{"id":45340,"date":"2016-07-09T16:50:14","date_gmt":"2016-07-09T19:50:14","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=45340"},"modified":"2016-07-09T16:54:31","modified_gmt":"2016-07-09T19:54:31","slug":"estudo-mostra-que-perda-de-biodiversidade-por-exploracao-de-madeira-e-fogo-e-equivalente-ao-desmate","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/estudo-mostra-que-perda-de-biodiversidade-por-exploracao-de-madeira-e-fogo-e-equivalente-ao-desmate\/","title":{"rendered":"Estudo mostra que perda de biodiversidade por explora\u00e7\u00e3o de madeira e fogo \u00e9 equivalente ao desmate"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/floresta_zumbi.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-45341\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/floresta_zumbi-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/floresta_zumbi-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/floresta_zumbi.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>Salvamos a Amaz\u00f4nia, certo? A redu\u00e7\u00e3o expressiva nas taxas de desmatamento na maior floresta tropical do planeta e o compromisso do Brasil de zerar o corte ilegal daqui a 15 anos podem dar a impress\u00e3o de que o futuro da selva est\u00e1 garantido. Uma equipe internacional de cientistas acaba de mostrar que isso est\u00e1 longe de ser verdade. Se o pa\u00eds quer proteger a biodiversidade \u2013 e, por tabela, o clima \u2013, conter o desmatamento \u00e9 apenas parte da hist\u00f3ria. Metade dela, para ser preciso.<\/p>\n<p>O grupo liderado por Jos Barlow, pesquisador da Universidade de Lancaster (Reino Unido) e do Museu Em\u00edlio Goeldi, afirma que a degrada\u00e7\u00e3o florestal \u2013 o empobrecimento progressivo de uma mata, causado pela fragmenta\u00e7\u00e3o, pela explora\u00e7\u00e3o de madeira, pela ca\u00e7a e pelo fogo \u2013 pode resultar numa perda de esp\u00e9cies equivalente \u00e0 causada pelo desmatamento. \u00c9 como se a floresta virasse um zumbi: mesmo protegida do corte raso, ela est\u00e1 funcionalmente morta e esvaziada de fauna e flora.<\/p>\n<p>\u201cAt\u00e9 o momento, nossa defini\u00e7\u00e3o de sa\u00fade tem sido se a floresta est\u00e1 viva ou n\u00e3o. O trabalho mostra que precisamos refinar esse conceito\u201d, diz Paulo Brando, pesquisador do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amaz\u00f4nia), que n\u00e3o participou do novo estudo. \u201cA conserva\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia n\u00e3o pode ser vista como bin\u00e1ria \u2013 se tem ou n\u00e3o tem floresta\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A pesquisa de Barlow e colegas de 18 institui\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, publicada no fim de junho no site do peri\u00f3dico\u00a0<span class=\"Apple-style-span\">Nature,<\/span>\u00a0\u00e9 a primeira compara\u00e7\u00e3o direta entre biodiversidade total de florestas intactas e florestas degradadas. Ela se soma a um conjunto recente de evid\u00eancias de que a degrada\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema muito maior do que se imaginava tradicionalmente, e de que o C\u00f3digo Florestal, incensado pelo governo como o principal pilar da conserva\u00e7\u00e3o no Brasil, n\u00e3o d\u00e1 conta do recado.<\/p>\n<p>Para realizar seu estudo, o grupo se embrenhou em 371 florestas de 36 microbacias hidrogr\u00e1ficas do Par\u00e1, nas regi\u00f5es de Paragominas e Santar\u00e9m, e fez contagens detalhadas (pense nos mosquitos) de 1.538 esp\u00e9cies de \u00e1rvore, 460 esp\u00e9cies de ave e 156 esp\u00e9cies de escaravelho. Esses grupos de seres vivos s\u00e3o considerados bons indicadores da biodiversidade geral de uma floresta.