{"id":46530,"date":"2016-07-27T07:00:37","date_gmt":"2016-07-27T10:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=46530"},"modified":"2016-07-26T10:26:54","modified_gmt":"2016-07-26T13:26:54","slug":"como-passamos-de-um-pais-desnutrido-a-um-que-gasta-milhoes-para-tratar-a-obesidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-passamos-de-um-pais-desnutrido-a-um-que-gasta-milhoes-para-tratar-a-obesidade\/","title":{"rendered":"Como passamos de um pa\u00eds desnutrido a um que gasta milh\u00f5es para tratar a obesidade"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?attachment_id=46531\" rel=\"attachment wp-att-46531\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-46531\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/obesidade-3-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/obesidade-3-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/obesidade-3.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Abacate?\u201d, diz o garoto observando um piment\u00e3o. Tenta de novo emplacar o nome: \u201cAbacate?\u201d, agora com os olhos em um chuchu. A cena, de provocar risos nervosos, est\u00e1 em Muito Al\u00e9m do Peso, document\u00e1rio de Estela Renner sobre o avan\u00e7o da obesidade entre crian\u00e7as brasileiras, cada vez mais distantes da comida \u201cde verdade\u201d. Um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o com idade entre 5 e 9 anos est\u00e1 acima do peso. H\u00e1 quatro d\u00e9cadas, essa parcela era de um d\u00e9cimo. Entre os adultos, pior ainda: mais da metade pesa mais do que deveria.<\/p>\n<p>Como problema de sa\u00fade p\u00fablica no pa\u00eds, o excesso de comida superou a falta. Hoje 1,7% dos brasileiros n\u00e3o se alimenta o suficiente, \u00edndice considerado baixo pela Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO). Ainda assim, s\u00e3o muitos nessa situa\u00e7\u00e3o: 3,4 milh\u00f5es \u2014 mas h\u00e1 20 anos eram 22,5 milh\u00f5es, 14,8% da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Do lado em que n\u00e3o falta alimentos, a vida agitada, com menos tempo para o preparo em casa, \u00e9 a resposta f\u00e1cil para a op\u00e7\u00e3o por industrializados. De quebra, os pre\u00e7os s\u00e3o geralmente mais baixos do que os dos produtos in natura; e, \u00e0 base de muito sal, gordura e a\u00e7\u00facar, tudo sai da embalagem pronto para agradar o paladar. Mas o barato sai caro. A obesidade j\u00e1 \u00e9 a terceira maior causa de impacto econ\u00f4mico global, atr\u00e1s de conflitos armados e tabagismo.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Salve o feij\u00e3o<\/div>\n<\/div>\n<p>Nova dieta do brasileiro substitui pratos t\u00edpicos por alimentos industrializados<\/p>\n<p>Musa brasileira da alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, a nutricionista e apresentadora de TV Bela Gil ganhou seguidores \u2014 e tamb\u00e9m detratores \u2014 nos \u00faltimos anos dizendo a toda hora que \u201cvoc\u00ea pode substituir\u201d um ingrediente do mal por um do bem. Pobre Bela.<\/p>\n<p>Para al\u00e9m do meme, na vida real, as substitui\u00e7\u00f5es s\u00f3 t\u00eam favorecido o pior. A combina\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica de arroz com feij\u00e3o, progressivamente, cai fora das prefer\u00eancias nacionais. A farinha de mandioca, base da alimenta\u00e7\u00e3o no Norte e no Nordeste, corre o mesmo risco. A concorr\u00eancia anda grande contra alimentos altamente cal\u00f3ricos e de menor teor nutritivo. P\u00e3es, embutidos, biscoitos e pratos prontos aumentaram sua participa\u00e7\u00e3o nas compras das fam\u00edlias brasileiras.<br \/>\nA tend\u00eancia \u00e9 clara no levantamento nacional mais recente e completo que existe sobre o consumo feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), a Pesquisa de Or\u00e7amentos Familiares (POF) de 2008-2009. Na compara\u00e7\u00e3o com o estudo anterior, de 2002-2003, os resultados apontam que a aquisi\u00e7\u00e3o m\u00e9dia anual per capita de arroz caiu 40,5%, de 24,5 kg para 14,6 kg. O feij\u00e3o ainda se saiu melhor; no entanto, perdeu consider\u00e1veis 26,4%, de 12,4 kg para 9,1 kg.