{"id":49560,"date":"2016-09-11T09:26:31","date_gmt":"2016-09-11T12:26:31","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=49560"},"modified":"2016-09-11T09:26:31","modified_gmt":"2016-09-11T12:26:31","slug":"jorge-furtado-arte-e-a-sua-funcao-de-ensinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/jorge-furtado-arte-e-a-sua-funcao-de-ensinar\/","title":{"rendered":"Jorge Furtado: arte e a sua fun\u00e7\u00e3o de ensinar"},"content":{"rendered":"<div class=\"entry-content\">\n<h3><img loading=\"lazy\" class=\"attachment-post-thumbnail  wp-post-image\" src=\"http:\/\/jornalismoambiental.uniritter.edu.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Foto-2-1-672x372.jpg\" alt=\"Furtado explica como foi a constru\u00e7\u00e3o para elaborar o filme &quot;Ilha das Flores&quot; - Cr\u00e9dito: Rayana Garay\" width=\"639\" height=\"354\" \/>Em entrevista exclusiva ao blog de Jornalismo Ambiental da UniRitter, o cineasta Jorge Furtado fala sobre os principais problemas que afetam o meio ambiente e reflete sobre o que podemos mudar no cen\u00e1rio atual das nossas cidades.<\/h3>\n<p><strong>Rayana Garay C\u00e2ndido<\/strong><br \/>\nJornalismo Ambiental \/ Noite<\/p>\n<p>O diretor e roteirista Jorge Furtado foi um dos destaques deste ano da primeira edi\u00e7\u00e3o da Virada Sustent\u00e1vel de Porto Alegre. Na ocasi\u00e3o, Furtado explicou sobre o filme \u201c<a href=\"http:\/\/www.casacinepoa.com.br\/os-filmes\/produ%C3%A7%C3%A3o\/curtas\/ilha-das-flores\" target=\"_blank\">Ilha das Flores<\/a>\u201d que trata o problema do descarte do lixo na Ilha dos Marinheiros, em um tema intrigante para o p\u00fablico que o assiste. \u00a0Nove dias depois do evento, o diretor recebeu a reportagem do blog de Jornalismo Ambiental da UniRitter na Casa de Cinema de Porto Alegre, que fica localizada no bairro Bom Fim.<\/p>\n<p>Em especial, \u00a0a conversa foi direcionada a um dos principais filmes sobre a sustentabilidade no Estado do Rio Grande do Sul, que para \u00e9poca de 1989, ano que foi lan\u00e7ado o curta \u201cIlha das Flores\u201d, foi considerado uma novidade, pois a ind\u00fastria cinematogr\u00e1fica n\u00e3o explorava tanto o tema. Furtado assina\u00a0trabalhos consagrados como: \u201cO Homem que Copiava\u201d (2003), \u201cDoce de M\u00e3e\u201d (2012) e \u201cO Mercado de Not\u00edcias\u201d (2014). Tamb\u00e9m coleciona diversos pr\u00eamios, tais como: melhor diretor e roteiro no Pr\u00eamio Cinema Brasil e \u00a0melhor roteiro no Festival de Cinema de Miami (2003).<\/p>\n<p>Nesta entrevista, o cineasta Jorge Furtado fala sobre o descarte do lixo, \u00a0sustentabilidade, a arte como forma de conscientiza\u00e7\u00e3o e o curta \u201cIlha das Flores\u201d.\u00a0<span id=\"more-961\"><\/span><\/p>\n<p><b>Ecologia<\/b><\/p>\n<p>Quando eu era pequeno, n\u00e3o existia a ecologia. Quero dizer que ningu\u00e9m falava disso e nem se preocupava. Parecia que o planeta era um neg\u00f3cio que n\u00e3o ia acabar nunca, tanto faz. A gente pode fazer o que quiser e est\u00e1 sempre sobrando recurso natural. Ent\u00e3o, essa conscientiza\u00e7\u00e3o de que os recursos naturais t\u00eam que ser bem explorados, que a vida do planeta pode ser finita, come\u00e7ou a partir dos primeiros ecologistas