{"id":5059,"date":"2014-08-18T10:00:00","date_gmt":"2014-08-18T10:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=5059"},"modified":"2014-08-17T22:34:26","modified_gmt":"2014-08-17T22:34:26","slug":"comite-das-nacoes-unidas-analisa-perdas-e-desperdicios-no-sistema-agroalimentar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/comite-das-nacoes-unidas-analisa-perdas-e-desperdicios-no-sistema-agroalimentar\/","title":{"rendered":"Comit\u00ea das Na\u00e7\u00f5es Unidas analisa perdas e desperd\u00edcios no sistema agroalimentar"},"content":{"rendered":"<p><strong><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-3845\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a><\/strong>&#8220;Com o objetivo de analisar os recentes estudos sobre as perdas e o desperd\u00edcio de alimentos, o Comit\u00ea das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Seguran\u00e7a Alimentar (CSA) criou um grupo de trabalho voltado para avaliar o estado da arte sobre o tema e sugerir linhas de a\u00e7\u00e3o para os pa\u00edses e ag\u00eancias internacionais. O resultado desse trabalho foi divulgado no in\u00edcio do m\u00eas e as suas conclus\u00f5es podem jogar uma luz sobre a atual discuss\u00e3o&#8221;, escreve\u00a0Walter Belik, professor Titular do Instituto de Economia da Unicamp em artigo publicado pelo jornal Valor, 15-08-2014.<\/p>\n<p>Eis o artigo.<\/p>\n<p>O tema \u00e9 bastante conhecido nos meios acad\u00eamicos e se tornou popular com a publica\u00e7\u00e3o de um estudo realizado sob encomenda da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO) em 2011. Nessa publica\u00e7\u00e3o, os autores estimam as perdas e desperd\u00edcio no sistema agroalimentar como sendo de 1,3 bilh\u00e3o de toneladas de alimentos por ano, ou algo em torno de um ter\u00e7o do consumo anual. A cifra causou um enorme impacto tendo em vista que a contagem de subnutridos aponta atualmente para 842 milh\u00f5es de pessoas e a previs\u00e3o de aumento na demanda por alimentos para 2050 \u00e9 de 60%, quando a popula\u00e7\u00e3o mundial dever\u00e1 atingir o seu pico.<\/p>\n<p>Essa continua sendo nossa melhor estimativa, mas levantamentos com esse grau de generalidade exigem simplifica\u00e7\u00f5es e, por esse motivo, n\u00e3o podem ser transportados diretamente para a realidade de cada pa\u00eds. Nesse sentido, o primeiro passo proposto pelo grupo de especialistas do CFS para o combate \u00e0s perdas e desperd\u00edcio \u00e9 o levantamento de informa\u00e7\u00f5es e a valida\u00e7\u00e3o de um protocolo de medi\u00e7\u00e3o. De fato, um alimento s\u00f3 pode ser considerado como tal ap\u00f3s a sua fase de termina\u00e7\u00e3o (colheita, abate, pesca etc.) e para efeitos de nutri\u00e7\u00e3o, s\u00f3 podemos levar em conta a parte comest\u00edvel do alimento.<\/p>\n<p>Essas dificuldades, de pronto, fazem com que metodologias de medi\u00e7\u00e3o aplicadas em outros pa\u00edses, com outros h\u00e1bitos alimentares, n\u00e3o possam ser replicadas diretamente no Brasil. Por exemplo: p\u00e9s de galinha s\u00e3o iguarias para consumidores na China e outros pa\u00edses asi\u00e1ticos, mas n\u00e3o faz parte de nossa dieta nacional.<\/p>\n<p>Em seguida, torna-se necess\u00e1rio definir qual vai ser a medida a ser utilizada para efeito de valora\u00e7\u00e3o das perdas e desperd\u00edcio: o peso do produto, seu conte\u00fado nutricional ou o seu valor de venda final. Verduras e frutas podem perder valor de mercado devido ao seu aspecto, muito embora o seu conte\u00fado nutricional possa permanecer na integralidade. Por outro lado, prepara\u00e7\u00f5es de alimentos que descartam as cascas e talos estariam perdendo nutrientes, mas o valor final do produto pode at\u00e9 aumentar.<\/p>\n<p>Torna-se necess\u00e1rio tamb\u00e9m estabelecer alguns par\u00e2metros de medida para as diversas fases da produ\u00e7\u00e3o e o consumo, sendo que esse \u00faltimo necessita de uma abordagem direta com verifica\u00e7\u00e3o nos pontos de venda, equipamentos de restaura\u00e7\u00e3o e nos domic\u00edlios. Por \u00faltimo, deve-se levar em conta a destina\u00e7\u00e3o final do produto que \u00e9 descartado. No Brasil, a a\u00e7\u00e3o dos Bancos de Alimentos evita que centenas de toneladas de produtos sejam desperdi\u00e7adas. No entanto, mesmo que o produto rejeitado seja despejado em aterros, ainda \u00e9 poss\u00edvel utiliz\u00e1-lo como composto org\u00e2nico.