{"id":44940,"date":"2016-07-02T18:04:45","date_gmt":"2016-07-02T21:04:45","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=44940"},"modified":"2016-07-02T18:04:45","modified_gmt":"2016-07-02T21:04:45","slug":"do-lixo-ao-luxo-sargaco-pode-ser-usado-como-adubo-de-qualidade-comprovada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/do-lixo-ao-luxo-sargaco-pode-ser-usado-como-adubo-de-qualidade-comprovada\/","title":{"rendered":"Do lixo ao luxo: sarga\u00e7o pode ser usado como adubo de qualidade comprovada"},"content":{"rendered":"<p><strong><img class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/gazetaweb.globo.com\/fotosPortal\/portal_gazetaweb_com\/noticias\/foto_pequena\/201607011210_628ec1a4f7.jpg\" \/>Apesar do sucesso, projeto de reutiliza\u00e7\u00e3o do vegetal foi engavetado por falta de recursos do poder p\u00fablico<\/strong><\/p>\n<p>Macei\u00f3 sempre foi reconhecida como o Para\u00edso das \u00c1guas. Milhares de turistas &#8220;invadem&#8221; a cidade durante o ver\u00e3o para aproveitar as mais variadas op\u00e7\u00f5es de passeios. Por\u00e9m, um fen\u00f4meno muito comum em nossa costa e j\u00e1 tradicional entre os moradores da capital tira um pouco do brilho de nossas praias. O sarga\u00e7o e seu cheiro forte espantam alguns visitantes que acham que as areias est\u00e3o polu\u00eddas. Contudo,\u00a0poucos sabem que este \u00e9 um poderoso adubo org\u00e2nico, de qualidade comprovada, conforme pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (Ufal).<\/p>\n<p>O Sargassum &#8211; nome cientifico &#8211; \u00e9 um g\u00eanero especifico de plantas marinhas do grupo das algas pardas ou marrons, chamada de Phaeophyta (ou Heteroconthophyta). O vegetal \u00e9 de extrema import\u00e2ncia para o ambiente marinho, j\u00e1 que serve de alimento para seres vivos como algumas esp\u00e9cies de peixes e tartarugas.<\/p>\n<p>De acordo com a professora do Laborat\u00f3rio de Ficologia do Instituto de Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas e da Sa\u00fade da Ufal, \u00c9lica Guedes, o sarga\u00e7o \u00e9 mais comum nos locais onde h\u00e1 muitos recifes e suas apari\u00e7\u00f5es na costa mar\u00edtima s\u00e3o fruto da for\u00e7a das ondas aliadas ao vento. Ela conta que o forte odor que \u00e9 sentido n\u00e3o vem dessa planta, mas sim da polui\u00e7\u00e3o causada pelos esgotos e o lixo acumulado nas praias.<\/p>\n<p>&#8220;Observamos que nas praias em que o sarga\u00e7o exala mau cheiro s\u00e3o justamente as que s\u00e3o polu\u00eddas pela a\u00e7\u00e3o do homem. O \u00fanico odor que exala das algas \u00e9 o natural da maresia, que aliado com o lixo, acaba criando essa mistura ruim&#8221;, disse \u00c9lica.<\/p>\n<div class=\"foto-grande\">\n<div class=\"foto\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/gazetaweb.globo.com\/fotosPortal\/portal_gazetaweb_com\/noticias\/foto_grande\/201607011506_b43c2a619e.jpg\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda cor-back\">\n<p>L\u00ednguas sujas invadem o mar e, em contato com sarga\u00e7o, causam mau cheiro<\/p>\n<p><span class=\"autor-foto\">FOTO: Fillipe Lima<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>A especialista em algas marinhas revelou que a presen\u00e7a do sarga\u00e7o \u00e9 um bom sinal para o mar maceioense e explicou que as plantas n\u00e3o t\u00eam ra\u00edzes e s\u00e3o facilmente arrancadas pela for\u00e7a do oceano, que as desprendem dos recifes, fazendo com que o pr\u00f3prio mar as levem para a praia.<\/p>\n<p>Apesar de causar inc\u00f4modo aos banhistas, o sarga\u00e7o somente \u00e9 retirado da orla pela Superintend\u00eancia de Limpeza Urbana de Macei\u00f3 (Slum) quando h\u00e1 uma quantidade acima do considerado normal pela Secretaria Municipal de Prote\u00e7\u00e3o ao Meio Ambiente (Sempma).