{"id":50516,"date":"2016-09-26T08:00:24","date_gmt":"2016-09-26T11:00:24","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=50516"},"modified":"2016-09-25T20:30:15","modified_gmt":"2016-09-25T23:30:15","slug":"na-natureza-os-peixinhos-dourados-deixam-de-ser-animais-de-estimacao-e-passam-a-ser-pragas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/na-natureza-os-peixinhos-dourados-deixam-de-ser-animais-de-estimacao-e-passam-a-ser-pragas\/","title":{"rendered":"Na natureza, os peixinhos-dourados deixam de ser animais de estima\u00e7\u00e3o e passam a ser pragas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=50517\" rel=\"attachment wp-att-50517\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-50517\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, algu\u00e9m descartou um punhado de peixinhos-dourados de estima\u00e7\u00e3o em um riacho no sudoeste da Austr\u00e1lia. Esses peixinhos cresceram, nadaram rio abaixo, estragando as \u00e1guas aonde quer que eles passassem e se proliferaram descontroladamente. Em pouco tempo, eles tomaram conta do rio inteiro.<\/p>\n<p>Pesquisadores da Universidade de Murdoch acreditam que essa situa\u00e7\u00e3o, ou algo parecido, \u00e9 a causa de uma invas\u00e3o de peixes dourados ferais no rio Vasse da Austr\u00e1lia. Desde 2003, eles t\u00eam usado um programa de rastreamento e controle de peixes-dourados que envolve a captura de peixes ao longo de toda a extens\u00e3o do rio, congelando-os at\u00e9 a morte e estudando-os em laborat\u00f3rio. Apesar desse programa, os peixes-dourados no Vasse est\u00e3o se desenvolvendo, e alguns peixes chegam a crescer at\u00e9 40 cm e pesar 2 kg, tamanho de uma garrafa de refrigerante de 2 litros.<\/p>\n<p>Os peixinhos-dourados s\u00e3o uma das mais invasivas esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas do mundo, com relatos de surtos tamb\u00e9m em Nevada, no Colorado e em Alberta, no Canad\u00e1, nos \u00faltimos anos. No entanto, os peixes-dourados do rio Vasse\u00a0&#8220;t\u00eam a mais r\u00e1pida taxa de crescimento de peixes-dourados do mundo&#8221;, diz Stephen Beatty, pesquisador da Universidade de Murdoch que ajuda na coordena\u00e7\u00e3o do programa de controle. Se sua equipe conseguir resolver o problema dos peixinhos-dourados no Vasse, o trabalho deles poderia orientar os esfor\u00e7os de gest\u00e3o de peixinhos-dourados muito al\u00e9m da Austr\u00e1lia.<\/p>\n<p>Invas\u00f5es de peixes-dourados come\u00e7am com uma desconex\u00e3o entre como as pessoas os veem e como eles s\u00e3o na natureza, segundo Beatty. &#8220;Uma vez que voc\u00ea introduz algo em um ambiente novo, ainda que seja um peixinho fofo de aqu\u00e1rio, ele pode ter s\u00e9rias consequ\u00eancias biol\u00f3gicas inesperadas.&#8221;<\/p>\n<p>O peixinho-dourado \u00e9 uma carpa domesticada, criada inicialmente na China antiga para jardins ornamentais. Durante s\u00e9culos os peixinhos-dourados foram apreciados s\u00edmbolos de sorte e de fortuna. Contudo, pouco depois de entrarem nos Estados Unidos em meados dos anos 1800, eles passaram de ex\u00f3ticos a mundanos.<\/p>\n<p>O governo americano teve um papel importante nisso, de acordo com Katrina Gulliver, uma historiadora que fez um registro sobre o peixinho-dourado. Por d\u00e9cadas no final dos anos 1800, a rec\u00e9m-criada Comiss\u00e3o da Pescaria dos EUA distribuiu gratuitamente peixinhos-dourados a residentes de Washington como uma a\u00e7\u00e3o publicit\u00e1ria, chegando a distribuir at\u00e9 20 mil peixes em alguns anos.