<\/p>\n<p>Nos levantamentos realizados a pedido da FAO ficou bastante clara uma divis\u00e3o na qual as perdas &#8211; consideradas involunt\u00e1rias no processo produtivo-, t\u00eam como origem, principalmente, os pa\u00edses em desenvolvimento. J\u00e1 o desperd\u00edcio, ato volunt\u00e1rio de descartar alimento bom para o consumo, ocorre principalmente nos pa\u00edses desenvolvidos. A Am\u00e9rica Latina contribui com cerca de 5% e o principal foco est\u00e1 na regi\u00e3o industrializada da \u00c1sia (Jap\u00e3o, China e Coreia do Sul) que soma 29% das perdas e desperd\u00edcio em termos mundiais. As maiores redu\u00e7\u00f5es em termos relativos est\u00e3o na Am\u00e9rica do Norte, com um montante de 1520 kcal\/capita\/dia contra, por exemplo, 453 kcal\/capita\/dia da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<p>Diversas a\u00e7\u00f5es est\u00e3o sendo tomadas para aumentar a disponibilidade de alimentos a partir da redu\u00e7\u00e3o de perdas e desperd\u00edcio. Al\u00e9m dos evidentes benef\u00edcios para o meio ambiente, como a redu\u00e7\u00e3o no consumo de \u00e1gua, utiliza\u00e7\u00e3o de terras, emiss\u00e3o de gases e uso de terrenos para o descarte de material, a redu\u00e7\u00e3o de custos de produ\u00e7\u00e3o poderia abrir espa\u00e7o para uma eventual redu\u00e7\u00e3o nos pre\u00e7os de alimentos.<\/p>\n<p>Algumas iniciativas importantes est\u00e3o sendo tomadas. Na \u00c1frica e \u00c1sia, a coopera\u00e7\u00e3o internacional vem incentivando o uso de silos de metal para gr\u00e3os e estocagem com controle de atmosfera, c\u00e2maras de matura\u00e7\u00e3o e controle de refrigera\u00e7\u00e3o por evapora\u00e7\u00e3o para vegetais e frutas, aumentando a oferta local e permitindo um produto de exporta\u00e7\u00e3o de melhor qualidade. Na Europa, desencadeou-se um grande movimento capitaneado por organiza\u00e7\u00f5es empresariais, com apoio dos governos, para a redu\u00e7\u00e3o de descarte em supermercados e campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o dos consumidores.<\/p>\n<p>No nosso pa\u00eds n\u00e3o temos estimativas adequadas sobre perdas e desperd\u00edcio de alimentos e as cifras normalmente divulgadas s\u00e3o baseadas em proje\u00e7\u00f5es fantasiosas de estat\u00edsticas pontuais e desatualizadas. Isso n\u00e3o quer dizer que o problema n\u00e3o seja s\u00e9rio. Basta visitar um aterro sanit\u00e1rio de uma grande cidade ou a opera\u00e7\u00e3o de um Banco de Alimentos para verificar a grande quantidade de alimento que \u00e9 perdido ou descartado. H\u00e1 muito que pode ser feito para evitar perdas na fase de p\u00f3s-colheita, armazenagem, transporte e comercializa\u00e7\u00e3o do alimento, contribuindo assim para uma maior disponibilidade e fortalecendo a seguran\u00e7a alimentar e nutricional.<\/p>\n<p>Cabe ao governo regular a comercializa\u00e7\u00e3o dos produtos com diretrizes sobre embalagem, classifica\u00e7\u00e3o, data de validade e tamb\u00e9m promover campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o para toda a sociedade. No entanto, o papel mais importante cabe ao meio empresarial que &#8211; a exemplo do que est\u00e1 sendo feito nos pa\u00edses desenvolvidos -, deve investir em estocagem, transporte adequado, processamento integral dos produtos e redu\u00e7\u00e3o do desperd\u00edcio no ponto de venda e nos domic\u00edlios, com embalagens mais pr\u00e1ticas e adequadas \u00e0 realidade brasileira.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Com o objetivo de analisar os recentes estudos sobre as perdas e o desperd\u00edcio de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":3845,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/desperdicio_alimentos_rn.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"&#8220;Com o objetivo de analisar os recentes estudos sobre as perdas e o desperd\u00edcio de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5059"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5059"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5059\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3845"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5059"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5059"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5059"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}