{"id":48919,"date":"2016-08-31T15:01:04","date_gmt":"2016-08-31T18:01:04","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=48919"},"modified":"2016-08-31T15:01:06","modified_gmt":"2016-08-31T18:01:06","slug":"pesquisa-abre-caminho-para-diagnostico-precoce-de-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-abre-caminho-para-diagnostico-precoce-de-alzheimer\/","title":{"rendered":"Pesquisa abre caminho para diagn\u00f3stico precoce de Alzheimer"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisa-abre-caminho-para-diagnostico-precoce-de-alzheimer\/diagnostico\/\" rel=\"attachment wp-att-48920\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-48920\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Uma pesquisa conduzida na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo (FCMSCSP), com <a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/31561\/desenvolvimento-de-biomarcadores-para-placas-amiloidais-relevancia-para-o-estudo-da-doenca-de-alzhe\/\" target=\"_blank\"><b>apoio da FAPESP<\/b><\/a>, pode tornar poss\u00edvel o diagn\u00f3stico precoce da doen\u00e7a de Alzheimer.<\/p>\n<p>Atualmente, ainda n\u00e3o h\u00e1 marcadores biol\u00f3gicos ou exames de imagem dispon\u00edveis na rotina cl\u00ednica para detectar o avan\u00e7o do processo degenerativo cerebral. O diagn\u00f3stico \u00e9 feito apenas quando j\u00e1 h\u00e1 sinais de decl\u00ednio cognitivo \u2013 basicamente por exclus\u00e3o de outras condi\u00e7\u00f5es que causam perda de mem\u00f3ria e dem\u00eancia.<\/p>\n<p>\u201cEstima-se que quando os pacientes come\u00e7am a manifestar sintomas de comprometimento cognitivo cerca de 50% dos neur\u00f4nios j\u00e1 morreram. E, a essa altura, n\u00e3o h\u00e1 muito mais o que fazer. Por\u00e9m, se conseguirmos detectar o processo degenerativo ainda no in\u00edcio, as chances de estabilizar sua progress\u00e3o com as drogas hoje dispon\u00edveis s\u00e3o muito maiores\u201d, disse \u00e0 <b>Ag\u00eancia FAPESP<\/b> Luciana Malavolta Quaglio, professora do Departamento de Ci\u00eancias Fisiol\u00f3gicas da FCMSCSP.<\/p>\n<p>Alguns resultados do trabalho coordenado por Malavolta foram apresentados dia 30 de agosto, em Foz do Igua\u00e7u, durante a 31\u00aa Reuni\u00e3o Anual da Federa\u00e7\u00e3o de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE).<\/p>\n<p>Em seu laborat\u00f3rio, a pesquisadora sintetizou pequenos fragmentos pept\u00eddicos capazes de serem atra\u00eddos por um pept\u00eddeo maior, conhecido como beta-amiloide, que desempenha papel crucial no desenvolvimento da doen\u00e7a de Alzheimer.<\/p>\n<p>Por motivos ainda n\u00e3o totalmente compreendidos pela ci\u00eancia, as mol\u00e9culas beta-amiloide naturalmente presentes no organismo come\u00e7am a se agregar umas \u00e0s outras, formando as chamadas placas beta-amiloidais. Esses agregados se acumulam no c\u00e9rebro e causam uma s\u00e9rie de altera\u00e7\u00f5es que, em conjunto com outros fatores, resultam na morte de neur\u00f4nios.<\/p>\n<p>O objetivo da pesquisa de Malavolta \u00e9 desenvolver biomarcadores capazes de sinalizar em exames cl\u00ednicos a presen\u00e7a das placas beta-amiloidais no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>\u201cEstamos testando quatro diferentes fragmentos pept\u00eddicos \u2013 todos com poucos amino\u00e1cidos. Enquanto o pept\u00eddeo beta-amiloide tem cerca de 42 res\u00edduos de amino\u00e1cidos, os nossos t\u00eam entre quatro e seis, pois, se forem grandes, n\u00e3o conseguem atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica (<i>um conjunto de c\u00e9lulas extremamente unidas que protegem o sistema nervoso central de subst\u00e2ncias potencialmente t\u00f3xicas presentes no sangue<\/i>) e chegar ao c\u00e9rebro\u201d, explicou Malavolta.<\/p>\n<p>O desenho das mol\u00e9culas foi conclu\u00eddo em 2011. Desde ent\u00e3o, em colabora\u00e7\u00e3o com cientistas do Instituto Israelita de Ensino e Pesquisa Albert Einstein, Malavolta vem aperfei\u00e7oando m\u00e9todos de radiomarca\u00e7\u00e3o, ou seja, de ligar os fragmentos pept\u00eddicos a is\u00f3topos radioativos \u2013 o que possibilita acompanhar a distribui\u00e7\u00e3o do composto pelo organismo e realizar exames de imagem.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia \u00e9 semelhante \u00e0 dos exames de cintilografia usados para avaliar, por exemplo, a fun\u00e7\u00e3o renal ou card\u00edaca. Um composto radiomarcado com afinidade pelo tecido de interesse \u00e9 injetado no organismo. Quando os elementos chegam ao \u00f3rg\u00e3o-alvo, as radia\u00e7\u00f5es emitidas s\u00e3o identificadas por um equipamento conhecido como c\u00e2mara de cintila\u00e7\u00e3o e transformadas em imagens, que podem ser interpretadas pelos especialistas.<\/p>\n<p>A radiomarca\u00e7\u00e3o tem sido feita com o radiois\u00f3topo tecn\u00e9cio, elemento que emite radia\u00e7\u00e3o gama. Segundo Malavolta, esse is\u00f3topo tem sido bastante usado em exames de medicina nuclear para diagn\u00f3stico, pois tem meia-vida de seis horas \u2013 tempo suficiente para a realiza\u00e7\u00e3o do exame e para o paciente ter alta hospitalar no mesmo dia.