{"id":45813,"date":"2016-07-16T09:55:42","date_gmt":"2016-07-16T12:55:42","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=45813"},"modified":"2016-07-16T09:55:42","modified_gmt":"2016-07-16T12:55:42","slug":"pesquisadores-brasileiros-criam-modelos-de-tecido-humano-para-estudar-doencas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/pesquisadores-brasileiros-criam-modelos-de-tecido-humano-para-estudar-doencas\/","title":{"rendered":"Pesquisadores brasileiros criam modelos de tecido humano para estudar doen\u00e7as"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-45814\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>A tr\u00eas anos de entrar em vigor uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Controle de Experimenta\u00e7\u00e3o Animal (Concea) que obriga fabricantes de cosm\u00e9ticos e laborat\u00f3rios farmac\u00eauticos a adotarem m\u00e9todos alternativos ao uso de animais em pesquisa, o Brasil fez avan\u00e7os significativos no desenvolvimento de pele reconstru\u00edda em laborat\u00f3rio. Esse material biol\u00f3gico \u00e9 chamado tamb\u00e9m de pele artificial, 3D ou equivalente, e tem morfologia e fisiologia similares ao tecido humano. Poder\u00e1 ser usado em testes de avalia\u00e7\u00e3o de novos cosm\u00e9ticos e produtos de higiene pessoal em substitui\u00e7\u00e3o a animais, no estudo de doen\u00e7as, como melanoma e c\u00e2ncer de colo uterino, e no tratamento de \u00falceras dermatol\u00f3gicas cr\u00f4nicas e queimaduras. Empresas, institutos de pesquisa e universidades do pa\u00eds correm contra o tempo para desenvolver modelos nacionais de pele humana <em>in vitro<\/em>.<\/p>\n<p>A pele artificial \u00e9 reconstru\u00edda a partir de c\u00e9lulas humanas e demora de 10 a 30 dias para ser desenvolvida (<em><a title=\"\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/014-021_CAPA_Pele_245-NOVO-300x263.jpg?24d31a\" target=\"_blank\" data-rel=\"lightbox-0\">ver infogr\u00e1fico<\/a><\/em>). O tecido dura por volta de sete a 10 dias, per\u00edodo em que est\u00e1 pronto para ser usado. No caso dos testes de cosm\u00e9ticos, a nova subst\u00e2ncia deve ser aplicada sobre a pele. Em creme ou p\u00f3, o material \u00e9 espalhado com aux\u00edlio de uma esp\u00e1tula ou uma haste flex\u00edvel; se for um l\u00edquido, \u00e9 pingado sobre o tecido. Depois de algumas horas, a pele <em>in vitro<\/em> \u00e9 lavada para remo\u00e7\u00e3o da subst\u00e2ncia. No dia seguinte, os pesquisadores fazem em laborat\u00f3rio a contagem da quantidade de c\u00e9lulas vivas e mortas a fim de verificar o potencial corrosivo irritante do novo produto. Cada fragmento de pele reconstru\u00edda, com 1,5 cent\u00edmetro (cm) a 3 cm de di\u00e2metro, s\u00f3 pode ser usado uma vez.<\/p>\n<div id=\"attachment_220307\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 L\u00c9O RAMOS<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_22_2JG7051-300x200.jpg?24d31a\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_22_2JG7051-768x511.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_22_2JG7051-745x496.jpg 745w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_22_2JG7051-300x200.jpg 300w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_22_2JG7051-1024x681.jpg 1024w\" alt=\"Prepara\u00e7\u00e3o de amostra de pele desenvolvida pela professora Silvya Maria-Engler, da USP\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Prepara\u00e7\u00e3o de amostra de pele desenvolvida pela professora Silvya Maria-Engler, da USP<\/p>\n<\/div>\n<p>Atualmente, o mercado de pele artificial \u00e9 liderado pela multinacional francesa L\u2019Or\u00e9al, uma das gigantes do setor de cosm\u00e9ticos. A empresa \u00e9 propriet\u00e1ria dos modelos Episkin e Skinethic, distribu\u00eddos em pa\u00edses da Europa em kits formados por 24 unidades de tecidos de pele artificial humana reconstru\u00eddos em laborat\u00f3rio. Al\u00e9m da pele completa, formada pela epiderme (camada externa) e a derme (camada logo abaixo da epiderme), a L\u2019Or\u00e9al comercializa no exterior outros seis modelos de tecidos, entre eles uma epiderme humana reconstru\u00edda, uma epiderme pigmentada, mimetizando diferentes cores de pele, e v\u00e1rios tipos de epit\u00e9lio, como os que comp\u00f5em as mucosas da boca, gengiva, vagina e c\u00f3rnea. Outra grande participante desse mercado \u00e9 a norte-americana