{"id":4610,"date":"2014-08-10T16:37:49","date_gmt":"2014-08-10T16:37:49","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=4610"},"modified":"2014-08-10T16:44:10","modified_gmt":"2014-08-10T16:44:10","slug":"projeto-de-hidreletricas-portos-e-hidrovia-no-rio-tapajos-reacende-discussao-sobre-obras-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/projeto-de-hidreletricas-portos-e-hidrovia-no-rio-tapajos-reacende-discussao-sobre-obras-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Projeto de hidrel\u00e9tricas, portos e hidrovia reacende discuss\u00e3o sobre obras na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-4615\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg\" alt=\"\" width=\"415\" height=\"265\" \/><\/a>O Rio Tapaj\u00f3s \u2013 que nasce no Mato Grosso, entra no estado do Par\u00e1 e des\u00e1gua no Rio Amazonas \u2013 \u00e9 hoje considerado a grande fronteira energ\u00e9tica do Brasil. O aproveitamento do potencial hidrel\u00e9trico do rio \u00e9 sondado desde os anos 1980. Entretanto, os grandes projetos para a Bacia do Rio Tapaj\u00f3s n\u00e3o se reduzem a usinas hidrel\u00e9tricas (UHE). Incluem tamb\u00e9m uma hidrovia \u2013 a Teles Pires-Tapaj\u00f3s \u2013, a constru\u00e7\u00e3o de diversos portos, principalmente no entorno de Itaituba, no Sudoeste do Par\u00e1, e a pavimenta\u00e7\u00e3o da BR-163, que liga Cuiab\u00e1 a Santar\u00e9m (ver mapa abaixo), um enredo que j\u00e1 dura alguns anos. A futura Hidrovia Teles Pires-Tapaj\u00f3s, por exemplo, \u00e9 considerada estrat\u00e9gica para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o de gr\u00e3os do Norte de Mato Grosso para o mercado externo \u2013 atualmente feita por rodovias at\u00e9 o Porto de Santos e tamb\u00e9m pela hidrovia do Rio Madeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santar\u00e9m e Itaituba, ambos no Par\u00e1, s\u00e3o os dois munic\u00edpios mais desenvolvidos da bacia. O primeiro, mais antigo, \u00e9 o maior munic\u00edpio da regi\u00e3o, localizado em frente ao encontro entre as \u00e1guas do Amazonas e do Tapaj\u00f3s. Tem cerca de 300 mil habitantes e tamb\u00e9m possui o maior PIB entre os munic\u00edpios da Bacia do Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tornou-se, nos \u00faltimos dez anos, importante produtor de gr\u00e3os, com destaque para a soja, gra\u00e7as \u00e0 a expans\u00e3o da fronteira agr\u00edcola. \u00c9 chamada pelos paraenses de \u201cP\u00e9rola do Tapaj\u00f3s\u201d, abrigando um dos mais lindos cart\u00f5es-postais do Brasil, o distrito de Alter do Ch\u00e3o, com suas paradis\u00edacas praias de areia branca e as \u00e1guas verdes-esmeraldas do Rio Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Itaituba \u00e9 um munic\u00edpio de 100 mil habitantes que, entre as d\u00e9cadas de 1980 e 1990, teve sua economia centrada na extra\u00e7\u00e3o de ouro. Quando a produ\u00e7\u00e3o de Serra Pelada come\u00e7ou a cair, no in\u00edcio dos anos 1980, todos os olhos se voltaram para o Tapaj\u00f3s, considerada uma das maiores prov\u00edncias aur\u00edferas do mundo, condi\u00e7\u00e3o que tem fomentado conflitos sociais e altera\u00e7\u00f5es ambientais. E Itaituba, a \u201cCidade Pepita\u201d, conheceu seus dias de gl\u00f3ria. Depois, entrou em decl\u00ednio. E hoje lida com os garimpos clandestinos, que ainda utilizam merc\u00fario e cianeto para depurar o ouro. Estrategicamente localizada \u00e0 beira do Tapaj\u00f3s, cerca de 350 quil\u00f4metros ao sul de Santar\u00e9m (pela BR-163), Itaituba tem acesso curto e r\u00e1pido \u00e0 BR-163.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-large wp-image-32122\" src=\"http:\/\/www.pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/VERDADEIRO1-293x270.jpg\" alt=\"VERDADEIRO\" width=\"293\" height=\"270\" \/>Trata-se, portanto, de uma regi\u00e3o de fronteira agr\u00edcola, de interesse estrat\u00e9gico, rica em ouro, e que segue o padr\u00e3o amaz\u00f4nico de fragilidade nos indicadores sociais. O \u00cdndice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Itaituba (0,640) e de Santar\u00e9m (0,691) figuram entre os mais baixos do Pa\u00eds, situando-se nas posi\u00e7\u00f5es 3.291 e 2.161, respectivamente, no conjunto dos 5.565 munic\u00edpios existentes no Brasil. A atua\u00e7\u00e3o do Estado nas localidades mais long\u00ednquas tamb\u00e9m \u00e9 pequena.