{"id":49943,"date":"2016-09-17T12:40:28","date_gmt":"2016-09-17T15:40:28","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=49943"},"modified":"2016-09-17T12:40:30","modified_gmt":"2016-09-17T15:40:30","slug":"producao-de-queijo-de-ovelha-se-consolida-na-serra-fluminense","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/producao-de-queijo-de-ovelha-se-consolida-na-serra-fluminense\/","title":{"rendered":"Produ\u00e7\u00e3o de queijo de ovelha se consolida na Serra Fluminense"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/producao-de-queijo-de-ovelha-se-consolida-na-serra-fluminense\/leite_ovelha\/\" rel=\"attachment wp-att-49944\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-49944\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Um novo modelo de neg\u00f3cio vem se consolidando na Serra Fluminense, com a produ\u00e7\u00e3o de queijo de ovelha. A cria\u00e7\u00e3o desses animais ainda \u00e9 recente por l\u00e1, mas o produto final tem agradado a muitos paladares.<\/p>\n<p>Na zona rural do munic\u00edpio de Miguel Pereira, no Rio de Janeiro, vem se firmando a produ\u00e7\u00e3o de queijos feitos com leite de ovelhas. H\u00e1 oito anos, a psicanalista M\u00f4nica Jacobsen resolveu deixar o consult\u00f3rio na capital para se dedicar \u00e0 fazenda que ela e o marido tinham apenas para lazer. &#8220;Eu acho que todo mundo que tem fazenda est\u00e1 sempre tentando fazer a fazenda se sustentar&#8221;, afirma M\u00f4nica. No in\u00edcio, tudo foi muito complicado, j\u00e1 que n\u00e3o era f\u00e1cil encontrar ovelha por l\u00e1. M\u00f4nica teve de aprender muito e buscar informa\u00e7\u00f5es por conta pr\u00f3pria. &#8220;Nem veterin\u00e1rio existia aqui, que entendesse de ovelha. A\u00ed eu passei a ler, comprar material, ligar para as pessoas, para as universidades e me informar&#8221;.<\/p>\n<p>Nessa busca por informa\u00e7\u00e3o, M\u00f4nica viajou v\u00e1rias vezes para a Europa, principalmente para aprender as t\u00e9cnicas de fabrica\u00e7\u00e3o dos queijos. &#8220;[O dia] come\u00e7ava \u00e0s quatro da manh\u00e3, ordenhando a bicharada, e acabava jantando com eles \u00e0 noite, dando boa noite&#8221;, lembra a psicanalista, que acha que a experi\u00eancia trouxe um sabor especial aos queijos que produz. &#8220;Porque as receitas s\u00e3o exatamente as mesmas receitas que eu assisti l\u00e1. Ent\u00e3o, meu queijo acaba sendo diferente mesmo, n\u00e9?&#8221;.<\/p>\n<p>A estrutura mais nova da propriedade passou por rigorosos ajustes antes de se tornar o abrigo das ovelhas em lacta\u00e7\u00e3o. Projetado por um renomado arquiteto brasileiro, as corre\u00e7\u00f5es deram t\u00e3o certo, que M\u00f4nica compara a um famoso hotel de luxo. &#8220;Aqui \u00e9 o Copacabana Palace!&#8221;, diz ela, sorrindo. &#8220;\u00c9 o resultado de tudo que eu fui aprendendo com os erros. A gente consertou a quest\u00e3o da ventila\u00e7\u00e3o, da ilumina\u00e7\u00e3o, o espa\u00e7amento entre as traves do ch\u00e3o. Ent\u00e3o uma s\u00e9rie de detalhes assim construtivos, que a gente foi descobrindo com os erros&#8221;.<\/p>\n<p>O arquiteto que fez todas essas corre\u00e7\u00f5es \u00e9 Paulo Jacobsen, conhecido por seus trabalhos em resid\u00eancias de alto padr\u00e3o e por tamb\u00e9m deixar sua marca em espa\u00e7os p\u00fablicos, como o Museu de Arte do Rio de Janeiro. O aprisco de sua propriedade foi o primeiro de sua carreira, um desafio, segundo Paulo. &#8220;Eu tive que aprender bastante. Ver os tamanhos, quantas ovelhas cabem por metro quadrado. Como a gente faz, mais ou menos, com gente&#8221;, conta ele que calcula ter investido em torno de R$ 80 mil na estrutura.<\/p>\n<p>As ovelhas em lacta\u00e7\u00e3o da propriedade ficam no aprisco para facilitar o manejo tanto na hora da alimenta\u00e7\u00e3o, quanto para o controle de doen\u00e7as. J\u00e1 as outras ovelhas do rebanho, passam o dia no pasto. E o tempo todo sob os cuidados de guardi\u00f5es italianos &#8211; cachorros da ra\u00e7a pastor Maremano d\u00b4Abruzes, que t\u00eam o pastoreio no instinto. Eles ficam o tempo todo com o rebanho e ajudam a espantar poss\u00edveis predadores. &#8220;Essa ra\u00e7a, e isso \u00e9 uma das coisas especiais dela, ela n\u00e3o precisa ser treinada. Eles nascem j\u00e1 no aprisco. A gente faz uma caminha com a l\u00e3 da ovelha e eles s\u00e3o criados ali, sem que a gente fa\u00e7a nenhum agrado, nenhuma festa, nada disso, porque sen\u00e3o voc\u00ea desvirtua o instinto que eles t\u00eam&#8221;, explica M\u00f4nica.