{"id":45854,"date":"2016-07-17T08:28:54","date_gmt":"2016-07-17T11:28:54","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=45854"},"modified":"2016-07-17T08:28:54","modified_gmt":"2016-07-17T11:28:54","slug":"estudo-identifica-quase-12-mil-especies-de-arvores-na-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-identifica-quase-12-mil-especies-de-arvores-na-amazonia\/","title":{"rendered":"Estudo identifica quase 12 mil esp\u00e9cies de \u00e1rvores na Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-45855\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Maior floresta tropical do mundo, a Amaz\u00f4nia impressiona n\u00e3o s\u00f3 por sua exuber\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m pelo gigantismo de seus n\u00fameros. Cobrindo uma \u00e1rea de cerca de sete milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados \u2014 aproximadamente 60% dos quais em territ\u00f3rio brasileiro \u2014, o bioma abriga 2,5 milh\u00f5es de tipos de insetos, dezenas de milhares de esp\u00e9cies de plantas e mais de dois mil animais, entre peixes, anf\u00edbios, r\u00e9pteis e mam\u00edferos, com, acredita-se, muitas outras milhares ainda desconhecidas da ci\u00eancia. E agora mais um n\u00famero se junta a esta lista. Em um levantamento in\u00e9dito, pesquisadores verificaram que a Amaz\u00f4nia \u00e9 lar de quase 12 mil esp\u00e9cies de \u00e1rvores, mais do que em qualquer outro lugar da Terra, em nova demonstra\u00e7\u00e3o da pujan\u00e7a de sua biodiversidade.<\/p>\n<p>No estudo, publicado ontem no peri\u00f3dico cient\u00edfico de acesso aberto \u201cScientific Reports\u201d, os cientistas liderados por Hans ter Steege, do Centro Naturalis de Biodiversidade, na Holanda, analisaram arquivos digitalizados com imagens e dados de mais de 530 mil amostras de \u00e1rvores \u2014 definidas como plantas cujo tronco atinge o di\u00e2metro m\u00ednimo de 10 cent\u00edmetros na altura do peito (1,3 metro do ch\u00e3o) \u2014 recolhidas na Amaz\u00f4nia entre 1707 e 2015 espalhadas em dezenas de museus, herb\u00e1rios e institui\u00e7\u00f5es de pesquisa do planeta. Com isso, eles identificaram 11.676 esp\u00e9cies diferentes nestas cole\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>UMA AGULHA NUM PALHEIRO<\/strong><\/p>\n<p>O resultado do levantamento foi considerado pelos pesquisadores como em linha com estimativa feita por estudo anterior liderado pelo pr\u00f3prio Steege, publicado em outubro de 2013 na prestigiada revista cient\u00edfica \u201cScience\u201d, que apontou que a Amaz\u00f4nia teria aproximadamente 16 mil esp\u00e9cies de \u00e1rvores em uma popula\u00e7\u00e3o total que chegaria a 390 bilh\u00f5es de plantas do tipo. Isso significa que ainda falta \u00e0 ci\u00eancia descobrir cerca de quatro mil das mais raras esp\u00e9cies de \u00e1rvores do bioma. \u00c9 um trabalho t\u00e3o grande e dif\u00edcil que, de acordo com avalia\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios autores do novo invent\u00e1rio, seriam necess\u00e1rios pelo menos mais 300 anos para ser completado, desde que sejam feitas expedi\u00e7\u00f5es frequentes no bioma.<\/p>\n<p>\u2014 \u00c9 o equivalente a procurar por uma agulha num palheiro \u2014 compara Rafael Paiva Salom\u00e3o, pesquisador da Coordena\u00e7\u00e3o de Bot\u00e2nica do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi e coautor de ambos estudos. \u2014 Estas quatro mil esp\u00e9cies que faltam s\u00e3o muito raras e ser\u00e3o bem dif\u00edceis de serem achadas. Al\u00e9m disso, as dificuldades para se trabalhar na Amaz\u00f4nia s\u00e3o muito grandes. A floresta \u00e9 muito densa, o que vai exigir expedi\u00e7\u00f5es regulares e trabalhosas. E para isso s\u00e3o necess\u00e1rios recursos, que tamb\u00e9m est\u00e3o em falta.