e9m incont\u00e1veis os servi\u00e7os ecossist\u00eamicos fornecidos pelos espa\u00e7os naturais, mas entre os mais significativos est\u00e3o a regula\u00e7\u00e3o da oferta de \u00e1gua \u2013 cuja falta afeta gravemente tanto os produtores rurais quanto quem vive nas cidades \u2013 e a regula\u00e7\u00e3o do clima \u2013 j\u00e1 que s\u00e3o as florestas que mitigam os efeitos prejudiciais causados pela intensifica\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p>Embora h\u00e1 quase meio s\u00e9culo se alerte com frequ\u00eancia para os preju\u00edzos ocasionados pela degrada\u00e7\u00e3o desses espa\u00e7os, a sociedade e o poder p\u00fablico ainda n\u00e3o conseguiram reverter a dramaticidade do cen\u00e1rio. Pelo contr\u00e1rio. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 piora e, com isso, aumentam nossas chances de viver uma grave crise ambiental, cujas consequ\u00eancias prometem ir dos graves custos sociais aos maiores econ\u00f4micos.<\/p>\n<p>Para reverter a condi\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso o envolvimento de v\u00e1rias inst\u00e2ncias do poder p\u00fablico dispostas a implantar metas necess\u00e1rias de ser alcan\u00e7adas em escalas locais e regionais. \u00c9 necess\u00e1rio o envolvimento de grandes, m\u00e9dios e pequenos propriet\u00e1rios de terra. Eles precisam entender que s\u00e3o benefici\u00e1rios diretos da preserva\u00e7\u00e3o e que \u00e9 poss\u00edvel, sim, conciliar o aproveitamento de \u00e1reas produtivas com a manuten\u00e7\u00e3o de outras que precisam ser protegidas. Um planejamento bem constru\u00eddo, com metas de curto, m\u00e9dio e longo prazo estabelecidas em bases concretas, pode gerar resultados surpreendentes.<\/p>\n<p>Quanto antes iniciarmos o tratamento desse c\u00e2ncer mais chance teremos de sobreviver. J\u00e1 passou do tempo de entendermos que integramos e dependemos dessa natureza para sobreviver.<\/p>\n<p><em>Ricardo Miranda Britez \u00e9 bi\u00f3logo, mestre em ci\u00eancias do solo, doutor em engenharia florestal e consultor da SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educa\u00e7\u00e3o Ambiental).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A floresta com arauc\u00e1ria, ou floresta ombr\u00f3fila mista (FOM), na defini\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, \u00e9 identificada pela<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":50991,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/araucaria.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A floresta com arauc\u00e1ria, ou floresta ombr\u00f3fila mista (FOM), na defini\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, \u00e9 identificada pela","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50990"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50990"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50990\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50991"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50990"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50990"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50990"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}