MatTek, que vende v\u00e1rios modelos de pele equivalente, n\u00e3o muito distintos dos feitos pela L\u2019Or\u00e9al. Os pre\u00e7os nas empresas, de amostras individuais, variam de US$ 50 a US$ 80. Na Alemanha, o Instituto Fraunhofer IGB criou um sistema automatizado capaz de produzir 12 mil fragmentos de pele a partir de uma \u00fanica amostra de tecido humano. Desde 2014, o instituto alem\u00e3o vende o sistema \u00e0s empresas que querem certificar-se de que seus produtos de beleza n\u00e3o causam alergia ou irrita\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora a legisla\u00e7\u00e3o brasileira permita a importa\u00e7\u00e3o de pele artificial fabricada no exterior, isso nem sempre \u00e9 vi\u00e1vel \u2013 da\u00ed a import\u00e2ncia do desenvolvimento do tecido no pa\u00eds. \u201cPor ser material vivo e, portanto, perec\u00edvel, os fragmentos de pele contidos nos kits t\u00eam validade de poucos dias. \u00c9 muito comum enfrentarmos problemas na alf\u00e2ndega, o que na pr\u00e1tica inviabiliza a importa\u00e7\u00e3o\u201d, diz a bi\u00f3loga Silvya Stuchi Maria-Engler, professora da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da Universidade de S\u00e3o Paulo (FCF-USP), refer\u00eancia nas pesquisas envolvendo pele equivalente. \u201cCom a proibi\u00e7\u00e3o do uso de animais em testes de cosm\u00e9ticos e insumos a partir de 2019, \u00e9 muito importante que os kits passem a ser produzidos no pa\u00eds.\u201d<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/014-021_CAPA_Pele_245-NOVO-1.jpg?24d31a\" rel=\"attachment wp-att-220361\" data-rel=\"lightbox-1\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignright size-medium wp-image-220361\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/014-021_CAPA_Pele_245-NOVO-1-300x264.jpg?24d31a\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/014-021_CAPA_Pele_245-NOVO-1-768x675.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/014-021_CAPA_Pele_245-NOVO-1-564x496.jpg 564w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/014-021_CAPA_Pele_245-NOVO-1-300x264.jpg 300w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/014-021_CAPA_Pele_245-NOVO-1-1024x900.jpg 1024w\" alt=\"014-021_CAPA_Pele_245-NOVO\" width=\"300\" height=\"264\" \/><\/a>No fim de 2015, o Grupo Botic\u00e1rio, controlador das unidades de neg\u00f3cio O Botic\u00e1rio, Eudora e Quem disse, Berenice?, anunciou ter conseguido criar um material equivalente \u00e0 pele humana no seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Pinhais, no Paran\u00e1. O tecido \u00e9 empregado em testes de mat\u00e9rias-primas e produtos acabados, como maquiagens, lo\u00e7\u00f5es e cremes, e em ensaios de seguran\u00e7a e toxicidade, no lugar de animais. \u201cPara fazer nossa pele 3D, usamos c\u00e9lulas isoladas de tecidos cut\u00e2neos descartados de cirurgias pl\u00e1sticas, com o consentimento dos doadores e a aprova\u00e7\u00e3o do Comit\u00ea de \u00c9tica e Pesquisa de nosso Centro de P&amp;D\u201d, informa M\u00e1rcio Lorencini, gerente de Pesquisa Biomolecular da companhia. Em laborat\u00f3rio, o novo tecido \u00e9 formado c\u00e9lula a c\u00e9lula, camada por camada, tal como a pele humana. O resultado \u00e9 um fragmento de at\u00e9 3 cent\u00edmetros de di\u00e2metro pronto para realiza\u00e7\u00e3o de testes.<\/p>\n<p>Na recria\u00e7\u00e3o <em>in vitro<\/em>, a epiderme, a camada mais externa da pele, \u00e9 obtida por meio da cultura de queratin\u00f3citos, c\u00e9lulas que realizam a s\u00edntese da queratina e respondem pelos fatores de barreira e prote\u00e7\u00e3o, e dos melan\u00f3citos, respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de melanina, que confere pigmenta\u00e7\u00e3o \u00e0 pele. A derme \u00e9 reconstitu\u00edda a partir da cultura de fibroblastos humanos cultivados em gel de col\u00e1geno. Os fibroblastos s\u00e3o respons\u00e1veis pela produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas capazes de sintetizar fibras de col\u00e1geno e elastina.<\/p>\n<div id=\"attachment_220308\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 L\u00c9O RAMOS<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_30_2JG7071-681x1024.jpg?24d31a\" sizes=\"(max-width: 290px) 100vw, 290px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_30_2JG7071-768x1154.