{"id":47401,"date":"2016-08-08T12:30:22","date_gmt":"2016-08-08T15:30:22","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=47401"},"modified":"2016-08-08T12:30:23","modified_gmt":"2016-08-08T15:30:23","slug":"o-homem-das-plantinhas-a-historia-do-morador-que-se-dedica-a-reflorestar-as-favelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-homem-das-plantinhas-a-historia-do-morador-que-se-dedica-a-reflorestar-as-favelas\/","title":{"rendered":"&#8216;O homem das plantinhas&#8217;: a hist\u00f3ria do morador que se dedica a reflorestar as favelas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/o-homem-das-plantinhas-a-historia-do-morador-que-se-dedica-a-reflorestar-as-favelas\/homem_plantinhas\/\" rel=\"attachment wp-att-47403\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-47403\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Todos os dias, Jocelino Porto, de 70 anos, segue a mesma rotina: acorda \u00e0s 5h da manh\u00e3, toma um banho gelado e dedica-se a cuidar de centenas de mudas de plantas que, cultivadas em pequenos copos pl\u00e1sticos, se amontoam em sua casa na favela de Rocha Miranda, na Zona Norte do <a class=\"premium-tip\" href=\"http:\/\/g1.globo.com\/rj\/rio-de-janeiro\/cidade\/rio-de-janeiro.html\">Rio de Janeiro<\/a>.<\/p>\n<p>Pouco depois, come\u00e7a a receber seguidos telefonemas. S\u00e3o pessoas em busca de p\u00e9s de graviola, pitanga e goiaba, entre os mais de 70 mil j\u00e1 produzidos por esse paraibano com sotaque carioca.<\/p>\n<p>H\u00e1 mais de tr\u00eas d\u00e9cadas, em um trabalho praticamente solit\u00e1rio, Porto dedica-se a reflorestar as favelas da capital fluminense. Tamanho empenho lhe valeu o apelido de &#8216;homem das plantinhas&#8217;, como \u00e9 conhecido aonde chega.<\/p>\n<p>&#8220;Meu sonho \u00e9 ver as favelas de novo cobertas pelo verde. Sempre gostei de mexer com plantas e espero poder conscientizar cada vez mais pessoas sobre a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o da natureza&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Articulador social da ONG Viva Rio, onde trabalha desde 2010, Porto deu o seguinte depoimento \u00e0 BBC Brasil:<\/p>\n<p>&#8220;Nasci em Campina Grande, na Para\u00edba. Mas, quando tinha dois anos, meu pai decidiu se mudar com toda a fam\u00edlia &#8211; eu, minha m\u00e3e e meus nove irm\u00e3os \u2500 para S\u00e3o Paulo, em busca de uma vida melhor. Pouco tempo depois, pegamos a estrada novamente, dessa vez rumo ao Rio de Janeiro, onde vivo at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>N\u00e3o tive uma inf\u00e2ncia feliz. Mas s\u00f3 me dei conta disso mais tarde, depois de velho. Trabalhei desde muito cedo. \u00c9ramos muito pobres e sempre moramos em favela. Um dia, quando tinha cerca de dez anos, meu pai me chamou para uma conversa e me disse desesperado que n\u00e3o aguentava mais. Tive de parar de estudar para ajud\u00e1-lo a pagar as contas. Era isso ou passar\u00edamos fome.<\/p>\n<p>Sempre gostei de plantas. Desde muito cedo, aprendi a cuidar delas. Trata-se de um trabalho minucioso, que leva em conta um sem n\u00famero de vari\u00e1veis: \u00e1gua, temperatura, exposi\u00e7\u00e3o ao sol s\u00e3o algumas delas.<\/p>\n<p>Cultivo as mudas em minha casa, na favela de Rocha Miranda, na zona norte do Rio de Janeiro. N\u00e3o tenho muito espa\u00e7o, mas o suficiente para abrigar cerca de 300 p\u00e9s de diferentes \u00e1rvores. Em ocasi\u00f5es especiais, contudo, esse n\u00famero pode chegar a at\u00e9 2 mil, como no Dia Internacional do Meio Ambiente, em junho, quando costumo fazer uma grande campanha. Isso sem falar no adubo, que produzo aqui mesmo, com os restos de alimentos.<\/p>\n<p>Coloco as sementes em um copinho pl\u00e1stico e espero germinar. Assim que come\u00e7am a crescer, sei que \u00e9 hora de do\u00e1-las.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" class=\"\" title=\"Porto j\u00e1 produziu mais de 72 mil mudas (Foto: Jocelino Porto)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/jMyFDvqYCxMNiFQTClBtTIKak_k=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/08\/08\/jocelino.png\" alt=\"Porto j\u00e1 produziu mais de 72 mil mudas (Foto: Jocelino Porto)\" width=\"640\" height=\"325\" \/><strong>Porto j\u00e1 produziu mais de 72 mil mudas (Foto: Jocelino Porto)<\/strong><\/div>\n<p><strong>&#8216;Homem das plantinhas&#8217;<\/strong><br \/>\nGanhei o apelido de &#8216;homem das plantinhas&#8217; por causa do meu trabalho no reflorestamento das favelas. O que come\u00e7ou como um passatempo \u00e9 hoje a minha raz\u00e3o de viver. Desde a d\u00e9cada de 90, segundo meus pr\u00f3prios c\u00e1lculos, j\u00e1 produzi mais de 72 mil mudas.