{"id":50344,"date":"2016-09-23T14:00:05","date_gmt":"2016-09-23T17:00:05","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=50344"},"modified":"2016-09-23T09:18:09","modified_gmt":"2016-09-23T12:18:09","slug":"estudos-trazem-mais-respostas-e-duvidas-sobre-a-ocupacao-humana-da-terra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudos-trazem-mais-respostas-e-duvidas-sobre-a-ocupacao-humana-da-terra\/","title":{"rendered":"Estudos trazem mais respostas, e d\u00favidas, sobre a ocupa\u00e7\u00e3o humana da Terra"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=50345\" rel=\"attachment wp-att-50345\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-50345\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A ocupa\u00e7\u00e3o da Terra pelos humanos modernos (Homo sapiens) \u00e9 um dos temas mais complexos da hist\u00f3ria de nossa esp\u00e9cie, mas tamb\u00e9m um dos que t\u00eam maior potencial de revelar o que nos faz essencialmente humanos. Saber quando e como nossos ancestrais sa\u00edram de seu ber\u00e7o na \u00c1frica e chegaram a praticamente todos os cantos do planeta, superando obst\u00e1culos como desertos, gelo, oceanos e cordilheiras, pode nos ajudar a entender melhor a enorme variedade tanto de nossa heran\u00e7a gen\u00e9tica quanto da cultural. E agora tr\u00eas estudos gen\u00e9ticos e um de modelagem clim\u00e1tica publicados nesta quarta-feira na prestigiada revista \u201cNature\u201d trazem ainda mais respostas, e d\u00favidas, sobre este processo.<\/p>\n<p>Nos tr\u00eas estudos gen\u00e9ticos, os cientistas sequenciaram o genoma de quase 800 indiv\u00edduos de mais de 280 popula\u00e7\u00f5es espalhadas pela Terra, algumas delas nunca antes analisadas em detalhes, em busca de varia\u00e7\u00f5es que pudessem dar mais pistas sobre a cronologia e n\u00famero de ondas migrat\u00f3rias dos humanos modernos a partir da \u00c1frica, chegando a conclus\u00f5es conflitantes.<\/p>\n<p>No primeiro deles, pesquisadores liderados por David Reich, da Universidade de Harvard, EUA, relatam o sequenciamento do genoma de 300 pessoas de 142 popula\u00e7\u00f5es diferentes geralmente pouco representadas em estudos de grande escala sobre a variabilidade gen\u00e9tica humana. Segundo eles, as an\u00e1lises indicam que as popula\u00e7\u00f5es humanas atuais come\u00e7aram a se diferenciar umas das outras h\u00e1 pelo menos 200 mil anos, com as n\u00e3o africanas acumulando muta\u00e7\u00f5es a um ritmo superior ao das popula\u00e7\u00f5es africanas. Segundo eles, este e outros resultados sugerem que todas popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o africanas de hoje s\u00e3o descendentes de uma \u00fanica popula\u00e7\u00e3o ancestral que deixou nosso continente de origem em uma onda migrat\u00f3ria at\u00e9 100 mil anos atr\u00e1s, com ela divergindo apenas posteriormente em duas que seguiram para o Leste e o Oeste da Eur\u00e1sia.<\/p>\n<p>J\u00e1 no segundo estudo, os cientistas procuraram retra\u00e7ar a hist\u00f3ria gen\u00f4mica dos abor\u00edgenes australianos, formada por popula\u00e7\u00f5es em grande parte geneticamente distintas e cuja chegada na Oceania h\u00e1 estimados mais de 50 mil anos por vezes \u00e9 usada como argumento para defender a ideia de m\u00faltiplas ondas migrat\u00f3rias dos humanos modernos a partir da \u00c1frica. Assim, os pesquisadores liderados por Mait Metspalu, do Biocentro da Est\u00f4nia, contaram com a colabora\u00e7\u00e3o de anci\u00f5es e l\u00edderes tribais dos abor\u00edgenes \u2013 que assinam o artigo como coautores &#8211; para obter e sequenciar o DNA de 83 indiv\u00edduos destas popula\u00e7\u00f5es, al\u00e9m de 25 da vizinha Papua-Nova Guin\u00e9.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, as popula\u00e7\u00f5es abor\u00edgenes da Austr\u00e1lia as de Papua-Nova Guin\u00e9 teriam se separado das de Europeus e Asi\u00e1ticos h\u00e1 cerca de 58 mil anos, e depois os australianos de diferenciaram de seus vizinhos h\u00e1 aproximadamente 37 mil anos. Al\u00e9m disso, as diferen\u00e7as gen\u00e9ticas entre as pr\u00f3prias popula\u00e7\u00f5es de abor\u00edgenes australianos \u00e9 similar em magnitude \u00e0s que separam os europeus de indiv\u00edduos do Leste da \u00c1sia, numa indica\u00e7\u00e3o de que eles de fato ocuparam o continente h\u00e1 muito tempo. Por fim, no entanto, eles argumentam que se forem exclu\u00eddos do genoma dos abor\u00edgenes os significativos trechos de DNA herdados de outras esp\u00e9cies humanas arcaicas, como os neandertais e os denisovans, o que resta n\u00e3o difere muito do que seria uma popula\u00e7\u00e3o ancestral em comum com europeus e asi\u00e1ticos, refor\u00e7ando a hip\u00f3tese de uma onda migrat\u00f3ria \u00fanica da \u00c1frica.