<\/p>\n<p>O desprest\u00edgio \u00e9 puxado principalmente pelos h\u00e1bitos novos dos consumidores com mais dinheiro. A ingest\u00e3o di\u00e1ria de arroz \u00e9 de 168,1 gramas por pessoa nas fam\u00edlias com renda per capita de at\u00e9 R$ 296, enquanto na faixa acima de R$ 1.089 fica em 129,7 gramas. No caso do feij\u00e3o, s\u00e3o 195,5 gramas no grupo mais pobre e 127,5 gramas no abastado.<\/p>\n<p>Bela pode ter esperan\u00e7a, por\u00e9m. Enquanto as vendas de alimentos e bebidas convencionais no Brasil cresceram 67% de 2010 a 2015, as de saud\u00e1veis subiram 98%. Esse mercado movimenta US$ 35 bilh\u00f5es por ano no pa\u00eds, o quarto maior do mundo no segmento, segundo a consultoria Euromonitor. \u201cN\u00e3o se tem registro de outra \u00e9poca em que a alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel tenha sido t\u00e3o alardeada. Existe um movimento entre os grupos formadores de opini\u00e3o\u201d, diz o nutricionista Rafael Moreira Claro, professor da Universidade Federal de Minas Gerais.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/YSPvC-TzahF-4WUIOSL_e-k5LK0=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_2.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><label class=\"foto-legenda\"> (Foto: Roberto Seba)<\/label><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/IxOPgEct-1R5B9Bf2GQ0eunelG0=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_1.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Chupa que a cana \u00e9 doce<\/div>\n<\/div>\n<p>Consumo elevado de a\u00e7\u00facar \u00e9 um dos principais problemas da alimenta\u00e7\u00e3o no pa\u00eds; quase 17% das calorias di\u00e1rias v\u00eam da\u00ed, enquanto o indicado \u00e9 at\u00e9 10%<\/p>\n<p>O brasileiro at\u00e9 que anda na linha. Em m\u00e9dia, come quantidades aceit\u00e1veis de prote\u00ednas e lip\u00eddios. A fraqueza maior est\u00e1 nos carboidratos que escolhe: n\u00e3o resiste a uma vida bem doce.<\/p>\n<p>O recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) \u00e9 que at\u00e9 10% das calorias ingeridas por dia sejam de a\u00e7\u00facares livres, como s\u00e3o chamados aqueles que adicionamos \u00e0s comidas e bebidas, sem que fa\u00e7am parte dos ingredientes naturalmente. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que mais de um quinto da popula\u00e7\u00e3o diz consumir doces cinco ou mais vezes por semana: por aqui, 16,7% das calorias v\u00eam dos tais a\u00e7\u00facares livres. Os jovens s\u00e3o ainda mais f\u00e3s. Entre quem tem de 18 a 24 anos de idade, o \u00edndice de ingest\u00e3o frequente sobe para mais de 28%, segundo a Pesquisa Vigitel mais recente, de 2015, feita pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Para ter uma ideia, a quantidade que se encaixa na recomenda\u00e7\u00e3o da OMS corresponde a dez colheres de ch\u00e1 de a\u00e7\u00facar por dia. Parece bastante \u2014 at\u00e9 aprendermos que uma lata de refrigerante, sozinha, tem de sete a oito colheres. No Brasil, 19% da popula\u00e7\u00e3o bebe refrigerantes ou sucos artificiais diariamente.<\/p>\n<p>Nos Estados Unidos, onde 13% das calorias di\u00e1rias, em m\u00e9dia, v\u00eam dos a\u00e7\u00facares livres, uma norma aprovada em maio \u2014 um dos principais projetos da primeira-dama, Michelle Obama \u2014 pode ajudar a controlar os impulsos: as tabelas nutricionais dos r\u00f3tulos devem destacar quantos gramas de a\u00e7\u00facares adicionados cada produto tem. S\u00f3 com a indica\u00e7\u00e3o geral \u201ccarboidratos\u201d, como ocorre no Brasil, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel saber os valores exatos.<\/p>\n<p>Um jeito de ter uma no\u00e7\u00e3o \u00e9 prestar aten\u00e7\u00e3o na lista de ingredientes (confira outras dicas sobre r\u00f3tulos na p\u00e1gina 36). \u201cO alimento listado em primeiro lugar \u00e9 o que est\u00e1 presente em maior quantidade. Logo, se o a\u00e7\u00facar aparece como primeiro ou segundo da lista, vale a pena ir com cuidado\u201d, diz a nutricionista Maristela\u00a0Strufaldi, coordenadora do departamento de nutri\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD).