{"id":50431,"date":"2016-09-24T21:13:42","date_gmt":"2016-09-25T00:13:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=50431"},"modified":"2016-09-24T21:13:42","modified_gmt":"2016-09-25T00:13:42","slug":"qual-o-problema-da-imprensa-com-o-clima","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/qual-o-problema-da-imprensa-com-o-clima\/","title":{"rendered":"Qual o problema da imprensa com o clima?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por que a imprensa e mesmo os meios de comunica\u00e7\u00e3o especializados em meio ambiente n\u00e3o d\u00e3o destaque ao tema?<\/em><\/p>\n<p><strong>Por Beatriz Diniz e Marcia Pimenta*<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 uma tristeza a ratifica\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris pelo Brasil n\u00e3o estar na capa dos principais jornais do pa\u00eds nem ter destaque em suas edi\u00e7\u00f5es digitais e nos telejornais da TV aberta. A cerim\u00f4nia na segunda 12\/9 at\u00e9 foi noticiada pelos meios de comunica\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que timidamente. O tamb\u00e9m chamado acordo do clima, t\u00e3o importante para o mundo todo, parece ter pouco prest\u00edgio na imprensa brasileira. A cobertura foi desproporcional \u00e0 relev\u00e2ncia e gravidade do assunto.<\/p>\n<p>No dia seguinte, a natureza se encarregou de mostrar como se sente na pele a import\u00e2ncia do aquecimento global: a ter\u00e7a 13\/9 foi o dia mais quente desse Inverno com jeit\u00e3o de Ver\u00e3o na cidade do Rio de Janeiro. Gancho perfeito para esquentar a pauta da ratifica\u00e7\u00e3o do acordo e noticiar mais sobre clima, apresentando seu efeito no cotidiano, que n\u00e3o \u00e9 o \u201cvai dar praia\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_199801\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-199801\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/climaseca.jpg\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/climaseca.jpg 768w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/climaseca-300x200.jpg 300w\" alt=\"Foto: Shutterstock\" width=\"340\" height=\"227\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Shutterstockprevis\u00e3o do tempo] e incluindo o dado fresquinho divulgado pela NASA de que o agosto de 2016 foi o mais quente em 136 anos. Uau, dava para fazer subir a hashtag climabrasil. S\u00f3 que n\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>D\u00e1 mais tristeza ainda se a gente levar em considera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o falta espa\u00e7o editorial para not\u00edcias do futebol e para as bo\u00e7alidades sobre as celebridades [o que sequer \u00e9 not\u00edcia, jornalisticamente falando]. Comparando com o fluxo de fatos desimportantes tornados not\u00edcia pela imprensa, a cobertura da ratifica\u00e7\u00e3o do acordo do clima por aqui foi bem mixuruca.<\/p>\n<p>E isso faz diferen\u00e7a? \u00d4, e como! Informa\u00e7\u00e3o \u00e9 imprescind\u00edvel para a sociedade alavancar atitudes e compromisso dos governantes! Sem a sociedade pressionando ningu\u00e9m sai do lugar. Sem informa\u00e7\u00e3o a sociedade fica na ignor\u00e2ncia sobre o que est\u00e1 em jogo: um planeta saud\u00e1vel que tenha capacidade de dar suporte \u00e0 vida da gente.<\/p>\n<p>Jornalismo \u00e9 um servi\u00e7o, cuja fun\u00e7\u00e3o \u00e9 informar a sociedade sobre o que ocorre nos bairros, nas cidades, nos estados, no pa\u00eds e no mundo. Como o servi\u00e7o jornal\u00edstico \u00e9 tamb\u00e9m um neg\u00f3cio, tem que dar lucro. Com mais fatos desimportantes que jornalistas e editores tornam not\u00edcia, maior lucro para o neg\u00f3cio, menor qualidade do servi\u00e7o para a sociedade, menos informa\u00e7\u00e3o relevante.