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_30_2JG7071-330x496.jpg 330w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_30_2JG7071-681x1024.jpg 681w\" alt=\"Teste de cosm\u00e9tico l\u00edquido sobre pele artificial na USP. Cada fragmento s\u00f3 pode ser usado uma vez\" width=\"290\" height=\"436\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Teste de cosm\u00e9tico l\u00edquido sobre pele artificial na USP. Cada fragmento s\u00f3 pode ser usado uma vez<\/p>\n<\/div>\n<p>Todas essas estruturas celulares produzidas em laborat\u00f3rio t\u00eam caracter\u00edsticas de crescimento muito similares \u00e0 pele humana, o que aumenta a uniformidade e a reprodutibilidade dos testes. E guardam muito mais semelhan\u00e7a com a pele humana do que a dos camundongos normalmente usados na avalia\u00e7\u00e3o de novos produtos. A pele completa formada por derme e epiderme \u00e9 ideal para o estudo de doen\u00e7as e a avalia\u00e7\u00e3o de novos medicamentos, enquanto a estrutura formada apenas pela epiderme \u00e9 suficiente para ensaios de corros\u00e3o e irrita\u00e7\u00e3o feitos pela ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos.<\/p>\n<p><strong>Pele 3D<\/strong><br \/>\nA tecnologia do Grupo Botic\u00e1rio, segundo M\u00e1rcio Lorencini, come\u00e7ou a ser desenvolvida em 2009. Com ela \u00e9 poss\u00edvel realizar v\u00e1rios testes em uma mesma unidade de pele reconstitu\u00edda. \u201cA pele 3D permite maior amplitude e assertividade nos testes, por ser elaborada a partir de um conjunto de c\u00e9lulas de v\u00e1rios indiv\u00edduos [pr\u00e1tica comum nas t\u00e9cnicas atuais de todos os grupos que pesquisam e produzem peles artificiais]. Utilizando um <em>pool<\/em> de c\u00e9lulas diminu\u00edmos a variabilidade individual. Caso empreg\u00e1ssemos c\u00e9lulas derivadas de uma \u00fanica pessoa poder\u00edamos ter respostas vari\u00e1veis de um indiv\u00edduo para outro, o que n\u00e3o \u00e9 ideal para avalia\u00e7\u00e3o de par\u00e2metros toxicol\u00f3gicos e de efic\u00e1cia de produtos e mat\u00e9rias-primas cosm\u00e9ticas\u201d, afirma Lorencini. Al\u00e9m dos ensaios de toxicidade, corros\u00e3o e irrita\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea, a empresa usa a pele artificial para avalia\u00e7\u00e3o de efic\u00e1cia da produ\u00e7\u00e3o de melanina, an\u00e1lise de express\u00e3o g\u00eanica e proteica de diversos marcadores teciduais, como col\u00e1genos, elastinas e queratinas, e estudo de citocinas, que s\u00e3o biomarcadores de inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div id=\"attachment_220305\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 L\u00c9O RAMOS<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_08_2JG6985-e1468001527505-300x218.jpg?24d31a\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_08_2JG6985-e1468001527505-768x559.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_08_2JG6985-e1468001527505-682x496.jpg 682w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_08_2JG6985-e1468001527505-300x218.jpg 300w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_08_2JG6985-e1468001527505-1024x745.jpg 1024w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_08_2JG6985-e1468001527505.jpg 1493w\" alt=\"A primeira amostra de pele humana reconstru\u00edda na USP foi finalizada em 2006\" width=\"300\" height=\"218\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">A primeira amostra de pele humana reconstru\u00edda na USP foi finalizada em 2006<\/p>\n<\/div>\n<p>O Grupo Botic\u00e1rio desenvolveu o modelo com recursos pr\u00f3prios, sem o aux\u00edlio de parceiros na academia, mas contou em sua equipe com a participa\u00e7\u00e3o da bi\u00f3loga Carla Abdo Brohem, que fez sua forma\u00e7\u00e3o no Laborat\u00f3rio de Biologia da Pele da USP, com bolsa de doutorado da FAPESP. Tamb\u00e9m com aux\u00edlio da Funda\u00e7\u00e3o, Carla realizou um p\u00f3s-doutorado entre 2010 e 2011, ocasi\u00e3o em que estagiou no laborat\u00f3rio da pesquisadora australiana Pritinder Kaur, do Peter MacCallum Cancer Centre, institui\u00e7\u00e3o m\u00e9dica de Melbourne especializada na pesquisa e no tratamento de c\u00e2ncer. Pritinder \u00e9 considerada uma grande especialista no estudo de c\u00e9lulas-tronco epiteliais e colabora com o grupo da professora Silvya Maria-Engler. Atualmente, Carla coordena o N\u00facleo de Avalia\u00e7\u00e3o de Seguran\u00e7a e Efic\u00e1cia do Centro de P&amp;D da companhia.