{"id":46977,"date":"2016-08-02T09:00:42","date_gmt":"2016-08-02T12:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=46977"},"modified":"2016-08-01T21:02:07","modified_gmt":"2016-08-02T00:02:07","slug":"nossa-conexao-com-a-natureza-pode-ser-chave-a-conservacao-do-planeta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/nossa-conexao-com-a-natureza-pode-ser-chave-a-conservacao-do-planeta\/","title":{"rendered":"Nossa conex\u00e3o com a natureza pode ser chave a conserva\u00e7\u00e3o do planeta"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=46978\" rel=\"attachment wp-att-46978\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-46978\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/biofilia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/biofilia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/08\/biofilia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em biofilia? O termo, que pode parecer estranho, foi popularizado pelo ec\u00f3logo americano Edward O. Wilson em seu livro de mesmo nome publicado em 1984.\u201cBiofilia\u201d vem do grego <i>bios<\/i>, que significa vida e <i>philia<\/i>, que significa amor, afei\u00e7\u00e3o, ou necessidade de satisfa\u00e7\u00e3o. Ao p\u00e9 da letra, biofilia \u00e9 o amor pela vida. Mas, qual o conceito por tr\u00e1s desse termo?<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O primeiro a utiliz\u00e1-lo foi o psicanalista alem\u00e3o Erich Fromm, para descrever a orienta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica de atra\u00e7\u00e3o por tudo que \u00e9 vivo e vital.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Biofilia \u00e9 um termo que compreende uma perspectiva cient\u00edfica, da atra\u00e7\u00e3o pela natureza como um principio evolutivo, mas tamb\u00e9m tem forte car\u00e1ter filos\u00f3fico. Como assim?<\/p>\n<p dir=\"ltr\">O termo, foi inicialmente utilizado em teorias psicanal\u00edticas que o opunham \u00e0 atra\u00e7\u00e3o pela morte. Mesmo sendo usado em diferentes perspectivas, as teorias concordam que a biofilia \u00e9 um sinal de sa\u00fade f\u00edsica e mental. Diversos estudos comprovam os benef\u00edcios do conv\u00edvio com a natureza para a sa\u00fade humana.<\/p>\n<h3>Biofilia como processo evolutivo<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Em sua obra, Edward O. Wilson discorre sobre a liga\u00e7\u00e3o emocional que os seres humanos t\u00eam com outros organismos vivos e com a natureza. O termo designa essa liga\u00e7\u00e3o emocional e desejo instintivo de se afiliar a outras formas de vida, que segundo Wilson, est\u00e1 em nossos genes e se tornou heredit\u00e1ria. Para Wilson, a biofilia est\u00e1 inscrita no pr\u00f3prio c\u00e9rebro, expressando dezenas de milhares de anos de experi\u00eancia evolutiva. Em sua hip\u00f3tese, o seres humanos procuram inconscientemente essas conex\u00f5es ao longo da vida.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Um exemplo da biofilia \u00e9 a atra\u00e7\u00e3o de mam\u00edferos adultos (especialmente humanos) por rostos de mam\u00edferos filhotes, que despertam instinto de prote\u00e7\u00e3o. Os olhos grandes e pequenas caracter\u00edsticas de qualquer mam\u00edfero jovem despertam uma resposta emocional que ajuda a aumentar as taxas de sobreviv\u00eancia de todos os mam\u00edferos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Da mesma forma, a hip\u00f3tese ajuda a explicar porque as pessoas cuidam e \u00e0s vezes arriscam suas vidas para salvar animais dom\u00e9sticos e selvagens, e mant\u00e9m plantas e flores em torno de suas casas. Muitas vezes, as flores indicam uma fonte potencial de alimenta\u00e7\u00e3o. Boa parte das frutas inicia seu desenvolvimento como flor. Para nossos antepassados, foi crucial identificar, detectar e lembrar de plantas que mais tarde forneceriam alimenta\u00e7\u00e3o. Em outras palavras, o nosso amor natural pela natureza ajuda a sustentar a vida.<\/p>\n<p>Contudo, a biofilia \u00e9 impactada pelas experi\u00eancias pessoais, sociais e culturais no qual o sujeito est\u00e1 inserido, e vive desde a primeira inf\u00e2ncia. Nesse sentido, mesmo que a biofilia seja uma tendencia gen\u00e9tica, h\u00e1 a necessidade de refor\u00e7ar o contato com a natureza para que essa conex\u00e3o se perpetue. Ela carece de um <i>input<\/i> constante a partir do meio natural, ou seja, um conjunto rico e diversificado de experi\u00eancias explorat\u00f3rias em ambiente natural, que reforce as conex\u00f5es com a natureza.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">N\u00f3s nos relacionamos com o ambiente que nos rodeia de diversas formas e com diferentes intensidades. Existem moradores da cidade que evitam paisagens naturais e moradores rurais que n\u00e3o colocam de jeito nenhum os p\u00e9s na cidade. Esse senso de habitat \u00e9 formado a partir de circunst\u00e2ncias familiares da vida di\u00e1ria em conjunto com nossa raiz instintiva. \u00a0Simplificando, aprendemos a amar o que nos \u00e9 familiar: temos a tend\u00eancia a nos relacionar com o que conhecemos bem e se tornou habitual.