<\/p>\n<p>Em um artigo de 1894 do &#8220;Times&#8221;, um rep\u00f3rter brincou: &#8220;O neg\u00f3cio da distribui\u00e7\u00e3o gratuita de peixinhos-dourados \u00e0s pessoas do Distrito de Columbia se tornou um fardo t\u00e3o grande para a Comiss\u00e3o de Pesca que aparentemente eles precisam escolher entre administrar uma ag\u00eancia de pesca exclusivamente para Washington e conduzir o trabalho leg\u00edtimo da ag\u00eancia.&#8221;<\/p>\n<p>Isso, e a pr\u00e1tica que veio depois de se distribuir peixinhos-dourados em feiras, disseminou a danosa ideia de que eles\u00a0s\u00e3o descart\u00e1veis e irrelevantes. Na verdade, quando jogados em cursos d&#8217;\u00e1gua \u2014especialmente aqueles que s\u00e3o mornos, ricos em nutrientes e relativamente parados como o Vasse\u2014 os peixinhos-dourados se comportam de maneiras inesperadas.<\/p>\n<p>Eles, por exemplo, adquirem uma apar\u00eancia diferente. Uma vez livres das conten\u00e7\u00f5es de um tanque, os peixinhos-dourados chegam ao tamanho de bolas de futebol. Dentro de algumas gera\u00e7\u00f5es, eles voltam para suas cores naturais de amarelo e marrom, no lugar do laranja berrante que os criadores buscam atingir.<\/p>\n<div class=\"mod-foto-embed w615x300\"><span class=\"credito\">David Morgan\/The New York Times<\/span><\/p>\n<div class=\"figure\">\n<div class=\"pinit-wraper\"><img loading=\"lazy\" class=\"pinit-img\" src=\"http:\/\/imguol.com\/c\/noticias\/b5\/2016\/09\/23\/2set2016---peixe-dourado-e-capturado-por-pesquisadores-no-rio-vasse-na-australia-1474648109520_615x300.jpg\" width=\"640\" height=\"312\" \/><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>Eles tamb\u00e9m s\u00e3o um pesadelo ecol\u00f3gico. Os peixes-dourados nadam at\u00e9 o fundo de lagos e rios, arrancando vegeta\u00e7\u00e3o, remexendo sedimentos e liberando nutrientes que desencadeiam um crescimento excessivo de algas. Eles se alimentam em grandes quantidades, comendo algas, pequenos invertebrados e ovos de peixe. Para completar, eles ainda transmitem doen\u00e7as ex\u00f3ticas e parasitas.<\/p>\n<p>As f\u00eameas produzem at\u00e9 40 mil ovos por ano, muito mais que a maior parte das esp\u00e9cies de \u00e1gua doce, e s\u00e3o capazes de procriar com outras esp\u00e9cies de carpas selvagens. N\u00e3o tendo predadores naturais, uma grande parte dos filhotes de peixinhos-dourados sobrevive at\u00e9 a idade reprodutiva, dando continuidade a um ciclo de superpopula\u00e7\u00e3o desenfreada.<\/p>\n<p>Mas ent\u00e3o, como se livrar deles de uma forma duradoura? \u00c9 not\u00f3rio que uma vez que eles se estabelecem em um lugar, erradicar peixinhos-dourados \u00e9 uma tarefa dif\u00edcil. E foi por isso que cientistas da Murdoch passaram recentemente um ano rastreando os movimentos dos peixes no Vasse. O estudo deles, publicado no m\u00eas passado pela &#8220;The Ecology of Freshwater Fish&#8221;, rendeu algumas descobertas inesperadas.<\/p>\n<p>Para come\u00e7ar, que os peixinhos-dourados s\u00e3o nadadores de longa dist\u00e2ncia. A equipe de Beatty viu frequentemente peixinhos-dourados viajarem a dist\u00e2ncia de v\u00e1rios campos de futebol em um dia, e at\u00e9 observaram um peixe que viajou mais de 225 km em um ano.