<\/p>\n<p>Em S\u00e3o Paulo, Silvya, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Biologia da Pele da USP, finalizou seu primeiro modelo de pele humana reconstru\u00edda <em>in vitro<\/em> em 2006. Entre os trabalhos mais recentes, destacam-se o desenvolvimento de uma pele envelhecida para uso em testes de cosm\u00e9ticos antienvelhecimento, a cria\u00e7\u00e3o de uma epiderme semelhante aos modelos comerciais e a produ\u00e7\u00e3o de uma pele 3D voltada a estudos sobre c\u00e2ncer de pele. Essa linha de pesquisa j\u00e1 rendeu 45 artigos cient\u00edficos publicados pelo grupo de Silvya.<\/p>\n<div id=\"attachment_220311\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<div class=\"wp-caption size-medium wp-image-220311\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 ENRIQUE BOCCCARDO \/ USP<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin%C3%B3citos-com-genoma-completo-de-HPV16-BrdU-300x236.jpg?24d31a\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin\u00f3citos-com-genoma-completo-de-HPV16-BrdU-768x603.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin\u00f3citos-com-genoma-completo-de-HPV16-BrdU-631x496.jpg 631w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin\u00f3citos-com-genoma-completo-de-HPV16-BrdU-300x236.jpg 300w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin\u00f3citos-com-genoma-completo-de-HPV16-BrdU-1024x804.jpg 1024w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin\u00f3citos-com-genoma-completo-de-HPV16-BrdU.jpg 1315w\" alt=\"Microscopia de infec\u00e7\u00e3o por papiloma v\u00edrus (HPV)...\" width=\"300\" height=\"236\" \/><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">Microscopia de infec\u00e7\u00e3o por papiloma v\u00edrus (HPV)\u2026<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201c\u00c9 fundamental que o Brasil domine a tecnologia de produ\u00e7\u00e3o de pele humana reconstru\u00edda, ganhando autonomia nesse campo de pesquisa\u201d, afirma a cientista. \u201cOs modelos de pele completa e epiderme que criamos s\u00e3o id\u00eanticos aos produzidos no exterior. Estamos transferindo esse conhecimento para a sociedade por meio da Funda\u00e7\u00e3o Instituto de Pesquisas Farmac\u00eauticas da USP, a FipFarma. J\u00e1 fomos procurados por v\u00e1rios fabricantes de cosm\u00e9ticos interessados em receber treinamento para aprender a construir esses tecidos em laborat\u00f3rio\u201d, diz ela.<\/p>\n<p>A primeira empresa a fazer o curso de capacita\u00e7\u00e3o da USP foi a OneSkin Technologies, startup de biotecnologia especializada em engenharia de tecidos criada por tr\u00eas pesquisadoras brasileiras e sediada em S\u00e3o Francisco, na Calif\u00f3rnia. \u201cCom o treinamento recebido na USP, conseguimos construir nosso modelo de epiderme humana <em>in vitro<\/em>. Agora, estamos trabalhando no desenvolvimento da pele completa\u201d, conta a bioqu\u00edmica Carolina Reis de Oliveira, s\u00f3cia-fundadora da OneSkin. Incubada desde mar\u00e7o deste ano na IndieBio, uma das maiores aceleradoras de biotecnologia dos Estados Unidos, a OneSkin quer dominar a tecnologia de constru\u00e7\u00e3o de pele 3D para atuar no mercado de cosm\u00e9ticos antienvelhecimento. \u201cNosso pr\u00f3ximo desafio \u00e9 desenvolver um tipo de pele envelhecida que nos permita estudar mecanismos para prevenir o envelhecimento\u201d, diz Carolina. Quando este objetivo for atingido, a OneSkin vai se dedicar \u00e0 busca de mol\u00e9culas com potencial antienvelhecimento. \u201cNossa ideia \u00e9 licenciar mol\u00e9culas relevantes ou produzir novos cosm\u00e9ticos com elas.\u201d A OneSkin foi convidada a instalar-se na IndieBio ap\u00f3s participar de um evento para startups no Brasil e chamar a aten\u00e7\u00e3o de investidores estrangeiros.<\/p>\n<div id=\"attachment_220312\" class=\"wp-caption alignright\">\n<div class=\"wp-caption size-medium wp-image-220312\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 ENRIQUE BOCCCARDO \/ USP<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin%C3%B3citos-normais-BrdU-300x236.jpg?24d31a\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin\u00f3citos-normais-BrdU-768x603.