<\/p>\n<p>\u201cEm m\u00e9dia, as t\u00e9cnicas de radiomarca\u00e7\u00e3o de forma direta com tecn\u00e9cio (<i>na qual o radiois\u00f3topo \u00e9 ligado diretamente na mol\u00e9cula<\/i>) descritas na literatura cient\u00edfica alcan\u00e7am um rendimento entre 60% e 65% [<i>porcentagem de fragmentos que de fato permanecem ligados ao radiois\u00f3topo]<\/i>. N\u00f3s conseguimos valores acima de 90%, o que \u00e9 considerado bastante satisfat\u00f3rio no campo da medicina nuclear.&#8221;<\/p>\n<p><b>Ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos<\/b><\/p>\n<p>Diversos testes <i>in vitro<\/i> e <i>in vivo<\/i> foram feitos para avaliar a estabilidade dos pept\u00eddeos radiomarcados e sua biodistribui\u00e7\u00e3o no organismo.<\/p>\n<p>Em um dos experimentos, foi comparado um grupo de camundongos sadios e outro geneticamente modificado para desenvolver um quadro semelhante ao Alzheimer. Nesse modelo, para induzir a forma\u00e7\u00e3o das placas beta-amiloidais no c\u00e9rebro dos animais, \u00e9 inserido no genoma do roedor uma muta\u00e7\u00e3o dupla na prote\u00edna APP (prote\u00edna precursora amiloidal), que d\u00e1 origem ao pept\u00eddeo beta-amiloide.<\/p>\n<p>Os fragmentos radiomarcados foram injetados nos dois grupos de animais e, ap\u00f3s diferentes tempos, os pesquisadores faziam a contagem de radia\u00e7\u00e3o em cada um dos \u00f3rg\u00e3os, com aux\u00edlio de um contador de radia\u00e7\u00e3o gama.<\/p>\n<p>\u201cDependendo do fragmento, observamos que entre 3% e 5% das mol\u00e9culas radiomarcadas conseguiram de fato chegar at\u00e9 o c\u00e9rebro dos animais geneticamente modificados, o que \u00e9 considerado um \u00edndice satisfat\u00f3rio. Atualmente, h\u00e1 radiof\u00e1rmacos usados em outros tipos de diagn\u00f3sticos nos quais a porcentagem de especificidade fica em torno de 1%\u201d, contou Malavolta.<\/p>\n<p>Nos animais controle (sadios), segundo a pesquisadora, as atividades radioativas referentes aos pept\u00eddeos radiomarcados ficaram ao redor de 0.5% no c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>Nos testes <i>in vitro<\/i>, o \u00edndice de intera\u00e7\u00e3o dos fragmentos radiomarcados com as c\u00e9lulas cerebrais dos camundongos com Alzheimer foi de 50%. J\u00e1 com as c\u00e9lulas dos camundongos sadios o \u00edndice ficou entre 10% e 12%.<\/p>\n<p>Ao avaliar a intera\u00e7\u00e3o dos fragmentos radioativos com as prote\u00ednas presentes no sangue dos roedores, o \u00edndice ficou em torno de 35% nos dois grupos.<\/p>\n<p>\u201cNesse caso, quanto mais baixo for o \u00edndice, melhor, pois uma maior quantidade do composto fica livre para chegar ao alvo desejado. O resultado do experimento mostra que 65% dos nossos fragmentos pept\u00eddicos est\u00e3o livres para percorrer todo o organismo. Alguns dos f\u00e1rmacos dispon\u00edveis atualmente apresentam 95% de intera\u00e7\u00e3o com as prote\u00ednas plasm\u00e1ticas, ou seja, apenas 5% das mol\u00e9culas ficam livres e mesmo assim ainda conseguem ter alguma efici\u00eancia. Imagina quando se tem 65% do composto livre&#8221;, comparou Malavolta.<\/p>\n<p>Uma das estrat\u00e9gias que a pesquisadora pretende testar para aumentar a porcentagem de fragmentos radiomarcados que chegam ao c\u00e9rebro \u00e9 o encapsulamento em nanopart\u00edculas. Alguns testes iniciais j\u00e1 foram feitos.<\/p>\n<p>Resultados preliminares da pesquisa apresentada na FeSBE tamb\u00e9m j\u00e1 foram publicados nos peri\u00f3dicos: <b><i><a href=\"http:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs10072-011-0749-3\" target=\"_blank\"> Neurological Sciences<\/a><\/i><\/b>, <b><i><a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0143417911000217\" target=\"_blank\">Neuropeptides<\/a><\/i><\/b>,\u00a0<i>Journal of Peptide Science<\/i>, <b><i><a href=\"http:\/\/www.eurekaselect.com\/111332\/article\" target=\"_blank\"> Protein &amp; Peptide Letters<\/a><\/i><\/b>\u00a0e <b><i><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1516-44462009000400003&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en\" target=\"_blank\"> Revista Brasileira de Psiquiatria<\/a><\/i><\/b>, entre outros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma pesquisa conduzida na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo (FCMSCSP),<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":48920,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/diagnostico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Uma pesquisa conduzida na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo (FCMSCSP),","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48919"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=48919"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/48919\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/48920"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=48919"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=48919"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=48919"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}