{"id":44948,"date":"2016-07-02T18:35:50","date_gmt":"2016-07-02T21:35:50","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=44948"},"modified":"2016-07-02T18:35:50","modified_gmt":"2016-07-02T21:35:50","slug":"muito-barulho-poluicao-sujeira-e-dramas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/muito-barulho-poluicao-sujeira-e-dramas\/","title":{"rendered":"Muito barulho, polui\u00e7\u00e3o, sujeira e dramas"},"content":{"rendered":"<p><em><img class=\"wide-thumbnail\" title=\"Muito barulho, polui\u00e7\u00e3o, sujeira e dramas\" src=\"http:\/\/www.envolverde.com.br\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/carros-300x157.jpg\" alt=\"Muito barulho, polui\u00e7\u00e3o, sujeira e dramas\" \/>Em boa hora a C\u00e2mara Municipal paulistana aprovou em definitivo o projeto de lei que estabelece o Mapa do Ru\u00eddo da Cidade de S\u00e3o Paulo. E ainda \u00e9 dif\u00edcil pensar que n\u00e3o houvesse um instrumento dessa natureza numa cidade com mais de 10 milh\u00f5es de habitantes, centro de uma regi\u00e3o metropolitana com mais de 20 milh\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Por Washington Novaes*<\/em><\/strong><\/p>\n<p>Entre as queixas registradas pela Ouvidoria Central ocupam o primeiro lugar as que t\u00eam como causa os ru\u00eddos que incomodam os contribuintes, j\u00e1 que o Plano Diretor de 2014 deixara de fora esse instrumento de defesa da popula\u00e7\u00e3o E embora pesquisas na \u00e1rea indiquem (P\u00e1gina 22, outubro de 2014) que o tr\u00e1fego de ve\u00edculos \u00e9 \u201co grande vil\u00e3o das cidades\u201d: Fortaleza \u00e9 a \u00fanica capital que tem uma \u201ccarta ac\u00fastica\u201d.<\/p>\n<p>Na Uni\u00e3o Europeia essas \u201ccartas\u201d s\u00e3o obrigat\u00f3rias nas cidades com mais de 200 mil habitantes \u2013 pediatras norte-americanos e canadenses recomendam que as crian\u00e7as at\u00e9 2 anos de idade n\u00e3o sejam expostas a ambientes com esse problema, bem como a tecnologias de aparelhos m\u00f3veis, celulares, tablets e jogos eletr\u00f4nicos; mesmo depois dessa idade a exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o deve ultrapassar duas horas di\u00e1rias. O excesso pode acelerar o crescimento cerebral, obesidade, priva\u00e7\u00e3o do sono, agressividade, depend\u00eancias.<\/p>\n<p>Pesquisa da USP (mobilize, 30\/5) indica que 22% dos paulistanos t\u00eam problemas auditivos causados por ru\u00eddos no tr\u00e2nsito. Outros trabalhos acrescentam que o tr\u00e2nsito intenso pode aumentar a temperatura em at\u00e9 4 graus Celsius. Ve\u00edculos a diesel e caminhonetes s\u00e3o os mais problem\u00e1ticos. E para enfrentar tudo isso n\u00e3o se pode dispensar a inspe\u00e7\u00e3o veicular, a melhoria da qualidade dos combust\u00edveis e o controle de emiss\u00f5es em certas \u00e1reas. H\u00e1 ainda trabalhos que apontam a fuligem como a causa de morte de 8% dos idosos, assim como problemas para os fetos durante a gravidez.<\/p>\n<p>S\u00e3o Paulo \u00e9 considerada pelos especialistas \u201cuma das cidades mais barulhentas no mundo\u201d (P\u00e1gina 22). E j\u00e1 tem \u2013 como comentado neste mesmo espa\u00e7o \u2013 moradores com aplicativos que lhes dizem com quem compartilhar lugares silenciosos. Como h\u00e1 outros que se re\u00fanem em cemit\u00e9rios. N\u00e3o \u00e9 para menos, quando se leva mais de hora para ir de casa para o trabalho e outro tanto para voltar. Com alta intensidade de ru\u00eddos, acima de 100 decib\u00e9is, quando o m\u00e1ximo suport\u00e1vel \u00e9 de 120. E vale a pena lembrar que j\u00e1 em 1867, segundo a pesquisadora M\u00e1rcia Correa, da Universidade Aberta da Unicamp, havia no Brasil multas para carros de boi que rangessem por falta de graxa; em 1922 um ato municipal proibiu o estalo de chicotes em cavalos que puxassem carruagens. Hoje h\u00e1 estudos que avaliam a perda auditiva em cinco categorias profissionais \u2013 metal\u00fargicos, trabalhadores no setor cal\u00e7adista, transportadores de cargas, oper\u00e1rios em cer\u00e2micas e na ind\u00fastria cervejeira. Houve piora de situa\u00e7\u00e3o relacionada com a idade e o tempo no trabalho.