<\/p>\n<p>A gente checou ocorr\u00eancias de divulga\u00e7\u00e3o no dia da ratifica\u00e7\u00e3o e no dia seguinte \u00e0 cerim\u00f4nia. Bora conferir.<\/p>\n<p><strong>Repercuss\u00e3o no dia<\/strong><\/p>\n<p>A cerim\u00f4nia foi transmitida ao vivo pela TV NBR e pelo facebook do Pal\u00e1cio do Planalto, ou seja, f\u00e1cil para a imprensa cobrir sem estar presente. Teve repercuss\u00e3o on line do Observat\u00f3rio do Clima [a fonte mais especializada em clima no pa\u00eds] e do Instituto Socioambiental pelas redes sociais, tornando acess\u00edveis informa\u00e7\u00f5es de fontes especializadas em tempo real. A participa\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio do Clima, ali\u00e1s, deu o conte\u00fado explicativo do assunto com a devida relev\u00e2ncia dos fatos, como fonte para consulta direta durante a cerim\u00f4nia, sem que a produ\u00e7\u00e3o precisasse dar um telefonema ou mandar um zap sequer para ilustrar suas mat\u00e9rias com informa\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Detalhe que devia ter sido explorado na divulga\u00e7\u00e3o por facilitar a cobertura e o entendimento da pauta para jornalistas e editores leigos.<\/p>\n<p>No Uol Not\u00edcias foi publicada mat\u00e9ria na editoria Ci\u00eancia \u00e0s 11h23, produzida de S\u00e3o Paulo. Vale destacar que a fonte consultada e citada no <a href=\"http:\/\/noticias.uol.com.br\/meio-ambiente\/ultimas-noticias\/redacao\/2016\/09\/12\/brasil-e-primeiro-grande-emissor-a-ratificar-acordo-do-clima-de-paris.htm\" target=\"_blank\">texto \u00e9 o Observat\u00f3rio do Clima<\/a>. Fica a dica para os jornalistas, consultem o pessoal do OC na pr\u00f3xima pauta sobre clima. Tamb\u00e9m vale botar reparo no detalhe da foto na mat\u00e9ria, que renderia uns memes\u2026 Rodrigo Maia, atual presidente da C\u00e2mara de Deputados, ajeitando a cal\u00e7a, ap\u00f3s levantar para acompanhar a assinatura junto com o ministro do meio ambiente, Zequinha Sarney.<\/p>\n<p>A <a href=\"http:\/\/www.dw.com\/pt\/brasil-ratifica-acordo-de-paris-entenda-o-que-est%C3%A1-em-jogo\/a-19545480\" target=\"_blank\">edi\u00e7\u00e3o Brasil da Deutsche Welle<\/a> noticiou \u00e0s 11h55 e j\u00e1 no t\u00edtulo deu um \u00f3timo apelo de atra\u00e7\u00e3o para o conte\u00fado: entenda o que est\u00e1 em jogo.<\/p>\n<p>O <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/sustentabilidade\/brasil-ratifica-acordo-de-paris-para-reduzir-emissoes-de-gases-estufa-20093780?utm_source=Twitter&amp;utm_medium=Social&amp;utm_campaign=compartilhar\" target=\"_blank\">Globo on line<\/a> soltou \u00e0s 11h55 mat\u00e9ria de Eduardo Barretto e Catarina Alencastro, publicada na editoria Sociedade\/Sustentabilidade, e aproveitou a pauta da ratifica\u00e7\u00e3o no mesmo dia \u00e0s 12h02 [com atualiza\u00e7\u00e3o \u00e0s 14h59] para gerar conte\u00fado com o <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/sustentabilidade\/entenda-acordo-de-paris-ratificado-pelo-brasil-nesta-segunda-feira-20093820\" target=\"_blank\">apelo de explicar o acordo<\/a> [acessa <a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/sociedade\/sustentabilidade\/entenda-acordo-de-paris-ratificado-pelo-brasil-nesta-segunda-feira-20093820\">aqui<\/a>], tendo SOS Mata Atl\u00e2ntica e Greenpeace como fontes especializadas.