<\/p>\n<p>De tudo o que aprendeu em suas viagens pela Europa, a M\u00f4nica reproduziu seis tipos de queijo &#8211; os franceses s\u00e3o a maioria. Ela apresenta alguns para a reportagem, como o queijo Tomme, que ela diz ser muito popular na Fran\u00e7a. O Boursin, a ricota, um subproduto da fabrica\u00e7\u00e3o dos queijos, e o Ossau Iraty, que na Espanha se chama Manchego. E o outro queijo sobre a mesa, o Serra da Estrela, o queijo mais tradicional dos queijos portugueses, segundo M\u00f4nica.<\/p>\n<p>O Serra da Estrela \u00e9 um queijo muito cremoso. O Globo Rural foi conhecer outro produtor de queijos com leite de ovelha, que demorou 15 anos para chegar na receita dessa cremosidade: Luiz Francisco Menezes. Ele se diz o pioneiro no trabalho de ovelhas leiteiras em Miguel Pereira. Dono de um tradicional latic\u00ednio do munc\u00edpio, ele deciciu inovar, apostando no que era escasso: &#8220;Como o queijo de vaca j\u00e1 \u00e9 corriqueiro, hoje em dia o de cabra tamb\u00e9m j\u00e1 \u00e9 bastante corriqueiro, bastante conhecido. Agora, o de ovelha, \u00e9 uma novidade&#8221;.<\/p>\n<p>A primeira parada \u00e9 na sala de ordenha, de onde saem, por dia, 50 litros de leite. E, de imediato, Luiz rasga elogios \u00e0 sua funcion\u00e1ria. &#8220;Depois que eu coloquei essa menina [no cargo da ordenha], mudou completamente o procedimento dos animais. A mansid\u00e3o dos animais, a calma, a tranquilidade com que a ordenha \u00e9 feita&#8221;. A funcion\u00e1ria \u00e9 Elisangela Portes, que acredita que a diferen\u00e7a est\u00e1 na delicadeza das m\u00e3os. &#8220;Porque a m\u00e3o do homem \u00e9 mais pesada, n\u00e9? Eu acho que isso d\u00e1 diferen\u00e7a quando vai retirar o leite&#8221;.<\/p>\n<p>O terreno todo acidentado da propriedade for\u00e7ou a constru\u00e7\u00e3o dos apriscos nos plat\u00f4s da encosta. E caminhar de uma estrutura para outra exige um certo preparo f\u00edsico. Para ajudar no sobe e desce da alimenta\u00e7\u00e3o dos animais, o pessoal conta com um carrinho puxado por cabo de a\u00e7o, uma facilidade que s\u00f3 chegou por l\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas anos. Toda essa declividade tem uma compensa\u00e7\u00e3o: a facilidade em fazer a limpeza das fezes &#8211; uma vez que o piso ripado fica no alto, o que permite o manejo debaixo do aprisco. &#8220;Porque as fezes, elas n\u00e3o se acumulam no estrado. Elas caem entre os v\u00e3os das ripas e caem no solo. E eles n\u00e3o t\u00eam contato com as fezes&#8221;, explica Luiz.<\/p>\n<p>No total, cinco apriscos abrigam os animais da ra\u00e7a Lacaune. A paisagem da Serra Fluminense n\u00e3o faz bem apenas aos olhos de quem visita a regi\u00e3o, faz bem tamb\u00e9m para a produ\u00e7\u00e3o. \u00c9 que a altitude de 1.200 metros d\u00e1 conforto para os animais. E nessa altitude para cima \u00e9 o que se espera para ser uma produ\u00e7\u00e3o boa. &#8220;Aqui faz uma m\u00e9dia de 23\u00b0C a 25\u00b0C, isso \u00e9 o m\u00e1ximo para elas&#8221;, afirma Luiz.<\/p>\n<p>Todo o esfor\u00e7o na cria\u00e7\u00e3o tem o objetivo de garantir a qualidade do leite que, j\u00e1 pasteurizado, segue para os tanques internos do latic\u00ednio. O primeiro passo \u00e9 elevar a temperatura a 32\u00b0 cent\u00edgrados. Depois, vai o sal, o coalho e o cloreto de c\u00e1lcio e o fermento, que cont\u00e9m os microorganismos que v\u00e3o dar cremosidade ao queijo. Com mais ou menos meia hora de descanso, a massa est\u00e1 no ponto de corte &#8211; &#8216;meio mole&#8217;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um novo modelo de neg\u00f3cio vem se consolidando na Serra Fluminense, com a produ\u00e7\u00e3o de<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":49944,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/leite_ovelha.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um novo modelo de neg\u00f3cio vem se consolidando na Serra Fluminense, com a produ\u00e7\u00e3o de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49943"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49943"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49943\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49944"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}