{"id":49363,"date":"2016-09-07T13:00:12","date_gmt":"2016-09-07T16:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=49363"},"modified":"2016-09-07T08:15:28","modified_gmt":"2016-09-07T11:15:28","slug":"piscicultura-anima-e-desafia-amazonicos-em-santa-rita-no-estado-de-rondonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/piscicultura-anima-e-desafia-amazonicos-em-santa-rita-no-estado-de-rondonia\/","title":{"rendered":"Piscicultura anima e desafia amaz\u00f4nicos, em Santa Rita, no estado de Rond\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=49364\" rel=\"attachment wp-att-49364\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-49364\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Domingos Mendes da Silva perdeu a conta de quantos visitantes recebeu em sua fazenda de dez hectares no noroeste do Brasil. \u201cMais de 500\u201d, estimou. S\u00e3o t\u00e9cnicos em piscicultura, funcion\u00e1rios governamentais, camponeses, jornalistas e outros interessados. A atra\u00e7\u00e3o \u00e9 o pirarucu (<em>Arapaima gigas<\/em>), um dos maiores peixes da Amaz\u00f4nia, que ele cria em sete tanques de lona negra, \u201cdois para reprodu\u00e7\u00e3o e cinco para engorda\u201d.<\/p>\n<p>Em cada tanque h\u00e1 500 peixes que estar\u00e3o prontos para venda em pouco mais de um ano, alcan\u00e7arem aproximadamente 14 quilos. Em seu habitat podem ultrapassar os cem quilos.\u201c\u00c9 um peixe que cresce muito r\u00e1pido, ganha dez quilos por ano, em m\u00e9dia. Al\u00e9m disso, do pirarucu se aproveita tudo, a pele, as escamas, at\u00e9 as fezes\u201d, destacou Mendes, que h\u00e1 muitos anos sonhava em ser piscicultor.<\/p>\n<p>A oportunidade chegou com seu assentamento em Santa Rita, uma comunidade agr\u00edcola que recebeu 153 fam\u00edlias deslocadas pela represa de Santo Ant\u00f4nio, uma das duas hidrel\u00e9tricas constru\u00eddas no Rio Madeira, o afluente mais caudaloso do Rio Amazonas. Mendes, de 57 anos e antigo garimpeiro, contou \u00e0 IPS, em sua fazenda, que se converteu em agricultor em 1999, quando \u201co ouro escasseou\u201d, e foi assentado pelo programa de reforma agr\u00e1ria do governo brasileiro em Joana D\u2019Arc, na margem esquerda do Rio Madeira, a 120 quil\u00f4metros de Porto Velho, capital do Estado de Rond\u00f4nia.<\/p>\n<p>Em seguida foi reassentado em Santa Rita pela empresa concession\u00e1ria da hidrel\u00e9trica, a Santo Ant\u00f4nio Energia (SAE), porque suas terras seriam inundadas. \u201cA terra aqui \u00e9 pouco f\u00e9rtil, mas existe melhor acesso por estar mais perto da estrada pavimentada e da capital\u201d, apontou Mendes. Sua fazenda fica a cinco quil\u00f4metros da BR-364, que cruza o Brasil de sudeste a noroeste, e a 54 quil\u00f4metros de Porto Velho.<\/p>\n<p>Essas condi\u00e7\u00f5es o estimularam a criar pirarucu em tanques de lona de oito metros de di\u00e2metro, que permitem uma produtividade de 50 quilos de peixe por metro c\u00fabico de \u00e1gua, contra apenas um quilo pelos m\u00e9todos convencionais, segundo a Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica Rural de Rond\u00f4nia (Emater-RO), \u00f3rg\u00e3o governamental que apoia o projeto.<\/p>\n<div id=\"attachment_213666\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-213666\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Domingos.jpg\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Domingos.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Domingos-300x225.jpg 300w\" alt=\"Domingos Mendes junto a um dos dois tanques onde acumula \u00e1gua residual e fertilizante da cria\u00e7\u00e3o de pirarucu, que utiliza para regar as hortali\u00e7as, \u00e1rvores frut\u00edferas e palmeiras a\u00e7a\u00ed, que cultiva em uma parte de sua fazenda, em Santa Rita, noroeste do Brasil. