{"id":45299,"date":"2016-07-08T20:46:16","date_gmt":"2016-07-08T23:46:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=45299"},"modified":"2016-07-08T20:46:16","modified_gmt":"2016-07-08T23:46:16","slug":"agrotoxicos-lideranca-indesejavel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/agrotoxicos-lideranca-indesejavel\/","title":{"rendered":"Agrot\u00f3xicos: lideran\u00e7a indesej\u00e1vel"},"content":{"rendered":"<p><em><img src=\"http:\/\/www.revistaecologico.com.br\/esite\/kcfinder\/upload\/images\/noticias\/plantacao-de-morangos-credito-Mary-Leal-Agencia-Brasilia.png\" alt=\"Planta\u00e7\u00e3o e colheita de morango no Distrito Federal - Imagem: Mary Leal\/ Ag\u00eancia Bras\u00edlia\" \/>por Washington Novaes*<\/em><\/p>\n<p>O <strong>Brasil<\/strong> isenta ou reduz o pagamento de impostos como <strong>ICMS<\/strong> (redu\u00e7\u00e3o de 60%), PIS\/Cofins e outros para <strong>agrot\u00f3xicos<\/strong>, enquanto medicamentos t\u00eam incentivos de 34% (Envolverde, maio de 2016).<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos alertas e advert\u00eancias: morangos vermelhos e variedades de espinafre podem ter doses altas de res\u00edduos qu\u00edmicos; muitas frutas, verduras e legumes s\u00e3o borrifados com pesticidas banidos h\u00e1 anos. O consumo, no mundo, desses ingredientes cresceu 93% em dez anos; no Brasil, 190%. Segundo a Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), 28% das subst\u00e2ncias usadas por aqui n\u00e3o s\u00e3o autorizadas; a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva (Abrasco) afirma que 70% dos alimentos in natura consumidos no Pa\u00eds est\u00e3o \u201ccontaminados\u201d por agrot\u00f3xicos; para a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade (OMS), a cada ano aumentam em 70 mil os casos de intoxica\u00e7\u00e3o aguda ou cr\u00f4nica provocados por agroqu\u00edmicos.<\/p>\n<p>A Anvisa est\u00e1 reavaliando 16 pesticidas, al\u00e9m de fazer consulta p\u00fablica. Nos Estados Unidos, Canad\u00e1 e pa\u00edses da Uni\u00e3o Europeia j\u00e1 s\u00e3o proibidos, por temor de serem cancer\u00edgenos. H\u00e1 dez anos a Anvisa reavaliou os riscos ambientais do 2,4D, um dos componentes do Agente Laranja, que os EUA usaram na Guerra do Vietn\u00e3 para eliminar florestas e planta\u00e7\u00f5es utilizados como esconderijos de guerrilheiros. Segundo a Cruz Vermelha Internacional, 150 mil crian\u00e7as t\u00eam malforma\u00e7\u00f5es cong\u00eanitas por esse motivo \u2013 que os EUA contestam. E segundo a Organiza\u00e7\u00e3o para a Alimenta\u00e7\u00e3o e a Agricultura (FAO-ONU) e a OMS, \u00e9 urgente diminuir o uso de praguicidas e substitu\u00ed-lo pelo plantio direto nas lavouras, que reduz as pragas.<\/p>\n<p>Um dos argumentos usados pelos defensores de agrot\u00f3xicos \u00e9 a \u201cvolta da mosca-branca\u201d (Bemisia tabaci), que est\u00e1 levando produtores de soja do Centro-Oeste a um gasto 37% maior que no ano passado. Mato Grosso, por exemplo, que gastava R$ 385 por hectare, agora gasta R$ 508,90. Em outros lugares, R$ 543,69.<\/p>\n<p>Um dos itens mais pol\u00eamicos nessa agenda \u00e9 o glifosato, principalmente depois que a OMS e a FAO voltaram atr\u00e1s em sua condena\u00e7\u00e3o anterior, prorrogaram a libera\u00e7\u00e3o por 18 meses e agora asseguram que esse produto n\u00e3o provoca c\u00e2ncer em humanos. E que novas tecnologias reduzir\u00e3o o uso de praguicidas. A quest\u00e3o do uso ou n\u00e3o de sementes transg\u00eanicas tamb\u00e9m est\u00e1 em suspenso. Uma especialista francesa, Marie-Monique Robin, afirmou (7\/5) que \u201co glifosato \u00e9 o maior esc\u00e2ndalo sanit\u00e1rio de toda a hist\u00f3ria da ind\u00fastria qu\u00edmica\u201d. Mesmo depois da decis\u00e3o da OMS, a Fran\u00e7a tornou a proibir a venda livre do produto.