{"id":49631,"date":"2016-09-12T08:46:09","date_gmt":"2016-09-12T11:46:09","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=49631"},"modified":"2016-09-12T08:46:11","modified_gmt":"2016-09-12T11:46:11","slug":"imunoterapia-o-tratamento-contra-o-cancer-que-ira-substituir-a-quimioterapia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/imunoterapia-o-tratamento-contra-o-cancer-que-ira-substituir-a-quimioterapia\/","title":{"rendered":"Imunoterapia: o tratamento contra o c\u00e2ncer que ir\u00e1 substituir a quimioterapia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/imunoterapia-o-tratamento-contra-o-cancer-que-ira-substituir-a-quimioterapia\/imunoterapia-3\/\" rel=\"attachment wp-att-49632\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-49632\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, o cirurgi\u00e3o nova-iorquino William Coley observou que os <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/cancer\/a\/\">tumores<\/a> que continham em si alguma infec\u00e7\u00e3o tendiam a regredir. As bact\u00e9rias ou v\u00edrus presentes na regi\u00e3o onde as c\u00e9lulas estavam se multiplicando desordenadamente alertavam o sistema imunol\u00f3gico, que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o havia detectado a anomalia em curso. Os cientistas acreditam ser bastante poss\u00edvel que as nossas defesas barrem o avan\u00e7o de muitos tumores antes mesmo de eles serem detect\u00e1veis; aquilo que conhecemos como c\u00e2ncer seriam os casos em que as c\u00e9lulas malignas ter\u00e3o driblado o nosso <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sistema_inmunitario\/a\">sistema imunol\u00f3gico<\/a>, conseguindo se espalhar \u00e0s escondidas dele por meio de diversos mecanismos.<\/p>\n<p>Coley fez experi\u00eancias a partir dessa concep\u00e7\u00e3o injetando estreptococos nos tumores a fim de chamar a aten\u00e7\u00e3o do sistema de defesa do corpo. Obteve algum sucesso com isso, mas na maior parte dos casos o que houve foi um grande fracasso, pois a toxicidade da bact\u00e9ria acabava causando mais problemas do que solu\u00e7\u00f5es. A pesquisa contra o c\u00e2ncer, ent\u00e3o, buscou novos caminhos. Criaram-se tratamentos terrivelmente agressivos, por\u00e9m mais eficazes, como a <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/quimioterapia\/a\">quimioterapia<\/a>, que intoxica as c\u00e9lulas a fim de mat\u00e1-las, e a radioterapia, que faz algo semelhante, mas de modo mais focado.<\/p>\n<p>Os efeitos colaterais e a aus\u00eancia de uma solu\u00e7\u00e3o definitiva contra o c\u00e2ncer levaram a que a ideia do est\u00edmulo ao sistema imunol\u00f3gico, que sempre permanecera latente, voltasse a ganhar for\u00e7a h\u00e1 alguns anos. Os avan\u00e7os realizados nas pesquisas iniciais fizeram com que essa t\u00e9cnica ganhasse destaque, pela prestigiosa revista <em>Science,<\/em> como o achado cient\u00edfico de 2013. Desde ent\u00e3o, esse campo avan\u00e7ou bastante. At\u00e9 tr\u00eas anos atr\u00e1s, apenas 1% dos estudos apresentados no congresso da Sociedade Americana de Oncologia Cl\u00ednica (ASCO) tinham como base esse tipo de metodologia; essa taxa subiu para 10% no ano seguinte e chegou a 25% dos trabalhos que tratavam da imunoterapia no \u00faltimo congresso.<\/p>\n<p>Esse crescimento exponencial fornece uma pista a respeito de por onde caminha a pesquisa sobre o c\u00e2ncer. Duas disciplinas que praticamente se davam as costas durante anos (a oncologia e a imunologia) agora caminham de m\u00e3os dadas, a tal ponto que esses tratamentos oncol\u00f3gicos foram um dos temas de maior destaque no Congresso Internacional de Imunologia realizado na semana passada em Melbourne (Austr\u00e1lia).