{"id":44927,"date":"2016-07-02T17:20:38","date_gmt":"2016-07-02T20:20:38","guid":{"rendered":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/?p=44927"},"modified":"2016-07-02T17:22:00","modified_gmt":"2016-07-02T20:22:00","slug":"entrevista-especial-com-williams-guimaraes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/entrevista-especial-com-williams-guimaraes\/","title":{"rendered":"Entrevista especial com Williams Guimar\u00e3es"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"contentheading\">Eros\u00e3o marinha na costa brasileira: depois da falta de prioridade, busca-se \u00e0s pressas fazer qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o na fal\u00e9sia do Cabo Branco<\/h2>\n<p><strong>\u201cO n\u00edvel do mar n\u00e3o deixou de variar durante o per\u00edodo geocronol\u00f3gico do nosso Planeta e isso ocasiona mudan\u00e7as na linha de costa, tornando esse processo inevit\u00e1vel\u201d, diz o ge\u00f3grafo.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/3.bp.blogspot.com\/-VbtiFEJ0Y8c\/VYLK6-Caq6I\/AAAAAAAAPGg\/IrVwENj3D5s\/s1600\/DSC09200.JPG\" width=\"300\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em>Foto: J.C Alvarez \/\u00a0<a href=\"http:\/\/bit.ly\/291RP0R\">http:\/\/bit.ly\/291RP0R<\/a><\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>No \u00faltimo s\u00e9culo, o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/551923-o-nivel-do-mar-subiu-mais-rapido-no-seculo-xx-do-que-nos-3000-anos-anteriores\" target=\"_blank\"><strong>n\u00edvel do mar<\/strong><\/a> subiu entre 10 e 20 cm, o que caracteriza cerca de 1 a 2 mm por ano. Embora se trate de um \u201cciclo natural\u201d, a eleva\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos anos tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada \u00e0 \u201c<strong>expans\u00e3o t\u00e9rmica dos oceanos<\/strong>, ocasionada pelo<strong> <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/519863-aquecimento-global-e-suas-implicacoes-para-o-futuro-humano-entrevista-especial-com-ernesto-lavina\" target=\"_blank\">aquecimento global<\/a><\/strong>\u201d, e os impactos dessa eleva\u00e7\u00e3o \u201cvariam muito em fun\u00e7\u00e3o da configura\u00e7\u00e3o do tipo de cada costa\u201d, diz <strong>Williams Guimar\u00e3es<\/strong> em entrevista por e-mail \u00e0 <strong>IHU On-Line<\/strong>.<\/p>\n<p>Segundo o ge\u00f3grafo, a subida do <strong>n\u00edvel do mar<\/strong> \u201c\u00e9 uma das v\u00e1rias causas que acelera o <strong>processo erosivo costeiro<\/strong> e pode permitir \u00e0 costa retornar para um cen\u00e1rio semelhante ao fim da \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o, que ocorreu h\u00e1 aproximadamente 11.000 anos\u201d. Partindo desse pressuposto, explica, \u201centende-se que o n\u00edvel do mar est\u00e1 subindo e a grande diferen\u00e7a agora \u00e9 a presen\u00e7a dos seres humanos, que se concentram cada vez mais na <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/556953-estudo-projeta-impacto-das-mudancas-climaticas-em-santos\" target=\"_blank\">zona costeira<\/a>, sem saber ao certo quando ou como a areia come\u00e7ar\u00e1 a se deslocar\u201d.<\/p>\n<p>No <strong>Brasil<\/strong>, exemplifica, alguns efeitos j\u00e1 podem ser observados na <strong>fal\u00e9sia do Cabo Branco<\/strong>, em <strong>Jo\u00e3o Pessoa<\/strong>, na <strong>Para\u00edba<\/strong>, onde a prefeitura decretou estado de emerg\u00eancia na semana passada. \u201cA orla do munic\u00edpio de Jo\u00e3o Pessoa, em raz\u00e3o de processos naturais e antr\u00f3picos, enfrenta a <strong>eros\u00e3o marinha<\/strong>. Estes fen\u00f4menos naturais, amplificados por a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas, atingem, principalmente, a Praia do Seixas, Ponta do Cabo Branco e o trecho da Praia do Cabo Branco defronte \u00e0 Pra\u00e7a de Iemanj\u00e1\u201d, informa o ge\u00f3grafo. De acordo com ele, na costa brasileira \u201cocorre mais eros\u00e3o costeira continente adentro, associado a v\u00e1rios fatores naturais e antr\u00f3picos do que mais precisamente mudan\u00e7as significativas no n\u00edvel do mar\u201d.