<\/p>\n<p>&#8220;A retirada do sarga\u00e7o na faixa de areia \u00e9 feita por agentes da Slum de forma regular e de acordo com a necessidade. O trabalho \u00e9 realizado nos per\u00edodos de mar\u00e9 baixa e acontece com o aux\u00edlio de um ve\u00edculo com p\u00e1 carregadeira acoplada. Se a quantidade for grande, sobretudo em \u00e1reas onde a concentra\u00e7\u00e3o \u00e9 maior, como na praia de Jati\u00faca, uma ca\u00e7amba \u00e9 utilizada no servi\u00e7o&#8221;, informou a Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o da Sempma.<\/p>\n<div class=\"foto-grande\">\n<div class=\"foto\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/gazetaweb.globo.com\/fotosPortal\/portal_gazetaweb_com\/noticias\/foto_grande\/201607011507_09a5010153.jpg\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda cor-back\">\n<p>Mar cheio de sarga\u00e7o \u00e9 caracter\u00edstico onde h\u00e1 grande quantidade de recifes<\/p>\n<p><span class=\"autor-foto\">FOTO: Fillipe Lima<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>A professora \u00c9lica e seus alunos descobriram um m\u00e9todo que poderia transformar esse sarga\u00e7o expulso pelo mar e utiliz\u00e1-lo em ambientes bem distantes da praia. A cientista desenvolveu uma t\u00e9cnica que transforma o sarga\u00e7o inutiliz\u00e1vel pela natureza em um adubo org\u00e2nico para usar em planta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 20 anos trabalhando como ambulante na praia, Cosme Matias, de 53 anos, afirma que nos per\u00edodos em que o sarga\u00e7o fica na orla, a clientela cai consideravelmente e o preju\u00edzo chega a fazer com que os ambulantes percam dias inteiros de trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Eu chego a perder 90% do faturamento se comparado com os dias comuns. O mau cheiro deixa a praia invi\u00e1vel para que os banhistas venham passar o dia aqui e consumir nossos produtos&#8221;, contou.<\/p>\n<div class=\"foto-grande\">\n<div class=\"foto\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/gazetaweb.globo.com\/fotosPortal\/portal_gazetaweb_com\/noticias\/foto_grande\/201607011506_5c81c61d0c.jpg\" width=\"633\" height=\"475\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda cor-back\">\n<p>O ambulante Cosme Matias lamenta a falta de clientes na orla durante a exposi\u00e7\u00e3o de sarga\u00e7o<\/p>\n<p><span class=\"autor-foto\">FOTO: Fillipe Lima<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>De acordo com Maur\u00edcio Vasconcelos, presidente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Hot\u00e9is em Alagoas (ABIH-AL), a incid\u00eancia do sarga\u00e7o incomoda muitos h\u00f3spedes que procuram a orla de Macei\u00f3. Segundo ele, a entidade faz um trabalho de desmistifica\u00e7\u00e3o de que os vegetais marinhos s\u00e3o lixo.<\/p>\n<p>&#8220;Recomendamos aos estabelecimentos ligados \u00e0 rede hoteleira que sempre promovam\u00a0campanhas de conscientiza\u00e7\u00e3o com seus h\u00f3spedes para explicar que o sarga\u00e7o que est\u00e1 na praia n\u00e3o \u00e9 sujeira, at\u00e9 que esteja em seu estado de decomposi\u00e7\u00e3o, e que a prefeitura faz a limpeza das praias regularmente&#8221;, explica Maur\u00edcio.<\/p>\n<div class=\"foto-grande\">\n<div class=\"foto\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/gazetaweb.globo.com\/fotosPortal\/portal_gazetaweb_com\/noticias\/foto_grande\/201607011508_cc93a18883.jpg\" width=\"639\" height=\"479\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda cor-back\">\n<p>Rede hoteleira conscientiza turistas de que sarga\u00e7o n\u00e3o \u00e9 lixo<\/p>\n<p><span class=\"autor-foto\">FOTO: Fillipe Lima<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>Sarga\u00e7o \u00e9 luxo, n\u00e3o lixo<\/p>\n<p>Como todo mito s\u00f3 pode ser desfeito pelo conhecimento, muita gente n\u00e3o tem ideia de que o sarga\u00e7o \u00e9 um benef\u00edcio deixado de heran\u00e7a pelo mar. Em uma pesquisa realizada em 2008 pela professora \u00c9lica Guedes e seus alunos da Ufal, foi constatado que as algas expulsas pelo mar podem servir de adubo org\u00e2nico se submetidas a um simples procedimento.