como Lutzenberger e as pessoas daqui que passaram a dizer que eram contra a usina nuclear e comentavam sobre a polui\u00e7\u00e3o do Rio Gua\u00edba. Enfim, a gente perdeu um rio por n\u00e3o saber cuidar dele. Ent\u00e3o come\u00e7ou, naquele momento, uma conscientiza\u00e7\u00e3o que eu acho que est\u00e1 em uma crescente constante. Desde ent\u00e3o, cada vez mais, as pessoas, n\u00e3o com a necessidade necess\u00e1ria, talvez, se conscientizaram de que n\u00e3o d\u00e1 para misturar lixo org\u00e2nico com inorg\u00e2nico no mesmo saco ou que n\u00e3o d\u00e1 para usar garrafa pl\u00e1stica e jogar no mar. Tem algumas coisas meio grotescas que achamos esquisitismo hoje algu\u00e9m fazer. Mas h\u00e1 algum tempo n\u00e3o era e continua, para muita gente, n\u00e3o sendo.<\/p>\n<p><b>Separa\u00e7\u00e3o de lixo<\/b><\/p>\n<p>Muitas cidades ainda n\u00e3o t\u00eam separa\u00e7\u00e3o de lixo org\u00e2nico e inorg\u00e2nico.\u00a0Um exemplo \u00e9 aqui no Rio Grande do Sul. Tenho casa na praia e separo o lixo, pois em Porto Alegre \u00e9 assim: chega o caminh\u00e3o e mistura tudo junto. Ent\u00e3o, eu penso: \u2018n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que a gente misture garrafa de vidro com erva de chimarr\u00e3o, tomate, tudo no mesmo lugar\u2019. \u00c9 um horror! \u00c9 um absurdo! Parece ser uma coisa muito grotesca. Como \u00e9 que nas praias que t\u00eam IPTU alt\u00edssimos, n\u00e3o tem uma separa\u00e7\u00e3o de lixo m\u00ednimo? At\u00e9 porque isso \u00e9 uma conscientiza\u00e7\u00e3o mais recente da sustentabilidade.<\/p>\n<p><b>Economia<\/b><\/p>\n<p>A coleta seletiva de lixo em uma cidade \u00a0\u00e9 auto sustent\u00e1vel. Ela precisa ser paga. Tem todo o come\u00e7o: o caminh\u00e3o, o galp\u00e3o para separar o lixo. Mas depois que ela \u00e9 estabelecida, a renda obtida pela venda de vidro, de metais, da separa\u00e7\u00e3o do lixo org\u00e2nico sustenta a coleta, ent\u00e3o \u00e9 bom para todos os sentidos. \u00c9 bom para a natureza e \u00e9 bom economicamente tamb\u00e9m. Isso eu acho que seja a novidade mais recente, a gente pensar assim \u2018bom, economicamente pode dar uma boa grana, ajudar a natureza e ter uma economia mais sustent\u00e1vel\u2019, porque essa l\u00f3gica de ter todo mundo o seu carro\u2026 Enfim, as cidades est\u00e3o crescendo de qualquer jeito. Isso vai estourar uma hora. Sem d\u00favida ser\u00e1 um problema.<\/p>\n<figure id=\"attachment_971\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 650px;\"><a href=\"http:\/\/jornalismoambiental.uniritter.edu.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Rayana-e-Furtado.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-971\" src=\"http:\/\/jornalismoambiental.uniritter.edu.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Rayana-e-Furtado.jpg\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" srcset=\"http:\/\/jornalismoambiental.uniritter.edu.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Rayana-e-Furtado.jpg 1080w, http:\/\/jornalismoambiental.uniritter.edu.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Rayana-e-Furtado-300x266.jpg 300w, http:\/\/jornalismoambiental.uniritter.edu.