{"id":50978,"date":"2016-10-03T14:00:55","date_gmt":"2016-10-03T17:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=50978"},"modified":"2016-10-03T07:36:17","modified_gmt":"2016-10-03T10:36:17","slug":"mudanca-climatica-vai-mudar-o-gosto-do-vinho-frances-para-pior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/mudanca-climatica-vai-mudar-o-gosto-do-vinho-frances-para-pior\/","title":{"rendered":"Mudan\u00e7a clim\u00e1tica vai mudar o gosto do vinho franc\u00eas&#8230; para pior"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=50979\" rel=\"attachment wp-att-50979\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-50979\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Em setembro, em pleno outono europeu, o sol castiga o vinhedo Domaine Maestracci, onde alguns poucos trabalhadores sazonais da Rom\u00eania e do Marrocos acompanham um trator que realiza a colheita mec\u00e2nica das uvas. As montanhas ao redor s\u00e3o permeadas por vilarejos pitorescos, que oferecem uma vis\u00e3o de como essa regi\u00e3o da C\u00f3rsega era h\u00e1 um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Entretanto, novos tempos chegam \u00e0 ilha no Mediterr\u00e2neo e \u00e0 regi\u00e3o continental da Fran\u00e7a. Uma combina\u00e7\u00e3o de tempestades de primavera, ondas de frio e de calor e tempo seco dever\u00e3o reduzir a colheita de 2016 em mais de 10%.<\/p>\n<p>Especialistas dizem que as condi\u00e7\u00f5es de tempo inst\u00e1veis, provavelmente em raz\u00e3o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, s\u00e3o um indicador do que poder\u00e1 ser o futuro: vinhedos ter\u00e3o que mudar as pr\u00e1ticas de cultivo e da fabrica\u00e7\u00e3o do vinho.<\/p>\n<h3>Essas mudan\u00e7as prometem transformar a pr\u00f3pria identidade dos famosos vinhedos franceses.<\/h3>\n<p>O clima mais seco e quente dos \u00faltimos anos fez com que o vinhedo DWantecipasse a colheita para o in\u00edcio de setembro \u2013 semanas antes do per\u00edodo habitual de algumas d\u00e9cadas atr\u00e1s.<\/p>\n<p>&#8220;Normalmente, t\u00ednhamos uma lacuna entre a primeira e a \u00faltima colheita \u2013 mas agora todos os vinhedos corsos colhem ao mesmo tempo&#8221;, diz a vinicultora Camille-Anais Raoust. &#8220;Acho que o vinho n\u00e3o ser\u00e1 equilibrado o bastante.&#8221;<\/p>\n<p>A C\u00f3rsega n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica regi\u00e3o afetada pelas mudan\u00e7as do clima.<\/p>\n<h3>Tempestades e geadas de primavera castigaram os vinhedos em Champagne e Borgonha, enquanto a seca encolhe as uvas \u2013 e a produ\u00e7\u00e3o \u2013 em Bordeaux e na regi\u00e3o sulina de Languedoc.<\/h3>\n<p>Espera-se que as instabilidades no clima se intensifiquem no futuro, mesmo que o tempo mais quente e seco tenha produzido excelentes safras nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que h\u00e1 solu\u00e7\u00f5es para todos os vinhedos na Fran\u00e7a em caso de um aumento de temperatura menor que 2\u00baC&#8221;, diz Jean-Marc Touzard, diretor de inova\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional para a Pesquisa Agr\u00edcola (Inra).<\/p>\n<p>Ele diz que, at\u00e9 o momento, as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas foram ben\u00e9ficas aos vinhedos, aumentando a frequ\u00eancia de boas safras.<\/p>\n<p>&#8220;Mas, se tivermos aumentos de temperatura de 3\u00baC ou 4\u00baC, algumas regi\u00f5es ter\u00e3o grandes dificuldades para produzir certos vinhos&#8221;, alerta.<\/p>\n<h3>As mudan\u00e7as no clima n\u00e3o devem afetar apenas a produ\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m o gosto do vinho.<\/h3>\n<p>H\u00e1 alguns meses, pesquisadores formaram um painel em Bordeaux com aquilo que os cientistas acreditam que poder\u00e1 ser o sabor do futuro, p\u00f3s-aquecimento global: vinhos mais encorpados, fortes e com maior teor alco\u00f3lico.