{"id":45064,"date":"2016-07-04T15:00:08","date_gmt":"2016-07-04T18:00:08","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=45064"},"modified":"2016-07-04T12:24:50","modified_gmt":"2016-07-04T15:24:50","slug":"transplante-de-neuronios-e-esperanca-para-restaurar-a-visao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/transplante-de-neuronios-e-esperanca-para-restaurar-a-visao\/","title":{"rendered":"Transplante de neur\u00f4nios \u00e9 esperan\u00e7a para restaurar a vis\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><a href=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-medium wp-image-45065\" src=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro-300x192.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"192\" srcset=\"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro-300x192.jpg 300w, https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro.jpg 415w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a>C\u00e9rebros jovens s\u00e3o pl\u00e1sticos, ou seja, seus circuitos podem ser facilmente religados para favorecer a aprendizagem. No entanto, na idade adulta, o sistema nervoso perde parte dessa capacidade e, depois de um acidente vascular cerebral, por exemplo, costuma ter dificuldade para recuperar as fun\u00e7\u00f5es prejudicadas. Entretanto, algo mudou nesse quadro: cientistas restauraram completamente a plasticidade em ratos adultos por meio do transplante de neur\u00f4nios jovens no c\u00e9rebro dos animais e, nesse processo, conseguiram curar suas defici\u00eancias visuais graves.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em um estudo inovador publicado na <em>Neuron<\/em>, uma equipe de neurocientistas liderados pelo neurobi\u00f3logo Sunil Gandhi, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Irvine, transplantou c\u00e9lulas-tronco embrion\u00e1rias de camundongos no sistema nervoso de outros ratos. As c\u00e9lulas foram preparadas para se transformar em neur\u00f4nios inibit\u00f3rios, diminuindo a atividade neural. \u201cAntes dessa pesquisa, muitos duvidavam que o c\u00e9rebro adulto pudesse permitir que essas c\u00e9lulas se espalhassem, integrassem e reativassem a plasticidade de forma t\u00e3o ampla\u201d, diz a geneticista molecular Melissa Davis, uma das principais autoras do estudo.<\/p>\n<p class=\"p2\">Os cientistas t\u00eam motivo para comemorar, pois h\u00e1 anos tentam essa fa\u00e7anha, refinando os m\u00e9todos ao longo do caminho. E a equipe de Irvine finalmente teve sucesso: as c\u00e9lulas foram integradas no c\u00e9rebro e se religaram em grande escala, restaurando a plasticidade de alto n\u00edvel de desenvolvimento precoce. Em ratos com defici\u00eancia visual, o transplante permitiu o restabelecimento da acuidade normal, como foi demonstrado por exames dos sinais nervosos visuais e um teste de labirinto, incluindo exerc\u00edcios de nata\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p class=\"p2\">Os cientistas ainda n\u00e3o testaram a t\u00e9cnica de transplante para outros dist\u00farbios neurol\u00f3gicos, mas acreditam que ela tem potencial para tratar diversos outros problemas e les\u00f5es, dependendo de como os novos neur\u00f4nios restauram a plasticidade. Ainda n\u00e3o se sabe se a prolifera\u00e7\u00e3o das c\u00e9lulas transplantadas \u00e9 respons\u00e1vel pela recomposi\u00e7\u00e3o da capacidade neural de desenvolver novas conex\u00f5es ou se as c\u00e9lulas rec\u00e9m-chegadas provocam plasticidade em neur\u00f4nios existentes. Nesse \u00faltimo caso, o tratamento poderia estimular a cura e a reconex\u00e3o do sistema nervoso ap\u00f3s les\u00e3o cerebral traum\u00e1tica ou acidente vascular cerebral.<\/p>\n<p class=\"p2\">A equipe optou por trabalhar com neur\u00f4nios inibit\u00f3rios por mostrarem maior potencial em experimentos anteriores. Esse tipo espec\u00edfico de c\u00e9lula neural traz tamb\u00e9m uma esperan\u00e7a cl\u00ednica particular, j\u00e1 que muitos dist\u00farbios psiqui\u00e1tricos e neurol\u00f3gicos envolvem desequil\u00edbrios entre excita\u00e7\u00e3o e inibi\u00e7\u00e3o, como a epilepsia, a esquizofrenia e a dor cr\u00f4nica.<\/p>\n<p class=\"p2\">V\u00e1rios laborat\u00f3rios, incluindo o da Escola de Medicina Perleman, da Universidade da Pensilv\u00e2nia, liderado pelo neurocientista Stewart Anderson, demonstraram que transplantar neur\u00f4nios inibit\u00f3rios de camundongos saud\u00e1veis em ratos com modelos dessas doen\u00e7as ajuda a diminuir os sintomas. O novo m\u00e9todo poderia permitir altera\u00e7\u00f5es cerebrais mais generalizadas, erradicando potencialmente a patologia. \u201cPara as pessoas que n\u00e3o se beneficiam de medicamentos, um not\u00e1vel tratamento como o transplante neural poderia ser transformador\u201d, diz Anderson.<\/p>\n<p class=\"p2\">Mas nem tudo s\u00e3o flores: muitos obst\u00e1culos im-pedem que a t\u00e9cnica seja utilizada em humanos. Primeiro, as c\u00e9lulas-tronco de camundongos podem n\u00e3o ser eficazes ou seguras para transplante em pessoas. E os cientistas ainda n\u00e3o sabem como \u201cpersuadi-las\u201d a se tornar o tipo de neur\u00f4nio precursor necess\u00e1rio para o procedimento. Al\u00e9m disso, o material transplantado demora mais de um m\u00eas para amadurecer no c\u00e9rebro do rato destinat\u00e1rio; c\u00e9lulas humanas levariam, em teoria, muito mais tempo, talvez anos.<\/p>\n<p class=\"p2\">Ainda assim, apesar dos obst\u00e1culos, os especialistas est\u00e3o animados com os avan\u00e7os. Eles acreditam que o transplante neural pode um dia fornecer uma terapia baseada em c\u00e9lulas de forma eficaz e, mais importante, um tratamento permanente de doen\u00e7as relacionadas com a idade e o desenvolvimento. <em>(Por Jessica Schmerler, jornalista neurocient\u00edfica)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>C\u00e9rebros jovens s\u00e3o pl\u00e1sticos, ou seja, seus circuitos podem ser facilmente religados para favorecer a<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":45065,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"thumbnail":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro-150x150.jpg",150,150,true],"medium":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro-300x192.jpg",300,192,true],"medium_large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"large":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"1536x1536":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"2048x2048":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-2":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-3":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro.jpg",415,265,false],"cream-magazine-thumbnail-4":["https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/cerebro.jpg",415,265,false]},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"C\u00e9rebros jovens s\u00e3o pl\u00e1sticos, ou seja, seus circuitos podem ser facilmente religados para favorecer a","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45064"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=45064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/45064\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/45065"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=45064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=45064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=45064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}