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Rayana-e-Furtado-768x681.jpg 768w, http:\/\/jornalismoambiental.uniritter.edu.br\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Rayana-e-Furtado-1024x907.jpg 1024w\" alt=\"Estudante de jornalismo da UniRitter Rayana Garay ap\u00f3s entrevista exclusiva com Jorge Furtado - Cr\u00e9dito: Arquivo Pessoal\" width=\"640\" height=\"567\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Estudante de jornalismo da UniRitter Rayana Garay ap\u00f3s entrevista exclusiva com Jorge Furtado \u2013 Cr\u00e9dito: Arquivo Pessoal<\/figcaption><\/figure>\n<p><b>Salve a natureza<\/b><\/p>\n<p>A gente tem que pensar que a natureza se estraga muito rapidamente, mas ela se corrige muito lentamente. \u00a0Porque quando eu era pequeno eu tomava banho no Gua\u00edba. N\u00f3s (fam\u00edlia) pass\u00e1vamos o fim de semana l\u00e1 em Ipanema tomando banho de rio. Em pouqu\u00edssimo tempo o rio ficou polu\u00eddo e n\u00e3o podia mais tomar banho. E agora faz 30 anos que est\u00e3o tentando limpar e ainda n\u00e3o conseguiram. Ent\u00e3o, \u00e9 o tipo de coisa que a preven\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental, entende? Tu tens que evitar a destrui\u00e7\u00e3o da natureza e preserv\u00e1-la porque depois da destrui\u00e7\u00e3o a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 lenta. Imagina agora com o aquecimento global. Em 2015, tivemos o ano mais quente da hist\u00f3ria. \u00a0As geleiras est\u00e3o derretendo, o mar est\u00e1 subindo, e se a gente pensar \u2018bom, tudo bem, vamos parar com isso\u2019, vai levar 20 a 30 anos no m\u00ednimo para come\u00e7ar a reverter isso e se \u00e9 que vamos conseguir.<\/p>\n<p><b>O filme \u201cIlha das Flores\u201d<\/b><\/p>\n<p>Eu fui convidado pelo professor da faculdade de educa\u00e7\u00e3o da UFRGS Nilton Fischer para fazer um v\u00eddeo sobre lixo: a separa\u00e7\u00e3o do org\u00e2nico e inorg\u00e2nico. Quando fui ver o que acontecia com os res\u00edduos, a situa\u00e7\u00e3o na Ilha dos Marinheiros, foi a partir da\u00ed que resolvi fazer o filme. Por\u00e9m, j\u00e1 estava come\u00e7ando essa conscientiza\u00e7\u00e3o e o pr\u00f3prio professor Nilton trabalhava com os catadores nas Ilhas. Rec\u00e9m estava come\u00e7ando a ideia de ter a coleta seletiva em Porto Alegre (1988) e foi exatamente o ano que eu fiz o filme \u201cIlha\u201d.<\/p>\n<p><b>Conceito de res\u00edduos<\/b><\/p>\n<p>O lixo n\u00e3o existe. Na verdade, \u00e9 um conceito. Porque se tu separas o vidro do metal, do resto de alimento, do papel, ele deixa de ser lixo. Ele passa a ser material recicl\u00e1vel, tanto o org\u00e2nico como o inorg\u00e2nico pode ser reutilizado. Ent\u00e3o, esse lixo \u00e9 mais uma quest\u00e3o de conceito. \u2018Eu coloco no saco, abro a porta, deixo na cal\u00e7ada e fecho a porta\u2019, o que vai acontecer a partir dali eu estou pouco \u2018me lixando\u2019 (risos). Temos que pensar na ideia de \u2018bom, isso tem que ir para algum lugar. Tem algu\u00e9m que leva, tem um custo para prefeitura\u2019, que eu acabo pagando e tem o custo tamb\u00e9m para a natureza.<\/p>\n<p><b>O come\u00e7o do texto tridimensional<\/b><\/p>\n<p>Quando eu fiz o filme, o assunto do descarte de lixo estava come\u00e7ando por aqui. Ele tem uma novidade que marca muito: a l\u00f3gica do hipertexto, digamos assim, antecipa um pouco a internet.