<\/p>\n<blockquote><p><strong><span style=\"color: #000000;\">10 milh\u00f5es de toneladas<\/span> de gr\u00e3os ter\u00e3o passado pelos portos do Norte em 2014<\/strong><\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #000000;\">61 milh\u00f5es de toneladas<\/span> \u00e9 a estimativa de exporta\u00e7\u00e3o para 2025<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Some-se a tudo isso a presen\u00e7a de 19 Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (UCs) e tr\u00eas Terras Ind\u00edgenas (Kayabi, Munduruku e Sai Cinza) na \u00e1rea de influ\u00eancia das UHEs do Tapaj\u00f3s. Situa\u00e7\u00e3o que exige enorme esfor\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o dos atores envolvidos (governo federal, prefeituras, ONGs, sociedade civil, empreendedores, entidades de classe, Ex\u00e9rcito e associa\u00e7\u00f5es, entre outros) na busca por governan\u00e7a local, fundamental para criar e sustentar um ambiente favor\u00e1vel ao desenvolvimento. Mas h\u00e1 muito trabalho nesse sentido.<\/p>\n<blockquote><p><strong>Das 42 hidrel\u00e9tricas planejadas para a bacia do Tapaj\u00f3s, a grande maioria est\u00e1 no Mato Grosso. Mas as que t\u00eam probabilidade de causar maior impacto ambiental s\u00e3o as do Par\u00e1, pois Mato Grosso tem uma situa\u00e7\u00e3o de fronteira agr\u00edcola j\u00e1 consolidada, diz Ane Alencar, do Ipam.<\/strong><\/p><\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GRANDES PLANOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Sum\u00e1rio Executivo da avalia\u00e7\u00e3o ambiental integrada da Bacia do Tapaj\u00f3s (feita pelo Grupo de Estudo Tapaj\u00f3s e Ecology Brasil em 2014), em um universo de at\u00e9 20 anos, tr\u00eas UHEs est\u00e3o planejadas para o Rio Tapaj\u00f3s (S\u00e3o Luiz, Jatob\u00e1 e Chacor\u00e3o) e outras quatro na bacia do Jamanxim, seu principal tribut\u00e1rio (Cachoeira do Ca\u00ed, Jamanxim, Cachoeira dos Patos e Jardim do Ouro)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Luiz e Jatob\u00e1 s\u00e3o as bolas da vez, com entrega prevista para 2019. Para garantir a constru\u00e7\u00e3o das UHEs, o governo reduziu a \u00e1rea de UCs por meio da Medida Provis\u00f3ria n\u00ba 558 (chamada de MP da desafeta\u00e7\u00e3o), convertida na Lei n\u00ba 12.678, de 25 de junho de 2012.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A medida diminuiu o territ\u00f3rio dos parques nacionais da Amaz\u00f4nia, dos Campos Amaz\u00f4nicos e de Mapinguari, das Florestas Nacionais de Itaituba I, Itaituba II e do Crepori e da \u00c1rea de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental do Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cSe era realmente preciso rever essas \u00e1reas, que se fizesse isso por lei. Assim, a sociedade civil teria tempo para se organizar. Mas, sendo uma MP, basta a presidente assinar\u201d, pontua o procurador da Rep\u00fablica Lu\u00eds de Cam\u00f5es Lima Boaventura, do MPF em Santar\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faz coro com ele Mariana Ferreira, superintendente de Pol\u00edticas P\u00fablicas do WWF-Brasil: \u201cA redu\u00e7\u00e3o de UCs \u00e9 uma tend\u00eancia no mundo todo, mas o processo natural seria um projeto de lei, que implica participa\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o, enfim, um tr\u00e2mite democr\u00e1tico. J\u00e1 uma MP queima essas etapas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudo publicado este ano na revista <em>Conservation Biology<\/em> identificou 93 eventos que mudaram os limites ou categorias de UCs brasileiras no \u00faltimos 31 