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin\u00f3citos-normais-BrdU-631x496.jpg 631w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin\u00f3citos-normais-BrdU-300x236.jpg 300w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin\u00f3citos-normais-BrdU-1024x804.jpg 1024w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Queratin\u00f3citos-normais-BrdU.jpg 1315w\" alt=\"...e a pele artificial normal, em experimentos no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB)\" width=\"300\" height=\"236\" \/><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u2026e a pele artificial normal, em experimentos no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas (ICB)<\/p>\n<\/div>\n<p>No Laborat\u00f3rio de Biologia da Pele da USP, a bi\u00f3loga Paula Comune Pennacchi trabalha em uma linha de pesquisa similar \u00e0 da OneSkin. Ela criou um modelo de pele humana que simula o envelhecimento cut\u00e2neo fisiol\u00f3gico e as altera\u00e7\u00f5es de pele observadas em pacientes diab\u00e9ticos. O trabalho foi sua tese de doutorado, defendida em fevereiro deste ano. \u201cRecriamos um modelo capaz de responder \u00e0 a\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9ticos e f\u00e1rmacos com a\u00e7\u00e3o sobre o envelhecimento cut\u00e2neo. Nossa pele reconstru\u00edda tamb\u00e9m contribuiu para o entendimento de fen\u00f4menos relacionados \u00e0 defici\u00eancia de cicatriza\u00e7\u00e3o e maior intensidade inflamat\u00f3ria em pele de pacientes diab\u00e9ticos\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p><strong>Aguarda regulamenta\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO Grupo Botic\u00e1rio n\u00e3o vai compartilhar a pele 3D constru\u00edda em seus laborat\u00f3rios enquanto n\u00e3o existir no Brasil a valida\u00e7\u00e3o para esse tipo de produto. A francesa L\u2019Or\u00e9al tomou a decis\u00e3o de investir no Brasil nessa \u00e1rea e tamb\u00e9m aguarda a regulamenta\u00e7\u00e3o para poder disponibilizar no pa\u00eds tecidos da linha Episkin, como j\u00e1 ocorre na Europa e na \u00c1sia. \u201cEnquanto n\u00e3o houver regulamenta\u00e7\u00e3o clara para a distribui\u00e7\u00e3o dos tecidos, estamos no Brasil somente para fins de pesquisa. Por ano, produzimos na Fran\u00e7a aproximadamente 150 mil unidades de pele reconstru\u00edda, enquanto na China fabricamos outros 30 mil tecidos de pele pigmentada\u201d, conta Rodrigo De Vecchi, gerente de Pesquisa Avan\u00e7ada da L\u2019Or\u00e9al no Brasil. A princ\u00edpio, a empresa implementa aqui apenas o modelo de epiderme humana reconstru\u00edda, conhecido pela sigla RHE, que usa em sua constitui\u00e7\u00e3o queratin\u00f3citos humanos, o principal tipo celular epitelial. O RHE \u00e9 um tecido aprovado pelo Comit\u00ea Europeu para Valida\u00e7\u00e3o de M\u00e9todos Alternativos (Ecvam), para aplica\u00e7\u00e3o em testes de seguran\u00e7a em produtos cosm\u00e9ticos em substitui\u00e7\u00e3o aos testes em animais. \u201cQuando o modelo RHE estiver dispon\u00edvel no Brasil, contaremos com uma ferramenta para uso em cosm\u00e9ticos e tamb\u00e9m em \u00e1reas de pesquisa, como biomedicina, medicina regenerativa e avalia\u00e7\u00e3o toxicol\u00f3gica\u201d, afirma De Vecchi.<\/p>\n<div id=\"attachment_220310\" class=\"wp-caption alignleft\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 L\u2019OR\u00c9AL<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_LOREAL-RI_1896801-300x225.jpg?24d31a\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_LOREAL-RI_1896801-768x576.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_LOREAL-RI_1896801-661x496.jpg 661w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_LOREAL-RI_1896801-300x225.jpg 300w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_LOREAL-RI_1896801-1024x768.jpg 1024w\" alt=\"Pele reconstru\u00edda da L\u2019Or\u00e9al: pesquisas avan\u00e7am para inserir neur\u00f4nios no produto\" width=\"300\" height=\"225\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Pele reconstru\u00edda da L\u2019Or\u00e9al: pesquisas avan\u00e7am para inserir neur\u00f4nios no produto<\/p>\n<\/div>\n<p>Com a finalidade de refinar seu modelo de epiderme reconstru\u00edda, a L\u2019Or\u00e9al fechou recentemente uma parceria com o Instituto D\u2019Or de Pesquisa e Educa\u00e7\u00e3o (IDor), do Rio de Janeiro. \u201cNossa proposta \u00e9 reinervar o modelo de epiderme humana reconstru\u00edda com neur\u00f4nios criados por n\u00f3s, aproximando-a ainda mais da pele humana original\u201d, conta o neurocientista Stevens Rehen, coordenador de pesquisas do IDor. Trata-se de uma pesquisa com enorme potencial biotecnol\u00f3gico, segundo o pesquisador, que tamb\u00e9m \u00e9 professor do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ICB-UFRJ). A \u00e1rea de interesse de Rehen \u00e9 o estudo da biologia de c\u00e9lulas-tronco reprogramadas. \u201cDesde 2014 firmamos a parceria com a L\u2019Or\u00e9al voltada ao uso de c\u00e9lulas-tronco para a cria\u00e7\u00e3o de modelos celulares humanos em laborat\u00f3rio\u201d, diz. \u201cAcreditamos que ao inervar a epiderme humana reconstru\u00edda com neur\u00f4nios iremos aumentar a capacidade preditiva do modelo.