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do ge\u00f3grafo, \u201cefetivamente tem-se feito muito pouco\u201d no sentido de promover <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/550615-acordo-climatico-bom-mas-nao-perfeito\" target=\"_blank\"><strong>a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/a> para solucionar os problemas na regi\u00e3o, apesar de a \u00e1rea j\u00e1 ter sido \u201cestudada por d\u00e9cadas\u201d. O \u00faltimo estudo, diz, foi realizado entre 2007 e 2009 e apresentou um \u201clevantamento detalhado da \u00e1rea com dados prim\u00e1rios apontando as fragilidades do ecossistema local, por meio de diagn\u00f3sticos do meio f\u00edsico e bi\u00f3tico, apontando os tipos de solu\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o mais adequadas sugeridas para esta \u00e1rea\u201d.<\/p>\n<p>O estudo, informa, foi discutido em audi\u00eancia p\u00fablica com t\u00e9cnicos, membros da sociedade civil organizada e \u00f3rg\u00e3os governamentais do meio ambiente do munic\u00edpio e do estado, mas foi interrompido pela burocracia. \u201cFui um dos que apresentaram estes estudos a v\u00e1rios setores da sociedade paraibana, desde 2010 at\u00e9 2012, objetivando mitigar o problema da <strong><a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/538587-praias-do-rio-e-de-outras-partes-do-mundo-correm-risco-de-serem-varridas-do-mapa\" target=\"_blank\">eros\u00e3o<\/a> acentuada<\/strong> deste ambiente que tem uma varia\u00e7\u00e3o significativa entre 0,46 e 1,92 metros por ano \u2014 dados obtidos por esses estudos. Devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e \u00e0 falta de prioridade em fazer algum tipo de interven\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, a mesma encontra-se em estado de calamidade ao longo destes anos. Contudo, ap\u00f3s press\u00e3o de quase toda a sociedade paraibana, busca-se \u00e0s pressas fazer qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o neste ambiente que, diga-se de passagem, \u00e9 muito preocupante\u201d, lamenta.<\/p>\n<p><strong>Williams da Silva Guimar\u00e3es de Lima<\/strong> \u00e9 graduado em Geografia pela Universidade Federal da Para\u00edba \u2013 UFPB, mestre em Geodin\u00e2mica pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte \u2013 UFRN. Atualmente \u00e9 professor da Escola das Engenharias, Arquitetura e Tecnologias da Faculdade Internacional da Para\u00edba.<\/p>\n<p><strong>Confira a entrevista.<\/strong><\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"0\" align=\"right\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/tvwebcidade.net\/wp-content\/uploads\/2014\/11\/14363336280003622710000-300x224.jpg%20\" width=\"250\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td><em><em>Imagem a\u00e9rea do Farol do Cabo Branco<br \/>\nFoto:\u00a0Reprodu\u00e7\u00e3o\/Clilson Jr<\/em><\/em><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong> IHU On-Line &#8211; J\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel identificar quais s\u00e3o as raz\u00f5es de por que o n\u00edvel do mar est\u00e1 avan\u00e7ando sobre a costa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Williams Guimar\u00e3es &#8211;<\/strong> No tocante a este questionamento, considera-se que o <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/551956-nivel-do-mar-subiu-mais-nos-ultimos-cem-anos-que-nos-tres-milenios-anteriores\" target=\"_blank\"><strong>n\u00edvel do mar<\/strong><\/a> n\u00e3o deixou de variar durante o per\u00edodo geocronol\u00f3gico do nosso Planeta e isso ocasiona mudan\u00e7as na linha de costa, tornando esse processo inevit\u00e1vel. Alguns estudos apontam que, durante a \u00faltima d\u00e9cada, o n\u00edvel