<\/p>\n<p>Usando como refer\u00eancia a presen\u00e7a de indiv\u00edduos dessas esp\u00e9cies em matas intactas, os cientistas criaram um \u00edndice chamado CVD, sigla em ingl\u00eas para \u201cd\u00e9ficit de valor de conserva\u00e7\u00e3o\u201d. O \u00edndice equivale \u00e0 diferen\u00e7a entre o que era esperado encontrar e a eros\u00e3o de diversidade efetivamente produzida pela fragmenta\u00e7\u00e3o e por outras formas de degrada\u00e7\u00e3o florestal.<\/p>\n<p>As medi\u00e7\u00f5es revelaram que microbacias que cumpriam o C\u00f3digo Florestal, mantendo 80% da floresta como reserva legal, tinham um CVD de 39% a 54% \u2013 ou seja, perderam entre 46% e 61% de sua biodiversidade original.<\/p>\n<p>Extrapolando o resultado para todo o Par\u00e1, o grupo concluiu que a perda combinada de biodiversidade por degrada\u00e7\u00e3o no Estado foi equivalente ao desmatamento de 123 mil quil\u00f4metros quadrados \u2013 51% de toda a floresta que o Par\u00e1 j\u00e1 perdeu para o corte raso desde que o Inpe come\u00e7ou a monitorar o desmatamento, em 1988.<\/p>\n<p>\u201cOs efeitos da perturba\u00e7\u00e3o causam mais perda de biodiversidade do que seria esperado apenas pela perda de \u00e1rea florestal\u201d, explica o ornit\u00f3logo brit\u00e2nico Alex Lees, da Universidade Cornell (EUA), coautor do estudo. \u201cMesmo se uma propriedade perder apenas 20% da sua floresta, os impactos do efeito de borda, da explora\u00e7\u00e3o de madeira e do fogo se somam para mais do que dobrar a perda de biodiversidade que esperar\u00edamos ver apenas com a elimina\u00e7\u00e3o de 20% da cobertura florestal.\u201d<\/p>\n<p>Para Carlos Souza Jr., pesquisador do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amaz\u00f4nia) e tamb\u00e9m coautor do estudo, os resultados deixam clara a necessidade de rever as pol\u00edticas p\u00fablicas de prote\u00e7\u00e3o \u00e0 floresta, como os esquemas de Redd+ (Redu\u00e7\u00e3o de Emiss\u00f5es por Desmatamento) e o programa Munic\u00edpios Verdes, do Par\u00e1, que simplesmente n\u00e3o aborda a degrada\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cO tema da degrada\u00e7\u00e3o ficou no limbo nos \u00faltimos anos, ap\u00f3s o pico de desmatamento em 2004 e as tentativas bem-sucedidas de reduzi-lo\u201d, diz. \u201cAgora n\u00f3s temos uma base cient\u00edfica para tratar a degrada\u00e7\u00e3o do ponto de vista das pol\u00edticas\u201d, continua.<\/p>\n<p>Manter a quest\u00e3o das florestas zumbis num escaninho separado do desmatamento \u00e9 ruim para a biodiversidade e para o clima: estudos de Souza Jr. e colegas t\u00eam indicado que metade das florestas degradadas da Amaz\u00f4nia acabam sendo desmatadas posteriormente.<\/p>\n<p>Pelo menos no Congresso Nacional, por\u00e9m, a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas caminha no sentido oposto ao das evid\u00eancias cient\u00edficas. Enquanto a ci\u00eancia mostra que o C\u00f3digo Florestal n\u00e3o basta para proteger a Amaz\u00f4nia, tramita no parlamento\u00a0<a href=\"http:\/\/www25.senado.leg.br\/web\/atividade\/materias\/-\/materia\/124666\">um projeto da senadora Ana Am\u00e9lia<\/a> (PP-RS) para deix\u00e1-lo ainda mais fraco: a parlamentar ga\u00facha, integrante da bancada ruralista, quer que plantios de \u00e1rvores ex\u00f3ticas como eucalipto possam ser computados como \u201creserva legal\u201d para fins de manuten\u00e7\u00e3o (hoje elas s\u00f3 s\u00e3o admitidas para recupera\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea desmatada).<\/p>\n<p><i>Fonte: <\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Salvamos a Amaz\u00f4nia, certo? 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