\u201d<\/p>\n<p>Al\u00e9m de poder ser usada como plataforma para testes de cosm\u00e9ticos e produtos de higiene pessoal, a pele cultivada tamb\u00e9m \u00e9 uma ferramenta para valida\u00e7\u00e3o de novos medicamentos e estudo de doen\u00e7as, entre elas papilomav\u00edrus humano (HPV) e melanoma. Na USP, estudos nessa linha s\u00e3o desenvolvidos no laborat\u00f3rio da professora Silvya e no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas. L\u00e1, o professor Enrique Boccardo desenvolveu um modelo de pele humana <em>in vitro<\/em> para investigar os mecanismos de transforma\u00e7\u00e3o celular associados ao HPV e aprofundar pesquisas sobre o c\u00e2ncer de colo uterino causado pelo microrganismo. \u201cCom apoio da FAPESP, eu trouxe essa tecnologia dos Estados Unidos em 2001, quando trabalhava no Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o C\u00e2ncer, em S\u00e3o Paulo\u201d, conta Boccardo.<\/p>\n<div id=\"attachment_220309\" class=\"wp-caption alignright\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 GUILHERME PUPO<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Botic%C3%A1rio_pele-artificial_055-300x200.jpg?24d31a\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Botic\u00e1rio_pele-artificial_055-768x512.jpg 768w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Botic\u00e1rio_pele-artificial_055-744x496.jpg 744w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Botic\u00e1rio_pele-artificial_055-300x200.jpg 300w, http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/Pele_Botic\u00e1rio_pele-artificial_055-1024x683.jpg 1024w\" alt=\"Produ\u00e7\u00e3o de pele no Botic\u00e1rio: testes para toxicidade, corros\u00e3o e irrita\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea\" width=\"300\" height=\"200\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">Produ\u00e7\u00e3o de pele no Botic\u00e1rio: testes para toxicidade, corros\u00e3o e irrita\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cPara estudar a fundo a biologia do v\u00edrus, introduzimos no Brasil um sistema de cultura de c\u00e9lulas <em>in vitro<\/em> que permite reproduzir o ambiente no qual o microrganismo cumpre seu ciclo. Esse tecido, semelhante \u00e0 pele, \u00e9 composto por queratin\u00f3citos humanos, col\u00e1geno e fibroblastos\u201d, explica Boccardo. \u201cTemos utilizado o modelo para analisar os mecanismos moleculares empregados pelo v\u00edrus para escapar da resposta imune do organismo e entender como o HPV manipula a c\u00e9lula a fim de sintetizar seu material gen\u00e9tico e reproduzir novas part\u00edculas virais.\u201d<\/p>\n<p>Na Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da USP, a pesquisadora p\u00f3s-doutoranda Fernanda Fai\u00e3o Flores recorre ao tecido artificial desenvolvido pelo grupo da professora Silvya Maria-Engler para estudar os mecanismos de resist\u00eancia ao melanoma, a forma mais letal de c\u00e2ncer de pele. \u201cUtilizamos linhagens celulares, amostras de pacientes e um modelo de pele humana reconstitu\u00edda <em>in vitro<\/em> que mimetize a invas\u00e3o e a dissemina\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas de melanoma\u201d, conta. \u201cCom isso, testamos compostos e conseguimos caracterizar o fen\u00f4meno de resist\u00eancia a um medicamento, chamado vemurafenibe, que inibe a atividade proliferativa do tumor.\u201d A pele reconstru\u00edda com melanoma serviu para avaliar o composto como poss\u00edvel agente quimioter\u00e1pico.