<\/p>\n<p>Embora os tratamentos imunol\u00f3gicos ainda tenham car\u00e1ter experimental, a t\u00e9cnica j\u00e1 \u00e9 uma realidade relativamente consagrada em outros casos. Um exemplo presente \u00e9 o de Susanne Harris, que viu surgir em seu corpo, h\u00e1 cerca de nove anos, um melanoma que n\u00e3o desaparecia com o uso das terapias convencionais. Em 2013, ela participou daquilo que ainda era uma experi\u00eancia. A cada tr\u00eas meses, ela ia de Melbourne, onde vivia com o marido, at\u00e9 <a href=\"http:\/\/brasil.elpais.com\/tag\/sidney\/a\">Sidney<\/a>, onde lhe injetavam, durante meia hora, um medicamento chamado Keytruda. Em menos de dois meses, o tumor j\u00e1 dava sinais de regress\u00e3o. Passados 12 meses, j\u00e1 era quase imposs\u00edvel detect\u00e1-lo. Em novembro pr\u00f3ximo, ela completar\u00e1 um ano sem tratamento, e o tumor desapareceu, como foi poss\u00edvel visualizar no seu exame mais recente, que confirmou todos os anteriores. \u201cTudo isso sem nenhum efeito colateral\u201d, conta ela, emocionada.<\/p>\n<p>Seu caso n\u00e3o \u00e9 isolado, tampouco apenas uma curiosidade espec\u00edfica. Trata-se de um dentre centenas de casos que alimentam a evid\u00eancia da efic\u00e1cia desse tratamento. Embora as provas de que ele pode dar certo sejam bastante contundentes, tamb\u00e9m o s\u00e3o as da sua seletividade. Ele surtiu efeitos apenas em 24% dos pacientes. Jonathan Cebon, diretor do Instituto de Pesquisa do C\u00e2ncer Olivia Newton-John \u2013 que participou das experi\u00eancias que salvaram a vida de Harris \u2013, admite que um dos maiores desafios \u00e9 entender por que a imunoterapia funciona apenas em algumas pessoas.<\/p>\n<p>No caso do melanoma, em especial, ela traz grandes esperan\u00e7as, beneficiando-se do escasso \u00eaxito obtido pela quimioterapia e pela radioterapia nesse tipo de c\u00e2ncer. Seis tratamentos j\u00e1 foram aprovados pela FDA norte-americana. Cebon afirma que, considerando-os como um conjunto, sua efic\u00e1cia chega a 80%. \u201cMas s\u00e3o dados que est\u00e3o em constante movimento em fun\u00e7\u00e3o dos avan\u00e7os que v\u00e3o se apresentando\u201d, pondera.<\/p>\n<p>Embora todos os tratamentos com imunoterapia estejam calcados em ajudar as pr\u00f3prias defesas do organismo a localizarem e erradicarem o c\u00e2ncer, h\u00e1, tamb\u00e9m, v\u00e1rios mecanismos de a\u00e7\u00e3o. No caso do Keytruda, a sua a\u00e7\u00e3o consiste em neutralizar uma prote\u00edna da superf\u00edcie das c\u00e9lulas cancer\u00edgenas conhecida como PD1, que faz com que os linf\u00f3citos n\u00e3o lutem contra elas. Uma boa parcela da pesquisa oncol\u00f3gica passa pela ideia de neutraliz\u00e1-las, para que o organismo consiga acabar com os tumores.<\/p>\n<p>Outras t\u00e9cnicas consistem em extrair gl\u00f3bulos brancos do paciente, seja do pr\u00f3prio tumor, seja de fora dele, selecionar aqueles que t\u00eam uma atividade antitumoral maior, cultiv\u00e1-los, ativ\u00e1-los e, por fim, implant\u00e1-los novamente no paciente. Trata-se de uma metodologia mais experimental do que a mencionada mais acima. Os cientistas ainda pesquisam como fazer para manipular essas c\u00e9lulas de modo a torn\u00e1-las mais eficazes no combate aos tumores.<\/p>\n<p>Uma terceira via no tratamento do c\u00e2ncer por imunoterapia s\u00e3o as vacinas. Mas n\u00e3o se trata de vacinas preventivas, como as que utilizamos contra o sarampo ou a gripe, mas sim terap\u00eauticas, usadas quando o paciente j\u00e1 contraiu a doen\u00e7a ou at\u00e9 mesmo em um momento posterior \u00e0 sua supera\u00e7\u00e3o. O objetivo \u00e9 alertar o sistema imunol\u00f3gico, que, por algum motivo, n\u00e3o se deu conta da exist\u00eancia do c\u00e2ncer, de que ele est\u00e1 ali. Para isso, costuma-se extrair c\u00e9lulas cancer\u00edgenas que s\u00e3o manipuladas a fim de que as defesas possam reagir diante do tumor de forma adequada. A primeira vacina desse tipo foi aprovada nos Estados Unidos em 2010 e \u00e9 usada em alguns tipos de c\u00e2ncer da pr\u00f3stata.