{"id":48409,"date":"2016-08-24T13:00:13","date_gmt":"2016-08-24T16:00:13","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=48409"},"modified":"2016-08-24T14:01:45","modified_gmt":"2016-08-24T17:01:45","slug":"momento-oportuno-para-acabar-com-a-seca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/momento-oportuno-para-acabar-com-a-seca\/","title":{"rendered":"Momento oportuno para acabar com a seca com o fim do El Ni\u00f1o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/momento-oportuno-para-acabar-com-a-seca\/seca-25\/\" rel=\"attachment wp-att-48410\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-48410\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/seca-2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/seca-2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/seca-2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><em>Por\u00a0Monique Barbut*<\/em><\/p>\n<p>Comecemos com boas not\u00edcias. O El Ni\u00f1o mais forte dos \u00faltimos 35 anos est\u00e1 chegando ao fim. No per\u00edodo 2015-2016, esse fen\u00f4meno clim\u00e1tico provocou secas em mais de 20 pa\u00edses. Houve altas temperaturas, escassez de \u00e1gua e inunda\u00e7\u00f5es em todo o mundo. Mas as zonas mais afetadas foram \u00c1frica oriental e austral.<\/p>\n<p>Para entender o que isso significa para a popula\u00e7\u00e3o, basta ver as repercuss\u00f5es na inseguran\u00e7a alimentar que afetou cerca de 32 milh\u00f5es de pessoas na \u00c1frica austral. Em todo o continente, um milh\u00e3o de crian\u00e7as precisaram de tratamento para desnutri\u00e7\u00e3o severa.<\/p>\n<p>E, embora o pior da seca esteja chegando ao fim, aproximadamente 75% dos especialistas prognosticam que o La Ni\u00f1a (o fen\u00f4meno complementar do El Ni\u00f1o, conhecido pelas inunda\u00e7\u00f5es que provoca) chegar\u00e1 ao final deste ano. \u00c9 prov\u00e1vel que as autoridades pol\u00edticas e a popula\u00e7\u00e3o da \u00c1frica n\u00e3o sintam al\u00edvio algum antes que termine o ano. E ent\u00e3o, mais uma vez, poderemos voltar \u00e0 normalidade, verdade?<\/p>\n<p>Albert Einstein disse uma vez que uma das defini\u00e7\u00f5es de loucura \u00e9 \u201cfazer a mesma coisa uma e outra vez e esperar resultados diferentes\u201d. Voltar \u00e0 normalidade nesse contexto se ajusta muito bem a essa defini\u00e7\u00e3o de loucura.<\/p>\n<div id=\"attachment_213089\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-213089\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/Monique-Barbut_-251x3001.jpg\" alt=\"Monique Barbut. Foto: Cortesia da autora\" width=\"251\" height=\"300\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Monique Barbut. Foto: Cortesia da autora<\/p>\n<\/div>\n<p>Sabemos que:<\/p>\n<p>\u2013 as pr\u00f3ximas secas do El Ni\u00f1o provavelmente regressem periodicamente, a cada dois a sete anos;<\/p>\n<p>\u2013 a extens\u00e3o e gravidade das secas aumentar\u00e3o. Isso se deve \u00e0 mudan\u00e7a clim\u00e1tica e ao uso insustent\u00e1vel da terra. Os cientistas calculam que a superf\u00edcie terrestre que atualmente sofre condi\u00e7\u00f5es de seca aumentar\u00e1, de menos de 5% para mais de 30% na d\u00e9cada de 2090;<\/p>\n<p>\u2013 n\u00e3o ser\u00e3o cumpridas as metas 6.4, 6.5 e 6.6 referentes \u00e0 escassez de \u00e1gua inclu\u00eddas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (ODS);<\/p>\n<p>\u2013 as consequ\u00eancias atingir\u00e3o os pobres, que tendem a ser totalmente dependentes dos recursos naturais, como \u00e1gua e terra, para manter suas fam\u00edlias.<\/p>\n<p>A menos que mudemos de estrat\u00e9gia, quando aparecer a seca e as chuvas falharem, o futuro dos 400 milh\u00f5es de agricultores africanos que dependem da agricultura de sequeiro de subsist\u00eancia, por exemplo, correr\u00e1 perigo. Essa agricultura \u00e9 praticada em mais de 95% da terra cultivada na \u00c1frica subsaariana. E a escassez de \u00e1gua poder\u00e1 custar a algumas regi\u00f5es at\u00e9 6% de seu produto interno bruto.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o mudarmos de estrat\u00e9gia, as pessoas ser\u00e3o obrigadas, cada vez mais, a decidir se suportar\u00e3o o desastre da seca para depois reconstruir ou se simplesmente partir\u00e3o. Obrigar nossa gente a tomar essas decis\u00f5es dif\u00edceis \u00e9 uma forma de loucura. Especialmente se \u00e9 poss\u00edvel romper o ciclo de desastres provocados pela seca e pela recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 h\u00e1 avan\u00e7os. Brasil, Marrocos, M\u00e9xico e Vietn\u00e3, para citar apenas alguns pa\u00edses, agora implantam planos contra a seca, com forte \u00eanfase na mitiga\u00e7\u00e3o de riscos e na prepara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nas regi\u00f5es onde a terra foi recuperada, em Tigray, na Eti\u00f3pia, os ecossistemas e a popula\u00e7\u00e3o parecem ter conseguido melhores resultados nas \u00faltimas secas relacionadas com o El Ni\u00f1o do que em outros lugares onde n\u00e3o foi empreendida nenhuma restaura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas resta muito a fazer, j\u00e1 que em 2050 uma em cada quatro pessoas (at\u00e9 2,5 bilh\u00f5es de seres humanos) estar\u00e1 vivendo em um pa\u00eds em risco de escassez de \u00e1gua. Temos que nos preparar melhor e administrar os riscos de seca de maneira proativa.