<\/p>\n<p><strong>Tratamento de queimados<\/strong><br \/>\nNa \u00e1rea m\u00e9dica, outra op\u00e7\u00e3o \u00e9 o emprego de pele humana reconstitu\u00edda e terapia celular com transplante de c\u00e9lulas cut\u00e2neas para o tratamento de \u00falceras de pele e queimaduras em pacientes. Em Campinas, a dermatologista Maria Beatriz Puzzi, coordenadora do Laborat\u00f3rio de Cultura de C\u00e9lulas de Pele da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Estadual de Campinas (FCM-Unicamp), estuda a recria\u00e7\u00e3o do tecido celular em laborat\u00f3rio para enxerto feito a partir de c\u00e9lulas isoladas do pr\u00f3prio paciente, o que faz com que ambos os tecidos \u2013 a pele natural e a reconstitu\u00edda \u2013 tenham estrutura muito semelhante, possibilitando a realiza\u00e7\u00e3o de transplantes aut\u00f3logos (em que se utiliza tecido de um mesmo indiv\u00edduo) com menor risco de rejei\u00e7\u00e3o. \u201cO problema dessa metodologia \u00e9 que a recria\u00e7\u00e3o de pele em laborat\u00f3rio leva em torno de 45 a 60 dias \u2013 e os pacientes queimados precisam do tratamento imediatamente\u201d, explica Maria Beatriz.<\/p>\n<p>Para contornar esse problema, no lugar do implante da pele reconstru\u00edda, o grupo decidiu empregar a terapia celular com c\u00e9lulas da pele. \u201cTiramos um pedacinho da pele do paciente, isolamos os queratin\u00f3citos e os fibroblastos e fazemos o cultivo dessas c\u00e9lulas em laborat\u00f3rio. Em 15 dias, elas s\u00e3o misturadas a um gel e aplicadas no paciente. Em pouco tempo, espalham-se nas les\u00f5es reconstruindo a pele\u201d, conta. \u201cTemos resultados muito positivos com essa rota, que acelera a cicatriza\u00e7\u00e3o, encurta o tempo de hospitaliza\u00e7\u00e3o e reduz a morbidade dos pacientes.\u201d<\/p>\n<p><strong>M\u00e9todos alternativos \u00e0 experimenta\u00e7\u00e3o animal<br \/>\n<\/strong><em>Uso de tecidos reconstru\u00eddos no Brasil depende de um custoso processo de valida\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>O Brasil \u00e9 o quarto maior mercado global de produtos de beleza, superado por Estados Unidos, China e Jap\u00e3o. As cerca de 2,5 mil empresas do segmento faturaram R$ 42,6 bilh\u00f5es em 2015, de acordo com a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosm\u00e9ticos (Abihpec). A partir de 2019, qualquer novo produto de beleza dever\u00e1 obrigatoriamente\u00a0passar por testes dermatol\u00f3gicos em peles humanas reconstru\u00eddas, no Brasil\u00a0ou no exterior. \u201cN\u00e3o existem estudos que apontem o tamanho do mercado de pele equivalente no Brasil, mas teoricamente ele deve ser expressivo, j\u00e1 que muitos lan\u00e7amentos de cosm\u00e9ticos ocorrem todos os anos\u201d, afirma a professora Silvya Maria-Engler, da USP, que integra o Conselho Cient\u00edfico da Abihpec.<\/p>\n<p>A obrigatoriedade de substitui\u00e7\u00e3o de testes em animais por modelos de pele equivalente foi determinada h\u00e1 dois anos pelo Conselho Nacional de Controle de Experimenta\u00e7\u00e3o Animal (Concea), \u00f3rg\u00e3o integrante do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia, Inova\u00e7\u00f5es e Comunica\u00e7\u00f5es (MCTIC), respons\u00e1vel por estabelecer normas para experimenta\u00e7\u00e3o animal no Brasil. A entidade reconheceu 17 m\u00e9todos alternativos ao uso de animais em atividades de pesquisa, dos quais dois preveem o uso de epiderme humana equivalente para valida\u00e7\u00e3o de cosm\u00e9ticos. \u201cUm destina-se \u00e0 verifica\u00e7\u00e3o do potencial de irrita\u00e7\u00e3o dos novos produtos e o outro serve para avalia\u00e7\u00e3o da corros\u00e3o das subst\u00e2ncias testadas\u201d, destaca o ex-coordenador do Concea, Jos\u00e9 Mauro Granjeiro. Esses dois m\u00e9todos alternativos foram referendados pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OECD), entidade que aprovou os m\u00e9todos empregados na Europa e que\u00a0serviram de base para elabora\u00e7\u00e3o da norma brasileira.<\/p>\n<p>\u201cA pele 3D que desenvolvemos na USP foi criada para estudos cient\u00edficos, mas pode ser usada comercialmente, desde que passe por um processo de valida\u00e7\u00e3o\u201d, conta Silvya. Nesse processo, amostras\u00a0da pele cultivada <em>in vitro<\/em> devem ser submetidas a uma extensa bateria de testes, a um custo aproximado de\u00a0R$ 1 milh\u00e3o. Em geral, de um a tr\u00eas laborat\u00f3rios independentes participam da valida\u00e7\u00e3o, que \u00e9 coordenada pelo Centro Brasileiro para Valida\u00e7\u00e3o de M\u00e9todos Alternativos (Bracvam) com apoio da Rede Nacional de M\u00e9todos Alternativos (Renama), criada em 2012 pelo governo federal. \u201cPor causa do alto custo, ele s\u00f3 \u00e9 vi\u00e1vel com apoio de empresas e laborat\u00f3rios privados\u201d, ressalta a farmac\u00eautica-bioqu\u00edmica Silvia Berlanga Barros, professora da FCF-USP. Ela participou da cria\u00e7\u00e3o da pele artificial no grupo de Silvya Engler.