<\/p>\n<p>Outra ocorr\u00eancia de not\u00edcia sobre a ratifica\u00e7\u00e3o \u00e9 do <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/politica\/noticia\/2016\/09\/temer-assina-ratificacao-do-acordo-de-paris-em-cerimonia-no-planalto.html\" target=\"_blank\">G1<\/a>, publicada na editoria pol\u00edtica \u00e0s 11h31 [atualizada \u00e0s 13h27 \u00e0s 13h27] e tamb\u00e9m distribu\u00edda pela editoria Globo Natureza, relatando a cerim\u00f4nia, sem mencionar a participa\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio do Clima e sem consultar fontes especializadas.<\/p>\n<p><strong>Repercuss\u00e3o no dia seguinte<\/strong><\/p>\n<p>Nada na edi\u00e7\u00e3o digital do Estad\u00e3o, que ali\u00e1s n\u00e3o tem mais a editoria Sustentabilidade. Nada na capa do UOl, nem em ci\u00eancia e sa\u00fade. Na capa do Uol Not\u00edcias estava publicado um artigo do NYT sobre os perigos do aquecimento global, no entanto, sem uma chamadinha mais para ratifica\u00e7\u00e3o. Nada no site do El Pa\u00eds edi\u00e7\u00e3o Brasil.<\/p>\n<p>Nadica de nada na capa de O Globo sobre a ratifica\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris pelo Brasil. Nada na capa da Folha de S\u00e3o Paulo tamb\u00e9m [na edi\u00e7\u00e3o S\u00e3o Paulo e na nacional coube publicidade para vender um \u00edcone de polui\u00e7\u00e3o e n\u00e3o espa\u00e7o para uma not\u00edcia relevante].<\/p>\n<p>Uma passada na banca para checar outros jornais do Rio e\u2026.nada! Nada em O Dia, nada no Extra, apesar de serem jornais de uma cidade litor\u00e2nea [mais vulner\u00e1vel aos efeitos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas].<\/p>\n<p>As not\u00edcias publicadas pela imprensa s\u00e3o tamb\u00e9m divulgadas nas redes sociais dos meios, nas quais s\u00e3o impulsionadas na medida da repeti\u00e7\u00e3o e n\u00e3o s\u00f3 da for\u00e7a do conte\u00fado. A mat\u00e9ria do UOl Not\u00edcias publicada no Twitter s\u00f3 teve um retwite e ta\u00ed uma indica\u00e7\u00e3o do porqu\u00ea da imprensa convencional n\u00e3o investir na cobertura especializada em Meio Ambiente nem na distribui\u00e7\u00e3o do conte\u00fado produzido al\u00e9m do b\u00e1sico [como a assinatura de um acordo, que \u00e9 uma pauta sem muito apelo popular] e das trag\u00e9dias [que rendem muitos cliques].<\/p>\n<p><strong>\u00d4 pauta ingrata\u2026<\/strong><\/p>\n<p>O aviso de pauta do Minist\u00e9rio do Meio ambiente, informando quando o Brasil ratificaria o acordo do clima, foi publicado uma vez em 9\/9 no Twitter e teve s\u00f3 dois retu\u00edtes. A publica\u00e7\u00e3o tem um link que leva atualmente a uma p\u00e1gina vazia, n\u00e3o tem como a gente checar quando foi disparado por l\u00e1.<\/p>\n<p>O tweet com o aviso do MMA deveria ter sido repetido at\u00e9 11 de setembro, diversas vezes a cada dia, com varia\u00e7\u00f5es de chamada, para obter maior alcance conforme a relev\u00e2ncia da pauta. Tamb\u00e9m devia ter sido enviado nessa rede por mensagem direta para meios especializados, imprensa convencional e influenciadores, e at\u00e9 postado em coment\u00e1rios de tweets sobre o assunto, repetindo: conforme a relev\u00e2ncia da pauta.<\/p>\n<p>Mesmo o aviso de pauta sendo distribu\u00eddo por e-mail para o mailing de imprensa, como de praxe, \u00e9 nas redes sociais que se impulsiona a divulga\u00e7\u00e3o. Uma distribui\u00e7\u00e3o t\u00edmida vai ter uma cobertura t\u00edmida, ainda mais a pauta que j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 tratada pela imprensa com a devida import\u00e2ncia, tanto por n\u00e3o ser atrativa quanto por n\u00e3o contar com uma predomin\u00e2ncia de profissionais nas reda\u00e7\u00f5es com interesse e conhecimento atualizado em meio ambiente e sustentabilidade.