<\/p>\n<p>&#8211; As discuss\u00f5es quanto at\u00e9 onde os abor\u00edgenes australianos representam uma sa\u00edda da \u00c1frica em separado daquela de asi\u00e1ticos e europeus tem sido intensas, mas descobrimos que, uma vez levando em conta a miscigena\u00e7\u00e3o com outros humanos arcaicos, a grande maioria da constitui\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dos abor\u00edgenes australianos vem de mesma sa\u00edda da \u00c1frica que as outras popula\u00e7\u00f5es n\u00e3o africanas \u2013 aponta Laurent Excoffier, pesquisador da Universidade de Berna, Su\u00ed\u00e7a, respons\u00e1vel por algumas das principais an\u00e1lises do estudo.<\/p>\n<p>Na contram\u00e3o destas conclus\u00f5es sobre uma \u00fanica onda migrat\u00f3ria da \u00c1frica, por\u00e9m, est\u00e1 o terceiro estudo, encabe\u00e7ado por Luca Pagani, vinculado ao mesmo Biocentro da Est\u00f4nia e \u00e0s universidades de Cambridge, Reino Unido, e de Bolonha, It\u00e1lia. Nele, os pesquisadores acrescentaram 379 novos genomas de indiv\u00edduos de 125 popula\u00e7\u00f5es, principalmente europeias, a uma base de dados gen\u00e9ticos sobre 148 popula\u00e7\u00f5es ao redor do mundo. Segundo eles, as an\u00e1lises do conjunto indicam que pelo menos 2% do genoma dos atuais habitantes de Papua-Nova Guin\u00e9 refletem a ancestralidade de uma popula\u00e7\u00e3o distinta que divergiu dos africanos antes dos eurasianos. Com isso, eles acreditam que ter encontrado evid\u00eancias de pelo menos uma antiga e separada migra\u00e7\u00e3o desde a \u00c1frica h\u00e1 aproximadamente 120 mil anos que levou ao povoamento da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas qualquer que tenha sido a forma da ocupa\u00e7\u00e3o da Terra pelos humanos modernos pela Terra, se em uma ou v\u00e1rias ondas migrat\u00f3rias desde a \u00c1frica, ela provavelmente foi guiada por mudan\u00e7as clim\u00e1ticas causadas por pequenas altera\u00e7\u00f5es na \u00f3rbita do planeta, sugerem os autores de um quarto estudo tamb\u00e9m publicado nesta edi\u00e7\u00e3o da \u201cNature\u201d. De acordo com Axel Timmermann e Tobias Friedrich, ambos da Universidade do Hava\u00ed, foi s\u00f3 por causa das altera\u00e7\u00f5es no clima que nossos ancestrais decidiram deixar seu ber\u00e7o na \u00c1frica em dire\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o da Pen\u00ednsula Ar\u00e1bica entre 120 mil e 90 mil anos atr\u00e1s. Dali, mais mudan\u00e7as clim\u00e1ticas deflagraram outros surtos migrat\u00f3rios com destino ao Sul da \u00c1sia, Indon\u00e9sia e Austr\u00e1lia por volta de 60 mil a 50 mil anos atr\u00e1s, da Europa h\u00e1 aproximadamente 60 mil a 40 mil anos, para o Norte da \u00c1sia h\u00e1 20 mil anos e finalmente a entrada nas Am\u00e9ricas cerca de 15 mil anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p>E \u00e9 justamente diante de um cen\u00e1rio t\u00e3o complexo que Serena Tucci e Joshua Akey, do Departamento de Ci\u00eancias Gen\u00f4micas da Universidade de Washington, EUA, destacam em coment\u00e1rio tamb\u00e9m na \u201cNature\u201d que embora os estudos forne\u00e7am algumas pe\u00e7as faltantes no quebra-cabe\u00e7a da hist\u00f3ria da Humanidade, ainda restam muitas perguntas.<\/p>\n<p>\u201cA cont\u00ednua amostragem da diversidade gen\u00f4mica humana e o desenvolvimento de ferramentas estat\u00edsticas cada vez mais sofisticadas prometem revelar ainda mais segredos sobre nosso passado. Apesar disso, \u00e9 crucial reconhecer os limites da gen\u00e9tica. Com j\u00e1 anteriormente mostrado, ser\u00e1 necess\u00e1ria a integra\u00e7\u00e3o de dados entre disciplinas tradicionalmente distintas, como a lingu\u00edsticam a arqueologia, a antropologia e a gen\u00e9tica para que possamos retra\u00e7ar completamente os passos tomados pelos humanos antigos \u00e0 medida que exploraram e colonizaram o mundo\u201d, conclui a dupla.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ocupa\u00e7\u00e3o da Terra pelos humanos modernos (Homo sapiens) \u00e9 um dos temas mais complexos<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":50345,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/humanos_terra.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A ocupa\u00e7\u00e3o da Terra pelos humanos modernos (Homo sapiens) \u00e9 um dos temas mais complexos","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50344"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=50344"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/50344\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/50345"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=50344"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=50344"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=50344"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}