{"id":45904,"date":"2016-07-18T09:00:34","date_gmt":"2016-07-18T12:00:34","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=45904"},"modified":"2016-07-17T20:17:59","modified_gmt":"2016-07-17T23:17:59","slug":"costa-brasileira-tem-recorde-de-baleias-encalhadas-e-mortas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/costa-brasileira-tem-recorde-de-baleias-encalhadas-e-mortas\/","title":{"rendered":"Costa brasileira tem recorde de baleias encalhadas e mortas"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-45905\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O n\u00famero de mortes de baleias jubarte encalhadas na costa brasileira \u00e9 recorde neste ano, com 23 animais encontrados sem vida s\u00f3 no primeiro semestre. A marca supera \u2013e muito\u2013 a m\u00e9dia anual de casos desde 2002, quando come\u00e7ou o monitoramento do Instituto Baleia Jubarte.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o tem intrigado estudiosos da esp\u00e9cie. As explica\u00e7\u00f5es, por sua vez, n\u00e3o s\u00e3o unanimidade. As hip\u00f3teses passam pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, pelo fen\u00f4meno El Ni\u00f1o, pela a\u00e7\u00e3o humana com as redes de pesca e at\u00e9 pelo fato de a popula\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie ter aumentado nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>No pa\u00eds, o maior \u00edndice de mortes de jubartes, com seis casos, havia ocorrido em 2011. Quase quatro vezes menos que no primeiro semestre. \u201cA maior parte dos encalhes acontece entre agosto e setembro, mas neste ano come\u00e7ou bem mais cedo e cremos que vai ser o pior dos \u00faltimos anos\u201d, afirmou Milton Marcondes, coordenador de pesquisas do instituto.<\/p>\n<p>Um dos piores casos monitorados ocorreu no in\u00edcio deste m\u00eas em Aracruz, no Esp\u00edrito Santo. Uma baleia adulta foi encontrada morta, estrangulada no abd\u00f4men por uma poss\u00edvel corda de pesca.<\/p>\n<p>Dos 23 casos registrados at\u00e9 junho, seis foram em <a href=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/13\/07\/2016\/baleias-encontradas-mortas-na-baixada-santista-podem-ser-vitimas-da-pesca\" target=\"_blank\">S\u00e3o Paulo<\/a>. O Estado contabilizava no m\u00e1ximo um por ano, quando isso ocorria.<br \/>\nAs jubartes nascem principalmente em Abrolhos, no litoral da Bahia, entre julho e novembro. Elas migram pelo litoral brasileiro para a Ant\u00e1rtida para se alimentar no ver\u00e3o. Depois reiniciam a rota migrat\u00f3ria de 25 mil km.<\/p>\n<p>O crescimento da popula\u00e7\u00e3o de jubartes no pa\u00eds teve um ritmo elevado na \u00faltima d\u00e9cada. Eram 3.400 no in\u00edcio da pesquisa, em 2002, chegando a 17 mil atualmente.<\/p>\n<p>\u201cA popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 aumentando, ent\u00e3o os encalhes podem ser normais. H\u00e1 uma influ\u00eancia nesse n\u00famero que temos de analisar, como a pesca e os efeitos do El Ni\u00f1o\u201d, afirma Marcondes.<\/p>\n<p><strong>CLIMA E PESCA<\/strong><\/p>\n<p>O fator clim\u00e1tico, entretanto, pode ter afetado a oferta de alimentos. Dessa forma, as baleias adiantam o per\u00edodo de migra\u00e7\u00e3o e ficam mais fracas. Os encalhes mais comuns s\u00e3o de animais jovens, de at\u00e9 quatro anos.<\/p>\n<p>O efeito do El Ni\u00f1o, intenso desde o ano passado, pode ter afetado a disponibilidade do krill, um tipo de camar\u00e3o pequeno e base da alimenta\u00e7\u00e3o desse animais.<\/p>\n<div id=\"attachment_605397\" class=\"wp-caption aligncenter\" style=\"width: 647px;\"><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-605397 \" src=\"http:\/\/www.anda.jor.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/COS4-e1468772147404.png\" alt=\"\" width=\"637\" height=\"995\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Folhapress<\/p>\n<\/div>\n<p>Na opini\u00e3o do ocean\u00f3grafo Hugo Gallo, a pesca \u00e9 um dos motivos mais prov\u00e1veis para o fen\u00f4meno. Ele preside o Instituto Argonauta, que atua na preserva\u00e7\u00e3o marinha no litoral norte.<\/p>\n<p>As redes de espera, usadas para pesca sem a presen\u00e7a dos pescadores, s\u00e3o as principais vil\u00e3s. \u201cEst\u00e1 claro para mim que a mortandade \u00e9 ligada \u00e0 pesca. Temos uma grande quantidade de tainhas aqui. O pescador coloca mais rede, as baleias se enroscam mais\u201d, afirma.<br \/>\nA hip\u00f3tese tem como base recentes proibi\u00e7\u00f5es do governo de Santa Catarina, que limitou a pesca comercial da esp\u00e9cie no litoral do Estado.<\/p>\n<p>Uma das preocupa\u00e7\u00f5es do Ibama \u00e9 com as atividades da Petrobras na regi\u00e3o do pr\u00e9-sal, com o uso do m\u00e9todo s\u00edsmico. S\u00e3o canh\u00f5es de ar lan\u00e7ados ao solo oce\u00e2nico que geram sons para detectar a exist\u00eancia de petr\u00f3leo e g\u00e1s.<\/p>\n<p>Ainda n\u00e3o h\u00e1, no entanto, dados para comprovar a liga\u00e7\u00e3o entre os eventos e uma desorienta\u00e7\u00e3o das baleias. A Petrobras diz que as atividades atendem a regula\u00e7\u00e3o e s\u00e3o fiscalizadas.