{"id":47201,"date":"2016-08-05T15:26:11","date_gmt":"2016-08-05T18:26:11","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=47201"},"modified":"2016-08-05T15:26:12","modified_gmt":"2016-08-05T18:26:12","slug":"estudos-sobre-o-agressor-ajudam-a-combater-a-violencia-contra-a-mulher","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudos-sobre-o-agressor-ajudam-a-combater-a-violencia-contra-a-mulher\/","title":{"rendered":"Estudos sobre o agressor ajudam a combater a viol\u00eancia contra a mulher"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudos-sobre-o-agressor-ajudam-a-combater-a-violencia-contra-a-mulher\/violencia\/\" rel=\"attachment wp-att-47202\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-47202\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/violencia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/violencia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/violencia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A viol\u00eancia contra a mulher ocorre, na maioria das vezes, no contexto da rela\u00e7\u00e3o de um casal. Mas, at\u00e9 recentemente, grande parte dos estudos sobre o tema focava exclusivamente na v\u00edtima, deixando de lado a reflex\u00e3o sobre o que leva o homem a agredir e quais interven\u00e7\u00f5es sobre o agressor podem impedir novos atos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Hoje, num contexto em que a Lei Maria da Penha prev\u00ea a ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de reabilita\u00e7\u00e3o para os agressores, as pesquisas sobre o homem autor de viol\u00eancia t\u00eam se desenvolvido com maior intensidade no Brasil e no mundo. Mas o campo precisa se expandir ainda mais, j\u00e1 que a falta de conhecimento do assunto dificulta a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Adriano Beiras, professor do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), observa que havia, no passado, um preconceito com os trabalhos relacionados ao agressor. &#8220;At\u00e9 ent\u00e3o, se entendia que trabalhar com os homens era trabalhar contra as mulheres. O que tem crescido agora \u00e9 o entendimento de que quando se trabalha com o homem autor de viol\u00eancia est\u00e1 se trabalhando para a mulher; para ele deixar de bater em outras mulheres.&#8221;<\/p>\n<p>O G1 conversou com pesquisadores que optaram por analisar quem agride para descobrir o que a ci\u00eancia j\u00e1 revelou sobre o assunto.<\/p>\n<p><strong>Perfil do agressor<\/strong><br \/>\nA pesquisadora Anne Silva, tamb\u00e9m da UFSC, junto com os colegas Elza Berger Salema Coelho e Rodrigo Otavio Moretti-Pires, fez uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica dos estudos j\u00e1 publicados sobre o homem autor de viol\u00eancia contra a parceira \u00edntima.<\/p>\n<p>Eles analisaram 33 artigos de todo o mundo para tentar encontrar uma caracter\u00edstica em comum entre os homens que chegam a agredir uma mulher, seja fisicamente, psicologicamente ou moralmente.<\/p>\n<p>\u201cA conclus\u00e3o a que eu cheguei nessa revis\u00e3o foi que, apesar de ter uma faixa et\u00e1ria que est\u00e1 mais relacionada e serem indiv\u00edduos com menos escolaridade, as pesquisas mostram que homens de todos os tipos podem cometer viol\u00eancia contra a companheira. Isso \u00e9 importante levar em conta para a gente tirar da cabe\u00e7a alguns preconceitos\u201d. diz Silva.<\/p>\n<p>Esta tamb\u00e9m \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de Beiras. &#8220;Qualquer homem pode cometer atos violentos, na medida em que a viol\u00eancia \u00e9 associada com uma caracter\u00edstica da masculinidade; existe uma naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Quando se estabelece um perfil focando em classe social, ra\u00e7a, patologias e outras quest\u00f5es, isso acaba por reduzir uma quest\u00e3o social e complexa.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Faixa-et\u00e1ria, escolaridade e emprego<\/strong><br \/>\nQuanto \u00e0 idade dos agressores, os dados apontam que desde adolescentes at\u00e9 idosos podem agredir. A faixa et\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 algo determinante, mas, em grande parte dos casos, os homens t\u00eam entre 25 e 30 anos, segundo o estudo de Silva.<\/p>\n<p>Sobre a escolaridade, o trabalho mostra que 47,6% dos homens que agridem n\u00e3o completaram o ensino fundamental. Ainda segundo a an\u00e1lise, o fato de o parceiro ser desempregado, ser aposentado ou ter um trabalho informal aumenta em quase duas vezes o risco de ele cometer viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Silva aponta para uma possibilidade levada em conta com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe social: homens e mulheres que pertecem \u00e0 classe mais alta n\u00e3o chegam a entrar nos dados das pesquisas. \u201cPor enquanto, delegacias e hospitais s\u00e3o \u00e1reas em que as pessoas de classes mais baixas v\u00e3o procurar aux\u00edlio, e as de classes mais altas v\u00e3o procurar um profissional particular e n\u00e3o v\u00e3o entrar nas estat\u00edsticas.