<\/p>\n<p>H\u00e1 um cap\u00edtulo \u00e0 parte, que \u00e9 o das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas, com muitos cientistas afirmando que a cria\u00e7\u00e3o de gado em confinamento (na Argentina, 70% do rebanho) aumenta os gases, contribuindo para essas mudan\u00e7as. A China suspendeu a importa\u00e7\u00e3o de carne bovina da Austr\u00e1lia, por essa e outras raz\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos polos nessa luta. A pulveriza\u00e7\u00e3o eletrost\u00e1tica reduz o uso de agroqu\u00edmicos, dizem seus defensores. Com 70% colocados no alvo certo, a redu\u00e7\u00e3o \u00e9 de 30%. A tecnologia \u00e9 da Funda\u00e7\u00e3o do Meio Ambiente, que a recomenda para legumes, frutas e verduras (Eco-finan\u00e7as, 23\/5). Tamb\u00e9m h\u00e1 quem defenda a supress\u00e3o de \u00e1rvores contaminadas como o melhor caminho para evitar a propaga\u00e7\u00e3o dos problemas \u2013 como a Funda\u00e7\u00e3o de Defesa da Citricultura, em 349 munic\u00edpios de S\u00e3o Paulo e Mato Grosso. De qualquer forma, 16,92% das laranjeiras foram suprimidas. De abril do ano passado a mar\u00e7o deste ano foram erradicadas em 21,3 mil hectares, mais de metade delas com sintomas de problemas.<\/p>\n<p>Seja como for, a briga \u00e9 dif\u00edcil e complicada. As empresas produtores de agrot\u00f3xicos constituem um verdadeiro cartel, que domina o mercado mundial, algumas delas com mais de cem anos de exist\u00eancia, como a Monsanto. A Bayer e a Syngenta e poucas mais fazem parte do grupo. Algumas participaram at\u00e9 do Projeto Manhattan, da primeira bomba at\u00f4mica. Ou do projeto do Agente Laranja, muito em evid\u00eancia na Guerra do Vietn\u00e3.<\/p>\n<p>Mas a luta contra os agrot\u00f3xicos tamb\u00e9m tem aliados importantes, como institui\u00e7\u00f5es que participam da Morat\u00f3ria da Soja, que luta contra o desmatamento desde 2006. Ela pro\u00edbe o com\u00e9rcio, aquisi\u00e7\u00e3o e financiamento de gr\u00e3os produzidos em \u00e1reas desmatadas de maneira ilegal no bioma amaz\u00f4nico e em \u00e1reas embargadas pelo Ibama e propriedades que estejam na lista de trabalho escravo do Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia. Desde seu in\u00edcio, a morat\u00f3ria expandiu-se em 2,3 milh\u00f5es de hectares, nos quais a produ\u00e7\u00e3o aumentou 200% (amazonia, 23\/6).<\/p>\n<p>Parece n\u00e3o haver d\u00favida de que cresce rapidamente em toda parte \u2013 no Brasil e nos pa\u00edses para os quais exportamos gr\u00e3os e outros itens agr\u00edcolas \u2013 a resist\u00eancia a produtos de regi\u00f5es que usem agrot\u00f3xicos. Ainda assim, estas t\u00eam conseguido protelar novas tentativas de ampliar legalmente as restri\u00e7\u00f5es. Mas a Ag\u00eancia Europeia dos Produtos Qu\u00edmicos conclui pesquisa sobre riscos cancer\u00edgenos na origem dos produtos. S\u00f3 que a OMS e sua ag\u00eancia de pesquisa sobre c\u00e2ncer n\u00e3o conseguiram apertar as restri\u00e7\u00f5es, que ficaram para ser decididas at\u00e9 o fim de 2017. At\u00e9 l\u00e1 s\u00f3 vigorar\u00e3o restri\u00e7\u00f5es ao uso de agrot\u00f3xicos em \u00e1reas de parques e jardins .<\/p>\n<p>Nessa hora decisiva, o Pnuma afirmou na recente conven\u00e7\u00e3o de Nair\u00f3bi que os danos ao meio ambiente est\u00e3o entre as maiores causas de morte no mundo. Por que, ent\u00e3o, n\u00e3o se consegue avan\u00e7ar na quest\u00e3o dos agrot\u00f3xicos? Por que nossos Poderes \u2013 principalmente o Legislativo \u2013 n\u00e3o conseguem estabelecer regras duras nessa \u00e1rea relacionada com alimentos e sa\u00fade? Os eleitores precisam cobrar. Se a opini\u00e3o p\u00fablica deixar claro que n\u00e3o aceita os preju\u00edzos, o panorama poder\u00e1 mudar. Nada pode ser mais grave que o risco de morte evidenciado pela ci\u00eancia.\u00a0<em>(O Estado de S. Paulo\/ #Envolverde)<\/em><\/p>\n<p><em>*<\/em>\u00a0<em>Washington Novaes<\/em>\u00a0<em>\u00e9 jornalista (e-mail: wlrnovaes@uol.com.br).<\/em><\/p>\n<p><em>** Publicado originalmente no site<\/em>\u00a0<em><a href=\"http:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/geral,agrotoxicos-lideranca-indesejavel-no-mundo,10000061639\" target=\"_blank\">O Estado de S. 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