<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/aO5KUiC58JAob5SD2Kp3ocMmGUI=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_3.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/rTfQc7oDo8gw1zms_fXbAuIQuNc=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_4.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Falta de educa\u00e7\u00e3o<\/div>\n<\/div>\n<p>Faixa da popula\u00e7\u00e3o brasileira com menos tempo de escolaridade, consequentemente mais pobre, \u00e9 a que mais sofre com a epidemia de excesso de peso e obesidade<\/p>\n<p>A educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a base de tudo. A frase \u00e9 lugar-comum, mas \u00e9 a resposta dos especialistas em nutri\u00e7\u00e3o para o combate ao excesso de peso. A rela\u00e7\u00e3o entre os temas \u00e9 clara \u2014 e cruel. No Brasil, os que t\u00eam menos tempo de estudo \u2014 e s\u00e3o, consequentemente, mais pobres \u2014 tendem a engordar mais. A falta de recursos para comer com qualidade e o desconhecimento de cuidados com a sa\u00fade explicam a equa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 por falta de consci\u00eancia que o brasileiro, al\u00e9m de se alimentar mal, ainda acredita ter bons h\u00e1bitos. Pesquisa da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Nutrologia (Abran) realizada em 2014 mostrou que, entre 500 entrevistados, 68% disseram crer ter uma alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel, o que n\u00e3o correspondia ao consumo relatado de frutas, verduras, legumes e alimentos integrais versus industrializados e fast-food.<\/p>\n<p>Foi assim, quase sem perceber, que a popula\u00e7\u00e3o adulta do pa\u00eds passou de cerca de 23% com excesso de peso na d\u00e9cada de 1970 para mais da metade nessa situa\u00e7\u00e3o nos anos 2000. \u201cV\u00e1rios movimentos acontecem em paralelo. Primeiro, h\u00e1 a quest\u00e3o dos pre\u00e7os dos alimentos industrializados, menores do que os dos produtos\u00a0in natura\u201d, diz o nutricionista Rafael Claro, professor da UFMG. \u201cO segundo \u00e9 que os pontos de venda dos produtos processados aumentaram. Eles est\u00e3o em farm\u00e1cias, bancas de jornal, todo lugar que vende algo. E a\u00ed vem outro ponto, que \u00e9 a comodidade: esses produtos duram muito tempo na prateleira e est\u00e3o prontos para comer. Sem falar no marketing agressivo que existe para vend\u00ea-los.\u201d<\/p>\n<p>N\u00e3o chega a 40% a parcela de brasileiros adultos que consome a quantidade de frutas e hortali\u00e7as recomendada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (400 g\/dia). Em pesquisa in\u00e9dita sobre adolescentes, de 12 a 17 anos, divulgada em julho pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, os h\u00e1bitos saud\u00e1veis perdem ainda mais feio nas prefer\u00eancias. Frutas nem aparecem na lista dos 20 alimentos mais consumidos, de acordo com o Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (Erica). As hortali\u00e7as ficaram na d\u00e9cima posi\u00e7\u00e3o, abaixo de refrigerantes e doces.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/JDwR2Y8GIqYMTvpWjcArM4w4OW4=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_7.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><label class=\"foto-legenda\"> (Foto: Roberto Seba)<\/label><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/nFQ-j7dunxahq6SfSwUhodofDqc=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_5.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/TfWlmeSV4GgUp_COZ9Z_-9LYa3U=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_6.