m\u00e9dio do mar subiu em m\u00e9dia 2,5 mm por ano, sugerindo, assim, que durante o s\u00e9culo XX, por exemplo, o n\u00edvel do mar subiu cerca de 10 a 20 cm, ou seja, de 1 a 2 mm por ano. Contudo, essa eleva\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi uniforme sobre a superf\u00edcie total dos oceanos. Al\u00e9m disso, essa alta estava correlacionada com a <strong>expans\u00e3o t\u00e9rmica dos oceanos<\/strong>, ocasionada pelo <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/552313-efeito-do-aquecimento-global-sobre-o-equilibrio-nutricional-sera-fatal-aponta-estudo\" target=\"_blank\"><strong>aquecimento global<\/strong><\/a>. Os impactos decorrentes de tal eleva\u00e7\u00e3o, em regra geral, n\u00e3o s\u00e3o constantes e variam muito em fun\u00e7\u00e3o da configura\u00e7\u00e3o do tipo de cada costa.<\/p>\n<p>Como se trata de um ciclo natural, decorrente em nosso Planeta, sugere-se que as praias sofrer\u00e3o modifica\u00e7\u00f5es bem mais importantes que no passado recente. A subida do<strong> n\u00edvel do mar<\/strong> \u00e9 uma das v\u00e1rias causas que acelera o<strong> processo erosivo costeiro<\/strong> e pode permitir \u00e0 costa retornar para um cen\u00e1rio semelhante ao do fim da \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o, que ocorreu h\u00e1 aproximadamente 11.000 anos, quando a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar foi r\u00e1pida (em termos geol\u00f3gicos). Partindo desse pressuposto, entende-se que o n\u00edvel do mar est\u00e1 subindo e a grande diferen\u00e7a agora \u00e9 a presen\u00e7a dos seres humanos, que se concentram cada vez mais na zona costeira, sem saber ao certo quando ou como a areia come\u00e7ar\u00e1 a se deslocar.<\/p>\n<p><strong>IHU On-0Line &#8211; Quais s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es mais recentes acerca do avan\u00e7o do n\u00edvel do mar sobre a costa brasileira? \u00c9 poss\u00edvel saber quanto o n\u00edvel do mar aumentou nos \u00faltimos anos no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Williams Guimar\u00e3es &#8211;<\/strong> No que diz respeito ao avan\u00e7o do <strong>n\u00edvel do mar<\/strong> na costa brasileira, temos que levar em considera\u00e7\u00e3o que o litoral brasileiro \u00e9 muito extenso, que possui comportamento distinto, al\u00e9m de sua din\u00e2mica em decorr\u00eancia dos mais variados fatores, tais como declividade da plataforma continental, disponibilidade de suporte sedimentar, varia\u00e7\u00e3o de alturas das ondas, ventos, predisposi\u00e7\u00e3o das praias \u00e0s ondas de tempestades, dentre tantos outros aspectos. Por conta disso, as situa\u00e7\u00f5es com rela\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel do mar variam bastante; por exemplo, existem praias erosivas, que nos d\u00e3o uma falsa impress\u00e3o de que o n\u00edvel do mar est\u00e1 aumentando.<\/p>\n<p>Outro fen\u00f4meno que se deve levar em considera\u00e7\u00e3o s\u00e3o os lugares em que a <strong>amplitude da mar\u00e9<\/strong> (preamar e baixa-mar) varia muito, podendo confundir num estudo de aumento do n\u00edvel do mar. Vamos fazer uma analogia levando em considera\u00e7\u00e3o as regi\u00f5es <strong>Norte<\/strong> e <strong>Nordeste<\/strong> brasileiras. Existem regi\u00f5es em <strong>Macap\u00e1<\/strong>-AP, Norte do Brasil, em que a diferen\u00e7a entre a mar\u00e9 alta e baixa chega a quase 16 metros. Em <strong>Jo\u00e3o Pessoa<\/strong>-PB, Nordeste brasileiro, essa diferen\u00e7a n\u00e3o chega a mais que 2,8 metros. Vale ressaltar que esta diferen\u00e7a acarreta um recuo em cerca de metros a quil\u00f4metros na praia. A resposta \u00e0 pergunta se a Linha de Costa sofre com a Eleva\u00e7\u00e3o do N\u00edvel do Mar vai depender de suas caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas\/geomorfol\u00f3gicas.