{"id":45502,"date":"2016-07-11T15:00:53","date_gmt":"2016-07-11T18:00:53","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=45502"},"modified":"2016-07-11T11:39:47","modified_gmt":"2016-07-11T14:39:47","slug":"captura-de-carbono-se-dissemina-como-opcao-para-frear-aquecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/captura-de-carbono-se-dissemina-como-opcao-para-frear-aquecimento\/","title":{"rendered":"Captura de carbono se dissemina como op\u00e7\u00e3o para frear aquecimento global"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-45503\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>O cron\u00f4metro para o caos clim\u00e1tico est\u00e1 correndo, mas a Humanidade ainda n\u00e3o encontrou solu\u00e7\u00f5es para reduzir as emiss\u00f5es de gases do efeito estufa. Estudo recente publicado na revista \u201cNature\u201d indica que as propostas apresentadas pelos 195 pa\u00edses participantes da Confer\u00eancia de Paris, em dezembro \u00faltimo, s\u00e3o insuficientes para manter o aquecimento m\u00e9dio do planeta abaixo dos 2 graus Celsius (em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 era pr\u00e9-industrial). Entretanto, uma t\u00e9cnica inovadora vem ganhando relev\u00e2ncia em diferentes locais no planeta como aposta para reverter o quadro. Segundo especialistas, as tecnologias de captura e armazenamento de carbono (CCS, na sigla em ingl\u00eas) ainda enfrentam barreiras econ\u00f4micas e tecnol\u00f3gicas, mas t\u00eam o potencial para frear a escalada de emiss\u00f5es.<\/p>\n<div class=\"embed-social\">\n<div id=\"g-carbono-box\" class=\"ai2html\">\n<div id=\"g-carbono-desk\" class=\"g-artboard\">\n<div id=\"g-carbono-desk-graphic\"><img loading=\"lazy\" id=\"g-ai0-0\" class=\"g-aiPstyle0\" src=\"http:\/\/infogbucket.s3.amazonaws.com\/arquivos\/2016\/07\/09\/carbono-desk.png\" width=\"640\" height=\"1935\" \/><\/div>\n<div>\n<p>\u2014 Mais que arriscada, \u00e9 uma aposta desesperada \u2014 pontua Alexandre Szklo, professor de Planejamento Energ\u00e9tico da Coppe\/UFRJ. \u2014 Mas com a dificuldade que estamos enfrentando para transi\u00e7\u00f5es mais radicais no setor energ\u00e9tico, n\u00e3o temos outras sa\u00eddas al\u00e9m de derivar para o processo de captura.<\/p>\n<p>A tecnologia ainda \u00e9 incipiente, mas vem se disseminando. De acordo com relat\u00f3rio da Global CCS Institute, existem no mundo 15 projetos de grande escala em opera\u00e7\u00e3o, e outros sete em fase de constru\u00e7\u00e3o. Juntas, essas 22 instala\u00e7\u00f5es s\u00e3o capazes de capturar e armazenar 40 milh\u00f5es de toneladas de di\u00f3xido de carbono (CO2) por ano. Pode parecer muito, mas de acordo com o relat\u00f3rio mais recente da Base de Dados de Emiss\u00f5es para a Pesquisa Atmosf\u00e9rica Global, em 2014 foram emitidas 35,7 bilh\u00f5es de toneladas de CO2.<\/p>\n<p>Mesmo assim, as expectativas para a abordagem s\u00e3o altas. Segundo estimativas da Ag\u00eancia Internacional de Energia (IEA, na sigla em ingl\u00eas), as tecnologias CCS ser\u00e3o respons\u00e1veis por um sexto das redu\u00e7\u00f5es de emiss\u00f5es globais requeridas at\u00e9 2050. Para isso, diz Szklo, \u00e9 preciso impor um valor econ\u00f4mico para o carbono.<\/p>\n<p>\u2014 Como funciona hoje, voc\u00ea est\u00e1 capturando, transportando e armazenando um carbono que n\u00e3o tem valor \u2014 diz o pesquisador. \u2014 Por causa dos investimentos necess\u00e1rios, as instala\u00e7\u00f5es CCS perdem em competitividade.