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00c1lcool e drogas<\/strong><br \/>\nUm ponto que se repete nas pesquisas \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o entre a viol\u00eancia contra a mulher e o consumo de \u00e1lcool e drogas. Pesquisas feitas no Piau\u00ed, Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo, Pernambuco e Paran\u00e1 indicam que homens que bebem t\u00eam mais probabilidade de agredir mulheres com quem convivem.<\/p>\n<p>A viol\u00eancia contra a mulher ocorre, na maioria das vezes, no contexto da rela\u00e7\u00e3o de um casal. Mas, at\u00e9 recentemente, grande parte dos estudos sobre o tema focava exclusivamente na v\u00edtima, deixando de lado a reflex\u00e3o sobre o que leva o homem a agredir e quais interven\u00e7\u00f5es sobre o agressor podem impedir novos atos de viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Hoje, num contexto em que a Lei Maria da Penha prev\u00ea a ado\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias de reabilita\u00e7\u00e3o para os agressores, as pesquisas sobre o homem autor de viol\u00eancia t\u00eam se desenvolvido com maior intensidade no Brasil e no mundo. Mas o campo precisa se expandir ainda mais, j\u00e1 que a falta de conhecimento do assunto dificulta a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas.<\/p>\n<p>O psic\u00f3logo Adriano Beiras, professor do programa de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), observa que havia, no passado, um preconceito com os trabalhos relacionados ao agressor. &#8220;At\u00e9 ent\u00e3o, se entendia que trabalhar com os homens era trabalhar contra as mulheres. O que tem crescido agora \u00e9 o entendimento de que quando se trabalha com o homem autor de viol\u00eancia est\u00e1 se trabalhando para a mulher; para ele deixar de bater em outras mulheres.&#8221;<\/p>\n<p>O <strong>G1<\/strong> conversou com pesquisadores que optaram por analisar quem agride para descobrir o que a ci\u00eancia j\u00e1 revelou sobre o assunto.<\/p>\n<p><strong>Perfil do agressor<\/strong><br \/>\nA pesquisadora Anne Silva, tamb\u00e9m da UFSC, junto com os colegas Elza Berger Salema Coelho e Rodrigo Otavio Moretti-Pires, fez uma revis\u00e3o sistem\u00e1tica dos estudos j\u00e1 publicados sobre o homem autor de viol\u00eancia contra a parceira \u00edntima.<\/p>\n<p>Eles analisaram 33 artigos de todo o mundo para tentar encontrar uma caracter\u00edstica em comum entre os homens que chegam a agredir uma mulher, seja fisicamente, psicologicamente ou moralmente.<\/p>\n<p>\u201cA conclus\u00e3o a que eu cheguei nessa revis\u00e3o foi que, apesar de ter uma faixa et\u00e1ria que est\u00e1 mais relacionada e serem indiv\u00edduos com menos escolaridade, as pesquisas mostram que homens de todos os tipos podem cometer viol\u00eancia contra a companheira. Isso \u00e9 importante levar em conta para a gente tirar da cabe\u00e7a alguns preconceitos\u201d. diz Silva.<\/p>\n<p>Esta tamb\u00e9m \u00e9 a percep\u00e7\u00e3o de Beiras. &#8220;Qualquer homem pode cometer atos violentos, na medida em que a viol\u00eancia \u00e9 associada com uma caracter\u00edstica da masculinidade; existe uma naturaliza\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia. Quando se estabelece um perfil focando em classe social, ra\u00e7a, patologias e outras quest\u00f5es, isso acaba por reduzir uma quest\u00e3o social e complexa.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Faixa-et\u00e1ria, escolaridade e emprego<\/strong><br \/>\nQuanto \u00e0 idade dos agressores, os dados apontam que desde adolescentes at\u00e9 idosos podem agredir. A faixa et\u00e1ria n\u00e3o \u00e9 algo determinante, mas, em grande parte dos casos, os homens t\u00eam entre 25 e 30 anos, segundo o estudo de Silva.<\/p>\n<p>Sobre a escolaridade, o trabalho mostra que 47,6% dos homens que agridem n\u00e3o completaram o ensino fundamental. Ainda segundo a an\u00e1lise, o fato de o parceiro ser desempregado, ser aposentado ou ter um trabalho informal aumenta em quase duas vezes o risco de ele cometer viol\u00eancia.<\/p>\n<p>Silva aponta para uma possibilidade levada em conta com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 classe social: homens e mulheres que pertecem \u00e0 classe mais alta n\u00e3o chegam a entrar nos dados das pesquisas. \u201cPor enquanto, delegacias e hospitais s\u00e3o \u00e1reas em que as pessoas de classes mais baixas v\u00e3o procurar aux\u00edlio, e as de classes mais altas v\u00e3o procurar um profissional particular e n\u00e3o v\u00e3o entrar nas estat\u00edsticas.\u201d<\/p>\n<p><strong>\u00c1lcool e drogas<\/strong><br \/>\nUm ponto que se repete nas pesquisas \u00e9 a associa\u00e7\u00e3o entre a viol\u00eancia contra a mulher e o consumo de \u00e1lcool e drogas. 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