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia que a mudan\u00e7a do clima tem para a imprensa brasileira \u00e9 tamb\u00e9m reflexo de como a pauta meio ambiente \u00e9 oferecida. A an\u00e1lise da cobertura da ratifica\u00e7\u00e3o demonstra que o Minist\u00e9rio do Meio Ambiente pode diminuir a dist\u00e2ncia entre a pauta e a imprensa com outros esfor\u00e7os de relacionamento para gerar e distribuir influ\u00eancia qualificada e qualificadora junto com suas not\u00edcias, informa\u00e7\u00f5es relevantes, dados, avisos de pauta. A tem\u00e1tica \u00e9 ampla, os assuntos s\u00e3o complexos, est\u00e3o relacionados com a economia, causam impactos na vida da gente, e est\u00e3o sujeitos a decis\u00f5es econ\u00f4micas, pol\u00edticas e empresariais, inclusive para divulga\u00e3o.<\/p>\n<p>Por exemplo, um empreendimento com suas vagas de empregos e benef\u00edcios para o crescimento do pa\u00eds tem maior impulso para divulga\u00e7\u00e3o. E \u00e9 mais f\u00e1cil de ser bem recebido pela imprensa do que os fatos ambientais e sociais decorrentes da decis\u00e3o econ\u00f4mica, como a quantidade de \u00e1rvores que v\u00e3o ser derrubadas, de carbono que capturaram e liberam quando s\u00e3o cortadas, seus efeitos no clima no entorno, a diminui\u00e7\u00e3o de p\u00e1ssaros e de alimento e abrigo para outros animais, o licenciamento, os estudos, diagn\u00f3sticos, medidas de corre\u00e7\u00e3o e compensa\u00e7\u00e3o, audi\u00eancias p\u00fablicas e tudo mais que vai afetar a vida das pessoas por causa das interfer\u00eancias no meio ambiente, no lugar em que vivem ou trabalham.<\/p>\n<p>A\u00ed rola a trag\u00e9dia, como a lama da barragem que rompeu em Mariana, da Samarco\/Vale\/BHP, ou da queda do trecho da ciclovia \u00e0 beira de um penhasco, ambiente e gente viram pauta, rendem cliques barbaridade. E a imprensa pira at\u00e9 \u201cdescobrir\u201d que n\u00e3o foi um desastre natural, que n\u00e3o teve licenciamento ou n\u00e3o foram cumpridas condicionantes ou n\u00e3o foram feitos estudos de impacto ambiental ou que os vizinhos n\u00e3o foram treinados para situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia e etc. e tal. Conclus\u00e3o? Quando a imprensa convencional pauta meio ambiente antes, acima do fato econ\u00f4mico, e com o impulso de divulga\u00e7\u00e3o concernente \u00e0 relev\u00e2ncia e gravidade dos efeitos, pode at\u00e9 ajudar a evitar trag\u00e9dias previs\u00edveis. Sem brincadeira, um jornalista ambiental identifica os riscos j\u00e1 no an\u00fancio da inten\u00e7\u00e3o de realizar o empreendimento e quando sai a primeira not\u00edcia sobre uma trag\u00e9dia \u00e9 capaz de em minutos elencar os problemas que a imprensa vai \u201crevelar\u201d nas semanas seguintes.<\/p>\n<p>Nem o fato de ser uma pauta positiva para o governo, cujo presidente n\u00e3o teve sequer seu nome citado no \u00faltimo encontro do G20, despertou no Minist\u00e9rio do Meio Ambiente a iniciativa de impulsionar a circula\u00e7\u00e3o de mais not\u00edcias. Por ser um dos maiores emissores de gases do efeito estufa, o Brasil ter ratificado do acordo de Paris teve repercuss\u00e3o em jornais estrangeiros e na m\u00eddia especializada internacional, inclusive influenciadores. Depois de Estados Unidos e China \u00e9 n\u00f3is na hist\u00f3ria [e podia at\u00e9 ter sido antes dos grand\u00f5es poluidores, s\u00f3 que a ratifica\u00e7\u00e3o brasileira foi adiada]. N\u00e3o tratar como um baita destaque \u00e9 desperdi\u00e7ar oportunidade de pautar o clima, de ajudar a imprensa a ampliar a cobertura e de fazer circular informa\u00e7\u00f5es que podem influenciar a sociedade para saber mais, entender a gravidade e se engajar em agir.