<\/p>\n<p><strong>PETROBRAS OPERA PROJETO NO BRASIL<\/strong><\/p>\n<p>Em geral, as tecnologias CCS s\u00e3o implantadas em instala\u00e7\u00f5es industriais altamente poluentes, sobretudo do setor energ\u00e9tico. O processo consiste em capturar o CO2 resultante da combust\u00e3o de combust\u00edveis f\u00f3sseis ou de outros processos industriais. Depois dessa filtragem, em vez de lan\u00e7ado na atmosfera, o di\u00f3xido de carbono \u00e9 injetado no subsolo por meio de dutos. Dos 15 projetos de grande escala j\u00e1 em opera\u00e7\u00e3o, nove est\u00e3o em plantas de processamento de g\u00e1s natural, duas de processamento de hidrog\u00eanio, duas de produ\u00e7\u00e3o de fertilizantes, uma de sintetiza\u00e7\u00e3o de g\u00e1s natural e uma de gera\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica.<\/p>\n<p>Os EUA lideram o mercado, com sete empreitadas em funcionamento, seguidos por Canad\u00e1 (3), Noruega (2), Arg\u00e9lia (1), Ar\u00e1bia Saudita (1) e Brasil (1). O projeto brasileiro \u00e9 operado pela Petrobras nas plataformas Cidade de Angra dos Reis e Cidade de Paraty, no campo de Lula, e Cidade de S\u00e3o Paulo, no campo de Sapinho\u00e1. Em breve, ser\u00e1 iniciado na plataforma Cidade de Ilhabela, tamb\u00e9m no campo de Sapinho\u00e1. De acordo com a companhia, no ano passado foi atingida a marca de tr\u00eas milh\u00f5es de toneladas de CO2 separados do g\u00e1s natural e reinjetados no pr\u00e9-sal da Bacia de Santos.<\/p>\n<p>A tecnologia desenvolvida no Brasil filtra o CO2 do g\u00e1s natural usando membranas. A separa\u00e7\u00e3o das mol\u00e9culas acontece basicamente pela diferen\u00e7a de tamanho, com a retirada de componentes menores, como o di\u00f3xido de carbono (CO2) e o metano (CH4), enquanto as mol\u00e9culas de etanol e hidrocarbonetos de cadeias mais longas ficam na corrente de g\u00e1s natural tratado e s\u00e3o transportadas para o continente.<\/p>\n<p>O processo est\u00e1 gerando benef\u00edcios para a pr\u00f3pria explora\u00e7\u00e3o. O CO2 separado \u00e9 reinjetado nos po\u00e7os, o que ajuda a manter a press\u00e3o nos reservat\u00f3rios e facilita a recupera\u00e7\u00e3o de \u00f3leo.<\/p>\n<p>\u201cAp\u00f3s cinco anos de opera\u00e7\u00e3o, pode-se afirmar que a tecnologia de separa\u00e7\u00e3o de CO2 do petr\u00f3leo produzido no pr\u00e9-sal, bem como sua reinje\u00e7\u00e3o nos reservat\u00f3rios produtores, \u00e9 plenamente vi\u00e1vel dos pontos de vista t\u00e9cnico, econ\u00f4mico e ambiental\u201d, diz a Petrobras, em comunicado.<\/p>\n<p>Szklo destaca a import\u00e2ncia do projeto brasileiro, pioneiro na captura e inje\u00e7\u00e3o de carbono em ambiente offshore em grandes profundidades, 2.200 metros abaixo da l\u00e2mina d\u2019\u00e1gua. Contudo, explica que a tecnologia foi introduzida por uma necessidade econ\u00f4mica. O g\u00e1s natural dos reservat\u00f3rios da camada pr\u00e9-sal tem alta concentra\u00e7\u00e3o de carbono, que chega a 75% em alguns casos. Sem a separa\u00e7\u00e3o do CO2, o transporte para o continente, a 300 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia, seria imposs\u00edvel, pois o g\u00e1s congelaria nos dutos.