<\/p>\n<p>A \u00c1frica j\u00e1 fez muito, mas precisa ficar atenta. A Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Luta Contra a Desertifica\u00e7\u00e3o prop\u00f5e tr\u00eas pilares importantes para serem considerados.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, os sistemas de alerta. Declarar uma seca muito tarde pode ter impacto devastador nas vidas e nos meios de subsist\u00eancia. Por\u00e9m, a decis\u00e3o de declar\u00e1-la pode ser muito subjetiva e extremamente pol\u00edtica.<\/p>\n<p>A \u00c1frica se beneficiaria de um sistema eficaz de alerta em seus pa\u00edses. Para isso ser\u00e3o necess\u00e1rios bons dados, al\u00e9m do conhecimento local e tradicional. O sistema proporcionar\u00e1 informa\u00e7\u00e3o oportuna que possa ser usada para reduzir os riscos e se preparar melhor para uma resposta eficaz.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, vulnerabilidade e avalia\u00e7\u00e3o de riscos. Algumas pessoas e alguns sistemas s\u00e3o mais vulner\u00e1veis \u00e0 seca como resultado de fatores sociais, econ\u00f4micos e ambientais. \u00c9 importante combinar melhores progn\u00f3sticos com um conhecimento detalhado da maneira como a geografia e as sociedades respondem \u00e0 falta de chuva.<\/p>\n<p>Quais comunidades e ecossistemas est\u00e3o em maior risco? Por que s\u00e3o vulner\u00e1veis setores importantes como agricultura, energia, turismo ou sa\u00fade? A seguir, converter esse conhecimento em uma interven\u00e7\u00e3o precoce. Podemos garantir que ser\u00e1 muito rent\u00e1vel.<\/p>\n<p>Em N\u00edger e Mo\u00e7ambique, por exemplo, os esfor\u00e7os de interven\u00e7\u00e3o precoce e de gera\u00e7\u00e3o de resili\u00eancia reduziriam o custo em US$ 375 milh\u00f5es (Mo\u00e7ambique) e US$ 844 milh\u00f5es (N\u00edger), quando comparados com uma resposta humanit\u00e1ria tardia para a seca.<\/p>\n<p>Por fim, as medidas de mitiga\u00e7\u00e3o do risco de seca. H\u00e1 coisas que podem ser feitas em um n\u00edvel muito pr\u00e1tico para reduzir o risco, que podem oferecer benef\u00edcios reais e tang\u00edveis \u00e0s suas comunidades,se forem iniciadas imediatamente.<\/p>\n<p>Os pa\u00edses africanos poderiam considerar o desenvolvimento de sistemas de irriga\u00e7\u00e3o para os cultivos e o gado e planos de capta\u00e7\u00e3o ou reciclagem de \u00e1gua. Podem explorar cultivos que sejam mais tolerantes \u00e0 seca, ampliar os planos de seguros para os plantios e estabelecer meios de vida alternativos que ofere\u00e7am renda \u00e0s \u00e1reas propensas.<\/p>\n<p>O investimento no aprimoramento da gest\u00e3o do solo, por exemplo, pode melhorar a seguran\u00e7a da \u00e1gua nas explora\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas de 70% a 100%. Isso daria lugar a maiores rendimentos e mais seguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n<p>No Zimb\u00e1bue, a capta\u00e7\u00e3o de \u00e1gua combinada com a agricultura de conserva\u00e7\u00e3o melhorou as margens brutas dos produtores entre quatro e sete vezes, e os rendimentos da m\u00e3o de obra entre duas a tr\u00eas vezes.Esse \u00e9 o tipo de gest\u00e3o proativa do risco de seca, que pode salvar vidas e o sustento de milh\u00f5es de pessoas, algo que todos dever\u00edamos desejar.<\/p>\n<p>A Confer\u00eancia Africana sobre Seca \u00e9 uma janela de oportunidade pouco comum para que o continente reconhe\u00e7a que o enfoque tradicional de \u201cresposta\u201d \u00e0 seca j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 vi\u00e1vel. Demonstrou sua inefici\u00eancia com demasiada frequ\u00eancia. Por outro lado, a \u00c1frica poderia provocar uma revolu\u00e7\u00e3o proativa contra a seca.<\/p>\n<p>Ao investir em sistemas de alerta e fazer frente \u00e0s suas vulnerabilidades, medidas bem planejadas e coordenadas contra a seca ter\u00e3o um efeito multiplicador positivo em todos os setores e atrav\u00e9s das fronteiras.<\/p>\n<p>Nelson Mandela disse certa vez que \u201cdevemos usar o tempo sabiamente e nos dar conta de que sempre \u00e9 o momento oportuno para fazer as coisas\u201d.\u00c9 o momento oportuno. A ado\u00e7\u00e3o de medidas proativas contra a seca \u00e9 o que precisa ser feito. Envolverde\/IPS<\/p>\n<p><em>*Monique Barbut \u00e9 secret\u00e1ria executiva da Conven\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas de Luta Contra a Desertifica\u00e7\u00e3o, que organizou, junto com o governo da Nam\u00edbia, a Confer\u00eancia Africana sobre Seca, realizada entre os dias 15 e 19 de agosto, em Windhoek, capital da Nam\u00edbia. <\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Monique Barbut* Comecemos com boas not\u00edcias. 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