<\/p>\n<p>O <a href=\"https:\/\/www.yahoo.com\/news\/brazil-ratifies-paris-agreement-reduce-emission-co2-143209059.html?utm_source=dlvr.it&amp;utm_medium=twitter&amp;ref=gs\" target=\"_blank\">Yahoo News<\/a>, em ingl\u00eas, noticiou com coment\u00e1rio do diretor da International Climate Initiative\/World Resources Institute. O Emirates Times retu\u00edtou essa not\u00edcia do Yahoo News \u00e0s 11h42. Est\u00e1 na capa do site da <a href=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/brasil-ratifica-acordo-de-paris-sobre-o-clima\/\" target=\"_blank\">ONU Brasil<\/a>, faz um t\u00edtulo [ONU divulga a ratifica\u00e7\u00e3o do acordo de Paris pelo Brasil], d\u00e1 o link\u00a0e programa no Twitter para disparar uma vez ao dia, o m\u00eas todo, em hor\u00e1rios diferentes. Deu no <a href=\"http:\/\/www.nytimes.com\/aponline\/2016\/09\/12\/world\/...\/ap-lt-brazil-climate-change.html?_r=0\" target=\"_blank\">The York Times<\/a>! Compartilha, curte, favorita, repercute a valida\u00e7\u00e3o que ajuda a influenciar a imprensa brasileira. <a href=\"https:\/\/www.theguardian.com\/environment\/2016\/sep\/13\/brazil-ratifies-paris-agreement-with-pledge-to-sharply-reduce-emissions\" target=\"_blank\">The Guardian<\/a> deu tamb\u00e9m. Faz um resuminho comentando, com os links para as mat\u00e9rias na gringa, p\u00f5e um t\u00edtulo com for\u00e7a de impulso e p\u00f5e para circular que a imprensa internacional destacou. Agora, se o Minist\u00e9rio do Meio ambiente n\u00e3o bota valor nisso, quem vai botar? E a\u00ed \u00e9 s\u00f3 mais do mesmo, processo padr\u00e3o, reprodu\u00e7\u00e3o do tratamento de diminui\u00e7\u00e3o que a imprensa est\u00e1 acostumada a dar para a pauta clima [e meio ambiente e sustentabilidade].<\/p>\n<p>\u00c9 hora de investir pesado no apoio para a imprensa especializada, que est\u00e1 num perrengue danado, e tem profissionais com conhecimentos atualizados, dedicados a informar a sociedade diariamente sobre meio ambiente e sustentabilidade. E tamb\u00e9m \u00e9 o momento preciso de investir no relacionamento com profissionais das reda\u00e7\u00f5es da imprensa convencional e estudantes, s\u00f3 que qualificado pela capacita\u00e7\u00e3o para a cobertura especializada e para amplia\u00e7\u00e3o da capacidade de gera\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea de publica\u00e7\u00e3o de pautas nos meios. A conscientiza\u00e7\u00e3o agora sobre as quest\u00f5es ambientais \u00e9 fundamental para o desenvolvimento sustent\u00e1vel no m\u00e9dio e longo prazos.<\/p>\n<p><strong>Esfor\u00e7o de divulga\u00e7\u00e3o para a relev\u00e2ncia e gravidade do assunto<\/strong><\/p>\n<p>Na busca no Google por \u201cBrasil ratifica acordo de Paris\u201d h\u00e1 somente onze ocorr\u00eancias de not\u00edcias na primeira p\u00e1gina [as demais s\u00e3o relacionadas, de data anterior]. Entre elas, uma \u00e9 da ONU, uma do Portal Brasil e duas do Blog do Planalto.<\/p>\n<p>A cobertura do Observat\u00f3rio do Clima e do Instituto Socioambiental n\u00e3o apareceu nessa busca, assim como as not\u00edcias dos principais meios especializados, como Envolverde e Portal EcoDebate. Da m\u00eddia especializada, uma ocorr\u00eancia \u00e9 do Blog do Planeta na revista \u00c9poca [olha aqui] e outra \u00e9 do site Meio Ambiente Rio [acessa aqui].