anos. Destes, 69 ocorreram em UCs de prote\u00e7\u00e3o integral e 24 em unidades de uso sustent\u00e1vel. (Mais aqui)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A popula\u00e7\u00e3o local tamb\u00e9m n\u00e3o foi consultada sobre a entrada de t\u00e9cnicos para fazer os estudos de viabilidade no territ\u00f3rio. Em mar\u00e7o de 2013, pesquisadores e t\u00e9cnicos de apoio entraram no territ\u00f3rio Munduruku com respaldo do Ex\u00e9rcito para fazer estudos que subsidiariam o estudo de impacto ambiental (EIA-Rima) das obras de S\u00e3o Luiz do Tapaj\u00f3s. O MPF conseguiu suspender a opera\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a, mas a decis\u00e3o foi revertida logo depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essas idas e vindas acabam por encarecer os processos, acirram as polaridades entre os \u201ctotalmente a favor e os totalmente contra\u201d, e atrasam as obras. Mais barato, e honesto, seria realizar uma consulta livre, pr\u00e9via e informada como a reclamada pelas popula\u00e7\u00f5es locais e pelo MPF, respaldado pela Conven\u00e7\u00e3o 169 da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT), da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio. Em resumo: conversar e negociar. A experi\u00eancia mostra que a aus\u00eancia de negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 a origem das demandas contra os empreendimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA maioria das demandas observadas em a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas propostas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s UHEs de Belo Monte, Santo Ant\u00f4nio e Jirau \u00e9 de cunho social\u201d, afirma a professora do curso de Direito da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas Flavia Scabin, coautora de estudo in\u00e9dito sobre as a\u00e7\u00f5es civis p\u00fablicas (ACPs) propostas durante e depois do processo de licenciamento das tr\u00eas hidrel\u00e9tricas citadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estudo, que analisou 40 ACPs, detectou que as demandas de cunho exclusivamente social foram as mais frequentes (20), enquanto que cinco tratavam de algum aspecto exclusivamente ambiental e seis traziam demandas sociais e ambientais ao mesmo tempo. As nove restantes diziam respeito principalmente a algum procedimento espec\u00edfico do licenciamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>COMPENSA\u00c7\u00d5ES<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse cen\u00e1rio, \u00e9 leg\u00edtimo indagar sobre as possibilidades reais do fortalecimento da\u00a0governan\u00e7a. \u201cA gente est\u00e1 em cima da hora, mas ainda d\u00e1 para consertar e consultar as\u00a0popula\u00e7\u00f5es\u201d, diz Ana Cristina Barros, diretora de infraestrutura para a Am\u00e9rica Latina\u00a0da <em>The Nature Conservancy (TNC)<\/em>. \u201cInfraestrutura tem de ser vetor de desenvolvimento\u00a0local. Isso implica a capacidade de gest\u00e3o de impactos e receitas. A regi\u00e3o tem indicadores ruins de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, desmatamento. Sabemos que isso tradicionalmente piora com as grandes obras. Ent\u00e3o, temos de preparar os munic\u00edpios para esses eventos\u201d, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo ela, antes de a empresa ganhar a concorr\u00eancia p\u00fablica, o Estado deveria estar\u00a0l\u00e1 preparando o terreno. \u201cHoje n\u00e3o existe esse mecanismo e ainda n\u00e3o h\u00e1 quem financie\u00a0o investimento antecipado (<i>mais sobre fundo antecipat\u00f3rio em <\/i>Entrevista <i>e em <\/i>Reportagem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm Belo Monte, o Estado chegou depois. Mas, no Tapaj\u00f3s, existe uma motiva\u00e7\u00e3o de fazer direito, porque a proximidade temporal com Belo Monte \u00e9 muito grande. Se voc\u00ea tem uma pauta de desenvolvimento antecipado, transfere os benef\u00edcios para os locais\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o