{"id":5085,"date":"2014-08-18T19:00:51","date_gmt":"2014-08-18T19:00:51","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5085"},"modified":"2014-08-17T23:38:22","modified_gmt":"2014-08-17T23:38:22","slug":"estudo-mostra-nova-forma-de-comunicacao-entre-as-plantas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-mostra-nova-forma-de-comunicacao-entre-as-plantas\/","title":{"rendered":"Estudo mostra nova forma de comunica\u00e7\u00e3o e interc\u00e2mbio entre as plantas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5086\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>Cientistas americanos descobriram uma nova forma de comunica\u00e7\u00e3o entre plantas, que permite a troca de informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas entre elas. Baseado no interc\u00e2mbio de material gen\u00e9tico, esse processo permite que plantas parasitas exer\u00e7am um certo controle sobre suas hospedeiras, diminuindo suas defesas, por exemplo. A pesquisa abre as portas para uma \u00e1rea da ci\u00eancia que explora como as plantas se comunicam em escala molecular, al\u00e9m de ajudar a desvendar novas formas de combater parasitas que prejudicam cultivos\u00a0em diversas partes do mundo. A pesquisa foi publicada nesta quinta-feira, na revista <em>Science<\/em>.<\/p>\n<p>&#8220;A descoberta desta nova forma de comunica\u00e7\u00e3o entre organismos mostra que isto acontece muito mais do que se acreditava&#8221;, afirma Jim Westwood, professor de patologia e fisiologia das plantas da Universidade Estadual da Virg\u00ednia, nos Estados Unidos, e principal autor do estudo. &#8220;Agora que sabemos que elas est\u00e3o compartilhando toda essa informa\u00e7\u00e3o, a pr\u00f3xima pergunta \u00e9: o que exatamente est\u00e3o dizendo umas as outras?&#8221;<\/p>\n<p>O cientista\u00a0analisou a rela\u00e7\u00e3o entre uma planta parasita, a cuscuta, e duas hospedeiras, Arabidopsis (do mesmo g\u00eanero das couves) e o tomate. Em uma pesquisa anterior, Westwood havia descoberto que durante a intera\u00e7\u00e3o parasita ocorre um transporte de RNA (mol\u00e9cula que transporta informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica e controla a produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas) entre as duas esp\u00e9cies. No novo trabalho, ele e sua equipe aprofundaram o estudo sobre essa troca, e analisaram o RNA mensageiro, que envia mensagens entre as c\u00e9lulas dizendo a elas qual dire\u00e7\u00e3o seguir e quais prote\u00ednas produzir.<\/p>\n<p>Acreditava-se que o RNA mensageiro era muito fr\u00e1gil e pouco dur\u00e1vel, o que tornava inimagin\u00e1vel sua transfer\u00eancia entre esp\u00e9cies. Por\u00e9m, os novos resultados mostraram que durante essa rela\u00e7\u00e3o parasita\u00a0milhares de mol\u00e9culas de RNA mensageiro estavam sendo trocadas entre as plantas, criando um di\u00e1logo. Por meio desta troca, as plantas parasitas podem ditar o que a planta hospedeira deve fazer, como diminuir sua defesa, para tornar o ataque mais f\u00e1cil. \u00a0Westwood afirma que seu pr\u00f3ximo trabalho ser\u00e1 descobrir exatamente o que o RNA est\u00e1 &#8220;dizendo&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Plantas parasitas s\u00e3o um grande problema para planta\u00e7\u00f5es que ajudam a alimentar algumas das regi\u00f5es mais pobres da \u00c1frica. Esta descoberta pode ajudar no desenvolvimento de novas estrat\u00e9gias de controle, baseadas na modifica\u00e7\u00e3o da informa\u00e7\u00e3o do RNA mensageiro que a parasita usa para reprogramar a hospedeira&#8221;, afirma Julie Scholes, professora da Universidade de Sheffield, na Gr\u00e3-Bretanha, que n\u00e3o participou do estudo. &#8220;O RNA mensageiro pode ser o calcanhar de Aquiles dos parasitas&#8221;, afirma Westwood, que aposta em diversos usos poss\u00edveis para sua descoberta.