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Domingos Mendes junto a um dos dois tanques onde acumula \u00e1gua residual e fertilizante da cria\u00e7\u00e3o de pirarucu, que utiliza para regar as hortali\u00e7as, \u00e1rvores frut\u00edferas e palmeiras a\u00e7a\u00ed, que cultiva em uma parte de sua fazenda, em Santa Rita, noroeste do Brasil. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cO sistema \u00e9 vi\u00e1vel, mas d\u00e1 trabalho, \u00e9 preciso renovar a \u00e1gua diariamente\u201d, afirmou Mendes. A \u00e1gua servida n\u00e3o contamina o rio porque \u00e9 usada para irrigar os cultivos da palmeira a\u00e7a\u00ed (<em>Euterpe oleracea<\/em>), cujo apreciado fruto \u00e9 consumido localmente e exportado. Seis hectares da fazenda s\u00e3o dedicados ao cultivo de frutas e hortali\u00e7as. Apesar dos elogios da Emater-RO e da SAE, o projeto corre o risco de morrer prematuramente. Mendes fica desanimado com a solid\u00e3o.<\/p>\n<p>A piscicultura com fertirriga\u00e7\u00e3o (aduba\u00e7\u00e3o com a \u00e1gua levando os nutrientes) n\u00e3o somou os participantes esperados nem o apoio estrutural necess\u00e1rios para uma unidade frigor\u00edfica e mecanismos de comercializa\u00e7\u00e3o, queixou-se o produtor. Com 30 piscicultores organizados em uma cooperativa, com previa o plano inicial, se poderia baixar custos e conseguir melhores pre\u00e7os, tornando o neg\u00f3cio mais produtivo e lucrativo,beneficiando a alimenta\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, ressaltou.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um fator que encarece muito o cultivo do pirarucu, embora tenha um grande consumo no Brasil. Ilce Oliveira, coordenadora de Aquicultura e Pesca da Secretaria de Agricultura de Rond\u00f4nia (Seagri), apontou \u00e0 IPS que \u201co custo de alimenta\u00e7\u00e3o do pirarucu \u00e9 muito elevado para um agricultor familiar, e exige subs\u00eddios do governo\u201d. Sua alimenta\u00e7\u00e3o requer 40% de prote\u00edna, contra 28% de outras esp\u00e9cies, explicou Mendes, mas isso n\u00e3o impede uma produ\u00e7\u00e3o rent\u00e1vel pela rapidez da engorda, ressaltou.<\/p>\n<p>A piscicultura \u00e9 uma prioridade do governo estadual, que prepara um programa para estimular a atividade, especialmente a cria\u00e7\u00e3o em tanques-rede nas represas das hidrel\u00e9tricas. A produ\u00e7\u00e3o aqu\u00edcola dever\u00e1 alcan\u00e7ar 80 mil toneladas este ano, segundo a Seagri. Em 2010, era de apenas 12 mil toneladas. Esse volume poder\u00e1 crescer rapidamente porque, das oito mil propriedades rurais preparadas para a atividade, somente metade est\u00e1 produzindo comercialmente.<\/p>\n<p>Os dois obst\u00e1culos de Mendes, a solid\u00e3o e o custo da alimenta\u00e7\u00e3o, n\u00e3o afetam a alternativa escolhida pelo Reassentamento Rural Coletivo de Jirau, a outra represa no Rio Madeira, a 120 quil\u00f4metros de Porto Velho e cerca de 110 quil\u00f4metros rio acima de Santo Ant\u00f4nio. Seu Projeto-Piloto de Gera\u00e7\u00e3o de Renda combina piscicultura e irriga\u00e7\u00e3o de hortas com as \u00e1guas residuais, mas o peixe escolhido foi o tambaqui, ou pacu-vermelho (<em>Colossomamacropomum<\/em>), o peixe amaz\u00f4nico mais consumido e provado em cultivos.<\/p>\n<div id=\"attachment_213667\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-213667\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Juliana.jpg\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Juliana.jpg 640w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Juliana-300x225.jpg 300w\" alt=\" Juliana Oliveira, diante do tanque do Projeto-Piloto do Reassentamento Rural Coletivo de Jirau, dedicado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do tambaqui, o peixe amaz\u00f4nico mais consumido no Brasil. A \u00e1gua rica em nitrog\u00eanio, pelas fezes dos peixes e por res\u00edduos de alimentos, \u00e9 usada para irrigar hortas e pomares. Foto: Mario Osava\/IPS\" width=\"340\" height=\"255\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">\nJuliana