{"id":47679,"date":"2016-08-13T12:00:46","date_gmt":"2016-08-13T15:00:46","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=47679"},"modified":"2016-08-13T11:22:54","modified_gmt":"2016-08-13T14:22:54","slug":"homem-ainda-nao-se-apercebeu-que-quem-esta-em-risco-de-extincao-e-sua-propria-especie","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/homem-ainda-nao-se-apercebeu-que-quem-esta-em-risco-de-extincao-e-sua-propria-especie\/","title":{"rendered":"Homem ainda n\u00e3o se apercebeu que quem est\u00e1 em risco de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=47680\" rel=\"attachment wp-att-47680\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-47680\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por J\u00falio Ottoboni*<\/em><\/p>\n<p>Uma quantidade imensa de pesquisas, surgidas de diversos cantos, inclusive da academia colocam a <strong>quest\u00e3o ambiental<\/strong> entre as <strong>cinco maiores preocupa\u00e7\u00f5es atuais da humanidade<\/strong>. H\u00e1 momentos que ela alcan\u00e7a o terceiro lugar neste ranking, s\u00f3 sendo superada por quest\u00f5es mais diretamente ligadas ao cotidiano humano, como inseguran\u00e7a e economia. Embora esses estudos apontem a sa\u00fade do planeta como algo crucial, ela \u00e9 \u2013sem d\u00favida \u2013 a que menos recebe aten\u00e7\u00e3o e interven\u00e7\u00f5es diretas sejam por parte de governos ou da pr\u00f3pria sociedade.<\/p>\n<p>O jornalismo sob enfoque tanto cient\u00edfico como o ambiental, esse \u00faltimo muito mais organizado em suas rela\u00e7\u00f5es, se esfor\u00e7a para colocar uma lupa e por vezes uma teleobjetiva macro em a\u00e7\u00f5es pontuais na esperan\u00e7a de sensibilizar as pessoas sobre a\u00e7\u00f5es positivas ou parte para exemplos tr\u00e1gicos como fen\u00f4menos extremos, geralmente ligados ao clima. Mas entre a sensibiliza\u00e7\u00e3o e a a\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica h\u00e1 um abismo, al\u00e9m do perigo de alicer\u00e7ar a zona de conforto de muito inativos ambientalmente.<\/p>\n<p>H\u00e1 um latente analfabetismo ambiental e cient\u00edfico, que n\u00e3o \u00e9 exclusividade brasileira, que colabora fundamentalmente para que os barbarismos da antropiza\u00e7\u00e3o do meio ambiente natural acabem mitigados pela pr\u00f3pria m\u00eddia ao apresentar solu\u00e7\u00f5es individuais, de pequeno alcance. A resposta inconsciente \u2013 ou mesmo consciente \u2013 \u00e9 que h\u00e1 gente j\u00e1 trabalhando nesta mudan\u00e7a planet\u00e1ria. Como se isso aplacasse a culpa e, principalmente, a inoper\u00e2ncia de grande parte da sociedade. A situa\u00e7\u00e3o piora se isso mexer com algum interesse particular ou com a altera\u00e7\u00e3o do status quo do indiv\u00edduo. Vivemos a dicotomia do \u201cprecisamos mudar, mas, por favor, n\u00e3o altere nada\u201d.<\/p>\n<p>O homem ainda n\u00e3o se apercebeu que quem est\u00e1 em risco de extin\u00e7\u00e3o \u00e9 sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie. Ele passar\u00e1 e permanecer\u00e1 como um registro f\u00f3ssil, assim como as esp\u00e9cies marinhas, os grandes r\u00e9pteis, os dinossauros e a megafauna, essa j\u00e1 incluindo diversos mam\u00edferos. Em 500 milh\u00f5es de anos de evolu\u00e7\u00e3o da vida planet\u00e1ria e de extin\u00e7\u00f5es em massa (j\u00e1 que eles ocorrem diariamente em menor escala), a melhor defini\u00e7\u00e3o do que venha ser a esp\u00e9cie humana vem do jornalista da BBC e naturalista David Attenborough: \u201c Somos muito mais filhos de desastres naturais que da pr\u00f3pria evolu\u00e7\u00e3o natural\u201d.<\/p>\n<p>A <strong>busca por informa\u00e7\u00f5es ambientais<\/strong> cresce, o assunto ganha espa\u00e7o desde os debates acad\u00eamicos at\u00e9 as conversas de mesa de bar, criando um paradoxo no m\u00ednimo curioso: necessita da informa\u00e7\u00e3o, de compreend\u00ea-la dentro de uma linguagem acess\u00edvel ao leigo, mas n\u00e3o est\u00e1 disposta a banc\u00e1-la. \u00a0Os <strong>sites e publica\u00e7\u00f5es especializadas no tema vivem \u00e0 mingua<\/strong> para manter-se e diversos j\u00e1 encerraram suas atividades.<\/p>\n<p>A sociedade, em sua esquizofrenia mercantilista, paga altos valores para ter informa\u00e7\u00f5es de ordem econ\u00f4mica. Mas n\u00e3o faz o mesmo pela ambiental. Para a maioria preocupada com a situa\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria (embora haja uma significativa parcela que sequer busque compreender a gravidade do quadro) compreender que a eleva\u00e7\u00e3o de um grau cent\u00edgrado na m\u00e9dia t\u00e9rmica mundial esfacelar\u00e1 esse modelo econ\u00f4mico que tanto se preza. Mais dif\u00edcil ainda se aperceber que suas estruturas sociais se transformaram drasticamente em quest\u00f5es de dias ou mesmo de horas, num colapso fatal.