<\/p>\n<p>N\u00e3o tinha internet, mas essa l\u00f3gica, que para n\u00f3s \u00e9 muito comum uma palavrinha azul sublinhado no texto, tu clicas e dali tu vais para um outro, essa ideia de um texto em tr\u00eas dimens\u00f5es, um texto que n\u00e3o \u00e9 linear mas \u00a0\u00e9 tridimensional. O filme antecipa isso de alguma maneira porque cada cena se liga com outra. \u00a0E essas liga\u00e7\u00f5es que o curta faz de que os conceitos s\u00e3o hiper ligados, eu posso dizer que \u2018Cristo \u00e9 um judeu\u2019. Da\u00ed, eu ligo com a segunda guerra, falo do dinheiro, Celsio que foi encontrado no lixo e \u00e9 usado para medir o tempo, entendeu? Essas liga\u00e7\u00f5es internas entre os conceitos que a internet popularizou, digamos assim, o filme antecipa de alguma maneira.<\/p>\n<p><b>Tudo est\u00e1 conectado<\/b><\/p>\n<p>A l\u00f3gica tem a ver com a ecologia tamb\u00e9m, porque as coisas s\u00e3o interligadas. As pessoas dizem assim \u2018eu n\u00e3o tenho nada a ver com a polui\u00e7\u00e3o do rio\u2019. Tem a ver sim. Tu produzes lixo, que polui o rio, que polui o Gua\u00edba. Tudo est\u00e1 interligado. \u00a0Uma vis\u00e3o hol\u00edstica. N\u00f3s estamos todos no mesmo planeta, ent\u00e3o o que a China faz nos afeta. A produ\u00e7\u00e3o de g\u00e1s carb\u00f4nico, a queima de carv\u00e3o, interessa a todos. Ent\u00e3o, de alguma maneira, as coisas est\u00e3o interligadas. N\u00f3s somos um planeta s\u00f3 e estamos todos no mesmo barco. Essa ideia \u00e9 fundamental para a ecologia e o filme tem essa l\u00f3gica de ligar v\u00e1rias ideias.<\/p>\n<p><b>Arte conscientizando as pessoas<\/b><\/p>\n<p>Tem uma coisa que o Jorge Luiz Borges fala: \u2018O c\u00e9rebro humano \u00a0\u00e9 avesso a argumenta\u00e7\u00f5es\u2019. Se eu come\u00e7o a argumentar contigo e digo assim: \u2018Olha, eu acho o seguinte: voc\u00ea n\u00e3o devia jogar o lixo fora, assim desse jeito, porque tu podias separar, porque o Rio Gua\u00edba, a ecologia\u2026\u2019, imediatamente isso vai parecer uma aula, uma coisa chata e tu n\u00e3o queres saber. A gente j\u00e1 fica assim \u2018aquele cara est\u00e1 querendo me vender alguma coisa\u2019. Se eu come\u00e7o a argumentar contigo, a gente imediatamente reage meio que contr\u00e1rio a isso. \u2018Esse cara esta querendo me passar uma ideia que eu n\u00e3o estou interessado\u2019. Ao contr\u00e1rio da arte, experi\u00eancia dramaturga, literatura, cultura, m\u00fasica, ela n\u00e3o est\u00e1 tentando te convencer de nada, ela apenas te atrai, tu entras no filme. Ent\u00e3o, tu entras em um quadro, em um poema, em um livro, e pelo exemplo dos personagens, pela cena que tu v\u00eas\u00a0acontecer, tu mesmo tiras as pr\u00f3prias conclus\u00f5es.