<\/p>\n<h2 class=\"exibir-titulo-lista\">As rec\u00e9m-descobertas habilidades vegetais<\/h2>\n<h3>Linguagem<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/images\/2014\/2\/206669\/sagebrush1-size-620.jpg?1393545194\" alt=\"\" width=\"628\" height=\"354\" \/><\/p>\n<div>Uma das formas de as plantas se comunicarem \u00e9 por meio de compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis (VOC), que viajam pelo ar. Nos anos 1980, dois estudos,\u00a0um deles publicado na revista &#8220;Science&#8221;, mostraram evid\u00eancias de que esses qu\u00edmicos serviam para a comunica\u00e7\u00e3o vegetal. Dez anos depois, o bi\u00f3logo Edward Farmer, da Universidade de Lausanne, na Su\u00ed\u00e7a, mostrou como, em laborat\u00f3rio, artem\u00edsias emitiam grandes quantidades de metil jasmonato ao serem atacadas por insetos. Esse composto, recebido por folhas de tomate, fazia com que o fruto ficasse mais resistente a pragas \u2014 ele passava a produzir mol\u00e9culas que, consumidas pelos insetos, interrompem sua digest\u00e3o. A \u00faltima comprova\u00e7\u00e3o de que a linguagem vegetal ocorre por meio dos VOCs veio no fim de 2013, com uma pesquisa publicada no peri\u00f3dico &#8220;Ecology Letters&#8221;. Ela mostrou que, em condi\u00e7\u00f5es naturais, as folhas que recebem esses qu\u00edmicos de vizinhas feridas tornam-se mais resistentes a herb\u00edvoros.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Outra maneira com que as plantas &#8220;falam&#8221; umas com as outras foi mostrada em um estudo de 2010, publicado na revista &#8220;Plos One&#8221;. Ele explica como um p\u00e9 de tomate infectado por uma doen\u00e7a avisa os outros por meio de micorrizas, fungos que surgem nas ra\u00edzes. Ao lado das micorrizas, os tomates produzem enzimas defensivas, tornando-se mais resistentes a doen\u00e7as. Os pesquisadores conclu\u00edram que esse pode ser um tipo de comunica\u00e7\u00e3o vegetal subterr\u00e2neo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<h3>Defesa<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/images\/2014\/2\/206782\/antsacacia1-size-620.jpg?1393610138\" alt=\"\" width=\"632\" height=\"356\" \/>Um estudo publicado na\u00a0edi\u00e7\u00e3o de fevereiro do peri\u00f3dico &#8220;<em>Ecology Letters&#8221;\u00a0<\/em>demonstrou como os vegetais se defendem. Segundo os pesquisadores, a \u00e1rvore Acacia manipula suas folhas para transformar as formigas &#8220;<em>Pseudomyrmex ferrugineus&#8221;<\/em>\u00a0em aliadas, protegendo-as de pragas e animais herb\u00edvoros como vacas e cavalos. As flores produzem um n\u00e9ctar sem sacarose e, al\u00e9m disso, liberam um composto que, no organismo das formigas, impede que elas fa\u00e7am a digest\u00e3o do a\u00e7\u00facar. Os insetos, que precisam de n\u00e9ctar para sobreviver, tornam-se dependentes do composto sem sacarose, pois, impedidos de digerir doces, n\u00e3o podem mais buscar o alimento a\u00e7ucarado de outros vegetais.<\/p>\n<p>&#8220;Imagine que uma companhia que vende leite sem lactose coloque nele um composto que impe\u00e7a a digest\u00e3o da lactose. Assim que voc\u00ea tomar esse leite, voc\u00ea ter\u00e1 que continuar com ele, porque ser\u00e1 incapaz de digerir o leite normal. \u00c9 mais ou menos isso que as plantas fazem&#8221;, explica o pesquisador Martin Heil, do Centro de investiga\u00e7\u00e3o e Estudos Avan\u00e7ados do Instituto Polit\u00e9cnico Nacional do M\u00e9xico, e\u00a0principal autor do estudo.<\/p>\n<h3>Mem\u00f3ria<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/images\/2014\/1\/199358\/ciencia-botanica-mimosa-pudica-20140121-003-size-620.jpg?1390332735\" alt=\"\" width=\"634\" height=\"357\" \/><\/p>\n<p>Um estudo publicado na edi\u00e7\u00e3o de janeiro do peri\u00f3dico &#8220;<em>Oecologia&#8221;<\/em>\u00a0explica que a esp\u00e9cie &#8220;<em>Mimosa pudica&#8221;<\/em>, conhecida como n\u00e3o-me-toques ou dormideira, aprende e tem mem\u00f3ria. Submetida pelos cientistas a quedas em sequ\u00eancia, suas folhas se recordaram dos tombos por at\u00e9 um m\u00eas. Os pesquisadores n\u00e3o conseguiram explicar como elas s\u00e3o capazes de fazer isso, sem um c\u00e9rebro que coordene suas fun\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h3>Impulsos