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se pode ficar restrito \u00e0 polui\u00e7\u00e3o sonora. A pr\u00f3pria ONU alerta (mst, 28\/5) que a degrada\u00e7\u00e3o ambiental responde por mais de 12 milh\u00f5es de mortes a cada ano, ou 23% de todas as mortes prematuras. Essa taxa est\u00e1 em 11% em pa\u00edses europeus da OCDE e em 28% no Sudeste Asi\u00e1tico. As doen\u00e7as v\u00e3o de diarreias a asma, infec\u00e7\u00f5es respirat\u00f3rias, obstru\u00e7\u00e3o pulmonar cr\u00f4nica, doen\u00e7as vasculares, c\u00e2nceres. O principal fator \u00e9 a polui\u00e7\u00e3o, geradora da \u201cemerg\u00eancia global de sa\u00fade\u201d.<\/p>\n<p>No Brasil, a m\u00e9dia de material particulado no ar que se respira \u00e9 de 150 microgramas por metro c\u00fabico, quando a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade recomenda que n\u00e3o se deve ultrapassar 50 microgramas. No Rio de Janeiro e outras cidades fluminenses s\u00e3o mais de 1,5 vez mais altas as mortes por polui\u00e7\u00e3o que as decorrentes de acidentes de tr\u00e2nsito, tr\u00eas vezes mais que as do c\u00e2ncer de mama e a aids, quase sete vezes mais que o c\u00e2ncer da pr\u00f3stata. E o Pnuma assegura que at\u00e9 2030, se se conseguir reduzir as emiss\u00f5es de \u201cgases do efeito estufa\u201d, pode-se salvar a vida de 2,4 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p>Com todas essas informa\u00e7\u00f5es, \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos continuam a facilitar a expans\u00e3o urbana e seus limites, a concentra\u00e7\u00e3o de moradores, a emiss\u00e3o de poluentes nas casas, na ind\u00fastria, no com\u00e9rcio, no tr\u00e2nsito, em toda parte. No editorial Zoneamento deturpado (25\/2, A3), este jornal criticou decis\u00f5es no \u00e2mbito da Lei de Zoneamento, como a que aumentou de 40 para 50 decib\u00e9is o n\u00edvel toler\u00e1vel de barulho das 22 \u00e0s 7 horas. A oposi\u00e7\u00e3o anunciou que iria \u00e0 Justi\u00e7a. Ter\u00e1 muitos argumentos.<\/p>\n<p>Pode-se passar a outro cap\u00edtulo, o da \u201cpolui\u00e7\u00e3o luminosa\u201d. O jornalista J\u00falio Ottoboni assegura (Eco 21, outubro de 2014) que esse tipo de polui\u00e7\u00e3o tem crescido em \u201cn\u00edvel alarmante\u201d no eixo Rio-S\u00e3o Paulo. \u00c9 o mais alto no Hemisf\u00e9rio Sul e afeta tamb\u00e9m animais e plantas. Nos Estados Unidos, 22% da gera\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica se destina \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o noturna; no Brasil, 4,5%. Entre os problemas que causa est\u00e3o os dist\u00farbios do sono e do sistema nervoso, depress\u00e3o, at\u00e9 c\u00e2ncer de mama. E isso quando se sabe que 40% da energia \u00e9 desperdi\u00e7ada (no Brasil, at\u00e9 60%).<\/p>\n<p>Sobram ainda os acidentes de tr\u00e2nsito, fruto uma frota de ve\u00edculos no Pa\u00eds que a Fenabrave espera que cres\u00e7a mais de 3,5 milh\u00f5es de unidades por ano, quando j\u00e1 est\u00e1 acima de 80 milh\u00f5es, e as cidades n\u00e3o comportam mais esse crescimento e suas consequ\u00eancias dram\u00e1ticas \u2013 na polui\u00e7\u00e3o do ar, no tempo perdido em congestionamentos, nos problemas para pedestres. Que mais se vai esperar de algo como um ve\u00edculo que permanece mais de 80% do tempo ocioso e mais problemas criar\u00e1 se esse tempo for maior?<br \/>\nEnfim, evid\u00eancias dos dramas n\u00e3o faltam. Mas quem os enfrentar\u00e1, quando uma grande montadora afirma que a esta\u00e7\u00e3o de combust\u00edvel do futuro pode ser o pr\u00f3prio carro (Nissannews, 3\/3)? E quando o sonho de parte das pessoas \u00e9 conseguir comprar um carro, e n\u00e3o ter um sistema de transporte eficaz e confort\u00e1vel? <em>(O Estado de S. Paulo\/ #Envolverde)<\/em><\/p>\n<p><em>* <strong>Washington Novaes<\/strong> \u00e9 jornalista.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em boa hora a C\u00e2mara Municipal paulistana aprovou em definitivo o projeto de lei que<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Em boa hora a C\u00e2mara Municipal paulistana aprovou em definitivo o projeto de lei que","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44948"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44948"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44948\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44948"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44948"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44948"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}