relat\u00f3rio que estimou a Compensa\u00e7\u00e3o Financeira pela Utiliza\u00e7\u00e3o de\u00a0Recursos H\u00eddricos (<b>CFURH<\/b>) <b>[2]<\/b> para hidrel\u00e9tricas na Amaz\u00f4nia (TNC e Instituto Acende Brasil, 2013), a UHE de Jatob\u00e1 dever\u00e1 pagar R$ 57,2 milh\u00f5es por ano como compensa\u00e7\u00e3o financeira, dos quais a prefeitura de Itaituba receber\u00e1 cerca de R$ 15 milh\u00f5es\/ano e a de Jacareacanga, R$ 7 milh\u00f5es\/ano. Para a Usina de S\u00e3o Luiz calculou-se o valor de R$ 150,3 milh\u00f5es por ano como CFURH, dos quais R$ 41,5 milh\u00f5es\/ano dever\u00e3o ir para Itaituba e R$ 18,5 milh\u00f5es\/ano para Trair\u00e3o. forma de compensa\u00e7\u00e3o\u201c, diz. No relat\u00f3rio da TNC, n\u00e3o h\u00e1 estimativa de CFURH para a usina hidrel\u00e9trica\u00a0do Chacor\u00e3o, que impacta diretamente a TI Munduruku, no munic\u00edpio de Jacareacanga.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>[2] Institu\u00edda pela Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988, a CFURH \u00e9 um Percentual pago pelas concession\u00e1rias como indeniza\u00e7\u00e3o pela utiliza\u00e7\u00e3o de recursos h\u00eddricos para gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica. A Ag\u00eancia Nacional de Energia El\u00e9trica (Aneel) gerencia, arrecada e distribui os valores entre os benefici\u00e1rios<\/b><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa) Philip Fearnside, \u201cas compensa\u00e7\u00f5es criam interessados no dinheiro, influenciam as pol\u00edticas locais e as lideran\u00e7as, e facilitam a promo\u00e7\u00e3o de obras com muitos impactos. Cria-se um conflito de interesse. As decis\u00f5es sobre as obras t\u00eam de ser independentes da influ\u00eancia do dinheiro que se vai gerar de compensa\u00e7\u00e3o\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>HIDROVIA E PORTOS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chacor\u00e3o e as duas outras UHEs com sistema de eclusas planejadas para o Tapaj\u00f3s s\u00e3o\u00a0cruciais para a viabiliza\u00e7\u00e3o da Hidrovia Teles Pires-Tapaj\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o relat\u00f3rio <i>Plano Hidrovi\u00e1rio Estrat\u00e9gico 2013<\/i><b>,<\/b> \u201c\u2026o transporte hidrovi\u00e1rio<i> <\/i>interior entre Santar\u00e9m e Cachoeira Rasteira<i> <\/i>depende diretamente da constru\u00e7\u00e3o de usinas<i> <\/i>hidrel\u00e9tricas com sistemas de eclusas, o<i> <\/i>que permitiria a navega\u00e7\u00e3o ao longo de extensos<i> <\/i>segmentos dos rios\u201d. Contudo, trecho<i> <\/i>do documento cita a TI Kayabi como altamente<i> <\/i>sens\u00edvel:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMesmo se essas duas barragens forem constru\u00eddas com eclusas, a terceira, que \u00e9\u00a0necess\u00e1ria para superar as corredeiras de Cachoeira Rasteira, localizada entre a Usina\u00a0Hidrel\u00e9trica de Chacor\u00e3o e a de S\u00e3o Manoel (no Rio Teles Pires), teria seu reservat\u00f3rio localizado no territ\u00f3rio ind\u00edgena nomeado de \u2018Kayabi\u2019 , altamente sens\u00edvel do ponto de vista socioambiental\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com as UHEs e a hidrovia, diversos portos est\u00e3o planejados para Itaituba e entorno, com financiamento privado. Um deles, da americana Bunge, maior exportadora de gr\u00e3os do Pa\u00eds, est\u00e1 pronto desde abril. A investida de empresas como ADM, Cargill e Amaggi, entre outras, que t\u00eam planos de portos no munic\u00edpio, tamb\u00e9m \u00e9 vista por Ana Cristina, da TNC, como oportunidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GOVERNAN\u00c7A E SINERGIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEstima-se que os primeiros seis portos v\u00e3o gerar para a prefeitura R$ 20 milh\u00f5es ao\u00a0ano\u201d, diz. \u201cPor isso, \u00e9 preciso tirar o atraso local de governan\u00e7a e preparar esses territ\u00f3rios para dar um salto de qualidade.