{"id":4776,"date":"2014-08-14T10:00:02","date_gmt":"2014-08-14T10:00:02","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=4776"},"modified":"2014-08-14T11:51:43","modified_gmt":"2014-08-14T11:51:43","slug":"a-infidelidade-conjugal-das-ariranhas-nas-aguas-do-pantanal","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/a-infidelidade-conjugal-das-ariranhas-nas-aguas-do-pantanal\/","title":{"rendered":"A infidelidade conjugal das ariranhas nas \u00e1guas do Pantanal, segundo pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p class=\"capitalize\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ariranha_pantanal.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-4777\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/ariranha_pantanal.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>As ariranhas s\u00e3o b\u00edgamas? N\u00e3o seria correto transferir para os animais conceitos t\u00e3o humanos de sociedade. Ariranhas s\u00e3o mustel\u00eddeos, mam\u00edferos de corpo alongado, patas curtas e longas caudas, que vivem sempre pr\u00f3ximos aos cursos d\u2019\u00e1gua. Desvendar o misterioso comportamento afetivo da esp\u00e9cie \u00e9 uma das miss\u00f5es dos pesquisadores do Projeto Bichos do Pantanal,\u00a0 que atuam em C\u00e1ceres no Mato Grosso. O estudo \u00e9 realizado pelo Instituto Sustentar e patrocinado pela Petrobras.<\/p>\n<p>O animal, considerado feroz por muitos moradores do Pantanal, tamb\u00e9m \u00e9 temido por pescadores. \u201cAlguns pantaneiros acreditam que as ariranhas espantam os cardumes por ca\u00e7arem os peixes. Mas o que ocorre \u00e9 que os peixes desaparecem quando elas\u00a0 se aproximam\u201d, diz Trent. \u201cE, apesar do temor, no geral as ariranhas s\u00e3o muito brincalhonas. Se n\u00e3o forem amea\u00e7adas, elas n\u00e3o s\u00e3o ferozes. S\u00e3o apenas muito protetoras com as suas fam\u00edlias\u201d.<\/p>\n<p>Ao encontrarmos um grupo de ariranhas, pr\u00f3ximo as ra\u00edzes de um grande Tarum\u00e3, \u00e0s margens do rio Paraguai, a tese do pesquisador se comprova. De porte maior do que o das lontras (seu parente da fam\u00edlia mustel\u00eddea), as ariranhas tamb\u00e9m s\u00e3o conhecidas como on\u00e7a-d\u2019\u00e1gua ou lontra-gigante. Esse animal de cor castanha e grandes presas afiadas pode chegar a 168 cent\u00edmetros de comprimento e tem sua sobreviv\u00eancia amea\u00e7ada principalmente pelo desmatamento e a polui\u00e7\u00e3o dos rios. Na d\u00e9cada de 1980, a ca\u00e7a para a ind\u00fastria de peles quase dizimou as ariranhas, por\u00e9m com a proibi\u00e7\u00e3o, as popula\u00e7\u00f5es voltaram a crescer nos rios do Brasil.<\/p>\n<p>Ao perceber o barco de pesquisa, as ariranhas passam a protagonizar um verdadeiro show aqu\u00e1tico. O sil\u00eancio d\u00e1 lugar a uma grande algazarra. O bando tem oito indiv\u00edduos que se misturam entre machos, f\u00eameas e filhotes. Quando o barco se aproxima, os animais, que estavam escondidos no barranco do rio, perdem a timidez e se aproximam. Guinchadas, pulos e mergulhos entre a lancha e as ra\u00edzes das \u00e1rvores s\u00e3o tamb\u00e9m uma demonstra\u00e7\u00e3o da habilidade das ariranhas para nadarem nas correntezas do rio Paraguai.<\/p>\n<p>\u201cEsse \u00e9 um dos oito grupos que monitoro h\u00e1 tr\u00eas anos\u201d, afirma Trent, que utiliza o m\u00e9todo de diferencia\u00e7\u00e3o pelo padr\u00e3o de pintas do pesco\u00e7o para identificar cada ariranha que fotografa e registra. \u201cMas, desde que comecei a rastrear cada um dos indiv\u00edduos percebi que eles vivem em fam\u00edlias m\u00faltiplas\u201d, diz. Uma das constata\u00e7\u00f5es do pesquisador \u00e9 que alguns machos de ariranhas, e f\u00eameas tamb\u00e9m, frequentam outras fam\u00edlias vizinhas de barranco de rio. Esses indiv\u00edduos n\u00f4mades se reproduzem por toda a vizinhan\u00e7a.\u00a0 \u201cDigamos que as ariranhas vivem afetivamente em bandos\u201d, diz Trent, enquanto observa o grupo que segue na dire\u00e7\u00e3o da praia do rio.<\/p>\n<p>Esse comportamento familiar das ariranhas ainda n\u00e3o foi registrado pela ci\u00eancia e \u00e9 uma das observa\u00e7\u00f5es de campo que Trent pretende compartilhar no XII Congresso Internacional dos grupos especialistas em \u201cOtters\u201d (termo cient\u00edfico para designar lontras e ariranhas), da Uni\u00e3o Internacional para a Conserva\u00e7\u00e3o da Natureza (IUCN, a sigla em ingl\u00eas), que vai ocorrer durante o F\u00f3rum de Ci\u00eancia e Cultura da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), entre 11 e 15 de agosto.<\/p>\n<p>Mais do que mapear quantas fam\u00edlias de ariranhas vivem na \u00e1rea de pesquisa do Projeto Bichos do Pantanal, Trent busca comprovar que suas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o um padr\u00e3o comum entre as ariranhas. \u201cSe elas vivem em fam\u00edlias m\u00faltiplas isso \u00e9 um bom sinal, pois \u00e9 um comportamento que ajuda na trocar gen\u00e9tica entre os indiv\u00edduos de uma mesma regi\u00e3o. Isso pode inclusive ser um ponto positivo para a prote\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie\u201d, diz Trent.<\/p>\n<p><em>*Jussara Utsch \u00e9 diretora do Instituto Sustentar e coordenadora-geral do Projeto Bichos do Pantanal. Especialista em sustentabilidade pela Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral, foi diretora de comunica\u00e7\u00e3o do Conselho Empresarial Bras. para o Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (CEBDS), foi ponto focal do\u00a0 Comit\u00ea Brasileiro da Avalia\u00e7\u00e3o do Millennium Ecosystem Assessment, da ONU. Criou o programa de TV Brasil Sustent\u00e1vel na TV Cultura de S\u00e3o Paulo e na TV Educativa do Rio de Janeiro.\u00a0 \u00c9 idealizadora e coordenadora do Sustentar (F\u00f3rum Internacional pelo Desenvolvimento Sustent\u00e1vel), um dos maiores f\u00f3runs brasileiros para a discuss\u00e3o do desenvolvimento sustent\u00e1vel.)<\/em><\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" title=\"Ariranhas no Pantanal (Foto: Douglas Trent)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/2KaIyM7l5tzFa8YC1AZwlUKrKw4=\/620x465\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2014\/08\/13\/ariranhablog2.jpg\" alt=\"Ariranhas no Pantanal (Foto: Douglas Trent)\" width=\"631\" height=\"465\" \/><label class=\"foto-legenda\">Ariranhas no Pantanal (Foto: Douglas Trent)<\/label><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As ariranhas s\u00e3o b\u00edgamas? 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