<\/p>\n<p><b>Seguir um exemplo a partir de uma obra<\/b><\/p>\n<p>Vou te dar um exemplo, bem cl\u00e1ssico: se tu pegas um filme ou uma pe\u00e7a como do \u201cRei Lear\u201d do Skakespeare que conta uma hist\u00f3ria do pai e suas tr\u00eas filhas. Ele vai separar a heran\u00e7a entre as tr\u00eas. Duas s\u00e3o puxa sacos que ficam elogiando porque querem a grana dele. A outra filha que mais gosta dele, Cord\u00e9lia, a mais jovem, ela ama muito o pai, mas n\u00e3o fica puxa saco igual as outras. Ela diz \u2018N\u00e3o, acho que isso est\u00e1 errado\u2019. E ele fica furioso com ela. Ent\u00e3o, o rei acaba prejudicando a filha que mais gosta dele e ajudando as duas sacanas que roubam ele, certo. Tu v\u00eas, assistindo a pe\u00e7a que tem 400 anos de hist\u00f3ria: \u2018Poxa, a gente n\u00e3o deve se deixar seduzir por aquela pessoa que s\u00f3 te elogia, normalmente ela s\u00f3 est\u00e1 por interesse\u2019. Tu entendes isso, vendo a pe\u00e7a, a filha que mais gostava dele era mais sincera, era menos puxa saco e que o rei errou, eu j\u00e1 n\u00e3o preciso te dar um discurso \u2018que os pais devem ou \u00a0sobre as pessoas que bajulam, s\u00e3o puxa saco\u2019, tu vendo a hist\u00f3ria, tu mesmo deduz isso.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, se eu fosse fazer um filme sobre as pessoas que comem a sobra dos alimentos dos porcos, ningu\u00e9m quer saber disso. As pessoas n\u00e3o querem ouvir isso. Mas se eu come\u00e7o o filme com uma brincadeira: galinha, tomate, tu vais entrando naquela com\u00e9dia, que quando v\u00eas tu percebe j\u00e1 est\u00e1 dentro da hist\u00f3ria. E a\u00ed quando a hist\u00f3ria j\u00e1 te capturou, tu pensas \u2018poxa vida, isso \u00e9 meio absurdo. Por qu\u00ea?\u2019. Tu come\u00e7as a refletir coisas que tu n\u00e3o tinha imaginado antes, mas isso tamb\u00e9m \u00e9 um pouco a fun\u00e7\u00e3o do humor, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 da arte.<\/p>\n<p><b>O poder do humor<\/b><\/p>\n<p>O humor faz com que a gente pense coisas que normalmente tu n\u00e3o pensarias. \u00c9 como se fosse um pilates para o c\u00e9rebro. Uma aer\u00f3bica para tu exercitar umas coisas: \u2018s\u00f3 um pouquinho, por que \u00e9 errado uma pessoa estar depois dos porcos na prioridades de alimentos? Por qu\u00ea?\u2019. Poxa, tu nunca paraste para pensar nisso, mas parece t\u00e3o \u00f3bvio. \u2018Mas por que \u00e9 errado? Qual \u00e9 a diferen\u00e7a de uma galinha e uma baleia? Qual a diferen\u00e7a do japon\u00eas e uma galinha? Um tomate e uma galinha?\u2019. Ent\u00e3o essas coisas muito \u00f3bvias, tu come\u00e7as a pens\u00e1-las do zero como filme prop\u00f5e.<\/p>\n<p><b>Cuida do porco ou da galinha<\/b><\/p>\n<p>Tu passas a raciocinar: \u2018t\u00e1, mas s\u00f3 um pouquinho, o ser humano precisa estar a frente dos animais porque n\u00f3s estamos no poder, somos os donos do planeta. Ent\u00e3o, cuidar do ser humano tinha que ser uma preocupa\u00e7\u00e3o anterior do que cuidar do porco ou da galinha. Devia ser, mas n\u00e3o \u00e9. E por que n\u00e3o \u00e9? Porque a economia inverte. O porco tem um dono, o ser humano n\u00e3o tem. Ent\u00e3o, essa l\u00f3gica. Mas a economia est\u00e1 invertendo uma coisa. Ent\u00e3o ela est\u00e1 errada. Que economia \u00e9 essa? Que faz \u00a0uma crian\u00e7a estar depois dos animais e n\u00e3o como prioridade da escolhas de alimentos. Alguma coisa est\u00e1 errada\u2019.