<\/p>\n<p>Sendo assim, pode-se considerar uma <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/542147-aquecimento-em-oceanos-pode-ter-efeitos-imprevisiveis-para-a-terra\" target=\"_blank\">varia\u00e7\u00e3o de efeitos<\/a> que poder\u00e3o oscilar entre nenhum (cost\u00e3o rochoso), eros\u00e3o (praias arenosas, fal\u00e9sias sedimentares) e inunda\u00e7\u00e3o (\u00e1reas baixas frequentemente ocupadas por manguezais ou p\u00e2ntanos), sendo esse considerado um cen\u00e1rio bem mais pessimista, segundo estudos realizados pelo <strong>Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas<\/strong> (<strong>IPCC<\/strong>, na sigla em ingl\u00eas), entre 1990 e 2001. No Brasil, ocorre mais eros\u00e3o costeira continente adentro associada a v\u00e1rios fatores naturais e antr\u00f3picos do que mais precisamente mudan\u00e7as significativas no n\u00edvel do mar. O <strong>n\u00edvel do mar<\/strong> est\u00e1 subindo? Fica dif\u00edcil garantir, pois os efeitos de um poss\u00edvel aumento do n\u00edvel do mar agem de formas diferenciadas, de regi\u00e3o para regi\u00e3o, de uma maneira impercept\u00edvel aos nossos olhos.<\/p>\n<table cellspacing=\"15\" cellpadding=\"15\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img src=\"http:\/\/oi61.tinypic.com\/28j8cgi.jpg\" width=\"47\" \/><\/p>\n<h2>&#8220;A gravidade dos impactos depender\u00e1 de quanto esta eleva\u00e7\u00e3o se dar\u00e1, mas sabe-se que os efeitos ser\u00e3o de grandes propor\u00e7\u00f5es em escala global&#8221;<\/h2>\n<\/td>\n<td><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><strong>IHU On-0Line &#8211; Hoje, a eleva\u00e7\u00e3o do n\u00edvel do mar j\u00e1 afeta, direta ou indiretamente, as atividades costeiras? Como?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Williams Guimar\u00e3es &#8211;<\/strong> A gravidade dos impactos depender\u00e1 de quanto esta eleva\u00e7\u00e3o se dar\u00e1, mas sabe-se que os efeitos ser\u00e3o de grandes propor\u00e7\u00f5es em escala global. Por exemplo, as <strong>inunda\u00e7\u00f5es costeiras<\/strong> j\u00e1 s\u00e3o maiores e mais frequentes do que eram no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. Outros efeitos em decorr\u00eancia do <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/550769-2016-sera-o-mais-quente-de-todos-diz-agencia\" target=\"_blank\"><strong>aquecimento global<\/strong><\/a> ampliar\u00e3o os impactos, devido ao aumento de tempestades e tuf\u00f5es provocando nas costas enormes estragos, incluindo perdas de muitas vidas. Outro fen\u00f4meno s\u00e3o as intensifica\u00e7\u00f5es do regime de chuvas que caem no litoral, aumentando os estragos. Tamb\u00e9m se deve levar em considera\u00e7\u00e3o a altura m\u00e9dia das ondas, que tendem a aumentar, tanto pelo efeito de tempestades mais repetidas quanto por mudan\u00e7as no padr\u00e3o dos ventos e das correntes marinhas, ocasionadas por interfer\u00eancia do aquecimento global.<\/p>\n<p><strong>IHU On-0Line &#8211; Segundo as \u00faltimas not\u00edcias, a barreira do Cabo Branco, em Jo\u00e3o Pessoa, amea\u00e7a desabar por causa do impacto das ondas do mar. Quais s\u00e3o os riscos? Algo j\u00e1 est\u00e1 sendo feito para evitar tais riscos?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Williams Guimar\u00e3es &#8211;<\/strong> A orla do munic\u00edpio de <strong>Jo\u00e3o Pessoa<\/strong>, em raz\u00e3o de processos naturais e antr\u00f3picos, enfrenta a <strong>eros\u00e3o marinha<\/strong>. Estes fen\u00f4menos naturais, amplificados por a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas, atingem, principalmente, a <strong>Praia do Seixas<\/strong>, <strong>Ponta do Cabo Branco<\/strong> e o trecho da Praia do Cabo Branco defronte \u00e0 <strong>Pra\u00e7a de Iemanj\u00e1<\/strong>. Os processos nas \u00e1reas em <strong>situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica de eros\u00e3o<\/strong> podem ser resumidos em:<\/p>\n<p>\u2022 falta do fornecimento de sedimentos;<br \/>\n\u2022 desaparecimento da praia de prote\u00e7\u00e3o;<br \/>\n\u2022 ataque das ondas ao p\u00e9 da fal\u00e9sia;<br \/>\n\u2022 forma\u00e7\u00e3o do entalhe de eros\u00e3o;<br \/>\n\u2022 grandes desmoronamentos;<br \/>\n\u2022 fal\u00e9sias atuais com forte talude;<br \/>\n\u2022 <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/noticias\/540124-um-mar-de-propostas-para-2015\" target=\"_blank\">ocupa\u00e7\u00e3o do solo<\/a> associada ao desmatamento;<br \/>\n\u2022 altera\u00e7\u00f5es da permeabilidade do solo e drenagem.