<\/p>\n<p><strong>Projetos<\/strong><br \/>\n<strong>1.<\/strong> Desenvolvimento de pele artificial contendo equivalente d\u00e9rmico glicado na avalia\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia e toxicidade de compostos antiglica\u00e7\u00e3o (<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/45830\/desenvolvimento-de-pele-artificial-contendo-equivalente-dermico-glicado-na-avaliacao-da-eficacia-e-t\/\" target=\"_blank\">n\u00ba 2011\/14327-6<\/a>); <strong>Modalidade<\/strong> Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Regular; <strong>Pesquisadora respons\u00e1vel<\/strong> Silvya Stuchi Maria-Engler (USP); <strong>Investimento<\/strong> R$ 85.925,35.<br \/>\n<strong>2.<\/strong> Gera\u00e7\u00e3o de peles artificiais humanas e melanomas invasivos como plataforma para testes farmacol\u00f3gicos (<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/25311\/geracao-de-peles-artificiais-humanas-e-melanomas-invasivos-como-plataforma-para-testes-farmacologico\/\" target=\"_blank\">n\u00ba 2008\/58817-4<\/a>); Modalidade Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Regular; Pesquisadora respons\u00e1vel Silvya Stuchi Maria-Engler (USP); Investimento R$ 165.075,55.<br \/>\n<strong>3.<\/strong> Impacto da express\u00e3o de reck no controle da invas\u00e3o de melanoma: Estudo em monocamadas e pele artificial (<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/62409\/impacto-da-expressao-de-reck-no-controle-da-invasao-de-melanoma-estudo-em-monocamadas-e-pele-artifi\/\" target=\"_blank\">n\u00ba 2010\/50157-5<\/a>); <strong>Modalidade<\/strong> Bolsa no Pa\u00eds \u2013 P\u00f3s-doutorado; <strong>Pesquisadora respons\u00e1vel<\/strong> Silvya Stuchi Maria-Engler (USP); <strong>Bolsista<\/strong> Carla Abdo Brohem (USP); <strong>Investimento<\/strong> R$ 32.690,51.<br \/>\n<strong>4.<\/strong> Estudo da poss\u00edvel implica\u00e7\u00e3o de p53 nos efeitos do fator de necrose tumoral-alfa (TNF-alfa) sobre c\u00e9lulas imortalizadas por papilomav\u00edrus humano (HPV) (<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/83478\/estudo-da-possivel-implicacao-de-p53-nos-efeitos-do-fator-de-necrose-tumoral-alfa-tnf-alfa-sobre-c\/\" target=\"_blank\">n\u00ba 1998\/07087-2<\/a>); <strong>Modalidade<\/strong> Bolsa no Pa\u00eds \u2013 Regular; <strong>Pesquisadora respons\u00e1vel<\/strong> Luisa Lina Villa\/USP; <strong>Bolsista<\/strong> Enrique Mario Boccardo Pierulivo (USP); <strong>Investimento<\/strong> R$ 104.861,71.<br \/>\n<strong>5.<\/strong> An\u00e1lise da express\u00e3o de prote\u00ednas de polaridade em processos neopl\u00e1sicos associados ao papilomav\u00edrus humano utilizando culturas organot\u00edpicas. (FAPESP-Conicet) (<a href=\"http:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/56744\/analise-da-expressao-de-proteinas-de-polaridade-em-processos-neoplasicos-associados-ao-papilomavirus\/\" target=\"_blank\">n\u00ba 2012\/51017-8<\/a>); <strong>Modalidade<\/strong> Aux\u00edlio \u00e0 Pesquisa \u2013 Regular; <strong>Pesquisador respons\u00e1vel<\/strong> Enrique Mario Boccardo Pierulivo (USP); <strong>Investimento<\/strong> R$ 22.988,33.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A tr\u00eas anos de entrar em vigor uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Controle de<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":45814,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/pele_artificial.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"A tr\u00eas anos de entrar em vigor uma resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Controle de","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45813"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45813"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45813\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45814"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45813"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45813"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45813"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}