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00f3s recolhemos v\u00e1rias amostras de sarga\u00e7o e outros tipos de algas que s\u00e3o levadas pelo mar \u00e0 costa e levamos para o ICBS. Depois as secamos ao sol em telas de nylon suspensas e as lavamos com \u00e1gua corrente durante o per\u00edodo de uma semana para a remo\u00e7\u00e3o do sal. Ao final destes dias, os vegetais foram submetidos a uma estufa a 450 graus durante 24 horas. Em seguida foram triturados em uma m\u00e1quina forrageira para posterior utiliza\u00e7\u00e3o como adubo org\u00e2nico incorporado ao solo&#8221;, relembrou a pesquisadora.<\/p>\n<div class=\"foto-grande\">\n<div class=\"foto\"><img loading=\"lazy\" class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/gazetaweb.globo.com\/fotosPortal\/portal_gazetaweb_com\/noticias\/foto_grande\/201607011512_e0d062635c.jpg\" width=\"640\" height=\"480\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda cor-back\">\n<p>Professora \u00c9lica Guedes e alunos da Ufal coletaram amostras de sarga\u00e7o para pesquisa em 2008<\/p>\n<p><span class=\"autor-foto\">FOTO: \u00c9lica Guedes \/ Arquivo Pessoal<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>Ap\u00f3s o preparo do adubo org\u00e2nico \u00e0 base de algas, o pr\u00f3ximo passo foi fazer uma experi\u00eancia de plantio da moringa, uma esp\u00e9cie de \u00e1rvore muito comum em climas tropicais e subtropicais nos continentes africano e asi\u00e1tico. Durante o manejo, \u00c9lica e seus alunos observaram, que apesar da mistura tradicional entre terra preta e esterco bovino ainda ser mais eficiente, a mesma mescla de areia com os vegetais marinhos produziram resultados animadores para o trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;O resultado foi satisfat\u00f3rio e, apesar de um desenvolvimento mais lento, o adubo com algas se mostrou eficiente. Al\u00e9m da moringa, tamb\u00e9m j\u00e1 fizemos experi\u00eancias bem sucedidas com legumes como alface, cebolinha e coentro&#8221; &#8211; completou.<\/p>\n<div class=\"foto-peq\">\n<div class=\"foto\"><img class=\"img-responsive\" src=\"http:\/\/gazetaweb.globo.com\/fotosPortal\/portal_gazetaweb_com\/noticias\/foto_pequena\/201607011512_6626412464.jpg\" \/><\/div>\n<div class=\"legenda cor-back\">\n<p>Mudas de coentro foram plantadas em adubo org\u00e2nico produzido a partir do sarga\u00e7o<\/p>\n<p><span class=\"autor-foto\">FOTO: \u00c9lica Guedes \/ Arquivo Pessoal<\/span><\/div>\n<\/div>\n<p>Projeto engavetado<\/p>\n<p>Apesar dos bons resultados com a pesquisa elaborada, o grupo de pesquisa n\u00e3o recebeu nenhum tipo de apoio do poder p\u00fablico e nem da iniciativa privada para a continua\u00e7\u00e3o dos levantamentos. Muito pelo contr\u00e1rio. Quando ela procurou a Prefeitura de Macei\u00f3, na \u00e9poca, foi impedida de continuar coletando mais amostras para avan\u00e7ar com seus trabalhos.<\/p>\n<p>O projeto de \u00c9lica foi engavetado por diversos motivos, um deles foi a falta de recursos para desenvolver ainda mais sua pesquisa. Por\u00e9m, ela ainda segue com esperan\u00e7as de um dia voltar a trabalhar em projetos que possam avan\u00e7ar ainda mais em suas experi\u00eancias com o sarga\u00e7o e outras algas marinhas e provar para a sociedade que apesar de todo o preconceito que gira em torno desses vegetais, ter alga no nosso litoral \u00e9 um grande luxo, jamais lixo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar do sucesso, projeto de reutiliza\u00e7\u00e3o do vegetal foi engavetado por falta de recursos do<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Apesar do sucesso, projeto de reutiliza\u00e7\u00e3o do vegetal foi engavetado por falta de recursos do","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44940"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44940"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44940\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44940"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44940"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44940"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}