<\/p>\n<p>Como se pode observar, os efeitos da eros\u00e3o na <strong>Fal\u00e9sia do Cabo Branco<\/strong> s\u00e3o in\u00fameros e n\u00e3o somente pela a\u00e7\u00e3o do batimento das ondas no sop\u00e9 da fal\u00e9sia, fen\u00f4meno esse considerado coadjuvante. Os riscos s\u00e3o v\u00e1rios, desde acarretar a perda do patrim\u00f4nio p\u00fablico at\u00e9 colocar em risco a integridade f\u00edsica dos usu\u00e1rios. Vale ressaltar que o <strong>Farol do Cabo Branco<\/strong>, um dos v\u00e1rios pontos tur\u00edsticos do Estado da Para\u00edba, em termos de visita\u00e7\u00e3o representa 71% de turistas. A esta\u00e7\u00e3o Cabo Branco \u2013 Ci\u00eancia, Cultura e Arte (Esta\u00e7\u00e3o Ci\u00eancia) tem quase 56% de visita\u00e7\u00e3o por turistas, e n\u00e3o podemos desassociar isto ao colocar em risco a integridade f\u00edsica destes usu\u00e1rios.<\/p>\n<p>No que diz respeito \u00e0s <strong>a\u00e7\u00f5es de mitiga\u00e7\u00f5es<\/strong> destes problemas ocorridos na \u00e1rea, efetivamente tem-se feito muito pouco. Vale ressaltar que a \u00e1rea j\u00e1 foi estudada por d\u00e9cadas. Nos \u00faltimos estudos gerenciados pela <strong>Funda\u00e7\u00e3o Apol\u00f4nio Sales<\/strong> da <strong>Universidade Federal Rural de Pernambuco<\/strong>, que envolveu pesquisadores tamb\u00e9m da <strong>Universidade Federal de Pernambuco<\/strong>, <strong>Universidade Federal da Para\u00edba<\/strong> e <strong>Universidade Federal do Cear\u00e1<\/strong>, ocorrida entre 2007 e 2009, fez-se um levantamento detalhado da \u00e1rea com dados prim\u00e1rios apontando as fragilidades do ecossistema local, por meio de diagn\u00f3sticos do meio f\u00edsico e bi\u00f3tico, apontando os tipos de solu\u00e7\u00f5es de interven\u00e7\u00e3o mais adequadas sugeridas para esta \u00e1rea.<\/p>\n<p>Estes estudos passaram por audi\u00eancia p\u00fablica, foram amplamente discutidos com t\u00e9cnicos competentes, al\u00e9m da sociedade civil organizada e \u00f3rg\u00e3os governamentais do meio ambiente, tanto do munic\u00edpio quanto do estado. Fui um dos que apresentaram estes estudos a v\u00e1rios setores da sociedade paraibana, desde 2010 at\u00e9 2012, objetivando mitigar o problema da eros\u00e3o acentuada deste ambiente que tem uma varia\u00e7\u00e3o significativa entre 0,46 e 1,92 metros por ano \u2014 dados obtidos por esses estudos. Devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es burocr\u00e1ticas e \u00e0 falta de prioridade em fazer algum tipo de interven\u00e7\u00e3o na \u00e1rea, a mesma encontra-se em estado de calamidade ao longo destes anos. Contudo, ap\u00f3s press\u00e3o de quase toda a sociedade paraibana, busca-se \u00e0s pressas fazer qualquer tipo de interven\u00e7\u00e3o neste ambiente que, diga-se de passagem, \u00e9 muito preocupante. As interven\u00e7\u00f5es que se prop\u00f5em na atual conjuntura v\u00e3o de encontro aos estudos realizados pelas institui\u00e7\u00f5es acima mencionadas.