{"id":45842,"date":"2016-07-16T15:27:52","date_gmt":"2016-07-16T18:27:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=45842"},"modified":"2016-07-16T15:28:59","modified_gmt":"2016-07-16T18:28:59","slug":"aquecimento-global-o-desafio-e-ainda-maior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/aquecimento-global-o-desafio-e-ainda-maior\/","title":{"rendered":"Aquecimento global: o desafio \u00e9 ainda maior"},"content":{"rendered":"<div class=\"td-post-sharing td-post-sharing-top \"><\/div>\n<div class=\"td-post-content\">\n<div class=\"td-post-featured-image\"><img loading=\"lazy\" class=\"entry-thumb\" title=\"zoom1\" src=\"http:\/\/revistaamazonia.com.br\/wp-content\/uploads\/zoom1-696x391.jpg\" alt=\"\" width=\"641\" height=\"360\" \/><\/div>\n<div class=\"td-g-rec td-g-rec-id-content_top \"><\/div>\n<p>Um recente estudo feito sob a \u00e9gide do Painel Intergovernamental para as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, o IPCC, publicado na revista Nature, atualizou as correla\u00e7\u00f5es entre volumes de emiss\u00f5es de gases efeito estufa (GEE) e aumentos de temperatura m\u00e9dia do planeta, at\u00e9 o fim do s\u00e9culo. Num cen\u00e1rio de in\u00e9rcia absoluta, ao gosto dos negacionistas clim\u00e1ticos, o aumento seria de entre 4,1 e 5,6 graus. Num cen\u00e1rio de mera continuidade das pol\u00edticas atuais, ter\u00edamos entre 3,2 e 4,4 graus. Se todos os pa\u00edses cumprirem rigorosamente os compromissos volunt\u00e1rios (os chamados INDC) assumidos ano passado no Acordo de Paris, ficar\u00edamos entre 2,9 e 3,8 graus.<\/p>\n<p>Hoje assistimos \u00e0s consequ\u00eancias do aumento de pouco menos de um grau j\u00e1 registrado desde o in\u00edcio da era industrial: derretimento acelerado de geleiras; enchentes, furac\u00f5es e secas mais frequentes e intensas; impactos devastadores sobre a agricultura, como a estiagem de quatro anos que precedeu a guerra civil S\u00edria; eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos oceanos; migra\u00e7\u00e3o de epidemias etc. Agora imaginemos um futuro, ainda no per\u00edodo de vida de nossos filhos e netos, com esses cen\u00e1rios apresentados na Nature.<\/p>\n<p>A simples progress\u00e3o aritm\u00e9tica \u00e9 francamente assustadora, mesmo sem incorporar riscos exponenciais retroalimentadores ainda mal estudados: a libera\u00e7\u00e3o massiva do metano do \u00c1rtico, do permafrost siberiano e do fundo dos oceanos e a redu\u00e7\u00e3o da capacidade de absor\u00e7\u00e3o de CO2 provocada pela acidifica\u00e7\u00e3o dos mesmos e pelo deterioramento das florestas tropicais.<\/p>\n<p>O estudo tamb\u00e9m permite vislumbrar uma estreita janela de oportunidades de aproximadamente 15 anos: um processo de revis\u00f5es quinquenais dos INDC, pelo qual ainda seria poss\u00edvel conter o aumento da temperatura m\u00e9dia do planeta abaixo dos 2 graus, que para os cientistas separa as consequ\u00eancias graves das simplesmente catastr\u00f3ficas.<\/p>\n<p>Permanecer abaixo dos 2 graus depende do advento de uma economia global carbono neutra, por volta de 2075, na qual o emitido e o retirado da atmosfera se equivalham. Isso pressup\u00f5e, entre outras coisas, o abandono do carv\u00e3o em um prazo relativamente curto e do petr\u00f3leo mais adiante. Demandar\u00e1 energias limpas e renov\u00e1veis com grande otimiza\u00e7\u00e3o de sua efici\u00eancia; a eletrifica\u00e7\u00e3o dos transportes ou sua \u201chibridiza\u00e7\u00e3o\u201d com uso de biocombust\u00edveis; t\u00e9cnicas massivas de captura e sequestro de carbono; desmatamento zero; gigantescos projetos de reflorestamento; e uma agricultura e uma pecu\u00e1ria de alta produtividade e baixo carbono. Trata-se de uma verdadeira revolu\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica e cultural que precisar\u00e1 de investimentos gigantescos. Por outro lado, ela deve aportar implica\u00e7\u00f5es globais econ\u00f4micas e sociais bastante positivas.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma converg\u00eancia de caminhos entre a transi\u00e7\u00e3o para economias de baixo carbono e uma supera\u00e7\u00e3o da chamada \u201cfinanceiriza\u00e7\u00e3o\u201d que, segundo recente mat\u00e9ria de capa da conservadora revista Time, est\u00e1 estagnando a economia global. A transi\u00e7\u00e3o para economias de baixo carbono pressup\u00f5e investimentos de aproximadamente US$ 3 trilh\u00f5es por ano, algo muito al\u00e9m dos US$ 100 bilh\u00f5es em torno dos quais tanto se polemiza nas Confer\u00eancias do Clima da UNFCCC. Os governos, praticamente todos com deficit e forte endividamento, n\u00e3o conseguem aportar esses trilh\u00f5es, embora possam mobilizar garantias e criar instrumentos de press\u00e3o para eventualmente drenar uma parte dos US$ 220 trilh\u00f5es que hoje circulam no sistema financeiro global. Um esfor\u00e7o envolvendo um grupo pioneiro de governos, bancos centrais, bancos de investimento e ag\u00eancias multilaterais, sob a \u00e9gide do G-20, numa esp\u00e9cie de \u201cBretton Woods do baixo carbono\u201d, poder\u00e1 consagrar novos mecanismos para atender essa necessidade hist\u00f3rica e premente da humanidade.<\/p>\n<p>Nos \u00e2mbitos nacionais, torna-se urgente a taxa\u00e7\u00e3o do carbono, cujo efeito ser\u00e1 incorporar ao pre\u00e7o dos produtos e servi\u00e7os carbono intensivos suas \u201cexternalidades\u201d, ou seja, os custos reais de danos sociais e econ\u00f4micos, hoje escamoteados. Essa taxa\u00e7\u00e3o deve ser institu\u00edda suprimindo outros tributos sobre trabalho e investimento.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso tamb\u00e9m redirecionar quase US$ 1 trilh\u00e3o de subs\u00eddios a combust\u00edveis f\u00f3sseis. Outra ferramenta \u00e9 a chamada \u201cprecifica\u00e7\u00e3o positiva\u201d, baseada no par\u00e1grafo 108 da Decis\u00e3o de Paris, que reconhece o valor social e econ\u00f4mico da redu\u00e7\u00e3o\/remo\u00e7\u00e3o de carbono. Ela permitir\u00e1 aportar liquidez \u00e0s economias produtivas de baixo carbono, via \u201ccertificados de redu\u00e7\u00e3o\/remo\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es\u201d, uma esp\u00e9cie \u201cmoeda do clima\u201d.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um recente estudo feito sob a \u00e9gide do Painel Intergovernamental para as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, o<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Um recente estudo feito sob a \u00e9gide do Painel Intergovernamental para as Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas, o","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45842"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45842"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45842\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45842"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45842"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45842"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}