<\/p>\n<p>Segundo os pesquisadores, as cerca de quatro mil esp\u00e9cies de \u00e1rvores ainda desconhecidas da Amaz\u00f4nia t\u00eam uma abund\u00e2ncia estimada em igual ou menos de um milh\u00e3o de exemplares em toda floresta, sendo que algumas n\u00e3o atingiriam o n\u00famero de mil plantas no total. Diante disso, eles calculam que as chances de uma amostra de alguma \u00e1rvore no topo deste n\u00edvel de ocorr\u00eancia ser coletada ao acaso em 2,5 por milh\u00e3o. J\u00e1 para as esp\u00e9cies cuja ocorr\u00eancia n\u00e3o passa de mil exemplares entre as centenas de bilh\u00f5es de \u00e1rvores da Amaz\u00f4nia, esta probabilidade cairia para apenas 2,5 a cada bilh\u00e3o. Ainda assim, os autores do estudo destacam que, se suas estimativas estiverem corretas, quase sete mil esp\u00e9cies de \u00e1rvores cuja abund\u00e2ncia tamb\u00e9m n\u00e3o passa de um milh\u00e3o na floresta j\u00e1 foram descobertas e descritas nos \u00faltimos tr\u00eas s\u00e9culos, uma estat\u00edstica bem mais animadora para o trabalho futuro.<\/p>\n<p>\u2014 Temos hoje uma boa ideia da megadiversidade arb\u00f3rea da Amaz\u00f4nia, mas \u00e9 preciso avan\u00e7ar mais \u2014 defende Salom\u00e3o. \u2014 E esta biodiversidade pode ter muitas aplica\u00e7\u00f5es, seja na ind\u00fastria farmac\u00eautica quanto na aliment\u00edcia, fabrica\u00e7\u00e3o de perfumes e outras. O conhecimento de novas esp\u00e9cies pode levar \u00e0 descoberta de novos produtos para diversos setores com grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica.<\/p>\n<p><strong>RECURSOS DIRECIONADOS<\/strong><\/p>\n<p>E um exemplo disso \u00e9 o a\u00e7aizeiro (<em>Euterpe precatoria<\/em>). Apontada no estudo de 2013 como uma das esp\u00e9cies de \u00e1rvores mais comuns na Amaz\u00f4nia, com mais de cinco bilh\u00f5es de exemplares espalhados pela floresta, este tipo de palmeira \u00e9 hoje fonte de renda para milhares de fam\u00edlias na Regi\u00e3o Norte. Outra esp\u00e9cie de importante papel econ\u00f4mico que figura na lista das \u00e1rvores com maior n\u00famero de exemplares no bioma \u00e9 a seringueira (<em>Hevea brasiliensis<\/em>), com uma abund\u00e2ncia calculada em quase dois bilh\u00f5es de plantas. E isso sem contar esp\u00e9cies menos abundantes mas ainda assim consideradas \u201chiperdominantes\u201d pelos pesquisadores, como a castanheira (<em>Bertholletia excelsa<\/em>) e muitas outras.<\/p>\n<p>\u2014 Hoje os recursos para as pesquisas na Amaz\u00f4nia s\u00e3o muito direcionados, seja para fazer perfumes, procurar f\u00e1rmacos, a ind\u00fastria madeireira ou para captura de carbono \u2014 conta Salom\u00e3o. \u2014 N\u00e3o temos nada focado no conhecimento da biodiversidade da Amaz\u00f4nia como um todo, e assim a regi\u00e3o ainda \u00e9 muito pouco estudada. Com um programa de cinco a dez anos de expedi\u00e7\u00f5es regulares, no entanto, acredito que poder\u00edamos fazer um invent\u00e1rio bem maior, identificando v\u00e1rias esp\u00e9cies de interesse cient\u00edfico e econ\u00f4mico.<\/p>\n<p>Para o pesquisador do Museu Goeldi, uma maneira de avan\u00e7ar neste sentido de forma mais r\u00e1pida seria integrar o trabalho \u00e0s muitas novas unidades de conserva\u00e7\u00e3o que foram e est\u00e3o sendo criadas no bioma nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>\u2014 Muitas destas unidades de conserva\u00e7\u00e3o existem basicamente s\u00f3 no papel, com poucos funcion\u00e1rios e quase nada de pesquisa \u2014 critica Salom\u00e3o. \u2014 N\u00e3o h\u00e1 estudos ou projetos espec\u00edficos nelas. Precisamos que as unidades de conserva\u00e7\u00e3o passem a contribuir efetivamente para o avan\u00e7o do conhecimento sobre o bioma amaz\u00f4nico. E esta integra\u00e7\u00e3o e conhecimento gerado, por outro lado, tamb\u00e9m ajudaria nos pr\u00f3prios esfor\u00e7os de preserva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Maior floresta tropical do mundo, a Amaz\u00f4nia impressiona n\u00e3o s\u00f3 por sua exuber\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":45855,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/amazonia-1.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Maior floresta tropical do mundo, a Amaz\u00f4nia impressiona n\u00e3o s\u00f3 por sua exuber\u00e2ncia, mas tamb\u00e9m","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45854"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45854"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45854\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45855"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45854"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45854"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45854"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}