<\/p>\n<p>O resultado indica que o assunto n\u00e3o bombou, ou melhor, foi noticiado sem ser bombado na internet pela imprensa, mesmo com sua enorme import\u00e2ncia para a vida da gente. O fato do Brasil ratificar o acordo do clima teve cobertura, foi produzido conte\u00fado noticioso sobre o assunto, s\u00f3 que as not\u00edcias tiveram pouco esfor\u00e7o de distribui\u00e7\u00e3o para obter alto alcance e intensa circula\u00e7\u00e3o. Esse esfor\u00e7o vai da for\u00e7a criativa no t\u00edtulo \u00e0 quantidade de vezes que se publica nas redes sociais e ao per\u00edodo de validade conferida ao conte\u00fado pela import\u00e2ncia e\/ou potencial de render intera\u00e7\u00e3o e\/ou gerar cliques em links [e, claro, fazer o leitor\/internauta acessar a publicidade que financia os servi\u00e7os de jornalismo].<\/p>\n<p>O alcance seria maior se cada um dos meios que ca\u00edram no resultado dessa busca tivesse publicado suas not\u00edcias sobre a ratifica\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris 10 vezes ao longo do dia da cerim\u00f4nia em suas redes sociais, como \u00e9 feito com not\u00edcias sobre futebol e bo\u00e7alidades de celebridades. E se tivesse publicado mais 10 ou 20 vezes, com certeza um n\u00famero muito maior de brasileiros teria a chance de saber um pouco mais sobre o maior desafio que a humanidade tem que enfrentar [aquecimento global, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas]. E enfrentar hoje, n\u00e3o \u00e9 conversa para amanh\u00e3, \u00e9 para gente chegar num amanh\u00e3 melhorzinho.<\/p>\n<p>Tocando a real, repetir dois dias, 20 vezes, \u00e9 pouco. At\u00e9 porque nem \u00e9 l\u00e1 t\u00e3o custoso o esfor\u00e7o operacional para isso: crtl c\/crtl v, hashtags e programa os hor\u00e1rios para publicar automaticamente. O assunto nada atrativo para oferecer a leitores, telespectadores e internautas, no entanto, tem que chegar em mais e mais pessoas, e a fun\u00e7\u00e3o do jornalismo nessa empreita vital \u00e9 estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>A Beyonce parar um show para dar uma for\u00e7a para um pedido de casamento \u00e9 \u201cnot\u00edcia\u201d repetida h\u00e1 dias seguidos, in\u00fameras vezes no mesmo dia. A\u00ed a gente v\u00ea essa repeti\u00e7\u00e3o t\u00e3o facilitada com a internet e pensa: beleza, as redes sociais dela t\u00e3o bombando, geral clicando e gerando visualiza\u00e7\u00e3o para os an\u00fancios nos meios, s\u00f3 que j\u00e1 passou, e mudou o que na sua vida, colega? Nada. E voc\u00ea ainda sai comentando que ela \u00e9 super legal, sem no\u00e7\u00e3o de que \u00e9 s\u00f3 mais uma a\u00e7\u00e3o de marketing engordando faturamentos. \u00c9 como se faz com assuntos lucrativamente desimportantes. Por que n\u00e3o com o que importa de verdade?<\/p>\n<p>Ratificar foi bonito, mas, tem um abismo entre o assinado e a realidade, que o jornalismo ajuda a diminuir. A cada ano o aumento da temperatura do planeta bate o recorde do anterior. A cada m\u00eas \u00e9 registrado aumento recorde na temperatura. A gente precisa falar sobre isso repetidamente, porque \u00e9 relevante, \u00e9 grave e requer sociedades esclarecidas. As pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es v\u00e3o colher o que a gente semear no presente.