Oliveira, diante do tanque do Projeto-Piloto do Reassentamento Rural Coletivo de Jirau, dedicado \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do tambaqui, o peixe amaz\u00f4nico mais consumido no Brasil. A \u00e1gua rica em nitrog\u00eanio, pelas fezes dos peixes e por res\u00edduos de alimentos, \u00e9 usada para irrigar hortas e pomares. Foto: Mario Osava\/IPS<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201c\u00c9 uma esp\u00e9cie local e a que melhor se adaptou \u00e0 produ\u00e7\u00e3o nos tanques\u201d, disse Juliana Oliveira, coordenadora de socioeconomia da Energia Sustent\u00e1vel do Brasil (ESBR), o cons\u00f3rcio empresarial que construiu e opera a hidrel\u00e9trica de Jirau. Cada um dos quatro tanques escavados em terra produz at\u00e9 cinco toneladas de pescado ao ano, cerca de 2.500 peixes de dois quilos, em m\u00e9dia, disse \u00e0 IPS o agr\u00f4nomo e analista ambiental da ESBR, Miguel Lins.<\/p>\n<p>Esses criadouros foram constru\u00eddos em n\u00edveis elevados para que seu des\u00e1gue chegue \u00e0s hortas pelo efeito da gravidade. Mas essa fertirriga\u00e7\u00e3o \u00e9 pouco frequente, porque a \u00e1gua com fezes e res\u00edduos da alimenta\u00e7\u00e3o pisc\u00edcola cont\u00e9m muita am\u00f4nia, fertilizante que em excesso prejudica as planta\u00e7\u00f5es, alertou Oliveira. A experi\u00eancia, financiada pela empresa, busca comprovar a viabilidade econ\u00f4mica e ambiental da atividade e tamb\u00e9m convencer e capacitar as 22 fam\u00edlias que restam no assentamento, organizadas na Associa\u00e7\u00e3o de Vida Nova. Em 2011, foram reassentadas 35 fam\u00edlias, mas 13 foram embora.<\/p>\n<p>O projeto, ainda experimental, j\u00e1 proporciona uma pequena renda para essas fam\u00edlias, com a venda semanal de aproximadamente 400 quilos de pescado nos mercados vizinhos. \u00c9 pouco quando dividido entre todos, mas logo os tanques se multiplicar\u00e3o nas \u00e1reas familiares de 75 hectares, das quais 60 s\u00e3o reserva florestal. Al\u00e9m disso, diversifica a produ\u00e7\u00e3o, com hortas, frutas e forragem adequadas ao ecossistema local.<\/p>\n<p>Do projeto participa a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecu\u00e1rias (Embrapa), decisiva no desenvolvimento agr\u00edcola do Brasil, testando variedades de banana, abacaxi e frutas amaz\u00f4nicas. A ESBR promove a iniciativa, como uma compensa\u00e7\u00e3o pelos danos ambientais e sociais da represa, que tamb\u00e9m tem apoio da Cooperativa de Produtores Rurais de Jirau, que re\u00fane 131 fam\u00edlias deslocadas por causa das represas e reassentadas em outras comunidades pr\u00f3ximas.<\/p>\n<p>Uma estrutura assim, associativa, garantindo apoio financeiro, t\u00e9cnico e comercial, talvez seja o que falta ao isolado projeto de Mendes, batizado de Pira\u00e7a\u00ed, uma uni\u00e3o dos nomes pirarucu e a\u00e7a\u00ed. Aumentar sua escala por meios cooperativos e investimentos privados ou p\u00fablicos, poderia transform\u00e1-lo em um bom neg\u00f3cio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Domingos Mendes da Silva perdeu a conta de quantos visitantes recebeu em sua fazenda de<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":49364,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/psicultura.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Domingos Mendes da Silva perdeu a conta de quantos visitantes recebeu em sua fazenda de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49363"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=49363"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/49363\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/49364"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=49363"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=49363"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=49363"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}