{"id":47013,"date":"2016-08-02T14:30:14","date_gmt":"2016-08-02T17:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=47013"},"modified":"2016-08-02T22:01:17","modified_gmt":"2016-08-03T01:01:17","slug":"agrotoxicos-ameacam-colonias-de-aves-da-antartica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agrotoxicos-ameacam-colonias-de-aves-da-antartica\/","title":{"rendered":"Agrot\u00f3xicos amea\u00e7am col\u00f4nias de aves da Ant\u00e1rtica, confirmam pesquisadores"},"content":{"rendered":"<p><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agrotoxicos-ameacam-colonias-de-aves-da-antartica\/agrotoxico-21\/\" rel=\"attachment wp-att-47014\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-47014\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Pesquisadores confirmaram a presen\u00e7a de contaminantes org\u00e2nicos no sangue de petr\u00e9is-gigantes do sul de diversas col\u00f4nias na Pen\u00ednsula Ant\u00e1rtica.<\/em><\/p>\n<p>Estudos de carca\u00e7as e outros tecidos j\u00e1 tinham dado sinais da contamina\u00e7\u00e3o, agora confirmados a partir de amostras de sangue em que foi detectada a presen\u00e7a de diversas subst\u00e2ncias nocivas, entre as quais o DDT, pesticida banido nos Estados Unidos em 1972, quando se constatou que seu uso amea\u00e7ava a sobreviv\u00eancia de diversas esp\u00e9cies de aves de rapina.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada pela bi\u00f3loga Fernanda Imperatrice Colabuono, do Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Ela estudou os animais das col\u00f4nias de petr\u00e9is-gigantes das ilhas Elefante e Livingston, no arquip\u00e9lago das Shetland do Sul, na Pen\u00ednsula Ant\u00e1rtica, com bolsa de p\u00f3s-doutorado e bolsa de est\u00e1gio de pesquisa no exterior da FAPESP.<\/p>\n<p>A pesquisa teve apoio tamb\u00e9m da Universidade do Vale do Rio dos Sinos e do National Institute of Standards and Technology dos Estados Unidos, com o apoio log\u00edstico do Programa Ant\u00e1rtico Brasileiro.<\/p>\n<p>O petrel-gigante-do-sul (Macronectes giganteus) \u00e9 um animal magn\u00edfico e um importante predador de topo no Atl\u00e2ntico Sul e Oceano Austral. Com envergadura de asas de cerca de 2 metros, \u00e9 uma das maiores aves voadoras do planeta, menor apenas que o albatroz e o condor. S\u00e3o tamb\u00e9m longevos. Petr\u00e9is-gigantes podem viver mais de 50 anos. Passam a vida nos c\u00e9us dos mares do Sul do planeta, \u00e0 procura de comida.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca do acasalamento, durante o ver\u00e3o ant\u00e1rtico, os petr\u00e9is-gigantes retornam \u00e0 mesma col\u00f4nia onde nasceram. Para os bi\u00f3logos, essa \u00e9 uma vantagem para o estudo da esp\u00e9cie. Uma vez identificado e marcado, um indiv\u00edduo pode ter sua vida estudada por v\u00e1rios anos.<\/p>\n<p>Nos ver\u00f5es ant\u00e1rticos de 2011\/2012 e 2012\/2013, Colabuono coletou amostras de sangue de 113 indiv\u00edduos e constatou a presen\u00e7a de contaminantes org\u00e2nicos como bifenilos policlorados (PCBs), hexaclorobenzeno (HCB), pentaclorobenzeno (PeCB), diclorodifeniltricloroetano (DDTs) e derivados, o pesticida clordano (banido nos Estados Unidos em 1988) e o formicida Mirex (banido nos Estados Unidos em 1978 e recentemente no Brasil).<\/p>\n<p>Segundo Colabuono, todos esses poluentes org\u00e2nicos s\u00e3o persistentes no meio ambiente, t\u00eam a\u00e7\u00e3o cancer\u00edgena, causam disfun\u00e7\u00e3o hormonal e problemas reprodutivos. Os resultados foram publicados num <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0269749116304298\" target=\"_blank\">artigo<\/a> em Environmental Pollution.