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Como tirar doce de crian\u00e7a<\/div>\n<\/div>\n<p>Empresas deixam de vender refris\u00a0em escolas para menores de 12 anos<\/p>\n<p>A partir deste m\u00eas, as maiores fabricantes de bebidas do pa\u00eds, Ambev, Coca-Cola e PepsiCo, deixar\u00e3o de vender refrigerantes e outras bebidas gaseificadas em escolas para crian\u00e7as de at\u00e9 12 anos. S\u00f3 ficar\u00e3o sucos preparados com 100% de fruta, \u00e1gua mineral, \u00e1gua de coco e bebidas l\u00e1cteas. \u201cNo momento do recreio, os alunos t\u00eam acesso \u00e0s cantinas escolares sem a orienta\u00e7\u00e3o e a companhia de pais e respons\u00e1veis, e crian\u00e7as abaixo de 12 anos ainda n\u00e3o t\u00eam maturidade suficiente para tomar decis\u00f5es de consumo\u201d, diz o comunicado conjunto, divulgado no fim de junho. De fato, beber refrigerante \u00e9 um h\u00e1bito que come\u00e7a cedo, antes mesmo de entrar no col\u00e9gio. No Brasil, 32,3% das crian\u00e7as menores de dois anos j\u00e1 tomam refri ou suco artificial, conforme relata a Pesquisa Nacional de Sa\u00fade, de 2013. Contra a obesidade, a iniciativa, no entanto, s\u00f3 resolve parte do problema. Apesar de mais saud\u00e1veis, os sucos \u2014 em n\u00famero de calorias ou em gramas de a\u00e7\u00facar \u2014 n\u00e3o s\u00e3o melhores (veja imagem e gr\u00e1fico ao lado). Para Rafael Claro, professor de nutri\u00e7\u00e3o da Universidade Federal de Minas Gerais, a medida \u201cn\u00e3o tem boa inten\u00e7\u00e3o nenhuma\u201d. \u201cO que existe \u00e9 um ambiente regulat\u00f3rio muito desfavor\u00e1vel a essas empresas\u201d, diz. \u201cExiste uma discuss\u00e3o sobre serem banidos da escola. Para tentar for\u00e7ar um acordo, j\u00e1 est\u00e3o tirando a metade que todo mundo concorda que \u00e9 ruim, que \u00e9 o refrigerante.\u201d<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Taxa de diabetes quadriplica no mundo em tr\u00eas d\u00e9cadas<\/div>\n<\/div>\n<p>Brasil est\u00e1 entre os pa\u00edses que t\u00eam mais adultos diab\u00e9ticos no planeta; 7,4% da popula\u00e7\u00e3o acima de 18 anos foi diagnosticada com a doen\u00e7a<\/p>\n<p>O n\u00famero global de adultos que t\u00eam diabetes quase quadruplicou nos \u00faltimos 30 anos. A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) estimou em 422 milh\u00f5es em 2014, 8,5% da popula\u00e7\u00e3o adulta. Em 1980, eram 108 milh\u00f5es. A preocupa\u00e7\u00e3o com o avan\u00e7o da doen\u00e7a, que \u00e9 a oitava maior causa de morte no mundo (1,5 milh\u00e3o de \u00f3bitos por ano), fez a entidade tornar esse o tema da sua campanha deste ano.<\/p>\n<p>O Brasil est\u00e1 entre os cinco pa\u00edses mais afetados, ficando atr\u00e1s apenas de China, \u00cdndia, EUA e Indon\u00e9sia. Metade dos doentes mora nesses cinco locais. O crescimento, diz a OMS, se deve \u00e0 tend\u00eancia de envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o, mas, principalmente, ao aumento das taxas de obesidade. O excesso de peso \u00e9 um dos principais fatores que levam ao tipo 2 da doen\u00e7a. \u201cUm estilo de vida menos saud\u00e1vel, com maus h\u00e1bitos alimentares, baixa atividade f\u00edsica, estresse e sono irregular e n\u00e3o restaurador, aumentam expressivamente o risco\u201d, afirma Maristela Strufaldi, coordenadora do departamento de nutri\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). J\u00e1 as causas do tipo 1, em geral diagnosticado em crian\u00e7as e adolescentes, ainda n\u00e3o s\u00e3o completamente conhecidas pela ci\u00eancia.<\/p>\n<p>No Brasil,\u00a0a doen\u00e7a afeta mais mulheres (7,8%)\u00a0do que homens (6,9%); as capitais com mais diab\u00e9ticos s\u00e3o Rio de Janeiro, Porto Alegre e Campo Grande.<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Comer bem custa caro<\/div>\n<\/div>\n<p>Alimentos processados t\u00eam pre\u00e7os mais baixos em rela\u00e7\u00e3o aos naturais tanto em pa\u00edses em desenvolvimento quanto nos desenvolvidos<\/p>\n<p>Enquanto, j\u00e1 descontada a infla\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o m\u00e9dio de frutas e hortali\u00e7as em S\u00e3o Paulo aumentou 229,17% de 1980 a 2009, o dos biscoitos subiu 110,23%, o do a\u00e7\u00facar 82,37%, o das carnes 61,3% e o da salsicha 34,62%. Conclus\u00e3o: comer de forma saud\u00e1vel custa caro. Para cientistas, est\u00e1 a\u00ed boa parte da causa do crescimento do consumo de alimentos e bebidas industrializados no pa\u00eds. Em 1999, eram, em m\u00e9dia, 80 quilos para cada brasileiro em um ano. Em 2013, 110 quilos.