<\/p>\n<p><strong>O desafio de divulgar o que importa de verdade<\/strong><\/p>\n<p>Afinal, a imprensa tem algum problema com o clima? Jornalistas e editores ainda n\u00e3o s\u00e3o capazes de alcan\u00e7ar a dimens\u00e3o do que ocorre, de incorporar o poder que t\u00eam para ajudar a sociedade a entender e agir, ser\u00e1 que precisam saber mais, se interessar mais? Talvez n\u00e3o seja uma implic\u00e2ncia apenas com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, ainda que o aquecimento global seja uma verdade inconveniente, e a dificuldade seja abrangente ao tratamento da pauta meio ambiente [do gerar ao publicar e distribuir para impulsionar a circula\u00e7\u00e3o].<\/p>\n<p>O modo de viver tem sido cada vez mais sem enxergar o ambiente e a gente no meio. A imprensa reproduz essa l\u00f3gica sem sentido combinando ignor\u00e2ncia com lucro. E o que a gente est\u00e1 apontando aqui \u00e9 que a pauta meio ambiente n\u00e3o \u00e9 atraente para os profissionais do jornalismo o suficiente para que tentem emplacar mais not\u00edcias sobre fatos importantes e levem para dentro das reda\u00e7\u00f5es que nem tem editoria espec\u00edfica o olhar que enxerga o ambiente e a gente no meio. Meio ambiente n\u00e3o \u00e9 uma pauta exclusivamente negativa, sendo tratada sob aspectos de sustentabilidade cria oportunidade de positivar o conte\u00fado com boas pr\u00e1ticas, apresentar vis\u00f5es propositivas, esclarecer e mobilizar a sociedade. Isso amplia o leque de escolhas do cidad\u00e3o, que tem poder de escolha como eleitor e consumidor, e faz toda a diferen\u00e7a na constru\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p>A imprensa especializada em meio ambiente e sustentabilidade produz conte\u00fado que pode ser aproveitado por jornalistas como fonte de consulta. O cr\u00e9dito e um link para o meio valida a dedica\u00e7\u00e3o e apoia a produ\u00e7\u00e3o com visibilidade e credibiliza\u00e7\u00e3o, o que n\u00e3o depende s\u00f3 de quem est\u00e1 nas reda\u00e7\u00f5es. Lembra que jornalismo \u00e9 um servi\u00e7o que \u00e9 um neg\u00f3cio sustentado pela publicidade? Pois \u00e9, a gente n\u00e3o vai aprofundar, mas, n\u00e3o d\u00e1 para passar batido pelos filtros ideol\u00f3gicos dos donos de jornais, emissoras de r\u00e1dios e TVs. Se a imprensa convencional n\u00e3o vai investir na pauta meio ambiente e sustentabilidade, que pelo menos colabore para dar visibilidade ao conte\u00fado produzido pela especializada. Porque, no final das contas, todo mundo precisa das informa\u00e7\u00f5es que s\u00f3 os profissionais especializados se prestam a produzir, mesmo sem grande audi\u00eancia ou com limita\u00e7\u00f5es para impulsionar a circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>N\u00e3o tem cobran\u00e7a de p\u00eanalti nem rebolada que valha mais que a colabora\u00e7\u00e3o que governos, empresas, empresas de jornalismo e m\u00eddias especializadas precisam pactuar para que a sociedade brasileira seja informada o bastante para dar aten\u00e7\u00e3o ao que importa e inspirada a se engajar no presente pelo futuro com condi\u00e7\u00f5es menos adversas que as previstas cientificamente. Perspectiva distante, s\u00f3 que nada \u00e9 imposs\u00edvel e s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel quando a gente come\u00e7a a imaginar, como diz Muhammad Yunnus. Por um lado, essa din\u00e2mica j\u00e1 funciona, pois a m\u00eddia especializada [meios e blogs] n\u00e3o se nega a compartilhar em suas redes sociais mat\u00e9rias da m\u00eddia convencional com informa\u00e7\u00f5es relevantes.