<\/p>\n<p>De acordo com Andr\u00e9 Barreto, da Universidade do Vale Itaja\u00ed (SC), que coordena um projeto de monitoramento em n\u00edvel nacional, as incertezas s\u00e3o ainda grandes. \u201cTemos visto muitas se enrolando em redes de pesca, mas o porqu\u00ea de elas terem nadado t\u00e3o pr\u00f3ximas a costa \u00e9 algo que estamos buscando entender. Raramente a natureza tem um fator s\u00f3.\u201d<\/p>\n<p><strong>LITORAL PAULISTA<\/strong><\/p>\n<p>O mar do litoral norte de S\u00e3o Paulo est\u00e1 para baleias, principalmente por causa dos dias mais frios e da presen\u00e7a abundante de alimento, como os cardumes de tainhas.<\/p>\n<p>De acordo com n\u00fameros compilados pelo instituto Argonauta, de Ubatuba, neste ano ocorreram 13 observa\u00e7\u00f5es do animal. Seis foram encontrados mortos nas praias do Estado. N\u00fameros de anos anteriores s\u00e3o escassos, mas o ocean\u00f3grafo Hugo Gallo Neto, presidente do instituto (que monitora as baleias no litoral norte), diz que \u00e9 poss\u00edvel afirmar que os encontros est\u00e3o mais frequentes. A suspeita \u00e9 que as baleias est\u00e3o passando mais tempo na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Segundo Gallo Neto, dois fatores podem estar retendo mais os grandes cet\u00e1ceos perto da costa. \u201cOs cardumes de peixes, como as tainhas, est\u00e3o aparecendo mais. Eles s\u00e3o importantes fontes de alimenta\u00e7\u00e3o. Por isso, as baleias tendem a ficar mais tempo por aqui\u201d, diz o especialista.<\/p>\n<p>O outro fator \u00e9 clim\u00e1tico. A presen\u00e7a do El Ni\u00f1o, que muda o padr\u00e3o do tempo e, neste ano, fez os dias frios voltarem ao litoral paulista, t\u00eam facilitado a vida dos animais.<\/p>\n<p>\u00c9 normal a ocorr\u00eancia deles nesta \u00e9poca do ano. \u201cElas est\u00e3o migrando das regi\u00f5es mais ao sul para o arquip\u00e9lago de Abrolhos\u201d afirma o ocean\u00f3grafo de Ubatuba.<\/p>\n<p>A esp\u00e9cia mais vista, segundo os registros dos t\u00e9cnicos do instituto, \u00e9 a jubarte. Barcos do grupo saem quatro vezes por semana para mapear o litoral. Os encontros t\u00eam sido mais f\u00e1ceis entre Ilhabela e S\u00e3o Sebasti\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cFoi surpreendente. Estava observando alguns golfinhos se alimentarem, quando uma Jubarte apareceu\u201d, conta Leandro Saadi.<br \/>\nNo dia 30 de junho, o fot\u00f3grafo e ambientalista estava fazendo seu trabalho mensal de vistoria da \u00e1rea de prote\u00e7\u00e3o que existe entre as praias da Baleia e do Sahy.<\/p>\n<p>Foi entre as duas praias, \u00e0s 14h, a uns 200 metros de altura, com o seu paraglider motorizado, que Saadi conseguiu enquadrar na lente de sua c\u00e2mera a jubarte. A nota triste \u00e9 que a baleia estava ferida. \u201cEla n\u00e3o tinha o lado direito da cauda\u201d.Possivelmente o animal estava mutilado por ter se enroscado em uma rede de pesca. \u201cO pesquisador que viu as fotos descartou ser ataque de tubar\u00e3o ou mesmo de outra baleia maior\u201d, conta Saadi.<\/p>\n<p><strong>ENCONTRO<\/strong><\/p>\n<p>Na recente edi\u00e7\u00e3o da Semana de Vela de Ilhabela, no in\u00edcio de julho, alguns competidores que estavam no mar tamb\u00e9m foram brindados com a exibi\u00e7\u00e3o de uma baleia jubarte. Que chegou a saltar ao lado de uma embarca\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O professor Mario Rollo Jr., pesquisador da Unesp (Universidade Estadual Paulista), em S\u00e3o Vicente, relativiza o aumento da quantidade de baleias. \u201cDo ponto de vista estat\u00edstico, o n\u00famero de registros de baleias \u00e9 diretamente proporcional ao n\u00famero de frequentadores de regi\u00f5es litor\u00e2neas\u201d, diz o cientista.<\/p>\n<p>De acordo com ele, tendo em vista o boom imobili\u00e1rio das \u00faltimas d\u00e9cadas no litoral norte, n\u00e3o \u00e9 surpresa que os registros cres\u00e7am.<br \/>\nPara o pesquisador da Unesp, esfor\u00e7os de monitoramento sistem\u00e1tico de observa\u00e7\u00f5es de baleia no litoral de S\u00e3o Paulo precisam ser muito mais frequentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O n\u00famero de mortes de baleias jubarte encalhadas na costa brasileira \u00e9 recorde neste ano,<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":45905,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/baleia.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O n\u00famero de mortes de baleias jubarte encalhadas na costa brasileira \u00e9 recorde neste ano,","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45904"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45904"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45904\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45904"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45904"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45904"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}