<\/p>\n<p><cite>\u00c0 primeira degusta\u00e7\u00e3o, os consumidores reagiram positivamente, dizendo que o vinho sob o impacto das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas era estranho, mas bom.\u00a0Mas, quando repetimos os testes, disseram que preferiam o vinho atual. Conclus\u00e3o: \u00e9 melhor manter o perfil atual do vinho<\/cite><\/p>\n<p><strong>Jean-Marc\u00a0Touzard<\/strong>, diretor de inova\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional para a Pesquisa Agr\u00edcola<\/p>\n<p>Assim como em outras regi\u00f5es da Fran\u00e7a, os produtores de vinho da C\u00f3rsega j\u00e1 buscam solu\u00e7\u00f5es. No vilarejo de Felicetu, o vinicultor Bernard Renucci testa uvas nativas que os produtores locais deixaram h\u00e1 muito tempo de utilizar. As variedades est\u00e3o sendo reavivadas pelo Instituto de Pesquisas do Vinho da C\u00f3rsega (CRVI), que realiza, em parte, um retorno \u00e0s ra\u00edzes da vinicultura da ilha, mas tamb\u00e9m tenta encontrar uvas resistentes \u00e0s futuras transforma\u00e7\u00f5es no clima.<\/p>\n<p>&#8220;Alguns n\u00e3o t\u00eam interesse quando se trata de vinicultura, mas n\u00f3s prosseguimos com os que se interessam&#8221;, afirma Renucci, que cultiva v\u00e1rios hectares da uva bianco gentile, nativa da regi\u00e3o, que produz um rico vinho branco.<\/p>\n<p>Nas salas cavernosas da adega de Renucci, o vinho recentemente colhido fermenta em grandes tanques de metal, liberando um odor inebriante. Cheiros fortes j\u00e1 preenchiam o edif\u00edcio h\u00e1 um s\u00e9culo, quando o local abrigava os rebanhos da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Assim como a vinicultora Raoust, Renucci cresceu numa fam\u00edlia de produtores de vinho cujas ra\u00edzes se estendem at\u00e9 os anos 1870. Ele tamb\u00e9m se lembra de quando as colheitas eram feitas semanas antes das datas atuais.<\/p>\n<p>&#8220;Se tivermos condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas, ent\u00e3o talvez devamos nos preocupar \u2013 mas, por enquanto, n\u00e3o acho que haja problemas&#8221;, observa.<\/p>\n<p>Jean-Jacques Jarjanette, l\u00edder do sindicato dos vinicultores independentes \u2013 com mais de 7.000 membros \u2013 tamb\u00e9m expressa confian\u00e7a na capacidade da ind\u00fastria de se adaptar. &#8220;N\u00e3o esperamos uma cat\u00e1strofe&#8221;, diz. &#8220;Obviamente, haver\u00e1 alguns vinhedos que estar\u00e3o mais vulner\u00e1veis do que outros, mas, de modo geral, n\u00e3o h\u00e1 grandes preocupa\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p>Ele tamb\u00e9m n\u00e3o se preocupa quanto a mudan\u00e7as no gosto do produto:<\/p>\n<p><cite>O vinho que tomamos hoje n\u00e3o tem nada a ver com o de 40 anos atr\u00e1s. E n\u00e3o ser\u00e1 nada parecido ao de daqui a 40 anos<\/cite><\/p>\n<p>Mesmo assim, as mudan\u00e7as no clima v\u00e3o depender de uma reformula\u00e7\u00e3o das antigas tradi\u00e7\u00f5es e pr\u00e1ticas que guiam a ind\u00fastria francesa do vinho, diz Touzard, seja nos vinhedos que precisam de menos \u00e1gua, nas mudan\u00e7as de locais de cultivo ou na troca das variedades de uvas.<\/p>\n<p>Isso significaria mudar as regras da Appellation d&#8217;Origins Contr\u00f4l\u00e9e (denomina\u00e7\u00e3o de origem controlada) da Fran\u00e7a, certificado criado para preservar a identidade dos melhores vinhos do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&#8220;Teremos de mudar essas regras se quisermos nos adaptar&#8221;, diz Touzard. Isso poderia alterar a pr\u00f3pria identidade de vinhos ic\u00f4nicos como o Bordeaux, atualmente produzido de uma estreita lista de uvas permitidas.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Toulouse e Bordeaux ter\u00e3o um clima mais mediterr\u00e2neo, ent\u00e3o talvez comecem a cultivar variedades hoje plantadas em Espanha, Portugal e It\u00e1lia&#8221;, observa o especialista do Inra.