<\/p>\n<p>Esses n\u00fameros est\u00e3o em estudo realizado por pesquisadores de Estados Unidos, Inglaterra, Brasil, M\u00e9xico, China e Coreia do Sul. Eles atestaram que alimentos industrializados, que n\u00e3o sofrem tanto o impacto de, por exemplo, excesso ou escassez de chuva, s\u00e3o mais baratos para consumo tanto nos pa\u00edses desenvolvidos quanto naqueles em desenvolvimento.<\/p>\n<p>\u201cOs movimentos de adequa\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o e de reacomoda\u00e7\u00e3o de mercado s\u00e3o sempre piores para o alimento in natura. Frutas, hortali\u00e7as, gr\u00e3os e leite sofrem rea\u00e7\u00e3o antes do macarr\u00e3o instant\u00e2neo, do biscoito recheado, do refrigerante\u201d, afirma Rafael Claro, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, que participa do estudo desenvolvido pelo Overseas Development Institute (ODI).<\/p>\n<p>Na rela\u00e7\u00e3o entre caloria e pre\u00e7o, a concorr\u00eancia fica ainda mais dura, j\u00e1 que bebidas e pratos prontos, ricos em s\u00f3dio e a\u00e7\u00facar, s\u00e3o mais energ\u00e9ticos. Fica dif\u00edcil fazer um pacote de salgadinhos concorrer com uma banana.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/Vdr-ZBb5Xmk1A4dHrIFDRmEZpFs=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_9.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><label class=\"foto-legenda\"> (Foto: Roberto Seba)<\/label><\/div>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/jbADP102YWCxLTwvmVMIhQ3SGIg=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_8.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Adoecer \u00e9 mais caro ainda<\/div>\n<\/div>\n<p>Custo da obesidade, estimado em US$ 2 trilh\u00f5es por ano na economia mundial, inclui perdas como a queda de produtividade no trabalho<\/p>\n<p>O equivalente a 2,8% por ano de toda a riqueza gerada no mundo \u00e9 consumido em despesas e perdas econ\u00f4micas relacionadas \u00e0 obesidade. Esses US$ 2 trilh\u00f5es anuais p\u00f5em o excesso de peso como a terceira causa de maior impacto na economia global, atr\u00e1s do tabagismo e dos conflitos armados, empatados em US$ 2,1 trilh\u00f5es, de acordo com estudo da consultoria McKinsey Global Institute. Na pesquisa, os valores englobam n\u00e3o s\u00f3 o tratamento de doen\u00e7as como todas as consequ\u00eancias do excesso de peso, tais como aus\u00eancias no trabalho e pouca produtividade.<\/p>\n<p>Assim, segundo o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, o Sistema \u00danico de Sa\u00fade gasta R$ 488 milh\u00f5es por ano com a obesidade. Por\u00e9m, o McKinsey Global Institute calcula que o Brasil sofre impacto muito maior, de mais de US$ 53 bilh\u00f5es. O valor representa 2,4% do Produto Interno Bruto (PIB) do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Se os custos da obesidade e do tabagismo est\u00e3o quase empatados, por que os cigarros s\u00e3o sobretaxados e os alimentos pouco saud\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o? Esse racioc\u00ednio levou alguns pa\u00edses, como o M\u00e9xico, a adotar pol\u00edticas fiscais para tornar comidas \u201cdo mal\u201d menos atrativas e, de quebra, arrecadar mais para financiar o sistema de sa\u00fade. Em 2013, o pa\u00eds superou os Estados Unidos em obesidade: 32,8% da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 nessa situa\u00e7\u00e3o. Nos EUA, s\u00e3o 31,8%, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO).<\/p>\n<p>O M\u00e9xico instituiu h\u00e1 dois anos uma taxa de 8% sobre os alimentos processados que t\u00eam mais de 275 calorias a cada 100 gramas, o que atinge em cheio as tranqueiras em geral. Relat\u00f3rio recente mostra efeito da medida, ainda que t\u00edmido. Conforme levantamento do Instituto Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica em parceria com a Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, as vendas dos itens taxados sofreram queda de 5,1%, puxada por um consumo menor entre a classe m\u00e9dia e o estrato mais pobre da popula\u00e7\u00e3o. Para os consumidores mais abastados, n\u00e3o fez diferen\u00e7a.