{"id":4934,"date":"2014-08-16T15:04:40","date_gmt":"2014-08-16T15:04:40","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=4934"},"modified":"2014-08-16T15:05:32","modified_gmt":"2014-08-16T15:05:32","slug":"periquito-estrela-tem-preferencias-sexuais-com-quem-e-igualzinho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/periquito-estrela-tem-preferencias-sexuais-com-quem-e-igualzinho\/","title":{"rendered":"Periquito-estrela tem prefer\u00eancias sexuais com quem \u00e9 igualzinho"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-4936\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>O periquito-estrela ou periquito-testinha (Brotogeris sanctithomae) \u00e9 uma pequena e barulhenta ave que vive nas v\u00e1rzeas amaz\u00f4nicas, desde a Ilha de Maraj\u00f3 at\u00e9 a Cordilheira dos Andes. Uma diferen\u00e7a sutil na plumagem entre as aves encontradas no leste e oeste da regi\u00e3o levou os cientistas a registrarem a exist\u00eancia de duas subesp\u00e9cies. Agora, an\u00e1lises gen\u00e9ticas est\u00e3o jogando uma nova luz sobre o porqu\u00ea da diferencia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Durante o mestrado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa), a bi\u00f3loga Roberta Canton analisou genes e amostras do periquito-estrela, coletadas em campo e em cole\u00e7\u00f5es. De acordo com ela, os estudos comprovaram que as duas popula\u00e7\u00f5es pertencem mesmo a uma \u00fanica esp\u00e9cie. Al\u00e9m disso, surgiram informa\u00e7\u00f5es curiosas sobre o que acontece na \u00e1rea onde elas se encontram.<\/p>\n<p>A mancha amarela atr\u00e1s do olhos era uma caracter\u00edstica que diferenciava a popula\u00e7\u00e3o oriental (B. sanctithomae takatsuksae). Gra\u00e7as \u00e0s coletas feitas em campo, Roberta Canton descobriu outra diferen\u00e7a vis\u00edvel: as aves da Amaz\u00f4nia Ocidental (B. sanctithomae sanctithomae) possuem olhos claros, diferente do marrom encotrado nas \u00edris das parentes orientais. &#8220;Quando \u00e9 depositada em museus, nas cole\u00e7\u00f5es, s\u00f3 d\u00e1 para ver a plumagem, mas quando a gente viu em campo, notou a diferen\u00e7a&#8221;, conta a bi\u00f3loga.<\/p>\n<p>Roberta Canton identificou tamb\u00e9m a presen\u00e7a de h\u00edbridos que se espalham desde a regi\u00e3o metropolitana de Manaus at\u00e9 Parintins, quase na divisa com o Par\u00e1. A plumagem h\u00edbrida pode ser vista ao longo de toda essa regi\u00e3o, com indiv\u00edduos de manchas menores ou presentes em apenas um lado. J\u00e1 periquitos com cores de \u00edris intermedi\u00e1rias foram encontrados em uma regi\u00e3o restrita, a partir das imedia\u00e7\u00f5es de Manaus at\u00e9 Itacoatiara. . &#8220;A dist\u00e2ncia gen\u00e9tica n\u00e3o \u00e9 explicada pela dist\u00e2ncia geogr\u00e1fica e n\u00e3o \u00e9 gradual, mas s\u00fabita&#8221;, conta a bi\u00f3loga. H\u00e1 uma barreira n\u00edtida entre as duas popula\u00e7\u00f5es, na regi\u00e3o de Novo Remanso, munic\u00edpio de Itacoatiara (AM)<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignnone\" src=\"http:\/\/www.oeco.org.br\/images\/stories\/ago2014\/_MG_9186-(1).jpg\" alt=\"\" width=\"606\" height=\"447\" \/><\/p>\n<p>Foto: Anselmo D&#8217;Affonseca<\/p>\n<p><strong>Detalhes m\u00ednimos<\/strong><\/p>\n<p>Esse fen\u00f4meno n\u00e3o \u00e9 explicado por diferen\u00e7as na vegeta\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, as diferen\u00e7as entre os periquitos tamb\u00e9m n\u00e3o parecem representar qualquer vantagem adaptativa. Ent\u00e3o,\u00a0 por que duas popula\u00e7\u00f5es que podem se reproduzir entre si continuam a manter diferen\u00e7as evidentes e a ocupar \u00e1reas distintas? Para a bi\u00f3loga, a resposta est\u00e1 nas prefer\u00eancias sexuais dos periquitos-estrela. Eles preferem parceiros com caracter\u00edsticas parecidas, fazendo com que os periquitos ocidentais rejeitem os orientais e vice-versa. &#8220;Entre eles, as varia\u00e7\u00f5es na face s\u00e3o importantes na escolha de parceiros&#8221;, diz Canton.<\/p>\n<p>As prefer\u00eancias sexuais dos periquitos ainda n\u00e3o foram suficientes para diferenci\u00e1-los em duas esp\u00e9cies. Os estudos indicaram que os genes normalmente usados para identificar esp\u00e9cies diferentes est\u00e3o distribu\u00eddos entre as duas popula\u00e7\u00f5es, levando \u00e0 conclus\u00e3o que as duas popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o da mesma esp\u00e9cie. E isto pode significar duas coisas. Talvez ainda n\u00e3o tenha havido tempo suficiente para as duas popula\u00e7\u00f5es se transformarem em esp\u00e9cies diferentes ou simplesmente que entre elas existe um fluxo de genes n\u00e3o relacionados com as diferen\u00e7as vis\u00edveis.<\/p>\n<p>&#8220;A especia\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo e pode acontecer de o pegarmos em a\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma o bi\u00f3logo M\u00e1rio Cohn-Haft, curador da Cole\u00e7\u00e3o de Aves do Inpa e orientador da pesquisadora. &#8220;O que era uma esp\u00e9cie pode se transformar em duas ou pode acontecer o contr\u00e1rio, duas esp\u00e9cies se juntarem e formarem uma s\u00f3. N\u00e3o sabemos se elas v\u00e3o se diferenciar, se juntar ou mesmo permanecer est\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil explicar como bichos t\u00e3o parecidos podem ser considerados ou n\u00e3o esp\u00e9cies diferentes. &#8220;N\u00e3o importa o nome que se d\u00e1, o que a gente quer conservar \u00e9 a diversidade&#8221;, afirma Cohn-Haft. &#8220;duas popula\u00e7\u00f5es distintas \u00e9 o que interessa, porque o que se quer proteger s\u00e3o as diferen\u00e7as&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O periquito-estrela ou periquito-testinha (Brotogeris sanctithomae) \u00e9 uma pequena e barulhenta ave que vive nas<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4936,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/periquito_estrela.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O periquito-estrela ou periquito-testinha (Brotogeris sanctithomae) \u00e9 uma pequena e barulhenta ave que vive nas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4934"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4934"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4934\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4936"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4934"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4934"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4934"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}