{"id":46755,"date":"2016-07-30T09:14:27","date_gmt":"2016-07-30T12:14:27","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=46755"},"modified":"2016-07-30T09:14:27","modified_gmt":"2016-07-30T12:14:27","slug":"por-que-aceitamos-os-dramas-do-lixo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/por-que-aceitamos-os-dramas-do-lixo\/","title":{"rendered":"Por que aceitamos os dramas do lixo?"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-212038\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mundolixo.jpg\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mundolixo.jpg 680w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mundolixo-199x300.jpg 199w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/mundolixo-300x452.jpg 300w\" alt=\"Shutterstock\" width=\"340\" height=\"512\" \/>Por Washington Novaes*<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Essa quest\u00e3o j\u00e1 foi longe demais, o poder p\u00fablico deve criar novas regras, novos formatos.<\/em><\/p>\n<p>Entra ano, sai ano e o panorama n\u00e3o muda. H\u00e1 poucas semanas foi divulgado o \u00edndice de sustentabilidade em limpeza urbana para os munic\u00edpios brasileiros. E a conclus\u00e3o \u00e9 melanc\u00f3lica: o n\u00famero de aterros sanit\u00e1rios inadequados aumentou 52% no Estado de S\u00e3o Paulo em 2015, na compara\u00e7\u00e3o com o ano anterior, segundo a Companhia Ambiental do Estado. O \u00cdndice de Qualidade de Aterros de Res\u00edduos mostrou descartes inadequados em 41 munic\u00edpios paulistas (em 2015 eram 27).<\/p>\n<p>N\u00e3o se muda. N\u00e3o se introduz a coleta seletiva, n\u00e3o se transforma, via compostagem, o lixo org\u00e2nico em adubo, n\u00e3o se economizam espa\u00e7os com aterros. Segundo a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira das Empresas de Limpeza P\u00fablica e Res\u00edduos Especiais, apenas 3% dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos no Brasil s\u00e3o reciclados, de um total de 76,8 milh\u00f5es de toneladas produzidas \u2013 apesar de a Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos estabelecer h\u00e1 anos prioridade para esse objetivo. Continua-se a esperar que o poder p\u00fablico municipal destine recursos para a \u00e1rea. J\u00e1 os governantes querem que os mun\u00edcipes paguem pela coleta, pela reciclagem e pelo aterramento. Mas os cidad\u00e3os n\u00e3o aceitam pagar, acham que o custo dessa tarefa j\u00e1 est\u00e1 embutido nos impostos municipais. E n\u00e3o se avan\u00e7a.<\/p>\n<p>Em todo o mundo s\u00f3 se consegue solu\u00e7\u00e3o se o gerador do lixo o separar (seco e org\u00e2nico) e pagar por coleta, destina\u00e7\u00e3o e reciclagem. Por aqui aceitamos que 3 mil munic\u00edpios dos mais de 5.500 ainda mantenham lix\u00f5es.<\/p>\n<p>O \u00cdndice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana para os Munic\u00edpios Brasileiros, que veio a p\u00fablico agora (PWC , Sindicato de Empresas de Limpeza Urbana do Estado de S\u00e3o Paulo e ABLP), afirma que \u201cn\u00e3o h\u00e1 refer\u00eancias quantitativas capazes de sintetizar as metas esperadas pela Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos em um cen\u00e1rio de vinte anos para os munic\u00edpios brasileiros\u201d \u2013 o que dificulta a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas, financiamentos, monitoramento da qualidade de servi\u00e7os, prioridades. Por isso se criou o novo \u00edndice, que foi avaliado em 3.500 munic\u00edpios.<\/p>\n<p>Os problemas mais frequentes n\u00e3o surpreendem: inadimpl\u00eancia de prefeituras no pagamento de servi\u00e7os contratados; aus\u00eancia de coleta seletiva; manuten\u00e7\u00e3o de lix\u00f5es; descaso ou ignor\u00e2ncia das popula\u00e7\u00f5es quanto \u00e0s pol\u00edticas da \u00e1rea; prolifera\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as no setor. A Regi\u00e3o Sul \u00e9 a que tem os melhores \u00edndices de sustentabilidade, em seus tr\u00eas Estados. Nenhum munic\u00edpio de porte maior se classificou entre os 50 com melhores \u00edndices. Menos de 50% dos munic\u00edpios analisados t\u00eam arrecada\u00e7\u00e3o espec\u00edfica na \u00e1rea de limpeza urbana.