el\u00e9tricos<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/images\/2011\/12\/60411\/plantas-em-tubos-de-ensaio-size-620.jpg\" alt=\"\" width=\"632\" height=\"355\" \/><\/p>\n<div>H\u00e1 algum tempo os bi\u00f3logos sabem que todas as c\u00e9lulas vivas transmitem mensagens por meio de sinais el\u00e9tricos \u2014 chamados de \u00edons. Eles passam atrav\u00e9s das membranas de acordo com a concentra\u00e7\u00e3o de \u00edons de cada lado. Em agosto do ano passado, o bi\u00f3logo Edward Farmer, da Universidade de Lausanne, na Su\u00ed\u00e7a, demonstrou, em um estudo na revista &#8220;<em>Nature&#8221;<\/em>, como os pulsos viajam pelas membranas da planta atrav\u00e9s de longas dist\u00e2ncias. Elas s\u00e3o semelhantes a rudimentares sinapses animais.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<h3>Fidelidade familiar<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/images\/2012\/4\/75122\/plantas2012-0416-size-620.jpg\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"360\" \/>Em 2007, um estudo publicado no peri\u00f3dico &#8220;<em>Biology Letters<\/em>&#8221; mostrou que as plantas reconhecem membros da sua fam\u00edlia e competem menos por \u00e1gua e espa\u00e7o com elas do que com estranhos. Quando as vizinhas s\u00e3o desconhecidas, o vegetal tende a espalhar mais suas ra\u00edzes, competindo com ela, do que quando est\u00e1 ao lado de plantas da mesma esp\u00e9cie. Dois anos depois, cientistas da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, descobriram como p\u00e9s de &#8220;<em>Arabidopsis thaliana&#8221;<\/em>\u00a0reconhecem seus parentes: elas identificam compostos qu\u00edmicos secretados pelas ra\u00edzes.<\/p>\n<h3>Audi\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/images\/2013\/4\/140357\/plantacao-milho-20130418-size-620.jpg\" alt=\"\" width=\"648\" height=\"365\" \/><\/p>\n<p>Um estudo conduzido pela bi\u00f3loga Monica Gagliano, da University of Western Australia, na Austr\u00e1lia, publicado em 2012, mostrou que as folhas de milho s\u00e3o capazes de identificar sons. A cientista submeteu brotos de milho a ondas sonoras de diferentes comprimentos e percebeu que, quando elas chegavam a 200 hertz, as ra\u00edzes se inclinavam em dire\u00e7\u00e3o ao som. A hip\u00f3tese da pesquisadora \u00e9 que essa percep\u00e7\u00e3o seja um modo de comunica\u00e7\u00e3o mais econ\u00f4mico que a emiss\u00e3o de compostos org\u00e2nicos vol\u00e1teis (VOC).<\/p>\n<h3>Olfato<\/h3>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/veja.abril.com.br\/assets\/images\/2014\/2\/206794\/cuscuta-pentagona1-size-620.jpg?1393612285\" alt=\"\" width=\"639\" height=\"362\" \/><\/p>\n<p>Por n\u00e3o ter clorofila, as plantas conhecidas como cuscuta precisam sugar a seiva de outras plantas. Um estudo publicado na revista &#8220;Science&#8221;, em 2006, mostrou que essas parasitas\u00a0escolhem seu alvo por meio do aroma. Elas diferenciam tomate ou trigo (preferem o tomate), assim como plantas s\u00e3s ou doentes (escolhem as s\u00e3s), por meio de seus receptores capazes de identificar compostos vol\u00e1teis emitidos pelos vegetais.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas americanos descobriram uma nova forma de comunica\u00e7\u00e3o entre plantas, que permite a troca de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5086,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/vegetais.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cientistas americanos descobriram uma nova forma de comunica\u00e7\u00e3o entre plantas, que permite a troca de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5085"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5085"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5085\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5086"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5085"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5085"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5085"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}