<\/p>\n<h3>Conex\u00e3o com a natureza<\/h3>\n<p dir=\"ltr\">Em ambientes urbanos, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil encontrar espa\u00e7o para que a biofilia desperte nas pessoas. Em compara\u00e7\u00e3o com as culturas anteriores, a tecnologia atual permite um distanciamento da natureza maior do que nunca. Avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos, maior tempo gasto no interior de edif\u00edcios e carros, e menos atividades que estimulem a biofilia e o respeito com o meio ambiente. Esses pontos promovem o refor\u00e7o da desconex\u00e3o entre os seres humanos e a natureza.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Em que medida nossas perspectivas biol\u00f3gicas e sanidade agora dependem da capacidade de biofilia? \u00c9 importante entendermos como biofilia \u00e9 despertada, como ela prospera, o que exige de n\u00f3s e como ela est\u00e1 sendo utilizada.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">A viol\u00eancia sem precedentes, a polui\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o do meio ambiente, demonstram a necessidade de refor\u00e7ar o v\u00ednculo com a natureza. Para salvar esp\u00e9cies e habitats, precisamos retomar o v\u00ednculo emocional com ela. A ideia \u00e9 que os humanos n\u00e3o lutar\u00e3o para salvar algo ao qual n\u00e3o conseguem se conectar.<\/p>\n<h3>Caminhos: educa\u00e7\u00e3o ambiental, arquitetura<\/h3>\n<h3><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/cdn2.ecycle.com.br\/images\/m-c\/arbor-day-hug-ftr.jpg\" alt=\"biofilia \" width=\"639\" height=\"392\" \/><\/h3>\n<p>O\u00a0ecologista social Stephen Kellert afirma a necessidade de atualiza\u00e7\u00e3o das tend\u00eancias inatas biof\u00edlicas diante da aprendizagem em contexto natural. Essas atividades devem contemplar a multidimensionalidade das fun\u00e7\u00f5es humanas &#8211; a necessidade de conhecimento, o apelo est\u00e9tico, o refor\u00e7o da afetividade e a expans\u00e3o da criatividade e imagina\u00e7\u00e3o. Kellert considera que apenas a natureza vivida diretamente contribui para o pleno desenvolvimento psicossom\u00e1tico de uma consci\u00eancia ambiental.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Nesse contexto, a sociedade urbana opta cada vez mais por formas de contato simb\u00f3lico com o ambiente natural nas quais a crian\u00e7a configura representa\u00e7\u00f5es de uma natureza meramente virtual, sabendo o que \u00e9 uma \u00e1rvore pois a viu em fotos ou TV, sem nunca ter realmente tocado e sentido uma. \u00a0Esse processo de extin\u00e7\u00e3o da experi\u00eancia real parece fluir paralelamente com extin\u00e7\u00e3o da biodiversidade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\">Por meio de processos educacionais, as crian\u00e7as podem ser envolvidas com a natureza, caminhando em ambientes naturais, observando de perto os seres vivos. Quando estimulada, a mente da crian\u00e7a se abre para os la\u00e7os com formas de vida n\u00e3o humanas. A explora\u00e7\u00e3o e a recrea\u00e7\u00e3o, em parques, praias, zool\u00f3gicos, jardins bot\u00e2nicos e museus \u00e9 fundamental para esse processo. Dessa forma, a crian\u00e7a adquire conhecimento junto com emo\u00e7\u00f5es agrad\u00e1veis.<\/p>\n<p>O contato direto com os seres vivos (amoras, morangos, insetos, aves e mam\u00edferos) e f\u00edsicos (ar, solo, \u00e1gua, rochas) afeta a crian\u00e7a de uma forma que a experi\u00eancia simb\u00f3lica n\u00e3o pode substituir. Quanto mais compreendermos outras formas de vida, mais aprenderemos sobre elas, e maior ser\u00e1 o valor a elas atribu\u00eddo.<\/p>\n<p>Na arquitetura, uma estrat\u00e9gia busca reconectar as pessoas com o ambiente natural \u00e9 o design biof\u00edlico. Ele \u00e9 um complemento para a arquitetura verde, que diminui o impacto ambiental do mundo constru\u00eddo. Um exemplo seria a inclus\u00e3o de mais espa\u00e7os verdes na cidade, mais aulas que giram em torno da natureza e a execu\u00e7\u00e3o de design inteligente para cidades mais verdes que integrem os ecossistemas em um design biof\u00edlico.Cada esp\u00e9cie \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o \u00fanica, uma obra-prima da natureza. Preservar o meio ambiente n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de \u201cgostar ou n\u00e3o de natureza\u201d, mas sim de sobreviv\u00eancia e busca de equil\u00edbrio com o planeta. Se n\u00e3o salvarmos esp\u00e9cies e ambientes, talvez n\u00e3o possamos salvar n\u00f3s mesmos. Dependemos mais da natureza do que podemos imaginar. Temos diversas raz\u00f5es para cultivar a biofilia e propagar o respeito \u00e0 natureza. N\u00f3s queremos uma civiliza\u00e7\u00e3o que se mover\u00e1 em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 uma rela\u00e7\u00e3o mais \u00edntima com o mundo natural ou que vai continuar a separar e isolar-se da natureza da qual faz parte?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 ouviu falar em biofilia? 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