<\/p>\n<p>Mas, como o c\u00e2ncer n\u00e3o \u00e9 apenas uma doen\u00e7a, e sim um guarda-chuva que engloba muitos processos, \u00e9 dif\u00edcil encontrar uma vacina \u00fanica que consiga tratar ou barrar o avan\u00e7o de todos os tipos de tumor. Cada um deles requer pesquisas espec\u00edficas, que levem em considera\u00e7\u00e3o como as c\u00e9lulas se espalham, suas caracter\u00edsticas, seu est\u00e1gio&#8230;<\/p>\n<p>As vacinas podem funcionar no sentido de conter a prolifera\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas cancer\u00edgenas, diminuindo o tumor, eliminando aquelas que n\u00e3o tinham sido erradicadas com outros tratamentos ou evitando o seu ressurgimento. No \u00faltimo caso se encaixa o trabalho que tem sido feito contra o c\u00e2ncer de pr\u00f3stata por Jay A. Berzofsky, diretor do departamento de imunogen\u00e9tica e vacinas do Instituto Nacional do C\u00e2ncer dos Estados Unidos. Os resultados das primeiras etapas de suas pesquisas, apresentados no Congresso Internacional de Imunologia, em Melbourne, mostraram uma evolu\u00e7\u00e3o positiva em 75% dos pacientes. Trata-se, no entanto, de um est\u00e1gio ainda muito prematuro, em que ainda n\u00e3o se comparou a sua efic\u00e1cia com um grupo de controle que esteja submetido a um tratamento com placebo.<\/p>\n<p>A vantagem que o c\u00e2ncer da pr\u00f3stata tem, no que se refere \u00e0 pesquisa de vacinas, \u00e9 o fato de ele possuir um indicador biol\u00f3gico de sua evolu\u00e7\u00e3o, o PSA. A equipe de Berzofsky inoculou a vacina depois de eliminar o tumor e monitorar os n\u00edveis dessa subst\u00e2ncia. Dentre os pacientes, 75% tiveram uma diminui\u00e7\u00e3o em seu n\u00edvel de crescimento depois da administra\u00e7\u00e3o da imuniza\u00e7\u00e3o, o que indica a sua poss\u00edvel efic\u00e1cia. \u201cCaso tenha \u00eaxito, essa mesma vacina poderia ser eficaz tamb\u00e9m contra um tipo de c\u00e2ncer de mama, embora neste caso a pesquisa seja mais dif\u00edcil\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que h\u00e1 um longo caminho pela frente. No cen\u00e1rio mais otimista, Cebon calcula que dentro de 10 anos a imunoterapia ser\u00e1 capaz de substituir os tratamentos mais agressivos em v\u00e1rios tipos de c\u00e2ncer, como o da pr\u00f3stata, o melanoma, o do est\u00f4mago e de mama. Mas a vis\u00e3o da maioria da comunidade cient\u00edfica \u00e9 de que, mesmo nos casos em que o tratamento seja eficaz, ser\u00e1 necess\u00e1rio combin\u00e1-lo, muitas vezes, com uma cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, como destaca Robert G. Ramsay, do Instituto do C\u00e2ncer Peter MacCallum, de Melbourne.<\/p>\n<p>A outra grande pergunta a ser feita sobre a imunoterapia \u00e9 se ela cura o c\u00e2ncer definitivamente ou apenas trata dele. Os medicamentos s\u00e3o t\u00e3o recentes, que os pacientes que deles se beneficiaram ainda est\u00e3o sob observa\u00e7\u00e3o, para que se veja se os tumores retornam ou n\u00e3o. Laurie H. Glimcher, presidente do Instituto do C\u00e2ncer Dana-Farber, de Boston (EUA), mostra um certo otimismo: \u201cEsperamos que esses tratamentos evitem que os nossos filhos e netos morram de c\u00e2ncer. No futuro, este ser\u00e1 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica, e n\u00e3o fatal, como j\u00e1 ocorreu no caso do HIV\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, o cirurgi\u00e3o nova-iorquino William Coley observou que os tumores que<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":49632,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/imunoterapia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"H\u00e1 mais de um s\u00e9culo, o cirurgi\u00e3o nova-iorquino William Coley observou que os tumores que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49631"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49631"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49631\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49632"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49631"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49631"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49631"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}