<\/p>\n<p>\u2014 Existia uma necessidade. A empresa paga royalties por esse g\u00e1s explorado, e para poder comercializ\u00e1-lo, era preciso remover o CO2 \u2014 afirma Szklo. \u2014 Isso imp\u00f4s um desafio, e o Brasil mostrou que est\u00e1 na fronteira tecnol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Jeff Erikson, diretor-geral para as Am\u00e9ricas do Global CCS Institute, concorda que na escala de projeto, sem pol\u00edticas de incentivo ou a imposi\u00e7\u00e3o de restri\u00e7\u00f5es \u00e0 emiss\u00e3o de poluentes, a ado\u00e7\u00e3o de tecnologias CCS pode ser economicamente invi\u00e1vel. Mas em escala global, a captura e armazenamento de carbono faz sentido.<\/p>\n<p>\u2014 Uma an\u00e1lise realizada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC, na sigla em ingl\u00eas) estima que alcan\u00e7ar a meta de 2 graus de aquecimento ser\u00e1 duas vezes mais caro sem as tecnologias CCS \u2014 afirma Erikson. \u2014 Existem desafios econ\u00f4micos. Os projetos que est\u00e3o em funcionamento requereram grande investimento. Mas o importante \u00e9 que o n\u00facleo dessas tecnologias provou que funciona. A nossa expectativa \u00e9 que com o ganho de experi\u00eancia, os custos diminuam.<\/p>\n<p><strong>APOSTA EM EMISS\u00d5ES NEGATIVAS<\/strong><\/p>\n<p>Os projetos em funcionamento e em constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o retiram carbono da atmosfera, mas evitam que poluentes sejam emitidos. Para manter o aquecimento no limite de 2 graus Celsius ser\u00e1 preciso muito mais. Segundo Erikson, existem estudos em andamento para a retirada do CO2 diretamente do ar, mas sem previs\u00e3o para uma solu\u00e7\u00e3o comercial. Nas ind\u00fastrias, o carbono est\u00e1 concentrado, o que facilita a sua filtragem. J\u00e1 na atmosfera as mol\u00e9culas est\u00e3o dispersas, o que faz com que o custo energ\u00e9tico para sua separa\u00e7\u00e3o em grande escala seja considerado, hoje, invi\u00e1vel.<\/p>\n<p>Por esse motivo, a principal aposta \u00e9 nos projetos de CCS em instala\u00e7\u00f5es de biomassa, capazes de gerar emiss\u00e3o negativa. O etanol, por exemplo, emite poluentes no processo de produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel, mas as emiss\u00f5es s\u00e3o neutralizadas pela planta\u00e7\u00e3o da cana. Caso seja poss\u00edvel capturar o carbono emitido na produ\u00e7\u00e3o, todo o processo ser\u00e1 deficit\u00e1rio em CO2.<\/p>\n<p>\u2014 O entrave est\u00e1 no transporte. A plataforma j\u00e1 est\u00e1 em cima do po\u00e7o, mas as usinas de etanol ficam distantes. Literalmente, seria preciso construir dutos para carregar rejeitos \u2014 diz Szklo, da Coppe\/UFRJ. \u2014 As tecnologias CCS s\u00e3o promissoras, mas ainda n\u00e3o est\u00e3o no est\u00e1gio de promover mudan\u00e7as na velocidade que as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas imp\u00f5em.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cron\u00f4metro para o caos clim\u00e1tico est\u00e1 correndo, mas a Humanidade ainda n\u00e3o encontrou solu\u00e7\u00f5es<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":45503,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/co2.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"O cron\u00f4metro para o caos clim\u00e1tico est\u00e1 correndo, mas a Humanidade ainda n\u00e3o encontrou solu\u00e7\u00f5es","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45502"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45502"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45502\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45503"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45502"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45502"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45502"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}