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ana Cristina cita uma iniciativa da Associa\u00e7\u00e3o dos Terminais Privados do Rio Tapaj\u00f3s\u00a0(Atap) como exemplo do fortalecimento da governan\u00e7a local. \u201cA Atap chamou a prefeitura de Itaituba e discutiu uma agenda m\u00ednima de investimento, prioridades e de planejamento\u201d, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A iniciativa gerou um termo de compromisso pelo qual, segundo publicado em\u00a0reportagem do jornal <i>Valor Econ\u00f4mico <\/i>em novembro do ano passado<b>,<\/b> seis empresas associadas \u00e0 Atap prontificaram-se a repassar cerca de R$ 12 milh\u00f5es ao munic\u00edpio em\u00a015 parcelas a partir da entrega da licen\u00e7a de instala\u00e7\u00e3o. Segundo o texto, a associa\u00e7\u00e3o se\u00a0comprometeu a elaborar um projeto de aterro sanit\u00e1rio e coleta seletiva e a instalar uma\u00a0unidade de Corpo de Bombeiros no munic\u00edpio, entre outras atribui\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ane Alencar, diretora do Programa Cen\u00e1rios para a Amaz\u00f4nia do Instituto de Pesquisas\u00a0da Amaz\u00f4nia (Ipam), cita sua experi\u00eancia na BR-163 com certa melancolia, lembrando\u00a0que, antes mesmo de sair a licen\u00e7a pr\u00e9via para a pavimenta\u00e7\u00e3o da rodovia, em 2005, formou-se um grupo de estudos sobre os impactos da obra. (<i>Mais sobre a BR-163 em reportagem<\/i>)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cN\u00f3s fomos a campo, reunimos as lideran\u00e7as, geramos um plano, que foi levado para a ent\u00e3o ministra Marina Silva, e ela se sensibilizou. O processo andou muito bem no in\u00edcio. Criou-se um bloco de UCs nas proximidades da BR-163, e tamb\u00e9m na Terra do Meio, localizada na regi\u00e3o central do Par\u00e1. Pouco depois, a irm\u00e3 Dorothy Stang morreu, o que tamb\u00e9m acabou for\u00e7ando o aumento da presen\u00e7a do Estado na regi\u00e3o. Com a sa\u00edda da ministra Marina do governo Lula, em 2008, o plano foi abandonado, o que provocou um choque de governan\u00e7a, j\u00e1 que havia sido criada uma expectativa\u201d, resume Ane.<\/p>\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>42 mil pessoas <\/b>ser\u00e3o atra\u00eddas para<b> <\/b>Itaituba em fun\u00e7\u00e3o<b> <\/b>das obras da Usina de S\u00e3o Luiz.<b> <\/b>A popula\u00e7\u00e3o atual \u00e9 de 100 mil habitantes<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>130 mil pessoas <\/b>devem ir para a regi\u00e3o<b> <\/b>do Tapaj\u00f3s se todas<b> <\/b>as usinas sa\u00edrem do papel<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-32141\" src=\"http:\/\/www.pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/mapa21-e1406054717363.jpg\" alt=\"mapa2\" width=\"626\" height=\"479\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft  wp-image-32147\" src=\"http:\/\/www.pagina22.com.br\/wp-content\/uploads\/2014\/07\/mapa-C%C3%B3pia.jpg\" alt=\"mapa - C\u00f3pia\" width=\"627\" height=\"482\" \/><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Rio Tapaj\u00f3s \u2013 que nasce no Mato Grosso, entra no estado do Par\u00e1 e<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":4615,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg",150,96,false],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg",300,192,false],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/rio_tapajos.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O Rio Tapaj\u00f3s \u2013 que nasce no Mato Grosso, entra no estado do Par\u00e1 e","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4610"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4610"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4610\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4615"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4610"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4610"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4610"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}