<\/p>\n<p><img src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/adaptacao-a-mudanca-climatica-FAO-Eliza-Deacon.jpg\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>Consumo inconsciente versus o esgotamento dos recursos naturais: qual a responsabilidade de cada um nesse cen\u00e1rio? &#8211; Imagem: Dom\u00ednio P\u00fablico<\/em><\/p>\n<p>Existe a\u00ed um autismo das sociedades urbanas movidas pelo consumo apregoado por uma <strong>economia desenfreada<\/strong>, autof\u00e1gica e narcisista, al\u00e9m de extremamente ego\u00edsta. A beira deste colapso se v\u00ea surgir \u00e0s figuras dos salvadores, que mesmo com a prostra\u00e7\u00e3o geral, emergir\u00e1 para a reden\u00e7\u00e3o da humanidade e seu rastro de atrocidade.<\/p>\n<p>V\u00e1rios acreditam na figura de Deus redentorista, difundido pelas religi\u00f5es monote\u00edstas. Os mais pragm\u00e1ticos buscam as respostas em governantes mal assessorados e intencionados que surgem com ares messi\u00e2nicos no universo da pol\u00edtica mundial. Ou no empresariado que posa de timoneiro da constru\u00e7\u00e3o de uma nova ordem mundial. Em todos esses casos h\u00e1 a reden\u00e7\u00e3o dos <strong>desastres ambientais<\/strong> provocados pelo homem e a perpetua\u00e7\u00e3o desta esp\u00e9cie como soberana sobre os demais seres viventes e numa tentativa suicida em controlar o planeta.<\/p>\n<p>Para completar, o universo cient\u00edfico quando n\u00e3o passa a desqualificar os movimentos ambientais, num exerc\u00edcio de ego pr\u00f3prio dos decanos da erudi\u00e7\u00e3o, diminu\u00edram sensivelmente a divulga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas e poucas vezes estabelecem v\u00ednculos entre seus trabalhos e de colegas \u2018concorrentes\u2019. Infelizmente essa ainda \u00e9 uma pr\u00e1tica comum no meio acad\u00eamico e t\u00e3o provinciana quanto \u00e0s tiranias do conhecimento que condenaram Galileu, Pasteur, Darwin e uma infinidade de outros que ousaram enfrentar as elites do saber.<\/p>\n<p>S\u00f3 haver\u00e1 real esperan\u00e7a em alterar a dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o planet\u00e1ria quando o volume de conhecimento e informa\u00e7\u00f5es cruciais para a cria\u00e7\u00e3o de uma massa cr\u00edtica saltar das disserta\u00e7\u00f5es e teses, pesquisas mantidas sob o anonimato e estudos, inclusive inconclusos, deixarem o mofo de seus escaninhos e bibliotecas e saltaram para a democratiza\u00e7\u00e3o do conhecimento.<\/p>\n<p>Enquanto o imp\u00e9rio do ego\u00edsmo n\u00e3o superar essa falta de vis\u00e3o universal estamos fadados a sermos os autores da mais cruel e programada extin\u00e7\u00e3o em massa do que chamamos hoje de Terra.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>*\u00a0<strong>J\u00falio Ottoboni<\/strong>\u00a0\u00e9 jornalista diplomado, tem 31 anos de profiss\u00e3o, foi da primeira turma de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de jornalismo cient\u00edfico do Brasil, atuou em diversos ve\u00edculos da grande imprensa brasileira, tem cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00f5es no ITA, INPE, Observat\u00f3rio Nacional e DCTA. Escreve para publica\u00e7\u00f5es nacionais\u00a0 e estrangeiras sobre meio ambiente terrestre, ci\u00eancia e tecnologia aeroespacial e economia. \u00c9 conselheiro de entidades ambientais, como Corredor Ecol\u00f3gico Vale do Para\u00edba, foi professor universit\u00e1rio em jornalismo e \u00e9 coautor de diversos livros sobre meio ambiente. \u00a0\u00c9 colaborador<\/em>\u00a0Attenborough<em>\u00a0fixo da Ag\u00eancia Envolverde e integrante da Rebia.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por J\u00falio Ottoboni* Uma quantidade imensa de pesquisas, surgidas de diversos cantos, inclusive da academia<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":47680,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/especie_humana.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por J\u00falio Ottoboni* Uma quantidade imensa de pesquisas, surgidas de diversos cantos, inclusive da academia","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47679"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47679"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47679\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47680"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47679"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47679"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47679"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}