{"id":45351,"date":"2016-07-09T17:09:25","date_gmt":"2016-07-09T20:09:25","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=45351"},"modified":"2016-07-09T17:09:25","modified_gmt":"2016-07-09T20:09:25","slug":"como-as-emissoes-de-carbono-podem-fazer-a-maresia-desaparecer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/como-as-emissoes-de-carbono-podem-fazer-a-maresia-desaparecer\/","title":{"rendered":"Como as emiss\u00f5es de carbono podem fazer a maresia desaparecer"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-45352\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Cientistas brit\u00e2nicos descobriram que a maresia pode desaparecer.\u00a0De acordo com pesquisa publicada na \u00faltima semana no peri\u00f3dico cient\u00edfico <em><a href=\"http:\/\/onlinelibrary.wiley.com\/wol1\/doi\/10.1111\/gcb.13354\/abstract\">Global Change Biology<\/a><\/em>, o sumi\u00e7o do aroma do mar\u00a0\u00e9 uma das consequ\u00eancias menos conhecidas da acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos, causada pelo ac\u00famulo de\u00a0CO<sub>2<\/sub>, o\u00a0di\u00f3xido de carbono. Para muitas esp\u00e9cies de animais que dependem da identifica\u00e7\u00e3o desse cheiro para a sobreviv\u00eancia, essa altera\u00e7\u00e3o pode ser fatal.<\/p>\n<p><strong>Oceanos \u00e1cidos \u2013<\/strong> Tornou-se consenso entre os cientistas que o di\u00f3xido de carbono produzido pela queima de combust\u00edveis f\u00f3sseis \u00e9 o respons\u00e1vel pelo aquecimento global. Menos conhecidos s\u00e3o seus efeitos nos oceanos, que absorvem boa parte do carbono produzido pela a\u00e7\u00e3o humana. Quando o CO<sub>2<\/sub> chega aos mares, o poluente se transforma em\u00a0\u00e1cido\u00a0carb\u00f4nico, alterando o n\u00edvel de acidez da \u00e1gua. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, o\u00a0pH\u00a0dos mares vem diminuindo a um ritmo cada vez mais acelerado (quanto menor o pH, maior a acidez).<\/p>\n<p>O efeito das emiss\u00f5es de carbono no ambiente marinho j\u00e1 foi medido pelos cientistas: desde o in\u00edcio da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, o pH dos oceanos caiu de 8,2 para 8,1. N\u00e3o parece muito, mas a escala do pH \u00e9 feita por uma equa\u00e7\u00e3o que utiliza logaritmos, e a pequena queda significa que os oceanos est\u00e3o 30% mais \u00e1cidos agora do que h\u00e1 200 anos. \u201cSe as coisas continuarem como est\u00e3o, podemos prever que os oceanos estar\u00e3o\u00a0150% mais \u00e1cidos no fim deste s\u00e9culo, com um pH que chegar\u00e1 a 7,7\u201d, escreveu Mark Lorch, l\u00edder da pesquisa do <em>Global Chance Biology<\/em> ao site do brit\u00e2nico\u00a0<em>The Guardian<\/em>.<\/p>\n<p>Segundo Lorch, alguns efeitos do aumento da acidez na \u00e1gua para os invertebrados s\u00e3o conhecidos. Animais com casca apresentam dificuldades na forma\u00e7\u00e3o das conchas, e em alguns casos, as conchas que conseguem se formar come\u00e7am a dissolver-se devido\u00a0\u00e0 elevada acidez da \u00e1gua. Al\u00e9m disso, peixes como o peixe-palha\u00e7o, carac\u00f3is e caranguejos passam\u00a0a se comportar de forma estranha em \u00e1guas com menor pH (os caranguejos, por exemplo, param de cuidar de seus ovos enquanto os carac\u00f3is n\u00e3o se grudam em rochas e entram em mar aberto).<\/p>\n<p>O que os pesquisadores perceberam \u00e9 que, al\u00e9m dessas consequ\u00eancias, a elevada acidez causa altera\u00e7\u00f5es nas mol\u00e9culas marinhas, o que leva \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o de seu cheiro. Com isso, os animais t\u00eam dificuldades para reconhecer os aromas que representam locais familiares, fazendo com que entrem em mar aberto e se exponham a perigos. O reconhecimento\u00a0de mol\u00e9culas pelo cheiro tamb\u00e9m \u00e9 utilizado por esses animais para rastrear predadores, comida e parceiros sexuais. Com a mudan\u00e7a no pH do mar, portanto, o ciclo natural de diversas esp\u00e9cies marinhas pode ser modificado.<\/p>\n<p>Pesquisa publicada pelo peri\u00f3dico <em>Science Advances<\/em>\u00a0nesta semana tamb\u00e9m mostra como a acidifica\u00e7\u00e3o dos oceanos altera o funcionamento de outro importante ser vivo marinho, o\u00a0fitopl\u00e2ncton (microalgas que produzem 48% do oxig\u00eanio gerado no planeta). Na an\u00e1lise, os cientistas descrevem como\u00a0a <em>Emiliania huxleyi<\/em>, uma esp\u00e9cie de fitopl\u00e2ncton\u00a0que\u00a0usa o g\u00e1s carb\u00f4nico dissolvido no oceano para produzir conchas de calcita, um mineral que funciona como excelente coletor de carbono, tem sua capacidade de produ\u00e7\u00e3o de conchas reduzida. Com isso, o carbono captado pelo oceano pode ser drasticamente reduzido nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p><strong>Cat\u00e1strofe marinha \u2013<\/strong> De acordo com os pesquisadores, a altera\u00e7\u00e3o da maresia e os efeitos nos invertebrados e micro-organismos marinhos podem ser apenas ind\u00edcios das grandes transforma\u00e7\u00f5es que o ambiente dever\u00e1 sofrer se as emiss\u00f5es de carbono continuarem no mesmo ritmo. Em um futuro pr\u00f3ximo, todo o ciclo vital \u2013 j\u00e1 que o carbono \u00e9 uma das principais mol\u00e9culas formadoras de vida \u2013 tende a\u00a0ser alterado.\u00a0\u201cOs oceanos do futuro pr\u00f3ximo poder\u00e3o ter um cheiro muito diferente do atual e os ecossistemas marinhos talvez n\u00e3o tenham\u00a0tempo para se adaptar a ele\u201d, afirmou Lorch no <em>The Guardian<\/em>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cientistas brit\u00e2nicos descobriram que a maresia pode desaparecer.\u00a0De acordo com pesquisa publicada na \u00faltima semana<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":45352,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/peixe_palha\u00e7o.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Cientistas brit\u00e2nicos descobriram que a maresia pode desaparecer.\u00a0De acordo com pesquisa publicada na \u00faltima semana","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45351"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45351\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45352"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}