{"id":45762,"date":"2016-07-16T10:30:52","date_gmt":"2016-07-16T13:30:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=45762"},"modified":"2016-07-16T09:07:05","modified_gmt":"2016-07-16T12:07:05","slug":"os-sinais-de-alerta-vem-da-nossa-caixa-dagua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/os-sinais-de-alerta-vem-da-nossa-caixa-dagua\/","title":{"rendered":"Os sinais de alerta sobre as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas v\u00eam da nossa caixa d\u2019\u00e1gua"},"content":{"rendered":"<p><strong><em><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-45763\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Por Washington Novaes*<\/em><\/strong><\/p>\n<p><em>Precisamos evoluir para modos de vida mais adequados, compat\u00edveis com estes tempos.<\/em><\/p>\n<p>At\u00e9 h\u00e1 bem pouco tempo era raro que o notici\u00e1rio sobre mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e seus efeitos preocupantes se referissem a problemas no Brasil \u2013 em geral informavam sobre dramas muito graves em outras partes do mundo. Esse tempo j\u00e1 passou. Agora s\u00e3o frequentes as not\u00edcias sobre quest\u00f5es muito inquietantes em v\u00e1rias regi\u00f5es do Pa\u00eds. Algumas das mais recentes se referem a problemas muito s\u00e9rios na Para\u00edba, onde a seca prolongada j\u00e1 levou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o no abastecimento de \u00e1gua em Campina Grande e mais 17 cidades e agora est\u00e1 sendo ampliado.<\/p>\n<p>Campina Grande vai ser dividida em duas zonas. Uma ser\u00e1 abastecida da manh\u00e3 de segunda-feira at\u00e9 a meia-noite de quarta-feira; a segunda, de 5 da manh\u00e3 de quinta at\u00e9 as 13 horas de s\u00e1bado; das 13 horas de s\u00e1bado \u00e0s 5 da manh\u00e3 de segunda n\u00e3o haver\u00e1 abastecimento (Suassuna.net, 12\/7). E 17 cidades da chamada Regi\u00e3o do Brejo s\u00f3 ter\u00e3o \u00e1gua por 48 horas a cada 15 dias, a partir do pr\u00f3ximo dia 18. Haver\u00e1 ainda outros problemas em v\u00e1rios locais. O n\u00edvel da \u00e1gua no principal a\u00e7ude est\u00e1 em apenas 8,4%, o pior de todos os tempos, suficiente \u2013 se n\u00e3o chover \u2013 para abastecer apenas at\u00e9 janeiro de 2017.<\/p>\n<p>Na verdade, diz Ana L\u00facia Azevedo (O Globo, 9\/4), toda a Chapada Diamantina est\u00e1 amea\u00e7ada e com a situa\u00e7\u00e3o agravada desde um grande inc\u00eandio que se manteve de 2015 a janeiro de 2016, ali onde fica a \u201ccaixa d\u2019\u00e1gua da Bahia \u2013 nela nascem 80% dos rios do Estado. S\u00f3 o Rio Paragua\u00e7u abastece 3 milh\u00f5es de pessoas e fornece 60% da \u00e1gua usada em Salvador. E toda a regi\u00e3o de 38 mil quil\u00f4metros quadrados \u2013 desde serras e planaltos da Mata Atl\u00e2ntica da regi\u00e3o at\u00e9 o Cerrado e a Caatinga \u2013 \u00e9 beneficiada pelo rio.<\/p>\n<p>Mas o agravamento do El Ni\u00f1o agora leva a situa\u00e7\u00e3o a extremos. Para complicar mais, dizem cientistas da Nasa e da Universidade da Calif\u00f3rnia em San Diego, publicados pela revista Nature, que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas est\u00e3o provocando um deslocamento das nuvens para os polos. O estudo, que abrange o per\u00edodo 1983-2009, afirma que com menos nuvens h\u00e1 aumento da temperatura da superf\u00edcie e mais evapora\u00e7\u00e3o, \u201cagravando as secas\u201d. At\u00e9 o PIB da agropecu\u00e1ria brasileira tem sofrido com as condi\u00e7\u00f5es: caiu 0,37% no primeiro trimestre deste ano, segundo o Minist\u00e9rio da Agricultura (1.\u00ba\/6) e o IBGE; tamb\u00e9m o PIB geral declinou 5,4%.<\/p>\n<p>A concentra\u00e7\u00e3o de gases de efeito estufa foi recorde no ano passado (O Globo, 13\/6). Por isso mesmo 7.100 cidades de seis continentes se juntaram numa rede \u2013 Global Covenant of Mayors for Climate and Energy \u2013 para enfrentar a quest\u00e3o, j\u00e1 que as cidades respondem por 75% das emiss\u00f5es. EUA, Canad\u00e1 e M\u00e9xico assumiram o compromisso de aumentar o uso de \u201cenergias limpas\u201d para 50%, de modo a cortar de 40% a 45% as emiss\u00f5es de gases poluentes (nos \u00faltimos tr\u00eas anos a redu\u00e7\u00e3o foi de 4,5%; em 25 anos, baixa de 38%) \u2013 55 pa\u00edses, respons\u00e1veis por mais de 50% dos gases, j\u00e1 os est\u00e3o reduzindo (Reuters, 27\/6).