<\/p>\n<p>Colabuono afirma que, comparado aos n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o nas aves do hemisf\u00e9rio norte, os n\u00edveis de contamina\u00e7\u00e3o detectados nas col\u00f4nias de petreis na Pen\u00ednsula Ant\u00e1rtica ainda s\u00e3o baixos. O objetivo agora \u00e9 monitor\u00e1-los no longo prazo, para se \u201cter um indicativo da tend\u00eancia de aumento ou decr\u00e9scimo desses contaminantes ao longo dos anos no ambiente em que estas aves vivem\u201d, diz a bi\u00f3loga.<\/p>\n<p><strong>Cadeia de contamina\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>O DDT \u00e9 transportado pelo ar e pela chuva. Uma vez em rios e lagos, se acumula na cadeia alimentar. Os insetos contaminados s\u00e3o comidos por peixes e estes por outros predadores. Em cada patamar da cadeia alimentar o n\u00edvel de ac\u00famulo de DDT nos tecidos aumenta.<\/p>\n<p>Seus efeitos nocivos se tornam mais vis\u00edveis quando se atinge o \u00e1pice da cadeia, nos predadores de topo. O petrel-gigante \u00e9 um deles. Ele se alimenta de peixes, lulas e at\u00e9 de carca\u00e7as de outras aves. Ou seja, no trajeto de uma longa vida, ao comer centenas de quilos de peixes contaminados, a quantidade de contaminantes nos tecidos do petrel sempre aumenta.<\/p>\n<p>Foi o que aconteceu nos Estados Unidos com os falc\u00f5es-peregrinos e os condores da Calif\u00f3rnia. Nos anos 1960, suas popula\u00e7\u00f5es come\u00e7aram a declinar dramaticamente. Os condores chegaram a contar apenas umas poucas centenas de indiv\u00edduos. Estavam a um passo da completa extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Foi quando se descobriu o papel do DDT naquela trag\u00e9dia. Ao se acumular no corpo das f\u00eameas adultas, o DDT era repassado \u00e0 casca de seus ovos, que se tornavam finas e fr\u00e1geis, partindo com grande frequ\u00eancia. A reprodu\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie estava amea\u00e7ada. Em 1972, a produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e o uso do DDT foram banidos nos Estados Unidos. Com o tempo, as popula\u00e7\u00f5es de falc\u00f5es e condores come\u00e7aram a se recuperar.<\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 atualmente o maior consumidor mundial de agrot\u00f3xicos. O uso proibido do DDT foi proibido pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) apenas em 2009 \u2013 mas, como ele persiste no meio ambiente, sua presen\u00e7a ainda \u00e9 detectada nos tecidos de animais como o petrel. A preocupa\u00e7\u00e3o de Colabuono em acompanhar a vida de seus petr\u00e9is-gigantes tem fundamento.<\/p>\n<p>O artigo de Fernanda I. Colabuono, Stacy S. Vander Pol, Kevin M. Huncik, Satie Taniguchi, Maria V. Petry, John R. Kucklick, Rosalinda C. Montone, Persistent organic pollutants in blood samples of Southern Giant Petrels (Macronectes giganteus) from the South Shetland Islands, Antarctica, publicado em Environmental Pollution, pode ser acessado <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0269749116304298\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores confirmaram a presen\u00e7a de contaminantes org\u00e2nicos no sangue de petr\u00e9is-gigantes do sul de diversas<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":47014,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/agrotoxico.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":1,"uagb_excerpt":"Pesquisadores confirmaram a presen\u00e7a de contaminantes org\u00e2nicos no sangue de petr\u00e9is-gigantes do sul de diversas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47013"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=47013"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/47013\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/47014"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=47013"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=47013"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=47013"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}