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, os peixinhos-dourados migram para desovar. Isso mesmo, os mesmos peixes que muitas vezes s\u00e3o mantidos em pequenos globos, nadando em c\u00edrculos, navegam em cardumes para um p\u00e2ntano durante a temporada de reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Talvez seja uma descoberta surpreendente para uma esp\u00e9cie domesticada, mas o comportamento parece ser inato, diz Beatty, e indica que os peixinhos-dourados possuem capacidades cognitivas complexas.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s pensamos nos peixinhos-dourados como seres n\u00e3o muito inteligentes, mais como uma mob\u00edlia ou decora\u00e7\u00e3o do que criaturas sencientes&#8221;, diz Dean Pomerleau, um engenheiro de Pittsburgh. Mas sua fam\u00edlia ensinou truques complicados a peixinhos-dourados de estima\u00e7\u00e3o, tais como jogar uma pequena bola de futebol para uma rede com o nariz, e pesquisadores mostraram que eles conseguem distinguir entre m\u00fasica cl\u00e1ssica de Bach e Stravinsky. (Sim, peixinhos-dourados conseguem ouvir; eles desenvolveram uma estrutura \u00f3ssea que traduz mudan\u00e7as na press\u00e3o das ondas sonoras a partir de sua bexiga natat\u00f3ria para seu ouvido interno.)<\/p>\n<p>Uma melhor compreens\u00e3o sobre os peixinhos-dourados pode ajudar em estrat\u00e9gias de gest\u00e3o, segundo Beatty, tais como prender os peixes em massa depois que eles migram para suas \u00e1reas de reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto isso, para garantir que as invas\u00f5es de peixinhos-dourados n\u00e3o v\u00e3o piorar, \u00e9 essencial que propriet\u00e1rios de animais se livrem de peixes indesejados de forma respons\u00e1vel, diz Linda Walters, professora de biologia na Universidade da Fl\u00f3rida Central que ajudou a produzir dois livros infantis sobre os perigos de se esvaziar aqu\u00e1rios dom\u00e9sticos em cursos d&#8217;\u00e1gua locais.<\/p>\n<p>A melhor estrat\u00e9gia \u00e9 entregar peixes saud\u00e1veis para um aqu\u00e1rio, loja de animais ou aquarista respons\u00e1vel, diz Walters. Na Fl\u00f3rida, a Comiss\u00e3o de Conserva\u00e7\u00e3o de Peixes e Vida Selvagem tamb\u00e9m aceita bichos de estima\u00e7\u00e3o que as pessoas n\u00e3o querem mais, em dias de anistia que s\u00e3o agendados regularmente.<\/p>\n<p>Se seu peixe estiver doente, a forma mais compassiva de mat\u00e1-lo \u00e9 provavelmente sacrificando-o em um monte de gelo mo\u00eddo. Quanto a jogar seu peixe pela privada, os especialistas recomendam que n\u00e3o se fa\u00e7a isso. N\u00e3o s\u00f3 existe uma pequena chance de que seu peixe sobreviva a uma jornada atrav\u00e9s do sistema de esgoto e acabe na natureza, como em geral esse simplesmente n\u00e3o \u00e9 um jeito muito agrad\u00e1vel de se despedir do seu bichinho.<\/p>\n<p><span class=\"tradutor\"> Tradutor:<\/span> UOL<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, algu\u00e9m descartou um punhado de peixinhos-dourados de estima\u00e7\u00e3o em um riacho no<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":50517,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/peixe_dourado.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Duas d\u00e9cadas atr\u00e1s, algu\u00e9m descartou um punhado de peixinhos-dourados de estima\u00e7\u00e3o em um riacho no","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50516"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50516"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50516\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50517"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50516"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}