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"\" src=\"https:\/\/thumbor.clickpb.com.br\/c11TC0H3lHm8txfBgiK3U2EKDMk=\/876x585\/top\/smart\/www.clickpb.com.br\/media\/filer_public\/5f\/97\/5f97b5e5-fa13-4b43-be96-fa7be2145da5\/mppb-apresentara-projeto-para-contencao-da-erosao-da-falesia-do-cabo-branco.jpg\" width=\"639\" height=\"427\" \/><em>Imagem da Fal\u00e9sia do Cabo Branco<\/em><br \/>\n<em>Foto: Walla Santos \/ MP\/PB<\/em><\/p>\n<p><strong>IHU On-0Line &#8211; Como \u00e9 feito o monitoramento do aumento do n\u00edvel do mar no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Williams Guimar\u00e3es &#8211;<\/strong> Normalmente, este monitoramento \u00e9 feito em parceria com institui\u00e7\u00f5es de ensino superior, tanto nacionais, como <strong>Universidade Federal de Pernambuco<\/strong>, <strong>Universidade Federal do Cear\u00e1<\/strong> e <strong>Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo<\/strong>, quanto institui\u00e7\u00f5es internacionais, como o pr\u00f3prio <strong>IPCC<\/strong>, que trabalham com tratos desta natureza.<\/p>\n<p><strong>IHU On-0Line &#8211; O Brasil j\u00e1 tem algum tipo de pol\u00edtica para prevenir a destrui\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es localizadas pr\u00f3ximo \u00e0 costa, caso o n\u00edvel do mar continue aumentando? Que pol\u00edticas ou a\u00e7\u00f5es poderiam ser realizadas para conter os poss\u00edveis impactos causados pelo avan\u00e7o do n\u00edvel do mar nas comunidades costeiras?<\/strong><\/p>\n<p><strong>Williams Guimar\u00e3es &#8211;<\/strong> O <strong>Projeto de Gest\u00e3o Integrada da Orla Mar\u00edtima \u2013 Projeto Orla<\/strong> surge como uma a\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito do Governo Federal, conduzida pelo Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, em conson\u00e2ncia com a Secretaria de Qualidade Ambiental nos Assentamentos Humanos e a Secretaria do Patrim\u00f4nio da Uni\u00e3o do Minist\u00e9rio do Planejamento, Or\u00e7amento e Gest\u00e3o, para buscar implementar uma pol\u00edtica nacional que harmonize e articule as <strong>pr\u00e1ticas patrimoniais e ambientais<\/strong> com o planejamento de uso e ocupa\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o que constitui a sustenta\u00e7\u00e3o natural e econ\u00f4mica da <a href=\"http:\/\/www.ihu.unisinos.br\/entrevistas\/511481-os-oceanos-e-sua-importancia-para-os-servicos-ambientais-entrevista-especial-com-leandra-goncalves-\" target=\"_blank\"><strong>Zona Costeira<\/strong><\/a>.<\/p>\n<p>O desafio deste projeto \u00e9 lidar com a diversidade de situa\u00e7\u00f5es representadas por uma extensa faixa, que atinge 8.500 km de litoral, com aproximadamente 300 munic\u00edpios litor\u00e2neos e, de acordo com o \u00faltimo censo, tem uma popula\u00e7\u00e3o aproximada de 32 milh\u00f5es de habitantes. Ent\u00e3o, como se pode observar, o desafio \u00e9 grande em se tratando de Brasil, pois a diversidade de cultura, ambiente e decis\u00f5es pol\u00edticas s\u00e3o fatores fundamentais para dar celeridade a estes aspectos.<\/p>\n<p><em>Por Patricia Fachin<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eros\u00e3o marinha na costa brasileira: depois da falta de prioridade, busca-se \u00e0s pressas fazer qualquer<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[],"tags":[],"uagb_featured_image_src":{"full":false,"thumbnail":false,"medium":false,"medium_large":false,"large":false,"1536x1536":false,"2048x2048":false,"cream-magazine-thumbnail-2":false,"cream-magazine-thumbnail-3":false,"cream-magazine-thumbnail-4":false},"uagb_author_info":{"display_name":"","author_link":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/author\/"},"uagb_comment_info":0,"uagb_excerpt":"Eros\u00e3o marinha na costa brasileira: depois da falta de prioridade, busca-se \u00e0s pressas fazer qualquer","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44927"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=44927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/44927\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=44927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=44927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacoecologico.com.br\/arquivo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=44927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}