<\/p>\n<p><b>Fun\u00e7\u00e3o da arte <\/b><\/p>\n<p>Ent\u00e3o tu come\u00e7as a pensar essas coisas a partir \u00a0do humor. A arte tem essa fun\u00e7\u00e3o de entreter e ensinar de alguma maneira ao mesmo tempo. Tem uma frase do poeta romano C\u00edcero que diz assim \u2018O poema ensina ou delicia. Ou ambos \u2013 e este \u00e9 o que vicia\u2019. A ideia de que um poema, de uma obra de arte, poder entreter, divertir, ou poder ensinar. Ou a melhor de todas, que faz as duas coisas ao mesmo tempo. A que entret\u00e9m e a que ensina alguma coisa. Ent\u00e3o, acho que \u00e9 o objetivo que a gente tenta sempre.<\/p>\n<p><b>Conscientizar as pessoas<\/b><\/p>\n<p>Falta a gente pensar nas consequ\u00eancias das nossas a\u00e7\u00f5es do que estamos fazendo. Porque a gente tem um certo reflexo que agimos automaticamente e tu nem pensas sobre isso. Tu pensas assim \u2018acordo, abro a torneira para escovar os dentes, fico l\u00e1 escovando os dentes e deixo aquela \u00e1gua escorrendo. Vou ali e volto. \u00a0Fecho a torneira\u2019. Eu n\u00e3o estou pensando da onde vem aquela \u00e1gua, quem tratou, por que tratou, o quanto estou pagando por ela. Tu n\u00e3o pensas nisso e se tu parar para pensar e raciocinar realmente est\u00e1 fazendo, se \u00e9 que preciso ficar com a torneira ligada, correndo tempo inteiro a \u00e1gua, sendo que estou escovando os dentes, sendo que eu posso molhar a escova, fechar e depois abrir de novo. S\u00f3 raciocinar o que est\u00e1 fazendo.<\/p>\n<p>Eu preciso de carro para o trabalho? Se eu tenho colegas na escola, faculdade, que podemos se juntar e pegar uma carona. E assim cada dia vai em um carro. Sendo que cabem cinco e por que ir s\u00f3 uma pessoa em cada carro? Se tu come\u00e7as a pensar e n\u00e3o agir automaticamente, as coisas podem mudar e muito. Ent\u00e3o, acho que falta uma conscientiza\u00e7\u00e3o nesse sentido, no que pode ser feita e deve ser feita de todas as maneiras, com uma entrevista, como tu est\u00e1s fazendo, com um filme, com uma m\u00fasica, com gibi, com uma fala, com um exemplo.<\/p>\n<p><b>Seguir o exemplo<\/b><\/p>\n<p>As crian\u00e7as t\u00eam que ver o exemplo. Esse ensina mais do que a fala. Tu v\u00ea a m\u00e3e separando o lixo, \u2018bom, esse lixo vou reaproveit\u00e1-lo, ter uma horta de adubo. Esse aqui, as latinhas, vou vender levando no tal lugar\u2019. Esses exemplos que todo mundo pode fazer, eu acho que \u00e9 o que falta.<\/p>\n<p>Falta conscientizar e prestar aten\u00e7\u00e3o do porqu\u00ea estou fazendo isso, maquinalmente, n\u00e3o deixar essa luz ligada. Por que \u00e9 que estou com a luz ligada? Eu podia ter desligado essa luz. Eu entrei aqui, liguei e abri a janela. N\u00e3o me dei conta que n\u00e3o desliguei a luz. Eu n\u00e3o fiquei pensando o porqu\u00ea. A gente n\u00e3o podia estar com a luz desligada? N\u00f3s estar\u00edamos economizando luz. Ent\u00e3o, essa l\u00f3gica de fazer as coisas sem pensar \u00e9 o que falta, de raciocinar do porqu\u00ea estou fazendo isso.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista exclusiva ao blog de Jornalismo Ambiental da UniRitter, o cineasta Jorge Furtado fala<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em entrevista exclusiva ao blog de Jornalismo Ambiental da UniRitter, o cineasta Jorge Furtado fala","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49560"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49560"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49560\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}