{"id":50525,"date":"2016-09-26T06:00:27","date_gmt":"2016-09-26T09:00:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=50525"},"modified":"2016-09-25T20:45:38","modified_gmt":"2016-09-25T23:45:38","slug":"incendio-consome-mata-em-area-do-parque-indigena-do-xingu-em-mt","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/incendio-consome-mata-em-area-do-parque-indigena-do-xingu-em-mt\/","title":{"rendered":"Inc\u00eandio consome mata em \u00e1rea do Parque Ind\u00edgena do Xingu em MT"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=50526\" rel=\"attachment wp-att-50526\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-50526\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/amazonia-3-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/amazonia-3-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/amazonia-3.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um inc\u00eandio de grande porte consome o Parque Ind\u00edgena do Xingu, em Mato Grosso. Esse \u00e9 um drama para os agricultores, que s\u00e3o v\u00edtimas do fogo.<\/p>\n<p>O trabalho de quase uma d\u00e9cada foi destru\u00eddo em minutos. O agricultor Claudinei Klein e seu pai, Alceu Klein, investiram dinheiro e suor no seringal em Ga\u00facha do Norte. Eles plantaram cinco mil \u00e1rvores com as pr\u00f3prias m\u00e3os e assistiram ao fogo destruir 60% do cultivo.<\/p>\n<div id=\"entenda_o_caso_329\" class=\"entenda-o-caso componente_materia\">Os agricultores sabem que o inc\u00eandio que atingiu o seringal come\u00e7ou em um lix\u00e3o improvisado, que fica pr\u00f3ximo \u00e0 propriedade. Mas, muitas vezes n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil saber a origem da queimada. Para desvendar esse tipo de mist\u00e9rio, o Ibama conta com peritos como Altair Gon\u00e7alves, que trabalha com as equipes de fiscaliza\u00e7\u00e3o. No caso da propriedade, o perito concluiu que o fogo serviu para a limpeza de uma \u00e1rea desmatada recentemente e com uso de corrent\u00e3o.<\/div>\n<p>O inc\u00eandio atingiu 2,8 mil hectares da fazenda. Com base nos dados da per\u00edcia, o Ibama poder\u00e1 embargar a \u00e1rea e multar o propriet\u00e1rio. Mas o fogo tamb\u00e9m pode surgir em parques e grandes \u00e1reas de conserva\u00e7\u00e3o. S\u00e3o lugares que, em tese, deveriam ter a natureza bem preservada.<\/p>\n<p>O Parque Ind\u00edgena do Xing\u00fa ocupa um territ\u00f3rio de 26 mil quil\u00f4metros quadrados, o mesmo tamanho de um estado como Alagoas. O Xingu abriga 16 povos ind\u00edgenas, que vivem da floresta e da agricultura em \u00e1reas pequenas.<\/p>\n<p>Desde julho uma parte parque foi tomada por um inc\u00eandio gigantesco. O Ibama concentra as a\u00e7\u00f5es de combate ao fogo no Alto Xingu, \u00e1rea que ao sul do parque ind\u00edgena. O inc\u00eandio no parque forma uma linha que tem mais 30 quil\u00f4metros de extens\u00e3o. Com isso, mais de 210 mil hectares da reserva j\u00e1 foram devastados. Isso representa quase 8% do territ\u00f3rio total do parque.<\/p>\n<p>Segundo o Ibama e lideran\u00e7as ind\u00edgenas, a causa mais prov\u00e1vel do inc\u00eandio foi o uso de fogo para a limpeza de terreno nas \u00e1reas agr\u00edcolas dos \u00edndios.<\/p>\n<p>O uso de fogo para limpar o terreno \u00e9 uma pr\u00e1tica antiga entre os ind\u00edgenas. Mas de uns tempos pra c\u00e1 esse costume come\u00e7ou a gerar problemas. A situa\u00e7\u00e3o preocupa o coordenador da Funai em Canarana Kumar\u00e9 Txic\u00e3o, que nasceu e cresceu no Xingu.<\/p>\n<p>\u201cNos era mata muito fechada ainda. Eles tocavam fogo no campo. Quando chegava no mato, ele apagava. Hoje, com a mudan\u00e7a clim\u00e1tica, favorece a queimada com o vento forte. Ent\u00e3o, eles n\u00e3o t\u00eam esse controle\u201d, explica Txic\u00e3o.<\/p>\n<p>Diante das mudan\u00e7as no clima e na floresta, A Funai e outras entidades iniciaram uma campanha entre os moradores do Xingu sobre os perigos do fogo. O inc\u00eandio que come\u00e7ou no Xingu tamb\u00e9m atingiu a fazenda em Ga\u00facha do Norte, que faz divisa com o parque. A \u00e1rea de reserva e o pasto onde ficam os animais foram afetados pelo inc\u00eandio.<\/p>\n<p>Segundo o vice-presidente do Sindicato Rural do munic\u00edpio, o avan\u00e7o do inc\u00eandio tira o sono de muitas pessoas na regi\u00e3o. \u201cFora o impacto ambiental, a gente tem o impacto financeiro muito alto\u201d, diz Luiz Bier.<\/p>\n<p>As queimadas tamb\u00e9m provocam preju\u00edzos para pequenos produtores de Rond\u00f4nia, que dependem da ro\u00e7a para sobreviver.<\/p>\n<p>A agricultora Raimunda da Silva tem um lote de dez hectares no Assentamento Santa Rita, em Porto Velho. Filha e neta de agricultores, ela sempre viveu da terra. Mas, a vida da dona Raimunda passou por uma grande mudan\u00e7a em setembro de 2015. Na \u00e9poca, um inc\u00eandio, que come\u00e7ou em um lote vizinho, se espalhou e destruiu a principal fonte de renda da agricultora. O fogo acabou com os cinco hectares de mandioca que ela usava para fazer farinha.<\/p>\n<p>Hoje, depois de um ano, o mato j\u00e1 tomou conta da \u00e1rea queimada. Os poucos p\u00e9s de mandioca que resistiram n\u00e3o t\u00eam for\u00e7as para produzir. A casa de farinha est\u00e1 parada. Vi\u00fava, sem dinheiro e sem produ\u00e7\u00e3o, dona Raimunda conta apenas com uma aposentadoria para sustentar o s\u00edtio e os dois netos que vivem com ela.<\/p>\n<p>Hist\u00f3rias como a da agricultora se repetem por toda a regi\u00e3o. S\u00f3 em 2015, as queimadas atingiram 281 mil quil\u00f4metros quadrados. S\u00e3o cerca de 5% da superf\u00edcie Amaz\u00f4nia Legal.<\/p>\n<p>O problema desafia a ci\u00eancia; prejudica agricultores, pecuaristas e povos ind\u00edgenas; e provoca perdas incalcul\u00e1veis para a natureza da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de afetar duramente a regi\u00e3o, as queimadas tamb\u00e9m provocam problemas em escala global. Por ser a maior floresta tropical do mundo, a Amaz\u00f4nia cumpre um papel essencial para o clima do planeta. Quando a floresta brasileira \u00e9 destru\u00edda, de maneira direta ou indireta, o mundo inteiro sai perdendo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um inc\u00eandio de grande porte consome o Parque Ind\u00edgena do Xingu, em Mato Grosso. 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