<\/strong><\/p>\n<p>A regi\u00e3o de grande produ\u00e7\u00e3o vin\u00edcola Languedoc-Roussillon, que soma mais de um ter\u00e7o do total da produ\u00e7\u00e3o francesa, poder\u00e1 ter de enfrentar um dilema maior.<\/p>\n<p>&#8220;Sem a irriga\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 talvez mais dif\u00edcil que muitos lugares produzam vinho&#8221;, diz Touzard. Na C\u00f3rsega, alguns vinicultores se preocupam com a escassez de \u00e1gua. Raoust j\u00e1 se prepara para um futuro mais seco. Ela adota a viticultura biodin\u00e2mica, uma forma org\u00e2nica de produzir vinho, que leva em conta os ciclos lunares e utiliza pouca irriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Quando irrigadas, as videiras s\u00e3o mais sens\u00edveis ao ressecamento&#8221;, explicou. &#8220;Prefiro deix\u00e1-las sofrer. Elas v\u00e3o se aprofundar e procurar \u00e1gua.&#8221;<\/p>\n<p>Ela n\u00e3o consegue imaginar o dia em que a C\u00f3rsega n\u00e3o produza mais vinho. &#8220;Existem vinhedos na Arg\u00e9lia, e l\u00e1 \u00e9 bem mais seco&#8221;, diz. &#8220;Talvez mudemos nossos procedimentos e nossas vinhas. Mas acho que ficaremos bem.&#8221;<\/p>\n<div class=\"modalbumfotos modulos carregado\">\n<div class=\"conteudo\">\n<div id=\"albumHTML1\">\n<p><img loading=\"lazy\" id=\"fullImageSrc1\" class=\"fullImageSrc\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/2013\/06\/05\/arte-para-mito-ou-verdade-1370464599975_956x500.jpg\" width=\"639\" height=\"334\" border=\"0\" \/><\/p>\n<div id=\"boxFullImage1\" class=\"boxFullImage \">\n<div id=\"fullImage1\" class=\"carregado fullImage\"><\/div>\n<div id=\"fotoLegendaBox1\" class=\"fotoLegendaBox\">\n<div id=\"fotoLegenda1\" class=\"fotoLegenda\">\n<div class=\"transparencia\">\n<div class=\"legendaTexto\">Entre todas as bebidas alco\u00f3licas, o vinho \u00e9 a que mais favorece a sa\u00fade. VERDADE: os polifenois, componentes encontrados na casca e na semente da uva, oferecem a\u00e7\u00e3o antibi\u00f3tica e efeito antioxidante, previnem a forma\u00e7\u00e3o de placas de gordura nas art\u00e9rias, reduzem o colesterol ruim (LDL) e aumentam o bom (HDL) no organismo. Claro que isso se a pessoa beber regularmente e com modera\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o tiver contraindica\u00e7\u00e3o \u00e0 ingest\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas. &#8220;A cerveja tamb\u00e9m cont\u00e9m antioxidantes, mas o que acontece \u00e9 que o indiv\u00edduo bebe muita quantidade e os efeitos ruins do \u00e1lcool acabam sobressaindo&#8221;, observa Julia Vasconcellos, especialista em nutri\u00e7\u00e3o, atividade f\u00edsica e fitness corportativo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), s\u00f3cia-diretora da Nutri\u00e7\u00e3o Corporativa (RJ) <a class=\"mais\" href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/saude\/ultimas-noticias\/redacao\/2013\/06\/10\/vinho-faz-mesmo-bem-a-saude-conheca-mitos-e-verdades-sobre-a-bebida.htm\">VEJA MAIS &gt;<\/a> <em>Imagem: Shutterstock<\/em><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em setembro, em pleno outono europeu, o sol castiga o vinhedo Domaine Maestracci, onde alguns<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":50979,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/vinho.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em setembro, em pleno outono europeu, o sol castiga o vinhedo Domaine Maestracci, onde alguns","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50978"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50978"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50978\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50979"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50978"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50978"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50978"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}