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a gente vai tentando conquistar cora\u00e7\u00f5es e mentes no jornalismo para a paix\u00e3o de pautar meio ambiente e sustentabilidade. Tictactictactictactictac\u2026<\/p>\n<p><strong>Beatriz Diniz <\/strong>\u00e9<strong>\u00a0<\/strong>Criativa do Eco L\u00f3gico [conte\u00fado sem fins lucrativos, feito com amor desde 2009] e da Eii, Amoreco [assessoria de comunica\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sito]. Jornalista com Especializa\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o Ambiental, forma\u00e7\u00e3o em Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e Lideran\u00e7a em sustentabilidade nas cidades.<\/p>\n<p><strong>Marcia Pimenta<\/strong> \u00e9\u00a0Fundadora do blog Pimenta no Meio. Produtora de conte\u00fado especializado. Craque em relacionar o cotidiano com meio ambiente e sustentabilidade.\u00a0 Jornalista com Especializa\u00e7\u00e3o em Gest\u00e3o Ambiental.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><em>Sobre a an\u00e1lise da cobertura da imprensa para a ratifica\u00e7\u00e3o do Acordo de Paris<\/em><\/strong><\/p>\n<p>. Observa\u00e7\u00e3o sobre jornais impressos e sites de not\u00edcias nos dias 12\/9 e 13\/9. N\u00e3o inclui r\u00e1dios.<\/p>\n<p>. Pesquisa por apenas uma m\u00e1quina de busca [Google] e uma combina\u00e7\u00e3o de palavras chave [<a href=\"https:\/\/www.google.com.br\/?gfe_rd=cr&amp;ei=v3rYV_6TJeep8wfA8YDgAg#q=brasil+ratifica+acordo+de+paris&amp;tbm=nws\" target=\"_blank\">link<\/a>]. Em outras m\u00e1quinas e com outras combina\u00e7\u00f5es de palavras deve ter resultados diferentes, inclusive com as ocorr\u00eancias dos meios especializados.<\/p>\n<p>. Pesquisa no Google pela frase \u201cbrazil ratifies\u201d [<a href=\"https:\/\/www.google.com.br\/search?q=the+guardian+brazil+ratifies&amp;oq=the+guardian+brazil+ratifies+&amp;aqs=chrome..69i57j69i64.16226j0j8&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8#q=+brazil+ratifies\" target=\"_blank\">link<\/a>].<\/p>\n<p>. Pesquisa no Google pela frase \u201cBrazil is now the next major country to move forward\u201d [<a href=\"https:\/\/www.google.com.br\/search?q=Brazil+is+now+the+next+major+country+to+move+forward.&amp;oq=Brazil+is+now+the+next+major+country+to+move+forward.&amp;aqs=chrome..69i57.1680j0j7&amp;sourceid=chrome&amp;ie=UTF-8\" target=\"_blank\">link<\/a>].<\/p>\n<p>. Monitoramento de impulso em apenas uma rede social, o Twitter. Consulta de registros no Twitter e em outras redes sociais abrangeria, al\u00e9m de postagens, tagueamentos, compartilhamentos, curtidas, coment\u00e1rios.<\/p>\n<p>. Acompanhamento da transmiss\u00e3o pelo Facebook do Planalto. Observa\u00e7\u00e3o sobre coment\u00e1rios, majoritariamente polarizados e sem nenhuma rela\u00e7\u00e3o com o assunto.<\/p>\n<p>. Observa\u00e7\u00e3o sobre telejornais da tv aberta. Repercuss\u00e3o protocolar nos nacionais. Sem repercuss\u00e3o nos do Rio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por que a imprensa e mesmo os meios de comunica\u00e7\u00e3o especializados em meio ambiente n\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por que a imprensa e mesmo os meios de comunica\u00e7\u00e3o especializados em meio ambiente n\u00e3o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50431"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50431"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50431\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50431"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50431"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50431"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}