<\/p>\n<p>N\u00e3o vou negar que se trata \u00e0s vezes de um trabalho solit\u00e1rio. Mas \u00e9 recompensador ver a felicidade das pessoas quando a \u00e1rvore que plantei vira refer\u00eancia dentro de uma favela e promove uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Aqui perto de casa, por exemplo, plantei um p\u00e9 de erva cidreira. Todos os dias vejo pessoas quebrando os galhos para fazer ch\u00e1. A grande maioria n\u00e3o tem dinheiro para comprar rem\u00e9dio e usa o ch\u00e1 para curar resfriados e tratar outras indisposi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Minha inten\u00e7\u00e3o \u00e9 ver as favelas de novo cobertas pelo verde. As favelas hoje s\u00e3o \u00e1ridas e mal-cuidadas. Somos carentes de tudo e vivemos em uma guerra intermin\u00e1vel. Quem mais perde com isso s\u00e3o os moradores.<\/p>\n<p>Diante de tanto sofrimento, sinto que tenho de fazer a minha parte. E vi na natureza uma forma de reaproximar a comunidade \u2500 ganhei o respeito dos moradores, dos traficantes e tamb\u00e9m dos policiais.<\/p>\n<p>Em 1992, fui um dos fundadores do NEPP (N\u00facleo Ecol\u00f3gico de Pedras Preciosas), onde desenvolvi um importante trabalho de educa\u00e7\u00e3o ambiental nas favelas do Rio. A NEPP acabou virando uma refer\u00eancia e um dos frutos do nosso trabalho foi a redu\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua dentro das favelas, al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o de 200 agentes ambientais.<\/p>\n<p>Quatro anos depois, criei uma escolinha ecol\u00f3gica para crian\u00e7as de sete a 11 anos. Participei tamb\u00e9m da cria\u00e7\u00e3o da Eco Favela e fui fundador do Movimento Ecol\u00f3gico de Rocha Miranda.<\/p>\n<p>Tenho por companhia insepar\u00e1vel minha pequena c\u00e2mera por meio da qual denuncio principalmente locais com ac\u00famulo de lixo. S\u00e3o mais de 10 mil fotos reveladas, compiladas em um arquivo que re\u00fane 36 volumes de cat\u00e1logos, registros de meus servi\u00e7os prestados \u00e0 comunidade ao longo da vida.<\/p>\n<p><strong>Orgulho<\/strong><br \/>\nMas, sem d\u00favida, um dos meus maiores orgulhos \u00e9 ver a rea\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as ao meu trabalho.<\/p>\n<p>Lembro-me at\u00e9 hoje da campanha que fizemos na Cinel\u00e2ndia, no centro do Rio, em 1997. Timidamente, oferecemos uma muda de planta em troca de 1 kg de alimento. Foi um sucesso. Em pouco tempo, as 300 mudas que havia trazido acabaram.<\/p>\n<p>Em outra ocasi\u00e3o, recentemente, na favela da Mar\u00e9, realizei uma oficina voltada para o p\u00fablico infantil. No in\u00edcio, as crian\u00e7as n\u00e3o queriam sujar as m\u00e3os na terra. Mas logo que a primeira come\u00e7ou a transferir as mudas para o copinho pl\u00e1stico, todas ficaram entusiasmadas e quiseram participar.<\/p>\n<p>Sem d\u00favida, as crian\u00e7as d\u00e3o muito mais valor ao meu trabalho do que as autoridades. Todos os secret\u00e1rios de meio ambiente do Rio j\u00e1 estiveram na minha casa e fizeram promessas. Nenhuma foi cumprida.<\/p>\n<p>Tenho poucas ambi\u00e7\u00f5es na vida, mas espero que meu legado sirva para conscientizar a todos sobre a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o da natureza. \u00c9 uma luta di\u00e1ria que n\u00e3o pode parar.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todos os dias, Jocelino Porto, de 70 anos, segue a mesma rotina: acorda \u00e0s 5h<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":47403,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/homem_plantinhas.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Todos os dias, Jocelino Porto, de 70 anos, segue a mesma rotina: acorda \u00e0s 5h","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47401"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47401"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47401\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47403"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47401"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47401"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47401"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}