<\/p>\n<p>H\u00e1 cap\u00edtulos especialmente preocupantes na \u00e1rea. O site meioambiente.mg.gov.br divulga diagn\u00f3stico da Funda\u00e7\u00e3o Estadual de Meio Ambiente segundo o qual 57,24% do lixo gerado pelos estabelecimentos de sa\u00fade de 524 munic\u00edpios mineiros (19,5 mil toneladas) v\u00e3o indevidamente para aterro sanit\u00e1rio; o restante, para incinera\u00e7\u00e3o (8,6 mil toneladas) ou para autoclavagem \u2013 5,9 mil toneladas passaram por tratamento t\u00e9rmico seguido de destina\u00e7\u00e3o para aterro sanit\u00e1rios. Nas 524 cidades mineiras inclu\u00eddas foram produzidas, no per\u00edodo analisado, 34,4 mil toneladas de res\u00edduos de servi\u00e7os de sa\u00fade. Apenas cinco munic\u00edpios mineiros t\u00eam unidade de tratamento e destina\u00e7\u00e3o final dos res\u00edduos desses servi\u00e7os na pr\u00f3pria cidade, o restante vai para outras localidades. Mas 95% dos munic\u00edpios, a maioria de pequeno porte, \u201cpreferem enviar parte dos res\u00edduos ou todos para a incinera\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<div id=\"attachment_212039\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-212039\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/lixao.jpg\" sizes=\"(max-width: 340px) 100vw, 340px\" srcset=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/lixao.jpg 850w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/lixao-300x199.jpg 300w, http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/lixao-272x182.jpg 272w\" alt=\"Foto: Shutterstock\" width=\"340\" height=\"226\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Foto: Shutterstock<\/p>\n<\/div>\n<p>\u00c1rea que merece cuidados extremos no Brasil \u2013 e da qual pouco se fala \u2013 \u00e9 a dos res\u00edduos eletr\u00f4nicos, que, segundo \u00f3rg\u00e3os da ONU (retoquejor, 5\/7), gerou 1,4 milh\u00e3o de toneladas de res\u00edduos em 2015. Sem falar em que, segundo associa\u00e7\u00e3o de empresas de tratamento de res\u00edduos, mais de 500 milh\u00f5es de aparelhos eletr\u00f4nicos sem uso permanecem nas resid\u00eancias \u2013 podendo at\u00e9 causar problemas de sa\u00fade. S\u00e3o Paulo \u00e9 o Estado que mais produz res\u00edduos eletr\u00f4nicos (448 mil toneladas anuais), seguido do Rio de Janeiro (165 mil) e de Minas Gerais (127 mil).<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 ainda um acordo setorial amplo para o setor de res\u00edduos eletr\u00f4nicos \u2013 ao contr\u00e1rio, por exemplo, do setor de pneus. O acordo neste setor fez surgir a ONG Reciclamp, que coleta cerca de mil toneladas de pneus inserv\u00edveis em 900 pontos de 26 Estados. Na \u00e1rea de embalagens de \u00f3leo o primeiro acordo setorial foi assinado em 2012.<\/p>\n<p>S\u00e3o \u00e1reas que merecem muito cuidado, uma vez que continua a desenvolver-se o chamado \u201ccolonialismo da imund\u00edcie\u201d, em que pa\u00edses do Primeiro Mundo exportam para pa\u00edses pobres seus res\u00edduos eletr\u00f4nicos. No Terceiro Mundo \u2013 como na Nig\u00e9ria, por exemplo \u2013 formam-se gigantescos dep\u00f3sitos desses res\u00edduos, que s\u00e3o separados e coletados pela popula\u00e7\u00e3o mais pobre, que os vende a pre\u00e7os \u00ednfimos a empresas transformadoras.<\/p>\n<p>O Brasil n\u00e3o est\u00e1 longe do problema. V\u00e1rias publica\u00e7\u00f5es t\u00eam noticiado, por exemplo, que \u201co maior dep\u00f3sito de lixo a c\u00e9u aberto da Am\u00e9rica Latina est\u00e1 no Distrito Federal\u201d, a 15 quil\u00f4metros do Pal\u00e1cio do Planalto, e sustenta mais de 2 mil pessoas \u2013 \u00e9 o \u201clix\u00e3o da Estrutural\u201d, uma \u00e1rea de 174 hectares. Na \u00e9poca em que foi secret\u00e1rio de Meio Ambiente, Ci\u00eancia e Tecnologia no Distrito Federal, o autor destas linhas preparou um plano para dar fim ao lix\u00e3o, implantar um dep\u00f3sito exemplar onde trabalhassem na separa\u00e7\u00e3o do lixo, com sal\u00e1rios dignos, aquelas 2 mil pessoas; a 500 metros de dist\u00e2ncia, uma usina de reciclagem moderna, administrada por uma cooperativa de catadores. Foi bombardeado por v\u00e1rios setores que tinham interesse na comercializa\u00e7\u00e3o do lixo obtido a custos quase negativos. Nada foi para a frente. N\u00e3o \u00e9 diferente de muitos outros setores em que prevalece a explora\u00e7\u00e3o de trabalho quase escravo.<\/p>\n<p>Mas no lixo as quest\u00f5es j\u00e1 foram longe gemais. \u00c9 preciso que o poder p\u00fablico crie novas regras, novos formatos. A Pol\u00edtica Nacional de Res\u00edduos S\u00f3lidos deveria ter sido implantada at\u00e9 2010, foi prorrogada e nada adiantou.<em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista (e-mail: wlrnovaes@uol.com.br).<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes* Essa quest\u00e3o j\u00e1 foi longe demais, o poder p\u00fablico deve criar novas<\/p>\n","protected":false},"author":6,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes* Essa quest\u00e3o j\u00e1 foi longe demais, o poder p\u00fablico deve criar novas","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46755"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/6"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=46755"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/46755\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=46755"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=46755"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=46755"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}