<\/p>\n<p>J\u00e1 nos EUA, por enquanto, apenas duas cidades conseguiram implantar taxa\u00e7\u00e3o extra para refrigerantes. Em 2014, Berkeley, na Calif\u00f3rnia, foi a pioneira. Em junho deste ano,<br \/>\na Filad\u00e9lfia, na Pensilv\u00e2nia, quinta cidade mais populosa do pa\u00eds, tamb\u00e9m adotou a medida.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/UMabqkHTuwwxPnEAbWcL05tjX9o=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_10.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"componente_materia\">\n<div class=\"intertitulo\">Leia antes de comer<\/div>\n<\/div>\n<p>Normas para as embalagens brasileiras permitem que os fabricantes informem os valores nutricionais com base em por\u00e7\u00f5es de alimento que fogem \u00e0 realidade do consumidor; atualmente, quem quer compreender um r\u00f3tulo precisa ter, al\u00e9m de paci\u00eancia, uma calculadora em m\u00e3os<\/p>\n<p>Quem se d\u00e1 ao trabalho de ler embalagens? Mais que isso: quem l\u00ea e entende? Um dos poucos estudos que existem sobre o tema no Brasil n\u00e3o tem uma conclus\u00e3o muito animadora: ainda que quase 80% tenha declarado ler com alguma frequ\u00eancia os r\u00f3tulos, 30% dizem compreender apenas parcialmente os dados nutricionais. Outros 10% entendem pouco ou nada. A pesquisa foi feita pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) em 2013, com 807 mulheres adultas.<\/p>\n<p>\u201cTer acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o de uma maneira mais f\u00e1cil \u00e9, al\u00e9m de um direito, uma das formas de garantir que o ambiente seja favor\u00e1vel para escolhas mais saud\u00e1veis\u201d, afirma Ana Paula Bortoletto, nutricionista do Idec que coordenou a pesquisa de 2013 e tamb\u00e9m uma mais ampla, realizada online nos \u00faltimos meses. O resultado, quando apurado, ser\u00e1 encaminhado \u00e0 Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), onde est\u00e1 em discuss\u00e3o uma nova norma de rotulagem para o pa\u00eds.<\/p>\n<p>O Idec defende que a lista de ingredientes deve ganhar mais destaque nas embalagens, pois \u00e9 ali que se podem notar riscos. \u201cQuanto maior a lista e quanto maior o n\u00famero de nomes que nem reconhecemos como alimento, melhor evitar, porque \u00e9 algo ultraprocessado\u201d, diz Bortoletto.<\/p>\n<p>Outro ponto que o \u00f3rg\u00e3o espera aperfei\u00e7oar \u00e9 a tabela nutricional. No modelo atual, existe uma por\u00e7\u00e3o estabelecida pela Anvisa para cada categoria de alimentos. Os fabricantes, no entanto, podem mudar a por\u00e7\u00e3o em at\u00e9 30%, o que, muitas vezes, ajuda a criar uma impress\u00e3o de que o alimento tem menos calorias. \u201cTipo seis bolachas e meia. Hoje as pessoas precisam de uma regra de tr\u00eas\u201d, diz a nutricionista, que sugere padronizar a quantidade das por\u00e7\u00f5es em 100 gramas e no total da embalagem.<\/p>\n<p>\u201cO valor di\u00e1rio recomendado tamb\u00e9m \u00e9 algo dif\u00edcil de entender. \u00c9 um valor para uma dieta de 2.000 calorias ou 8.400 kJ. Quilojoule? Nem nutricionista sabe o que \u00e9 isso!\u201d, ri. \u201cE \u00e9 como se todo mundo devesse consumir o mesmo. Para crian\u00e7as, isso n\u00e3o vale.\u201d<br \/>\nDe acorco com Bortoletto, no entanto, o mais eficaz \u00e9 que haja avisos sobre excesso de sal, a\u00e7\u00facar e gordura na parte da frente das embalagens. Alguns pa\u00edses, como o Equador, j\u00e1 adotaram um modelo que lembra um sem\u00e1foro.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/dOhXrJxlaWS7iyoz785WYvibAM0=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_11.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/29vMo9NtlW4EC4fe70IO_-0ohp0=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_12.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img class=\"img-responsive\" title=\" (Foto: Roberto Seba)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/qkBn7U0ZcFabKuWo6qtY1jD4Nlo=\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2016\/07\/22\/07_dossie_13.jpg\" alt=\" (Foto: Roberto Seba)\" \/><label class=\"foto-legenda\"> (Foto: Roberto Seba)<\/label><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abacate?\u201d, diz o garoto observando um piment\u00e3o. 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