<\/p>\n<p>S\u00e3o muitas quest\u00f5es. Estudos de J. A. Marengo Orsini, com base em relat\u00f3rios de avalia\u00e7\u00e3o do IPCC\/Painel do Clima (Eco21, abril 2016), mostram que at\u00e9 2100 a temperatura do Pantanal brasileiro pode subir 7 graus Celsius por causa da redu\u00e7\u00e3o de chuvas e do aumento da evapora\u00e7\u00e3o. Com 140 mil quil\u00f4metros quadrados, o Pantanal tem 80% de sua \u00e1rea em regi\u00f5es semi\u00e1ridas. Mas, de modo geral, racionamento \u201c\u00e9 desastre anunciado\u201d, antev\u00ea Joaquim F. Carvalho, do Instituto de Energia e Ambiente da USP (Folha de S.Paulo, 25\/2) \u2013 embora tenhamos potencial hidrel\u00e9trico, e\u00f3lico, fotovoltaico e bioenerg\u00e9tico dispon\u00edvel e toda a energia consumida na regi\u00e3o e no Pa\u00eds possa vir de fontes renov\u00e1veis.<\/p>\n<p>Estudo do IPCC\/Painel do Clima (Eco-Finan\u00e7as 11\/7) cria e analisa alguns cen\u00e1rios para a quest\u00e3o do clima. Num cen\u00e1rio de in\u00e9rcia, a temperatura planet\u00e1ria pode se elevar entre 4,1 e 5,6 graus Celsius; num cen\u00e1rio com continuidade das pol\u00edticas atuais, o aumento ficar\u00e1 entre 3,2 e 4,4 graus; num cen\u00e1rio em que sejam cumpridos todos os compromissos volunt\u00e1rios j\u00e1 assumidos, a eleva\u00e7\u00e3o estar\u00e1 entre 2,9 e 3,8 graus. Hoje a temperatura global est\u00e1 com aumento de quase um grau, comparada com a do in\u00edcio da era industrial. Entre os fatores que contribu\u00edram para o aumento est\u00e3o o derretimento de geleiras e furac\u00f5es e secas mais frequentes, diz a an\u00e1lise.<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel que o futuro seja ainda mais complicado. Para evitar isso \u00e9 preciso chegar a uma transi\u00e7\u00e3o para economia de baixo carbono, que exigir\u00e1 investimentos de nada menos que US$ 3 trilh\u00f5es por ano, 30 vezes mais que os US$ 100 bilh\u00f5es anuais que tanta pol\u00eamica provocam nas confer\u00eancias do clima. \u00c9 decisivo tamb\u00e9m taxar o uso do carbono e redirecionar quase US$ 1 trilh\u00e3o em subs\u00eddios a combust\u00edveis f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Enquanto esses avan\u00e7os n\u00e3o se concretizam, a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade alerta, em Paris (aviv, 8\/7), para os riscos para a sa\u00fade causados pelas mudan\u00e7as do clima; 7 milh\u00f5es de pessoas j\u00e1 morrem a cada ano por esses fatores.<\/p>\n<p>Ainda segundo o IPCC, o aumento da temperatura global \u201c\u00e9 inequ\u00edvoco\u201d e pode ultrapassar 4 graus Celsius. Em qualquer situa\u00e7\u00e3o, pesa mais sobre a popula\u00e7\u00e3o mais pobre, em toda parte.<\/p>\n<p>Em meio a tanto problema, uma pesquisa da Nature Scientific (Dia de Campo, 8\/7) chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de um levantamento otimista feito na regi\u00e3o central do Cerrado brasileiro haver conclu\u00eddo que os estoques de carbono no solo, no sistema de plantio direto, em longo prazo podem equiparar-se aos valores observados no Cerrado nativo \u2013 como avaliavam desde 2001 trabalhos desenvolvidos pela Embrapa Cerrados.<\/p>\n<p>Precisamos evoluir para modos de vida mais adequados, compat\u00edveis com estes tempos, que ainda podem chegar a situa\u00e7\u00f5es mais graves. E isso pressup\u00f5e conceber e levar \u00e0 pr\u00e1tica pol\u00edticas governamentais severas, que obriguem cada cidad\u00e3o, cada empresa, cada \u00f3rg\u00e3o de governo a assumir a sua parte na equa\u00e7\u00e3o. Estejam onde estiverem, morem onde morarem.<em> (O Estado de S. Paulo\/ #Envolverde)<\/em><\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista. (Email: wlrnovaes@uol.com.br.<\/em><\/p>\n<div id=\"shr_canvas3\" class=\"shareaholic-canvas shareaholic-ui shareaholic-resolved-canvas ng-scope\" data-app-id=\"25090886\" data-app=\"share_buttons\" data-title=\"Os sinais de alerta v\u00eam da nossa caixa d\u2019\u00e1gua\" data-link=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/opiniao\/os-sinais-de-alerta-vem-da-nossa-caixa-dagua\/\" data-summary=\"\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Washington Novaes* Precisamos evoluir para modos de vida mais adequados, compat\u00edveis com estes tempos.<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":45763,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/alerta_\u00e1gua.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Por Washington Novaes* Precisamos evoluir para modos de vida mais adequados, compat\u00edveis com estes tempos.","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45762"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45762"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45762\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45763"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45762"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45762"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45762"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}